Semideuses

1 O Orfanato Momentos Felizes abriga monstros


Meu nome é Pedro Gabriel.

Tenho 12 anos e moro no centro de Nova York,uma cidade pequena,porém bem chamativa.Durante todo o ano pessoas de vários lugares vem para Nova York,como forma de lazer.Para muitos a cidade é um grande atrativo,para mim é apenas uma cidade qualquer cheia de palavras na qual eu não consigo ler.

Pois é eu sofro de TDAH,ou Transtorno de Déficit de Atenção e de Dislexia,então a maioria das palavras não fazem sentido para mim,são apenas borrados escuros na qual eu preciso aprender na escola.

Eu estudo na United Academy Advance(UAA) ,uma escola oferecida pelo governo para os integrantes do Orfanato Momentos Felizes,pois é,eu sou orfão.Nunca conheci minha mãe e nem meu pai,dizem que fui abandonado na porta de um orfanato quando tinha 2 meses.

Ao olhar para o imenso e luminoso cartaz em frente ao Orfanato escrito:

Momentos Felizes

Se pensa,nossa que maravilha lá as pobres criancinhas sem família poderão viver "Momentos Felizes",está totalmente errado.

O orfanato é um lugar imundo por dentro,onde ninguém te dá a mínima atenção,a não ser pelos outros orfãos revoltados que vivem me agredindo,mas eu não tenho pra onde ir,se me pegarem fugindo novamente,terei que morar nas perigosas ruas de Nova York,e eu já passei por isso...não quero passar novamente.

Não tenho amigos no orfanato,então quando não estou na escola,fico lendo sobre arquitetura em Grego Antigo,que por algum motivo eu consigo ler perfeitamente.Adoro arquitetura e pretendo ser um no futuro,quer dizer se eu ao menos conseguir sair desse orfanato e entrar em uma boa faculdade.

Durante toda a minha vida,fui um fugitivo.Eu lembro que aos 7 anos de idade fugi de outro orfanato e fui morar nas ruas,sofria muito,sentia fome,dores.Depois fui encontrado pelo governo que me colocou em outro orfanato onde finalmente fui adotado.Era uma família muito gentil,tirando o meu "meio-irmão" que me odiou desde o dia em que cheguei.Percebi que o garoto se afastou da família por minha causa,então decidi fugir,eu até queria uma família,uma família unida e não separada por minha culpa.Lembro que dos 9 aos 10 anos morei na casa de uma velha senhora que me adotara,ela era muito legal...até o dia em que tentou me matar.Ela simplesmente se transformou em um ser horrendo com asas escamosas,garras afiadas e um rosto horrível.Depois dessa experiência,resolvi fugir de lá também.Não era a primeira vez que alguém tentara me matar,meu professor do Jardim II,uma outra moça que me adotara,um mendigo na rua e uns 3 ou 4 orfãos revoltados do orfanato.

Já eram 6:20,hora de ir pra escola.Desci as escadas empoeiradas e velhas do orfanato e fui para a porta onde um ônibus me levava para a escola,junto do grupo de orfãos revoltados.Quando entrei no ônibus,Rick,um dos orfãos revoltados de 17 anos,passou por mim derrubando minha mochila e depois me empurrou no chão de modo que eu caísse perto do motorista.

–Ei,cuidado crianças.-disse o motorista olhando para mim.

Me levantei sem falar nada e fui me sentar,mas Rick queria muito brigar então começou a me chamar de fracote,de perdedor e de um monte de coisas.Eu podia ser chamado de qualquer coisa,menos de perdedor,eu odiava perder.

Joguei minha mochila preta no banco do ônibus,o motorista ainda esperava o resto das crianças para partir.Cerrei as mãos e me virei para Rick.

–Perdedor?!-murmurei.

Corri na direção dele com a mão em forma de soco,lhe dando um grande susto.Seu olho logo ficou roxo.

–Briga,briga,briga!-o resto do ônibus gritava enquanto o motorista fingia não ouvir nada.

Rick era muito maior do que eu e muito mais forte,com apenas um soco no meu nariz cai para trás.O sangue jorrava sobre minhas narinas.Ele percebendo que eu havia caído veio e começou a me chutar.

Sentia dores fortes...mas...como eu já disse,eu odiava perder!

Levantei rapidamente e corri na direção dele lhe dando uma cabeçada na barriga,Rick cambaleou para trás como se sentisse dor.Ele ficou parado com a mão na barriga.Eu tinha que fazer alguma coisa,mas tinha pouco tempo,enquanto pensava no que fazer,Rick se recuperou da cabeçada e me pegou pelos braços me jogando contra a frente do ônibus.

Bati a cabeça com força e estava quase inconsciente,mas não queria perder.Me apoiei no motorista e me levantei,fui me arrastando até Rick.

–Olhem,os olhos dele!-Clarkson,outro orfão gritou.-

Pelo que diziam,meus olhos estavam brancos,desde a íris até a pupila.Naquele momento senti um fogo queimando em meu peito,que foi subindo até minha boca,senti minha boca se abrindo e gritei:

–Αυτό πέτρες πέφτουν από τον ουρανό, να σας καταστρέψουν!

Todos se olharam estranhamente até que pedras caíram do céu atravessando o teto do ônibus,as pedras caíram sobre a cabeça de Rick,que desmaiou com o sangue escorrendo de seu rosto.Mas o sangue dele era cor de ouro...e o pior,parecia que sou eu tinha notado isso.

O resto do ônibus se perguntava o que havia acontecido,mas nem eu sabia explicar.Eu não sei o que me fez dizer aquilo,mas eu sabia o que havia dito.

Que dos céus caiam pedras,que lhe destrua.

Era quase uma maldição,só não entendi como ela realmente funcionou.O motorista ao perceber o sangue no chão,o teto cheio de buracos e "trocentas" pedras pelo ônibus se virou para a gente e perguntou quem havia feito aquilo e todos apontaram para mim que fui expulso do ônibus e tive que ir andando para a escola.

Não era a primeira vez que eu havia feito uma coisa tão estranha a ponto de não saber como.Quando eu tinha 1 ano de idade ficava na área infantil do orfanato,que não era um lugar tão ruim,era até que agradável.Na área infantil tinha as pessoas que lhe davam atenção e brincavam com você.Um dia,um casal veio até o orfanato para adotar uma criança e acabaram me escolhendo,só faltava preencher a papelada que eu faria parte daquela família.O casal foi para a secretária assinar os documentos e ouviram um grito vindo do meu berço,então foram correndo até lá,onde eu estava rodeado de corujas que estavam brincando comigo.Resumindo, o casal achou que eu era algum bruxo e desistiu de me adotar.

Teve também a vez em que eu,com 5 anos,venci um garoto de 15 no xadrez.

Tinha uma senhora no Orfanato,chamada Judy,ela foi a única que me deu amor e carinho no orfanato,até que ela morreu aos 74 anos,desde então o orfanato virou um pesadelo.A senhora Judy vivia dizendo que eu era muito inteligente e que eu teria um futuro brilhante.Algumas vezes,ela dizia coisas como se previsse o meu futuro.

Voltando ao assunto do ônibus,eu tive que ir andando para a escola.Ao chegar nela fui direto para a sala de aula,já que não tinha nenhum amigo.Eu meio que sofria bullying por ter TDAH e dislexia.

Assisti a aula normalmente,respondi algumas perguntas,não soube ler outras.Fora apenas um dia qualquer na escola,vou poupá-los dessa parte chata.

Quando estava saindo,resolvi não pegar o ônibus e voltar a pé.Assim que sai da escola,segui por uma rua reta e depois virei em uma esquina,onde vi Rick.

–Achei que estivesse morto!-eu disse assustado.

–Morto?!Monstros não morrem!-disse Rick.-E por falar em monstros,melhor eu deixar esse corpo pra lá e lhe mostrar minha verdadeira face.

Um vulto escuro saiu de dentro do corpo de Rick,fazendo seu corpo cair no chão.

O vulto caiu sobre o chão,se transformando em um ser com garras e rosto de águia,corpo de leão e no lugar do rabo,uma grande serpente que soltava seu veneno em várias direções,em seu rosto ainda havia a presença de longos chifres.

–Olá Pedro!Sou Quimera,prazer em vê-lo.É uma pena que você não vá sobreviver.

Quimera soltou fogo pelas narinas tentando me acertar,mas me joguei para o lado.Ele rodou de modo que a serpente me acertasse na perna e me fizesse cair.O rosto da serpente veio na minha direção,de seus dentes escorria o veneno,de cor vermelha como sangue.Ela se aproximou do meu pescoço,pronto para me atacar.

–Largue-o!-uma voz gritou atrás do Quimera e lhe lançou um jato de água.

A serpente emitiu um chiado e se virou,o resto do corpo olhou para a pessoa e correu em sua direção.

–Percy Jackson,filho de Poseidon!-disse o Quimera.

O homem de nome Percy Jackson correu até mim e perguntou se eu estava bem.

–Sim,estou mas...você é...filho de Poseidon?-perguntei como se aquilo fosse alguma idiotice ou piada.

–Não à tempo de explicações agora,melhor corrermos.

Percy Jackson tinha olhos verde-água,e o cabelo preto.Tinha uma barba bem ralinha e aparentava ter uns 26 anos.

Quimera investiu contra Percy que tirou de seu bolso uma caneta e...

–O que você vai fazer com essa caneta?

–Olhe e aprenda.

Percy tirou a tampa da caneta que logo se transformou em uma longa espada de bronze.Percy atacou o quimera com a espada,mas ele desviou.

Quimera veio correndo na minha direção e se jogou em cima de mim.

Meus olhos se arregalaram.

–Seus olhos são cinzentos como os de...-disse Percy fazendo uma pausa.-Annabeth.

Chutei a cara da Quimera que cambaleou para trás.

Percy veio correndo até mim com a espada e acertou em uma das pernas da quimera.Me levantei e vi que o corpo de Rick havia sumido,virei-me para o lado e vi que ele havia acordado e estava fugindo do monstro.Percy seguiu meu olhar.Então o perguntei:
–O que ele viu?Quer dizer...se ele realmente tivesse visto esse demônio,sei lá,ele teria gritado.

Antes de me responder,Percy encravou a espada no rosto do Quimera,fazendo com que o mesmo se transformasse em pó e fosse voando com a brisa.

–A névoa...ela distorce a visão humana.Ela faz com que vejam as coisas mágicas de outro modo,de um modo que possam acreditar ser algo normal.-ele disse.

–Humanos?!Você fala como se não fosse um.-eu disse.

–Bem...não totalmente.

–Ãhn?-eu perguntei.

–Conhece os deuses da mitologia grega?-ele perguntou.

–Sim!Já estudei bastante sobre eles.

–Bem...quando um deus e uma humana tem um filhos eles nascem como semideuses,metade humanos,metade deuses.Apenas humanos com habilidades especiais.-ele disse.

–Deuses?! Aprendi sobre eles na escola, mas não espere que eu acredite na existência deles.-eu disse.

–Sei que é difícil de...

Antes que Percy terminasse de falar,uma luz brilhou na frente dele,era como um arco-íris.

–Percy?-perguntou uma menina loira de olhos cinzentos que falava pelo arco íris,como se fosse uma web can.

–Annabeth,eu acho que encontrei mais um semideus!-disse Percy feliz.

–Como tem tanta certeza que ele é um semideus?-perguntou Annabeth.

–Enquanto procurava por Quimera,que fugiu do Tártaro.Percebi uma grande força vindo dessa área,quando cheguei aqui,Quimera atacava esse garoto.Se o atacou,ele deve ser importante.Talvez um dos que precisamos para o ritual.

–Ok,então melhor trazê-lo para o Acampamento Meio-Sangue.-disse Annabeth.-Tchau,a mensagem de Íris não vai durar por muito tempo e não tenho mais dracmas de ouro.

A luz tremeluziu e se foi.

–Cadê seus pais?-perguntou Percy.

–Não tenho pais,moro num orfanato.-eu disse.

–Melhor você vir comigo.-disse Percy.

–Mas antes...me explique...o que está acontecendo?

–Venha comigo,Quíron pode te explicar melhor.-disse Percy.

Eu acabei o seguindo,eu não tinha escolha,não queria voltar para o orfanato.

Nós caminhamos por muito tempo,até que chegamos ao estreito de Long Island,uma bela praia por sinal.Caminhamos mais uns 5 minutos e chegamos á uma colina.Eu e Percy subimos a colina e quando chegamos no topo dela vi um pinheiro com um tecido aparentemente de ouro pendurado no galho mais baixo.Esse tecido irradiava glória e poder pelo pinheiro.

–O velocino de ouro?-perguntei.

–Sim,você conhece a história.

–Uhum.-disse balançando a cabeça.-Jasão foi até o mar de monstros,utilizando o seu navio de guerra "Argo" e assim encontrou o Velocino.

–Isso é uma réplica ou o quê?-perguntei.

–Esse é o original,eu,minha namorada Annabeth e outros amigos o encontramos à alguns anos atrás.-disse Percy.

–Annabeth?!A menina na qual você conversou por aquela luz?-perguntei.

–Sim.-ele disse.

Chegamos à duas colunas gregas, que formavam uma espécie de entrada, no alto das colunas haviam as palavras:

"Acampamento meio-sangue"

Percy atravessou as colunas e disse:

–Chegou a hora, se passar por aqui, quer dizer que você realmente é um semideus.

Ainda sem entender nada, passei pelas colunas, senti-me como se tivesse passado por uma barreira invisível.

–Pois é, parece que temos mais um semideus no acampamento.-disse Percy tão baixo que parecia falar consigo mesmo.

Ainda do alto da colina, pude ver uma grande casa branca, ao lado de uma quadra de vôlei e de um rio.Do outro lado do rio haviam campos de morangos, mais para trás haviam vários chalés que formava um semi-círculo,com mais alguns em linha reta ao lado do semi-círculo,formando a letra omega,a última letra do alfabeto grego e no meio dos chalés uma grande fogueira.No céu,criaturas metade mulher metade pássaro voavam.Já tinha aprendido sobre elas na escola,são criaturas mitológicas chamadas Harpias.Perto da quadra de vôlei, dava para se ver crianças mais ou menos da minha idade lutando entre si em uma espécie de arena.

O lugar parecia um acampamento de verão, senão fosse pelas harpias voando pelo céu.

–Que lugar é esse?-perguntei.

–Seja bem vindo ao Acampamento Meio-Sangue.-disse Percy.-Venha,vamos descer,Quíron irá te explicar tudo.

Eu e Percy descemos a colina,com o sol se pondo às nossas costas.Ainda estava machucado pelos estranhos acontecimentos de hoje,então cada passo que dava doía.

Olhei para trás com a impressão de que não voltaria ao orfanato tão cedo.

Quando voltei minha visão ao grande acampamento, senti as pálpebras caindo sobre os olhos, minhas pernas tremeram e os olhos se fecharam,lembro de ter cambaleado para trás e caido, minha cabeça bateu sobre as pedras da colina.

Notas finais
Continua...