Sem-sentido
4 Capítulo 4 - O Monstro
Notas iniciais
A monstruosidade não é feia
Nem tão má
Completamente fora dos padrões de um ser desses.
Mas a criatura não sabe disso.
Ao acordar no meio da noite, sedenta
Desce as escadas com o coração acelerado
Com medo do escuro.
Pobre dela, que não sabe que seu único medo é de si mesma.
Ela é o monstro do escuro
O qual ela não consegue combater.
Na rua usa camuflagem
Ninguém a olha de modo assustador
As pessoas a ignoram.
Não é o monstro dos padrões.
Quem a enxerga deveria ter medo
Imprevisível como nunca se viu
Com a fúria de um leão
Com a raiva de um lobo
E com o tom de uma criança.
Ninguém sobreviveu para contar sua história na presença dela.
Ou talvez tenham sobrevivido
Só não tiveram coragem de falar.
Dizem que sua voz é a de um anjo
Mas suas intenções são as de um demônio.
Uma alma perdida
Que vaga sozinha
Procurando seu objetivo
Procurando seu “eu”
Dizendo não sentir medo
Mas no fundo
Bem no fundo
Ela sabe que é seu monstro
Não se engane
As características são visíveis
Seu olhar ameaçador
Seu jeito de inclina a cabeça
Sua postura
E por fim,
Suas palavras.
Não entre no jogo
Você pode não sair
E ela vai lhe amaldiçoar com suas palavras
Te perfurar com suas palavras
Te tocar com suas palavras.
E você nunca mais vai querer vê-la novamente.
Mas vai.
Talvez não ela
Mas alguma outra de sua espécie
Não há escapatória.
E não há modo de muda-la.
Sempre foi assim
E assim,
Sempre será.
Então cuidado, meu caro
Você vai encontra-la.
E quando ocorrer
Não se esconda.
É o destino do qual você não pode fugir
Mas depois
Vai agradecer.
A monstruosidade olha para os outros
Os outros olham para ela
Sua camuflagem funciona
Mas quando abrir a boca,
Sua camuflagem se vai.
E o alvo morrerá por dentro.
Mas depois você vai agradecer.
Pois sempre foi assim
E assim,
Sempre será.
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