Sem saída
3 Amor inocente?
Notas iniciais
Mas que droga, minha cabeça parecia que ia explodir. Minhas pálpebras estavam pesadas, mas me forcei a abri-las. Olhei ao meu redor. Arvores e neve, eram as únicas coisas que conseguia ver. Eu estava deitada na neve gelada e todo meu corpo respondia tremendo. Estava tão frio e a única coisa que estava usando era uma camisola fina. Forcei-me a ficar de pé e procurei um caminho, uma casa, mas não havia nada naquele cenário gelado. O dia estava nublado como sempre e não havia um ruído se quer na floresta. Afinal, o que havia acontecido? No lugar da pergunta, o rosto dele percorreu em minha mente. Tinha que procurar ajuda. Se ele voltasse? Não estava conseguindo pensar. Mas não podia deixar o medo tomar conta de mim. Meu queixo batia e me pus a andar o mais rapidamente possível. A cada passo sentia a neve fria embaixo dos meus pés descalços. Olhava para os lados tentando não ficar assustada. O medo se dissipou quando avistei uma estrada. Sentia-me tão fraca, mas continuei a andar. Segui pela estrada, ela tinha que dar em algum lugar certo?
– Ruivinha? – Eu conhecia aquela voz.
– Miguel! – Me virei em sorridente.
Miguel desceu do cavalo e correu em minha direção. Abraçou-me e eu fechei os olhos me aninhando ao seu abraço e ao seu calor. Miguel tinha os cabelos bem negros e olhos castanhos. Era alto e robusto. Seu jeito ambicioso tinha herdado de seu pai, mas era simpático e bastante protetor. Éramos amigos de infância.
– Está tremendo Violet, onde esteve esse tempo todo? Todos estão preocupados. – Miguel tirou seu casaco preto e colocou sob meus ombros.
– Não sumi tanto tempo. – Levantei os olhos para ele.
– Violet você está sumida há três dias!
– Mas... – Não consegui terminar a frase.Como fiquei desacordada tanto tempo? Quando percebi, as lágrimas estavam rolando sob meu rosto. Miguel me puxou novamente para perto e me reconfortou calado. Ele olhou para mim preocupado.
– Agora que vi você está com um corte feio no rosto. – Miguel virou um pouco meu rosto e levantou a mão para minha bochecha, ao encostar, senti uma ardência.
– Não deve ser nada. Mas me diga, onde estão meus pais, minha mãe deve está desesperada.
– Sim, está. Seu pai juntou todos que pôde e colocou atrás de você. — Seus olhos caíram sobre mim e vi uma nítida preocupação. Não conseguia desviar os olhos daquele brilho inocente. Nunca havia parado para perceber como Miguel era bonito. — Eu fiquei desesperado pensando que tinha te perdido.
Seus dedos passaram por meu queixo e com um gesto calmo e cuidadoso, puxou meu rosto para perto do seu. Seus lábios macios tocaram os meus. Suas mãos seguraram meu rosto e eu fiquei na ponta dos pés. Foi um beijo calmo, mas ao mesmo tempo alarmante e muito errado. Mas não conseguíamos se soltar um do outro. Miguel parou primeiro depois de algum tempo.
– Violet... Eu, eu sinto muito. – As bochechas de Miguel estavam avermelhadas, não pude deixar de sorrir.
– Não precisa se desculpar.
– Seu pai não vai gostar, muito menos o meu.
– Eles vão ter que aceitar.
– Tudo bem então. Vamos logo.
Assenti e Miguel deu as costas para mim, indo pegar seu cavalo. Comecei a segui-lo, mas minha vista ficou embaçada e uma tontura me fez parar. Fechei os olhos e senti o chão sumir. Tentei me forçar a ficar de pé, mas meus joelhos perderam a força e caí. Voltei a sentir a neve fria em meu rosto e uma voz muito distante gritou pelo meu nome, mas pareceu mais como um sussurro.
*
Eu podia fazer isso, sei que podia. Já tinha sangue de lobisomem, se eu virasse um vampiro, iria ficar mais forte e poderia sair de casa, conhecer o mundo. E Erik e Sam iriam me ajudar com isso. Todos estavam pensando que Violet estava morta, esses pontos iria me ajudar mais ainda. Nunca me senti tão cruel, mas tinha que sacrificar coisas para ganhar outras, esse era o lema do meu pai. Violet estava leve em meus braços, ao olhá-la naquele estado parecia até frágil, sua fraqueza me ajudou um pouco. Já estava escuro, mas eu podia andar naquela floresta sem me perder. Erik e Sam sempre ficavam no lado oeste da floresta, perto da propriedade dos Valentine. Eles já estavam aos arredores fazia um tempo e na primeira vez que nos vimos quase nos matamos, mas acabamos meio que amigos. Erik me fez uma proposta e eu aceitei sem pestanejar. Sabia que Violet estava sumida por causa deles, mas de alguma forma ela fugiu. Sei que iria devolvê-la e ganhar meu premio.
– Garoto inteligente. – Uma voz ecoou pela floresta.
– Olá Erik. – Murmurei arrumando Violet em meus braços. – Onde está Sam?
– Estou aqui. – Uma segunda voz apareceu.
Os dois saíram da penumbra. Bem vestidos Erik e Sam sempre tinham elegância que nunca havia visto. Sam tinha os olhos bem azuis e seus cabelos castanhos brilhavam mesmo em meio à escuridão. Sam parecia mais novo e seu rosto sempre passava algo inocente, o que com certeza ele não era. Já Erik tinha os cabelos bem loiros e os olhos bem azuis, quase cinzas. Seu sorriso era sempre arrogante, muitas das vezes frio. Eles diziam que eram primos.
– Parece que a proposta ainda está de pé. – Erik parou na minha frente e seus olhos pousaram na garota em meus braços.
– Sim, está.
– Ela deve ter acordado esta manhã e fugido, não tinha como ter ido atrás dela. Havia um pouco de sol e não queríamos nos arriscar. – Agora foi Sam que falou, enfiando a mãos no bolso da calça.
– Eu pensei que você iria fraquejar. Afinal essa garota é sua amiga, certo? – Erik voltou com seu sorriso cínico.
– Certo. – Não queria olhar para Violet, não iria cair agora.
Erik pegou Violet dos meus braços e a menina se mexeu um pouco. O sorriso de Erik ao olhar Violet era estranho, uma mistura de felicidade e crueldade. Ele virou-se e olhando para Sam, acenou a cabeça em minha direção. Sabia que seria agora. Sam passou como um vulto ao meu lado e parou atrás de mim. Seu pulso apareceu na minha frente, que diferente de poucos segundos atrás, estava sangrando e todo rasgado. Senti sua outra mão passando pelo meu pescoço e o apertando. Quando seu pulso chegou perto de minha boca, Violet abriu os olhos.
– Mas o que... – Ela não terminou a frase ao ver o rosto de Erik.
Violet começou a tentar escapar dos braços de Erik, seus pés agora tocando o chão. Erik a segurava sem fazer nenhuma força. A menina gritava para que Erik a solta se, seu rosto ficando molhado. Ver Violet naquele estado fez uma culpa tomar conta de mim. Nunca tinha a visto chorar, isso doía em mim, cada lagrima que caia de seus olhos, era como uma faca entrando em meu coração.
– Erik, solte-a. – Me peguei deixando escapar um murmúrio.
– Trato é trato Connor. – Erik em uma velocidade incrível, agora estava segurando Violet pelos cabelos e começou a acariciar o rosto da menina.
Tentei me soltar, só que era tarde. Sam enfiou seu pulso em minha boca e continuou a me segurar enquanto eu tentava lutar inutilmente. Eu era mais forte que eles quando estava transformado. Mas a Lua não estava ali para me ajudar. O gosto de ferro estava nítido em minha boca, era gosto de sangue. Quanto mais eu lutava, mais sangue descia por minha garganta. Violet continuava a chorar silenciosamente tentando se soltar de Erik. Mas ele parecia se divertir com isso. De repente Sam tirou seu pulso da minha boca e sua mão mudou de posição. Uma segurando meu queixo e outra atrás da minha cabeça. Fechei os olhos. Sam estava pronto para quebrar meu pescoço. A última coisa que ouvi foi o grito desesperado de Violet.
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