Sem rumo.

22 Capítulo 22


Notas iniciais
ATENÇÃO: FIC SEM RUMO É CANCELADA PELA FALTA DE COMENTÁRIOS!!!!! Vamos às explicações: 1. Isso foi troll. 2. Me desculpem o atraso, mas tentei postar esse capítulo três vezes e ele não foi. Sem contar que a falta de comentários me desanimou e eu tive que demorar bastante para ver se os fantasmas apareciam. Alguns aparecerão, outros não. Enfim, é só isso HAUAHUAH. Esse capítulo seria narrado pela Tris, mas resolvi fazer ele com o Tobias, o que deu bastante trabalho. Enfim, espero que gostem dele. Há muito drama. Como não tivemos nenhuma recomendação, o capítulo é dedicado à mim, que sou uma diva. Beijinhos. Twitter: @poxamalec P.S.: Os spoilers dados no capítulo anterior ficarão para o próximo, já que será na voz da Tris. Não esqueçam de comentar e espero que gostem!! Em breve uma fic do Will e da Chris ♥ ACOMPANHE A OUTRA FIC! http://fanfiction.com.br/historia/540292/Estranha_Perfeicao/

TOBIAS EATON

O branco do hospital me dá náuseas. O lugar suga todas as suas energias de forma absurda, fazendo com que você se sinta ainda mais fraco. O cheiro de analgésicos e outras drogas fazem com que minha cabeça lateje mais forte.

Ou talvez isso seja apenas um efeito colateral do tumor.

Quando eu descobri que eu o tinha, há uns oito meses atrás, a primeira coisa que fiz foi esmurrar a mesa do meu médico Amah. Depois disso, saí normalmente do hospital, como se nada tivesse acontecido. Evelyn tinha chorado durante as próximas três semanas sem parar. Johanna tinha ido me visitar mais vezes do que eu podia contar e Hana estava sempre por perto, embora tivesse que administrar todo o negócio da família.

E ainda tinha Zeke.

Todos eles me sufocavam com aquelas palavras inúteis de consolos e incentivos, enquanto eu decidia se iria ou não fazer a porra de um tratamento. Eu nunca achei que valesse à pena. Seria só mais um gasto de dinheiro e, embora meu pai tivesse deixado uma porrada de grana para mim, eu não me sentia à vontade para gastá-lo. Não dessa forma. Não com algo que provocou sua morte. E também a minha.

Mas então Beatrice entrou na minha vida e tudo mudou. Com seu jeito menina doce e aquele ar maduro, ela conseguiu fazer o que nenhuma mulher jamais conseguiu de mim. Ela me fez se apaixonar por ela. E ainda conseguiu com que eu a amasse mais do que minha própria vida. Aqueles olhos esverdeados. Merda. Eu me lembro da primeira vez que eles olharam para mim por cima das poltronas do ônibus. Ela estava mal-humorada, mas porra, ela sempre fica uma gracinha quando está assim. Acho que por isso que desde o início ela conseguiu me prender.

– Pode abaixar o volume um pouco? — ela me pergunta gentilmente, mas sei o quanto está furiosa com isso. – Eu não consigo dormir com isso. – ela aponta para meu fone.

– Você estava ouvindo? – eu pergunto já sabendo a resposta. Não vou contrariar ela. Sorrio por ela pensar que meu fone que a acordou.

– Sim. Tá bastante alto. – ela fala educadamente.

Fora nosso primeiro diálogo e meu peito tá doendo de saudade. Eu queria que as coisas estivessem sendo diferentes com a gente. Que a vida não fosse tão cruel. Que a vida não fosse tão cruel com ela. Deus, se eu pudesse fazer algo, eu juro que o teria feito. Teria pago todo meu dinheiro em um caralho de tratamento, se ele ao menos me desse mais tempo ao lado de Tris.

Eu tô fodidamente arrependido, porra.

Enquanto a enfermeira chega para checar meu soro e minha medicação, eu suspiro e recosto a cabeça no travesseiro. Não me deixaram ter visitas. Ao menos não até eu terminar de fazer todos os exames. Estive inconsciente por uma hora e meia. A falta de oxigênio no meu cérebro na área do tumor fez com que eu desmaiasse três vezes. A dor de cabeça latejante tem se tornado mais forte essa manhã. Eu tinha aprendido a lidar com ela ao decorrer do tempo. Eu tinha aprendido a lidar com toda essa merda quando eu descobri. Eu só não tinha aprendido como lidar com Tris sobre isso.

Eu ainda não a havia visto. Pouco antes de eu entrar em convulsão, eu lembro do seu pequeno corpo apoiado na borda da porta da cozinha. Ela estava com aquele olhar de admiração e satisfação. O homem das cavernas batia em meu peito orgulhoso ao saber que eu a provocara aqueles olhares.

Mas então, ela me viu no chão. E esse tinha sido meu maior pesadelo desde que eu entrei aqui no hospital. Saber que ela me viu enquanto eu agonizava e ela não sabia o que fazer. Dói tanto, porra. Dói saber que ela provavelmente está vivendo o mesmo pesadelo novamente.

Eu devia ter contado. Claro que devia. Caralho, eu devia ter dito a ela quando ela soube do meu pai, quando ainda estávamos em Los Angeles. Eu deveria ter dito a ela quando fomos criando nossos laços. Porra, eu deveria ter sido honesto. Mas eu tive tanto medo de perdê-la. Tanto medo do que eu sentia. Tanto medo do que ela podia sentir por mim.

Sou tirado dos meus pensamentos quando ouço a porta sendo aberta. Evelyn está abraçada a Zeke, que a conforta gentilmente. Seus olhos param em mim e o vermelho deles só relatam que ela esteve chorando por muito tempo.

– Sinto muito, mãe. – eu confesso.

Ela assente e caminha até mim, ficando de pé ao lado da minha cama e segurando minha mão. Eu não digo uma palavra sequer, apenas deixo que ela chore. Zeke fechou a porta e nos observa com curiosidade, de braços cruzados na altura do peito, encostado na parede. Seu olhar é sério, mas pode-se notar que ele andou chorando. Eu não o culpo. Deixo que chore por mim, mesmo sabendo que isso pode soar ou não como um marica. Zeke é o único homem pelo qual eu daria minha vida.

– Você nos assustou. – Evelyn começa, fungando o nariz e secando as lágrimas dos olhos. – Achamos que tivesse... – ela para, como se admitir aquilo em voz alta fosse tornar tudo ainda mais sombrio. – Bem... Você sabe.

– Sim, mãe, eu sei. – eu suspiro. – Onde está Hana?

– Lá em baixo. Ela e Johanna estão tomando um café; acharam que fosse melhor que eu viesse primeiro.

– Bom. – eu concordo.

– Como é sua situação? Eu conversei com uma enfermeira, mas ela me disse que o médico seria a melhor pessoa pra me explicar. – ela pausa e posso ver as lágrimas se acumulando novamente em seus olhos. – Você vai ficar bem?

– Evelyn, eu não sei. – admito.

– E quanto à menina? Você não pode deixá-la. Se não quer fazer isso por nós, faça por ela. Ela merece.

– Eu já adiei demais...

– Eu não quero mais ouvir. – ela soluça, colocando ambas as mãos nos ouvidos e negando repetidamente com a cabeça.

Quando estou prestes a falar algo, a porta se abre novamente e uma enfermeira entra, com sua prancheta na mão e uma caneta na outra. Seus olhos repousam em mim e ela me dá um sorriso gentil, enquanto chama minha mãe e a leva para fora do quarto, conversando algo do qual não consigo ouvir.

E então restam apenas Zeke e eu.

– Pode admitir que eu fui um idiota. – eu começo, enquanto tento ignorar a dor de cabeça.

Zeke solta um grunhido irritado e se vira para a parede, socando-a com força. Ele encosta a cabeça nela, fecha os olhos e suspira.

– Você foi um idiota do caralho. – ele admite, virando-se e olhando para mim. Há indícios de lágrimas em seus olhos, mas Zeke é bom em não demonstrar fraqueza.

– Estive pensando... Não sei se tivesse feito o tratamento teria adiantado alguma coisa. Só iria adiar, Zeke. Seria perda de tempo.

– Você tinha que tentar, porra.

– Foi uma decisão minha.

– Merda, eu sei disso. E quanto à menina? Você ao menos contou a ela?

– Não. – o olhar horrorizado de Tris ao me ver caindo no chão me vem à mente, mas eu tento tirá-lo. – Ela descobriu hoje de manhã. Ainda não pude falar com ela. Você a viu?

– Sim. A gente tava subindo e ela tava na sala de espera. Ela tá perdida, cara. Eu iria fazer alguma coisa, mas tive que vir aqui primeiro.

Meu coração se doeu todo ao ouvir ele dizendo que ela estava perdida. Tris não pode se perder. Não novamente. Não quando ela acabou de se encontrar.

– Isso não é justo, droga. – Zeke confessa com um grunhido frustrado. – Como está sua situação? Eu sei que você sabe de alguma coisa.

Eu sei que ele sabia. Zeke sempre sabe quando eu estou escondendo algo. Tivemos essa conexão ao longo dos anos e por ser meu melhor amigo, Zeke sempre soube como me ajudar. É lamentável que ele não possa me ajudar agora. Sei que por dentro sua alma está se culpando por não poder fazer nada.

– Estou pior. O médico me falou algo, mas eu não consegui ouvir. Minha cabeça tá a mil, cara.

– Eu sinto muito... Por toda essa merda acontecer com você. – ele solta. – Não há nada que possamos fazer?

– Não. Pelo menos eu acho que não. Ainda tenho que fazer alguns exames. Só estamos dando um tempo. Eu tenho ficado tonto e desmaiei várias vezes. Eles decidiram parar.

– Não entendo nada disso, mas acho que foi melhor mesmo. – ele pausa.

Nós dois ficamos em silêncio. Talvez porque eu tenha medo de falar algo e cagar ainda mais com emocional de Zeke. Ele sempre me acompanhou e nós crescemos juntos. Porra, é difícil enfrentar a morte sabendo que meu melhor amigo está assistindo e se sentindo impotente para me ajudar. Estou com medo da realidade que me insiste em sufocar. Dói para caralho.

– Tô com medo. – Zeke confessa, afundando-se na poltrona ao meu lado e cobrindo a cabeça com as mãos.

– Eu sei.

– E quanto aos nossos planos, Tobias? – eu fico em silêncio novamente, porque não sei como responde-lo. Ele passa a mão nos cabelos e exaspera, depois se levanta e começa a andar de um lado para o outro no quarto branco do hospital. E é exatamente aí quando ele explode. – Porra, a gente jurou quando éramos crianças que quando arranjássemos nossas garotas faríamos nossa despedida de solteiro juntos. Terminamos o colegial juntos. Fomos pra faculdade juntos. Porra! – ele grita e se vira para mim. O vermelhão dos seus olhos indicando que ele está prestes a chorar. – Eu odeio essa vida! Não quero a porra do mundo sem você, droga! Por que isso tá acontecendo, caralho?! Por que isso tá acontecendo?! – ele passa as mãos nos cabelos novamente e fecha os olhos. Noto quando uma lágrima cai e ele suspira, sem se incomodar em limpá-la ou não. – O que eu faço, Tobias? – ele me pergunta, sua voz rouca embargada pelo nó que se formou em sua garganta.

Eu penso antes de falar, mas quando me dou conta, as palavras já saltaram de dentro da minha boca. Como diz o ditado, a boca só fala do que o coração está cheio.

– Se algo acontecer, você pode dizer que eu a amei?

– Não diga isso! – ele grita e aponta para mim. – Você vai dizê-lo. Você vai cair fora daqui. Não ouse dizer isso.

– Zeke, nós dois sabemos que as chances são pequenas. – eu digo, já cansado de repetir o mesmo dilema.

– Merda, eu tô cagando pra essa porcaria de medicina! – ele grita novamente. –Porra, você vai sair dessa. Você precisa sair. – ele exaspera baixinho. – Nós dois vamos nos tornar dois velhos rabugentos. – ele diz para mim e um sorriso toma o canto dos meus lábios.

– Isso inclui o xadrez? – pergunto, me lembrando das inúmeras vezes em que Zeke e eu jogamos.

Zeke sorri.

– Isso inclui a merda toda. Só saia dessa, ok?

– Pode deixar. – eu brinco.

O silêncio se faz presente novamente e Zeke volta para poltrona. O clima entre nós está mais leve depois do humor adicionado na situação que estamos. Zeke sempre foi bom em lidar com as coisas levando-as para o humor. Eu tinha aprendido isso com ele. Eu tinha aprendido muitas coisas com ele.

– Como está Shauna? – eu pergunto, tentando desviar o foco do tumor.

Seus olhos brilham quando ele me ouve falar o nome dela e rapidamente eu entendo o sentimento. Fico feliz que ele tenha encontrado alguém pelo qual valesse viver. Todo mundo merece encontrar essa pessoa e Shauna sempre foi uma menina boa. Tris teria a adorado se tivesse conhecido-a.

– Ela está feliz. – ele confessa. – Bom, exceto por isso. – ele se refere ao hospital e dá de ombros. Eu repito sua reação e me concentro no que ele me diz. A última coisa em que quero pensar é que estou morrendo. – Ela é perfeita, cara.

– Basta ir em frente e fazer. Você sabe o que quer. Coloque a droga do anel no dedo dela e tá feito.

– Estou planejando isso. – ele confessa. – Mas tem que ser especial. Ela é especial.

– Não sabe o quanto é engraçado ver você falando dessa maneira. – eu franzo os lábios.

– Engraçado é o modo como você cai por Tris. Isso é engraçado. – ele comenta, sorrindo e esticando as pernas.

– Vá se foder. – eu digo, pegando o travesseiro branco que está ao meu lado e jogando nele.

– Eu vou foder com Shauna. – ele diz enquanto gargalha.

– Ela tem belos peitos. – eu assumo e quando vejo Zeke arregalar os olhos e ficar vermelho, solto uma gargalhada parecida com a sua.

– Não fale da minha garota, seu imbecil! Ou senão você vai ter mais do que um tumor pra enfrentar. – ele sorri, semicerrando os olhos para mim e jogando-me de volta o travesseiro.

A maneira como ele menciona o tumor não cria nenhuma tensão em nosso espaço. Pelo contrário, Zeke está tornando toda a situação mais leve.

– Acha que ela vai saber lidar com tudo isso? – eu pergunto, mudando o foco do assunto.

Zeke franze o cenho, como se não entendesse minha pergunta.

– Shauna? – ele pergunta.

– Tris, seu idiota. – eu reviro os olhos.

Ele põe a mão no queixo e o coça.

– Talvez. – ele pensa. – Eu tenho um pau ao invés de uma vagina, então não sei como responder. Não entendo as mulheres.

– Mas você e Shauna estão juntos há um bom tempo. Você deve ter aprendido alguma coisa.

– Você tá certo. Bom, elas costumam fugir quando ficam assustadas. Se for o caso, Tris vai fugir. E se você der sorte, ela volta.

A ideia de Tris fugindo e deixando tudo que vivemos morrer comigo me dá ânsia de vômito quando sinto meu estômago embrulhar. Entretanto, meu maior medo não é que ela me deixe. Porra, tudo seria mais fácil se ela simplesmente me deixasse, saísse correndo e fosse viver sua vida. Encontrasse outra pessoa e tomasse seu rumo com ela. Eu estaria relaxado se as coisas acontecessem dessa forma, mas temo que Tris volte a ser como era se a morte me levar. Ela já perdeu tanta gente e me perdendo, seria como um passe-livre para ela perder sua própria alma. Não gosto da ideia de uma Tris vazia. Não gosto da ideia de uma Tris se viciando em tarjas pretas. Ou uma Tris tentando tirar sua vida. Merda, eu gosto da minha Tris.

Quando Zeke percebe que fiquei muito tempo em silêncio, ele já toma sua postura rígida e tensa, se sentando ereto na poltrona e me analisando.

– Fica frio, mano. Ela não vai deixar você. – ele diz, aproximando seu rosto para me olhar melhor.

Sinto-me tonto novamente. A dor da cabeça veio mais forte e me sinto mais fraco do quê quando estava de início. A imagem de Zeke torna-se embaçada e eu tento focar meus olhos, mas minhas pálpebras se fecham automaticamente. Ouço um grito de Zeke bem distante, mas consigo sentir o desespero na sua voz.

– Fique acordado, droga! – ele grita e começa a chamar por alguém, apertando o botão de emergência da minha cama do hospital.

Sua voz está tão distante que não consigo mais ouvir o que ele me diz. Minha cabeça começa a girar e tudo fica escuro novamente.

E então, eu não me lembro mais de nada.

Quando eu acordo, estou deitado no equipamento de tomografia. Uma enfermeira ajeita meu corpo gentilmente, pondo meus punhos de cada lado do meu corpo, enquanto sorri para mim.

– Já estava na hora de você acordar. É bom tê-lo consciente durante todo o processo. Como você está se sentindo?

– Minha cabeça ainda dói. – respondo, apertando os olhos.

– Isso é comum. Seu tumor está crescendo. – ela diz, sua voz embargada pela culpa e tristeza. – Mantenha-se quieto até tudo isso acabar, está bem? Sua respiração tem que estar controlada e ritmada, assim como seu coração. Deixe seu cérebro leve para obtermos melhor aproveitamento do exame. Você pode fazer isso pensando em coisas boas. Vamos começar, ok? – ela sorri reconfortante, enquanto eu assinto e ela se afasta, pegando a prancheta e fazendo anotações.

Pensar em coisas boas. Isso é fácil.

– Tsc tsc. – eu digo e balanço a cabeça negativamente. – Você já está desobedecendo as regras, Beatrice.

– Você já acabou? – ela cruza os braços.

– Creio que sim. Quem sabe no decorrer da viagem eu pense em mais alguma coisa, mas por enquanto é só.

– Ótimo. – ela diz um pouco sem ânimo. – Bom, agora eu dito as minhas regras. – eu assinto e espero ansioso para o que ela tem a dizer. – Regra número um: você não vai me comer. – eu solto uma gargalhada. – Estou falando sério, Quatro. Em nenhuma hipótese isso irá acontecer, entendido?

– Como quiser, Alteza. – eu brinco e continuo a gargalhar.

Sinto meu corpo relaxar em meio às lembranças e não posso conter o sorriso nos meus lábios. Meu coração vai se igualando a minha respiração e ambos tornam-se constante. Vejo o médico fazer um sinal positivo com o dedo em direção à enfermeira e ela assente, apertando algum botão.

Então, eu escuto o imenso barulho que a máquina de tomografia faz e fecho os olhos, seguindo as instruções da enfermeira e mergulhando nas memórias boas. Elas chegam facilmente e quando eu começo a deslizar para dentro, uma paz invade meu coração.

– Por que está rindo? – ela me pergunta irritada. – Isso não é engraçado.

– Você fica um tesão com esse biquinho. – eu digo com a atenção na estrada. Não estou olhando pra ela, mas sei que ela corou.

– Vá pro inferno, Tobias. – ela diz, mas posso sentir que ela está sorrindo. Viro o rosto para observa-la por alguns segundos e minha suposição está certa. Ela está sorrindo.

– Tobias. – eu repito o nome.

– Desculpe, eu não sei como devo chama-lo agora. – ela diz e vira seu corpo para o lado, de forma que consiga me encarar.

– Não, tudo bem. – eu sorrio. – Eu gosto de “Tobias”. – eu viro meu rosto e pisco pra ela.

Meu peito se contorce em saudade, mas eu continuo mantendo a calma. Preciso fazer isso para que essa droga de exame acabe logo e possa vê-la. Tudo o que eu quero é vê-la. E é pensando nela, que a lembrança do nosso primeiro beijo toma conta dos meus pensamentos.

– Como se sente? – eu pergunto.

– Bem. – ela diz. – Acho que pela primeira vez, eu consigo me sentir bem. De verdade. – eu sorrio com sua resposta e vejo que ela se vira, apoiando-se em seu cotovelo. – Eu quero beijar você. – ela diz de repente.

– Não acho que seja boa ideia. – eu digo me virando para cima novamente. Não quero encara-la depois do que acabei de dizer.

– Não me importo. – ouço sua voz nada alterada com minha resposta. – Eu continuo querendo beijar você. – ela faz uma pausa. – Eu quero provar dele. – eu permaneço em silêncio, surpreso demais com tudo isso. – Qual é, Tobias. É só um beijo. – ela diz.

Antes que eu proteste, em um movimento único, Tris se coloca por cima de mim enlaçando as pernas na minha cintura. Então ela segura meu rosto e sela nossos lábios.

É quase como se eu conseguisse sentir o gosto dela nos meus lábios. Seria loucura isso? Estar tão fascinado por alguém à ponto de seus pensamentos se resumirem a tal pessoa? Estou tão apaixonado por ela, porra.

– Você também tem boca suja. – eu interrompo-a, apontando pra ela.

– Não, tenho não. – ela semicerra os olhos. Então a diversa começa quando eu penso em tocar no assunto.

– Caralho, Tobias! Me chupa de uma vez, porra! – eu repito numa tentativa falha de imitar sua voz. Vejo Beatrice ficar vermelha no mesmo instante.

– Você prometeu que não tocaria no assunto! – ela me dá um soco no braço e eu finjo que doeu, quando na verdade o que deve ter doído fora a mão dela.

– Não se preocupe, deu um puta tesão. – eu digo com um sorriso de orelha a orelha.

– Tá falando sério? – ela semicerra os olhos novamente.

Quando ouço o bipe do equipamento e sinto a cama deslizar para fora, eu abro os olhos e suspiro. Os momentos que vivi com Tris fizeram tudo isso valer à pena. Antes de conhecê-la, minha vida era um vazio. Eu não tinha objetivos. Mas quando eu a vi pela primeira vez naquele ônibus tive a certeza de que meu principal objetivo seria conquista-la. Me sinto realizado ao saber que minha meta foi alcançada.

– Você foi muito bem nesta sessão. – a enfermeira afirma, enquanto ela me ajuda a sentar em uma cadeira de rodas. – Estamos verificando os relatos. É uma situação delicada, mas a cirurgia não é impossível. Temos a permissão para fazê-la? – ela sorri para mim, enquanto eu aceno para o médico e ela conduz a minha cadeira para fora da sala de exame, passando por um corredor branco e indo de volta para meu quarto.

Eu penso na resposta da sua pergunta. Não vale a pena gastar dinheiro em algo que não pode dar certo. Não pelo dinheiro, mas sim pelo tempo. Adiar a minha morte e dar falsas esperanças a todas as pessoas que eu amo não me parece uma proposta interessante. Entretanto, se há uma chance de eu passar mais tempo com Tris, eu faço. Porra, eu faço qualquer coisa por ela.

– Eu preciso falar com alguém antes. – eu respondo. A enfermeira assente com um sorriso triste e entramos no meu quarto.

Ela me deita sob a cama, porque também estou fraco demais para me movimentar. Vejo-a colocar um travesseiro nas minhas costas, me apoiando da maneira que eu digo ser confortável. Ela se afasta e pega na mesa algumas medicações. Põe na seringa e injeta no meu soro.

Automaticamente, meu corpo relaxa. Eu suspiro. Sinto todos os meus músculos ficarem fracos e meus lábios ficarem secos.

– Nós cuidaremos de você. – a enfermeira me assegura. – Você precisa descansar, mas não durma. Mantenha-se acordado. Mandaremos sua família pra cá agora. Se precisar de alguma coisa ou sentir que algo está estranho, basta apertar esse botão, ok?

Eu assinto. De repente me sinto terrivelmente cansado.

A enfermeira sai e fecha a porta. O instinto me leva a fechar os olhos, mas eu me concentro nas palavras da enfermeira e me mantenho acordado. Não demora muito para que Johanna, Evelyn e Hana entrem. Não queria me sentir decepcionado ao vê-las, mas eu gostaria que Tris tivesse atravessado a porta.

– Achamos que tínhamos perdido você. – Hana começa.

Johanna enxuga as lágrimas dos olhos e se aproxima de mim, segurando minha mão esquerda, enquanto Evelyn cruza os braços na altura do peito e Hana se encosta na ponta da minha cama.

– Como você está? – Johanna pergunta.

– Morrendo. – eu digo, tentando sorrir, mas minhas forças estão inúteis até para isso.

– Não brinque com isso, Tobias. Você é igualzinho ao seu pai. – Hana diz.

Eu olho para Evelyn.

– É engraçado, não é? Que mesmo depois de morto, ele ainda nos traga problema. – digo, enquanto vejo uma lágrima cair dos seus olhos. Ela funga e suspira.

– Não fique com raiva dele, Tobias. Ele lhe deu a vida.

– E o tumor vem como brinde? Porque, se tivesse me dito, eu teria recusado.

– Você precisa ficar calmo. – Johanna segura minha mão. – A enfermeira nos disse que você não pode se alterar ou seu estado piora.

– Estou pouco me fodendo! – grito. – Eu só quero que essa merda toda acabe.

– Olhe os modos, Tobias. – Hana diz gentilmente, me repreendendo pelo palavrão.

Eu suspiro.

– É um efeito da medicação. Ele se torna muito mais emotivo. – Hana diz, aproximando-se de Evelyn e a abraçando.

– Eu quero vê-la. Gostaria de conversar mais com vocês, mas eu preciso dela. Preciso vê-la agora. – digo, olhando diretamente para Evelyn.

– Ela está lá em baixo. Vou pedir para que Uriah vá busca-la. Mas há uma pessoa que quer ver você também, Tobias. – Evelyn diz e quando eu assinto, ela abre a porta e Shauna, Zeke e Hector entram. – Nós estaremos lá em baixo tomando um café. Vamos subir assim que Tris descer.

Evelyn, Hana e Johanna deixam o quarto, enquanto Zeke abraça Shauna por trás e Hector se aproxima de mim, segurando minha mão. Ele cresceu desde a última vez que o vi. Os cabelos castanhos estão maiores e seus olhos mudaram de cor. Antes eles eram mais quase verdes, mas agora eles tomaram uma tonalidade castanho cor de mel. Entretanto, Hector tem a mesma postura da criança doce que eu conheci.

– E aí, garotão. – eu digo, quando passo meu braço por cima dele e o puxo para abraça-lo. Queria ter mais forças para apertá-lo, como sempre costumei fazer.

Conheci Hector quando ele ainda era um bebê. Ele é irmão mais novo de Shauna e para conseguir chegar até ela, Zeke meio que usou o garoto. Esse era o plano se não tivéssemos ficado tão encantados com a doçura e a inocência do menino. Nós o levávamos para passear, jogar bola e mesmo com apenas nove anos, nós já o ajudamos com a primeira garota. Zeke e eu criamos laços com o garoto e ao conviver com ele, despertou meu lado paternal.

– Zeke me falou que você está doente. – ele olha para Zeke e depois os olhinhos brilhantes estão em mim. – É verdade?

– Não é nada, parceiro. – eu digo, dando-lhe um sorriso reconfortante. Pelo menos é isso que eu tento.

– Você não parece bem. Quer algum remédio, tio? Mamãe me dá um líquido rosa quando eu fico doente. Shau, você pode pegar um remédio pra ele? – Hector vira o rosto para irmã, que sorri gentilmente para ele.

– Já estão cuidando dele, Hec. Não precisa se preocupar.

– Você acha que vai ficar bom logo? – ele se volta para mim. – O campeonato da minha classe está chegando e você prometeu que assistiria à minha partida de futebol.

– Sim, garotão. Eu estarei na primeira fila e vou gritar pro mundo todo quando você fizer o primeiro gol. – os olhos de Hector brilham em entusiasmo e eu sinto um soco de culpa por fazê-lo acreditar em mim.

– A Alice vai estar lá. – ele confessa, sorrindo de orelha a orelha para mim. Zeke reprime uma risada e Shauna lhe dá uma cotovelada no estômago.

– Ah é? – pergunto, arqueando as sobrancelhas, sorrindo para Hector.

– Você acha que se eu pedir pra ela namorar comigo, ela aceita?

É minha vez de franzir os lábios para não rir.

– Namorar? Não acha que é muito cedo pra isso, rapaizinho? – pergunto, não contendo a diversão na minha voz.

– Nunca é cedo demais para o amor... – ele suspira.

Zeke cai na gargalhada e Shauna o acompanha. Hector olha para mim juntando as sobrancelhas. Ele está confuso.

– Não ligue pra eles, Hec. São dois idiotas. – eu aponto com a cabeça para Zeke e Shauna. Hector arregala os olhos e põe a mão na boca, segurando o riso.

– O senhor disse “idiota”. – ele sussurra, olhando de relance para Shauna, que está cochichando algo no ouvido de Zeke.

– Não diga a ela – eu aponto com a cabeça. – E senhor não. Eu sou seu parceiro, cara. Não um velho rabugento.

– Desculpa, tio.

– Aliás, o que sabe sobre o amor, Hec? – pergunto, despertando minha curiosidade e a atenção dele.

– Eu amo a Alice. Ela é minha melhor amiga e eu quero casar com ela. – eu solto uma risada fraca, enquanto ele me soca levemente no braço.

Solto mais uma risada fraca, até que ouço a porta sendo fechada. Tris está parada no canto da porta, com os olhos lacrimejados, segurando seu choro. Não consigo ignorar o alívio que sinto ao vê-la, mas me dói no coração saber que ela andou chorando.

– Você pode nos dar um segundo à sós? – pergunto a Hector, mas logo me arrependo ao ver os olhos brilharem em desânimo e decepção.

– Tudo bem... – ele deixa que seus ombros caiam em derrota.

– Ei, campeão, nada de cara feia, beleza? – Zeke comenta, sorrindo para ele. – Eu vi que lá em baixo tem um parquinho bem maneiro. O que você acha?

Os olhos de Hector brilham com entusiasmo, mas ele alterna seu olhar entre mim e Zeke.

– Vai lá, Hec. Eu vou assim que eu melhorar. – eu lhe asseguro dando-lhe um sorriso. Ele parece não querer deixar o local, mas a ideia é muito tentadora.

– Hector. – Shauna chama pelo irmão.

– Tudo bem... – Hector suspira derrotado. – Eu posso voltar?

– Você pode voltar quando quiser, parceiro. Eu só preciso conversar com ela um pouco. – eu aponto com a cabeça na direção de Tris.

Hector assente, se aproxima de mim e sussurra no meu ouvido.

– Ela é a sua Alice?

Eu apenas sorrio com sua referência e bagunço seu cabelo, trocando logo depois nossa famosa saudação com as mãos. Hector quem me ensinou e disse que somente os caras que fossem muito parceiros a fariam. Eu sempre fui louco por esse lado inocente dele.

Todos eles saem do quarto, restando-me apenas Tris e eu.

Vejo milhares de emoções passarem por seus olhos, mas a compaixão e o amor neles são inconfundíveis. Ela continua petrificada, com nariz e olhos avermelhados. Suas mãos tremem e eu me culpo por ela sofrer tanto. Talvez agora seu maior inimigo seja ao medo.

– Amor – eu a chamo. – Vem cá.

Ela leva apenas um segundo para captar a mensagem e se jogar em meu colo, chorando descontroladamente. Seu corpo se agita e ela molha toda minha roupa com suas lágrimas. Ela costuma guardar toda sua dor para ela e isso não a faz bem, portanto eu deixo que ela chore até que se canse.

Estou sofrendo vendo-a tão vulnerável e saber que o motivo sou eu.

Seu corpo lentamente vai retomando o ritmo calmo e os soluços vão se tornando ainda mais baixinhos. Quando ela finalmente para de chorar, eu a chamo.

– Beatrice?

– Eu estou com raiva. Não fale comigo. – ela bufa, enxugando os olhos.

– Com raiva?

– Sim! – ela se levanta e me olha com frustração. – Raiva! Por que você nunca me contou?! – ela exaspera. – Nós poderíamos ter feito alguma coisa.

As lágrimas ameaçam cair novamente.

– Amor, não chore. – eu ponho a mão sobre o lençol. – Senta aqui comigo.

– Não. – ela diz, com uma voz trêmula. – Estou tentando ficar irritada com você. Não complique mais as coisas.

Um sorriso terno se forma em meus lábios.

– Você quer saber o motivo de ter me apresentado como Quatro? – eu pergunto e ela assente. – Quatro por cento de chance, Tris. E sempre que você me chamava assim era como um lembrete pelo qual eu deveria me manter afastado. – eu solto uma risada irônica. – A ideia surgiu na hora e...

– Isso não tem graça, Tobias. – ela semicerra os olhos para mim, repreendendo-me.

– Eu sei que não. – confesso num suspiro derrotado.

Ela dá um passo à frente, mas hesita em se aproximar de mim.

– Eu estou com medo. – ela sussurra, mas consigo ouvir.

– Odeio que essa merda toda aconteça com você, amor. Eu sinto muito mesmo.

– Isso é um pesadelo. É só mais um pesadelo de quando a morte me tira você. – ela sussurra novamente, dessa vez para si mesma. – Eu vou acordar... Eu preciso acordar...

– Beatrice, esse pesadelo é real. – eu admito, sentindo uma leve tontura.

– Não! – ela grita e põe ambas as mãos cobrindo a audição. – Você tá mentindo! Eu preciso acordar!

Tris – eu a chamo, quando seu comportamento já me deixa em alerta.

Ela para de murmurar coisas e olha para mim. Seu olhar se suaviza e a expressão triste logo vem à tona. Ela abaixa as mãos e franze seu punho.

– Você vai me deixar? – ela pergunta num soluço.

– Deita aqui comigo. – eu respondo, ignorando a leve tontura que começo sentir.

Ela, relutantemente, se aproxima e eu dou espaço para que ela se deite ao meu lado. Tris é pequena e essa é sua vantagem por caber em todos os lugares. Ela encosta a cabeça em meu peito e suspira, enquanto eu descanso meu braço em sua barriga.

– Eu só quero ficar com você. – eu digo, tentando manter meus olhos abertos quando o cansaço torna-se a voltar.

– Não me deixe. – ela diz baixinho.

– Porra, amor, não tem noção do quanto tá doendo ver você assim.

– Dói perder você. – ela confessa e machuca ainda mais meu coração.

Eu suspiro e ficamos em silêncio. Não sei quanto tempo se passa, mas isso não tem importância. Meu corpo junto ao dela e esse silêncio repleto de coisas não ditas bastam para mim. Minha melhor maneira de deixá-la seria dessa forma, quando seu calor estivesse bem juntinho de mim.

Tris? – eu a chamo, porque é nesse momento que me vem a certeza do que devo dizê-la.

– Sim?

– Eu te amo. – confesso, pela primeira vez para ela.

Ela fica em silêncio, mas sinto as lágrimas molhando o tecido da minha camisa. A dor de cabeça me vem novamente e a tontura está lá, quando sinto um fio de cansaço me puxar cada vez mais perto para escuridão.

– Por que você está se despedindo de mim? – ela pergunta com sua voz sendo abafada por um nó da garganta.

– Beatrice, você precisa ser forte...

– Por favor, pare.

– Eu te amo, amor. Eu te amo muito. – digo, porque de repente sinto uma vontade imensa de admitir isso em voz alta para ela.

– Pare. – ela soluça, levantando-se da cama e enxugando os olhos. Ela limpa suas mãos no jeans e olha para mim. – Pare. Eu não consigo lidar com isso. Sinto muito. – ela soluça mais uma vez e o vermelhão em seus olhos a entrega. – Eu preciso ficar sozinha.

E com o rosto nas mãos, ela deixa o quarto. Me sinto ainda mais tonto quando minha ficha cai. Ela realmente me deixou aqui no quarto. Passei horas possibilitando a ideia de Tris me deixar e seguir com sua vida, mas quando ela fechou a porta do quarto, eu nunca imaginei que pudesse sentir uma dor assim.

A porta se abre novamente, mas minha decepção volta ao ver Evelyn atravessando.

– A menina saiu chorando. – ela diz. – O que ela sabe que eu não sei?

– Nada. – eu suspiro. – Ela só não consegue lidar com isso.

– Ela vai voltar.

– Eu espero que não. Ela já sofreu demais na vida.

Evelyn me dá um sorriso triste e se senta na poltrona.

– Mãe, pegue aquela jaqueta pra mim. – eu aponto com a cabeça em direção à meu casaco de couro preto que está jogado em cima da mesinha. Evelyn levanta e o pega, franzindo o cenho. – Dentro do bolso dele, há um envelope. – ela segue minhas instruções e retira, embora esteja temerosa. – Entregue isso a ela.

– Tobias... – Evelyn ameaça começar a chorar, já sabendo o que isso significa.

– Mãe, por mim, por favor, faça isso. Entregue isso a ela quando chegar a hora.

– Tobias, mas se houver alguma chance...

Sinto minhas pálpebras se fecharem rapidamente, mas as forço a ficarem abertas. A tontura está mais forte e eu já não consigo ouvir mais a voz de Evelyn, apenas gritos distantes. Tento me manter acordado, mas o cansaço é tão grande que meus esforços são inúteis.

– Sou Tris. — ela diz.

– Só Tris? — eu pergunto.

– Beatrice.

– Bom, eu sou Quatro. — estendo minha mão para ela.

Ao menos morrerei em paz sabendo que admiti que eu a amo.

Notas finais
Não me matem, filhinhos lindos da mamãe ♥ No próximo nós entenderemos porquê a Tris saiu do nada e o Tobias NÃO morreu nesse capítulo. Ainda rsrsrsrs... Próximo teremos conversa com Chris, Caleb, cartas e tudo que eu falei no capítulo anterior. Ele será postado à medida que os comentários subirem. Beijinhos e amanhã Estranha Perfeição será atualizada! Fiquem de olho. Logo logo short-fic do Will e da Chris ♥ Twitter: @poxamalec ACOMPANHE A OUTRA FIC! http://fanfiction.com.br/historia/540292/Estranha_Perfeicao/