Sem título
1 Não posso viver, então escrevo
Nunca admiti dizer que a vida é injusta, mas sempre flagro-me pensando em como as pessoas são. A verdade é que eu me sinto tão estranha que ás vezes o meu único desejo é poder viajar para os lugares mais inesperados em busca de algo que não sei dizer o que é, apenas que existe e tem a incrível capacidade de fazer com que eu me sinta em meu verdadeiro lar. Eu cresci nesta casa e sempre a considerei espaçosa demais comparada ao que realmente preciso: Liberdade.
Os meus pais são bastantes rígidos em todos os sentidos e consequentemente isto faz com que eu me torne defensora de suas crenças também, mas preciso contar-lhe um segredo, meu querido amigo diário: Eu não sou.
Eu amo a minha família, mas sinto que não pertenço à este mundo particular dela. A pior das coisas que sinto é a de não poder compartilhar o que penso com as pessoas de meu círculo social que na verdade não existe, pois esqueci de mencionar que os meus pais não me permitem sair de nossa casa sem a companhia deles, pois temem que a maldade humana impulsione alguém a fazer algum mal à mim.
Na verdade o meu pai é uma figura importante e da mesma forma que conquista muitas pessoas pela sua dignidade e senso de honra impecáveis, sempre é atingido por olhares rancorosos de pessoas que permitem que a inveja as possua por completo. O quadro da parede da sala de estar pode representar para as outras pessoas um casal importante e com uma grande fortuna em seus nomes, mas para mim eles sempre serão apenas os meus pais.
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