Sem rumo.
18 Capítulo 18
Notas iniciais
TOBIAS EATON
O que era para ser apenas uma noite em Indianapolis, tornou-se sendo dois dias com Tris dentro de um quarto, quieta e pensativa, saindo apenas para comer e falando o mínimo possível comigo. Tenho certeza de que ela acha que precisamos de um tempo, mas eu não posso dar esse tempo a ela. Eu não quero ficar sem ela, porra. Qual a dificuldade de entender isso? Ela tem conversado com minha mãe e eu me pergunto sobre o que tanto conversaram. Será que ela....? Não! Ela não teria sido capaz, teria?
Afasto meus pensamentos e vou ao quarto de Tris. A essa hora da noite, ela já está dormindo. Eu tenho feito isso nos últimos dias. Como não estamos dormindo mais juntos, eu venho e a observo descansar. Abro a porta do quarto devagar, receoso de que se eu fizer algum barulho eu possa acorda-la. Quando entro, ela está deitada agarrada a um travesseiro. Seus cabelos estão soltos, espalhados pelo colchão.
Fecho a porta lentamente e caminho até o pé da cama. Ela permanece imóvel. Apesar de estar cansada, ela tem a aparência de um anjo. Vê-la tão relaxada assim me deixa em paz comigo mesmo. Estou sendo um porra com ela. Estou ficando louco. A qualquer momento ela pode se dar conta do merda que sou e me deixar. Eu não quero que ela me deixe.
Me deito à sua esquerda e me apoio em um cotovelo, de modo que meu corpo fique de lado e eu possa observa-la. Acaricio sua bochecha, enquanto me perco nos pensamentos com ela. Por que estou fazendo isso? Justo com ela?
Tris se move na cama e antes que eu possa fazer algo, seus olhos me fitam, embora ainda estejam sonolentos. Eu me soco mentalmente, esperando que ela comece a brigar. Eu não tiro sua razão.
– Eu não quis acordar você. – digo com um tom de culpa, sentindo meu coração doer.
– Eu sei que não. – ela suspira. – Que horas são?
– Quatro da manhã.
– O que você tá fazendo aqui? – ela limpa os olhos e me encara, dessa vez com eles mais abertos.
– Bom, eu... Bem, eu estava... – tropeço nas palavras. Decido contar a verdade, ao menos dessa vez. – Eu tenho feito isso todos os dias. Gosto de vê-la dormindo.
– Tudo bem. – ela concorda e há um rastro de tristeza em sua voz. – Você quer dormir aqui? Se quiser, eu posso ir pra outro quarto. – suas palavras são navalhas no meu peito.
– Não. Não se preocupe. Você está muito cansada?
– Não. – ela me dá um sorriso torto. – Não muito. Quer dizer, agora eu tô bem desperta. Quer conversar?
– Você quer? – junto minhas sobrancelhas, um tanto confuso.
– Sim, mas só daqui a alguns minutos, está bem? – eu balanço a cabeça concordando.
Ficamos em silêncio, um olhando nos olhos do outro. Ela é linda, porra. Tão linda que ainda duvido que seja real. Levo minha mão esquerda e acaricio sua bochecha. Ao sentir meu toque, Tris fecha os olhos e suspira. Estou tentado a beija-la agora. Nós não nos tocamos há uns dois dias e isso tem atormentado cada madrugada minha. As poucas chances que tive de tocá-la foram em todas as vezes que eu vim a observar dormindo e ainda assim não passaram de carícias em seu rosto. Nenhum. Beijo. Sequer.
– No que está pensando? – a voz doce de Tris me acorda.
– Você. – respondo sem rodeios.
– Desculpe. – ela diz quase tão baixo que se eu não estivesse perto, certamente não ouviria.
– Pelo o quê?
– Por ter sido injusta. – ela suspira mais uma vez. – Eu, bem... Eu estive pensando esses dias... – ela escolhe as palavras. – Bom, todos nós temos segredos, certo? E eu pensei que... – eu a interrompo beijando sua mão.
– Amor, eu vou contar a você no momento certo. Eu prometo, gata. Prometo. – pego suas duas mãos e beijo cada uma delas.
– Tudo bem.
– Pode esperar até o casamento? – vejo-a concordar com a cabeça e entramos em silêncio novamente. Quero tanto beija-la nesse momento, mas não sei se tenho essa permissão agora. Tenho que ir com mais calma dessa vez. – E você, no que está pensando?
– Nós. – ela sorri um pouco e eu a olho admirado, enquanto passo meus dedos levemente por todo seu rosto. – No que nos levou a chegarmos até aqui.
– Muita coincidência em apenas um ônibus, não? – eu brinco.
– Não acredito que possa ser apenas coincidência. Não é convincente o bastante.
– Talvez não. – eu sorrio também e aproximo mais meu rosto do seu. – Voltaremos amanhã?
– Hoje, pra ser mais correta. – ela me dá uma piscadela e pega a mão que eu a acaricio e enlaça seus dedos nos meus.
– Por que ficou tão chateada? – acredito que o mistério não seja motivo o suficiente.
– Porque você não me conta nada a seu respeito, amor. Sua mãe quem tem me falado coisas suas. – de repente sinto como se todo ar tivesse sido tirado de mim. Que porra...?
– Que tipos de coisas? – junto minhas sobrancelhas.
– Seu temperamento forte, seu dom para música, seu relacionamento com o pai... Coisas assim.
– Nada que eu já não tenha te contado antes, gata.
– É, só que ela me contou de forma mais detalhada. Conheci você de forma mais profunda, entende?
– Sim. – eu sorrio. – Ok. Me pergunte o que quer saber que eu respondo. – digo, sabendo que ela não me perguntará nada que eu não queira responder.
– Hm... – ela pensa e de repente um sorriso largo toma conta dos seus lábios. – Quando você perdeu a virgindade?
– Aos 14. – digo com um sorriso divertido e a vejo arregalar os olhos. – Qual é, amor. Eu era apenas um moleque cheio de tesão.
– Lembra o nome dela?
– Sim. Nenhum homem esquece isso. – ela assente e espera que eu continue. Eu sorrio. – Lynn.
– Nome estranho. Você ainda fala com ela? – ela sorri gentilmente. Não está com ciúmes, apenas curiosa.
– Sim. Falava, corrigindo. Nós ficamos numa boa quando demos um tempo e aí ela se descobriu lésbica e eu dei a maior força. Fiquei amarradão no lance. Foi meu primeiro ménage também. – Tris reprime uma risada. – Foi uma experiência incrível.
– É tão excitante assim?
– Pra caralho. Tipo, muito. – eu beijo a ponta do seu nariz.
– Você teria coragem de, bem... Fazer isso comigo? – ela diz, um tanto receosa.
– Você e mais uma? – eu pergunto, juntando minhas sobrancelhas novamente a olhando confuso. Ela assente. – Sei lá, gata. Você não parece ser esse tipo de mulher.
– Que tipo de mulher eu sou então?
– Do tipo certo. – digo com um sorriso travesso.
– Interessante. – ela solta um riso e um bocejo ao mesmo tempo. – Tá amanhecendo. Olha só. – ela aponta para a janela e já consigo ver a ponta do sol nascendo.
– Vem cá. – eu me sento na cama e seguro sua mão, a puxando para se levantar.
Quando estamos em pé, ela calça seus chinelos e se veste com um roupão de dormir que minha mãe a emprestou. Enlaço meus dedos nos dela e descemos para o jardim na parte de trás da casa, onde Tris não questiona. Nos sentamos na grama e a vista que temos é impressionante. O sol está acabando de nascer e como está cedo, não há movimento ou ruído algum para atrapalhar esse momento.
– Lindo, não é? – eu começo.
– Sim. Tão bonito quanto se põe. – ela suspira.
– Tem razão. – concordo e ficamos em silêncio.
Olho para Tris, que tem seus olhos fixos na paisagem natural. Volto a encarar a minha frente também, mas em questão de segundos, ela me empurra e se coloca em cima do meu corpo, envolvendo minha cintura com suas pernas. Ela se curva na minha direção e me beija apaixonadamente, de modo que sua língua serpenteie com a minha. Minhas mãos vão para sua cintura e conforme aprofundamos o beijo, elas descem e param em sua bunda, onde eu a aperto levemente.
Ela finaliza o beijo aos poucos, parando somente quando mordisca de forma bem sensual meu lábio inferior. Eu acaricio seu cabelo e ela se afasta um pouco, roçando seu nariz no meu. Eu inalo seu cheiro e fecho os olhos.
– Eu quero te dizer tanta coisa... – suspiro.
– Eu sei. – ela beija a ponta do meu nariz. – Eu também quero.
– Tenho medo de assustá-la.
– Você não vai. – abro os olhos e a vejo com um sorriso. A beijo suavemente nos lábios.
– Ótimo. Nós conversaremos bastante após o casamento, está bem? E não fuja de mim. – eu brinco.
– Eu não vou a lugar algum. – ela me certifica e se levanta, estendendo sua mão e me ajudando a levantar também.
– Nesse momento você vem aqui comigo. Tenho algo para lhe mostrar.
– Mais um acontecimento fantástico da natureza? – ela sorri.
– Não. A menos que considere música um acontecimento fantástico da natureza.
– Vai cantar pra mim? – seus olhos brilham de entusiasmo.
– Bem... – sinto como se de repente toda minha confiança tivesse ido por água a baixo. – Eu escrevi algo esses dias e gostaria que você me dissesse o que achou, mas a gente pode fazer isso numa outra hora...
– Não! – ela sorri. – Vamos fazer agora. Tô bem desperta agora. Não volto pra cama nem fodendo.
– Olha só as coisas que você fala! – eu digo num sorriso, minha expressão tomada pela surpresa e divertimento. Seguro sua mão e seguimos de volta para casa enquanto conversamos.
– A culpa é toda sua. – ela solta uma risada incrivelmente estranha. Reprimo um riso. – Você quem me transformou numa ninfomaníaca pervertida de boca suja.
– Boca suja você já era, eu só desvirginei tua inocência, o que eu confesso que me deu um tesão da porra. Pervertida? Talvez. Ninfomaníaca? Significa que você quer meter o tempo todo, certo? – meus lábios se abrem um sorriso malicioso. – Porque se for isso, gata, eu te garanto que tô animado com a ideia.
– Eu não quis dizer isso! – ela solta uma risada constrangida e me dá um soco levemente no braço. Eu finjo que doeu, mas ela sabe que não.
– Eu sei que não. Espera aqui que eu vou buscar o violão. – eu digo, quando ela se senta no sofá da sala.
Subo as escadas de dois em dois degraus e pego o violão que está no meu quarto, em cima da cama king-size. Pego também o caderno onde escrevi a letra e uma caneta, para quem sabe aperfeiçoar a canção. Desço depressa, porém com cuidado e silencioso, não pretendendo acordar minha mãe.
Quando chego na sala, me sento ao lado de Tris e me viro para ficar frente a ela. Ponho o caderno na mesinha de centro e folheio as páginas, procurando pela canção que ainda não terminei. Vejo que Tris observa cada movimento meu. Estou fazendo-a criar expectativas. Merda.
– Eu ainda não terminei. – respiro fundo e afino o violão. Suspiro. – Começa assim...
E então eu começo a dedilhar, um tanto nervoso nos primeiros acordes e meus dedos parecem fugir das cordas, mas não me deixo intimidar por eles, pois logo na primeira estrofe, a música toma conta de mim e acontece o que sempre há quando estou cantando: sou dominado pelo som.
Come up to meet you, tell you I'm sorry / Vim pra lhe encontrar, dizer que sinto muito
You don't know how lovely you are / Você não sabe o quão amável você é
I had to find you, tell you I need you / Tenho que lhe achar, dizer que preciso de você
Tell you I set you apart / E te dizer que eu te escolhi
Tell me your secrets and ask me your questions / Conte-me seus segredos e faça-me suas perguntas
Oh, let's go back to the start / Oh, vamos voltar pro começo
Running in circles, coming up tails / Correndo em círculos, perseguindo a cauda
Heads on a science apart / Cabeças num silêncio à parte
Nobody said it was easy / Ninguém disse que seria fácil
It's such a shame for us to part / É uma pena nós nos separarmos
Nobody said it was easy / Ninguém disse que seria fácil
No one ever said it would be this hard / Ninguém jamais disse que seria tão difícil assim
Oh, take me back to the start / Oh, me leve de volta ao começo
E então eu paro. Ainda não consegui concluir esta parte.
– Está inacabada. E também faltam alguns ajustes aqui e ali. – respiro fundo e a encaro. – O que me diz?
– É incrível, amor. – ela responde com os grandes olhos brilhantes.
– Você gostou? – pergunto.
– Muito. Você é tão talentoso.
– Você poderia cantar comigo, já que ela foi inspirada em você. É um dueto e nós poderíamos fazê-lo no casamento de Christina. Seria um presentão, gata.
– Foi inspirada em mim? – ela parece ignorar tudo que eu falei depois disso. Tenho quase certeza de que não prestou atenção na outra parte.
Um sorriso se forma em meus lábios e dou de ombros.
– Basicamente. O que acha de cantá-la comigo? – ela arregala os olhos.
– Sem chances, amor. – ela nega repetidas vezes com a cabeça. – Eu não conseguiria. Todas aquelas pessoas me olhando... Eu não sei.
– Você é boa. Sério, amor. Tua voz é muito linda.
– Você é meio suspeito pra falar, não acha? – ela semicerra os olhos em minha direção e vejo os cantos da sua boca se curvarem um pouco para cima, mas ela tentar reprimir o sorriso.
– Não, não acho. – eu abro um sorrisão. – Não me faça implorar, Beatrice. Por favor.
– Você acabou de fazer isso. – ela acusa dando risadas.
– Vai pensar no assunto?
– Vou. – ela diz convicta. – Vou pensar no assunto. É realmente um presentão, mas acho que ainda não tô pronta. E eu quero fazer isso com você. Quero muito. Por isso prometo que vou pensar a respeito, está bem?
– Por mim tudo bem. – eu digo e a beijo suavemente nos lábios. – Agora junte suas coisas que sairemos em dez minutos.
– Dez minutos?! – ela se levanta do sofá em um pulo. – Nem vamos nos despedir da sua mãe? Qual é, Tobias.
– Não, Beatrice. Nós falamos com minha mãe depois. Temos que sair agora
– Por que tanta pressa?
– Porque eu quero, oras. – eu digo e sorrio. – Ainda estamos viajando, então eu ainda estou no comando. Faz parte das regras. – dou de ombros.
– Não sei se gosto de você no comando. – ela semicerra seus olhos para mim, mas seu sorriso é divertido.
– Claro que gosta. – eu brinco e aponto, me levantando para subir as escadas, trazendo comigo o violão e o caderno, sabendo que Tris está logo atrás de mim. – Ligue pro seu pai e diga que estaremos lá por volta das nove da manhã.
– Ok. – ela sorri. – Me espere lá em baixo.
– E desde quando você me dá ordens? – ela levanta as sobrancelhas. Desafiadora. – Eu tô no comando, gata. – abro um sorriso para ela.
– Não enche, amor. – ela me dá um soco fraco no ombro.
– Sete minutos. – eu sorrio e dirijo ao meu quarto, enquanto ela vai pro lado oposto.
Junto todas as minhas tralhas e as enfio na mochila de qualquer jeito. O único cuidado que eu tenho é todo dedicado ao violão e ao caderno, que guardo delicadamente. É um tanto marica, mas foda-se. Eu me frustraria se eu os danificasse.
Quando estou pronto, desço pra garagem e ponho a bagagem no porta-malas do carro. Coloco meu óculos aviador e espero – impacientemente – Tris, que só aparece exatos doze minutos depois. Eu bufo e ela solta uma risada. Fez de propósito. Merda.
– Vou te castigar por isso, Beatrice, e acredite, você vai me odiar. – eu solto uma risada, quando já estamos na estrada.
– Ah é? Que tipo de castigo? – desvio a atenção da rodovia para olhá-la. Ela está com as sobrancelhas erguidas e com um sorriso malicioso nos lábios.
– Não dessa forma. – arqueio minha sobrancelha esquerda. – E como sou um baita de um namorado foda vou te deixar escolher. – ela sorri, parecendo divertida com a ideia. – Três opções: comer barata – seu olhar divertido some e ela arregala os olhos. Eu reprimo uma gargalhada. – Pôr a bunda pra fora da janela enquanto estamos na rodovia – sua boca se abre em surpresa. – Ou você pode se tocar pra um caminhoneiro. Você escolhe, gata.
– Eu não vou fazer isso! – ela quase grita. Uma risada escapa de mim.
– Ah, vai sim. Regra número 4: topar tudo o que eu disser. Fui um bom garoto, já que te deixo escolher. – eu digo.
– Por favor, amor, qualquer coisa, menos isso. – ela implora. Isso só me deixa ainda mais determinado a continuar com a brincadeira.
– Qualquer coisa? – meu sorriso vai de divertido para malicioso.
– Não! – ela rapidamente diz. – Amor, desculpa, mas não vou concordar. – agora ela está sorrindo. Sempre soube que ela iria ceder.
– Posso parar o carro e ficar esperando sem problema. – eu digo e diminuo a velocidade, mas depois voltando-a para o normal, já que estamos nos aproximando de um caminhão. – Isso não pode ser apenas o destino, pode? Mas você ainda pode optar pela bunda ou baratas.
Ela arqueia as sobrancelhas e faz uma expressão pensativa.
– Ok. – logo vejo um sorriso se formar em seus lábios. – Farei isso. Você no comando. Regras são regras.
Eu pisco pra ela e acelero, para ultrapassarmos o caminhão. Ela vai optar pela bunda. Baratas ou o caminhoneiro estão fora de cogitação. Tris jamais aceitaria as baratas e é ingênua demais para se tocar.
Direciono o carro para a mão esquerda e quando estamos andando lado a lado com o caminhão, ela enfia a mão dentro do short e a move. Levanta a barra da camiseta e deixa sua barriga de fora. Posso ver onde sua mão está. Arregalo os olhos.
– Mas que porra...? – eu digo perplexo e sinto meu pau corresponder à cena que viu.
Diminuo a velocidade, voltando para ficar atrás do caminhão. Viro a cabeça e encaro Tris, que agora tem as sobrancelhas juntas e uma expressão confusa, embora ainda esteja com a mão dentro do short e a camiseta levantada.
– Eu só fiz o que você sugeriu, oras. – ela me diz.
– Pensei que fosse optar pela bunda. – eu digo um tanto confuso.
– Eu sei. – ela sorri. – Por isso não o fiz.
Um sorrisão se abre em meus lábios.
– Não deveria ter optado por isso, Beatrice. Terá que arcar com as consequências. – dou de ombros. – Pronta? – ela assente.
Eu acelero o carro e quando nós estamos lado a lado com o caminhoneiro, Tris começa a mover a mão, dando a entender que está se tocando. Eu reprimo um sorriso. Apesar de ser fingimento, ela tá tão sexy assim. O caminhoneiro aperta a buzina várias vezes e grita para Tris “Que tesão, docinho. Assim você me deixa duro” e logo solta assobios.
Ultrapasso o caminhão e volto para a mão direita, acelerando e perdendo o caminhão de vista. Olho para Tris, que está de olhos fechados e a vejo soltar um gemido rouco e então sua mão para de se mexer.
Porra, ela não tava fingindo. Merda.
– Amor? – eu a chamo e ela abre os olhos e me encara. Seus lábios logo se voltam para cima em um sorriso doce. Minha ereção já tá incomodando as calças e meu membro não para de latejar.
– Sim? – sua voz é suave, mas há um rastro de divertimento nela.
– Você tava se tocando de verdade? – pergunto, mais confuso que antes.
– Sim, mas não pro caminhoneiro. – ela me responde.
Merda. Mil vezes merda.
– Isso não foi uma boa ideia. – eu suspiro e seguro o volante com mais força. – Não aguento dirigir. Tô duro pra caralho. – seu sorriso se abre ainda mais.
– Pare o carro. – ela manda e eu obedeço, porque tô incapaz demais para fazer qualquer outra coisa.
Quando encosto na rodovia, Tris se solta do seu cinto de segurança e antes que eu possa fazer algo, ela tira seu short, junto com a calcinha, e se põe no meu colo, se apoiando nos joelhos e suas coxas estão em cada lado de cada perna minha. Eu abraço suas costas e a colo junto no meu corpo, enquanto ela me beija desesperadamente.
Senti tanto a falta disso.
Fecho os olhos quando sinto suas mãos descerem para o zíper do meu jeans. Ela abre e abaixa minha calça, junto com a cueca, enquanto vê minha excitação saltar duro como pedra. Suspiro e deixo que ela monte em mim. Ela tá no comando e eu até gosto da ideia.
Tris começa a se movimentar lentamente quando eu estou dentro dela. Para cima. Para baixo. Para cima. Para baixo. Eu gemo em sua boca, enquanto ela agarra meu pescoço e começa a beijá-lo. Estar dentro dela é o prazer mais intenso que eu já tive. De todas as mulheres que eu já comi, sem dúvida alguma, Tris é a melhor de todas.
Quando a sinto se apertar dentro de mim, ela se movimenta mais rápido, e eu faço alguns impulsos também. Ela geme ao pé do meu ouvido, sussurrando meu nome e implorando por mais.
Ela quer me deixar louco.
Quando sinto que ela não vai mais aguentar, invisto nela fundo, de modo que ela solte um grito de prazer. Fecho os olhos e a seguro, quando ela se estremece em meus braços. Eu solto um gemido rouco quando me derramo dentro dela. Meu coração tá acelerado pra caralho. Minha respiração tá uma merda. Mas tudo isso vale a pena.
– Você tava com tanto tesão assim? – eu digo, um pouco ofegante, quando ela ainda tem a cabeça encostada no meu peito.
– Bastante. – ela suspira.
– Porra, amor, isso foi tão bom. – eu aliso seu cabelo.
Ela levanta a cabeça e sorri para mim, me beijando suavemente e voltando para seu acento, vestindo apenas o short, sem a calcinha. Eu sorrio para ela e visto a box e a calça. Quando ela afivela seu cinto de segurança, eu volto para rodovia e nós seguimos até Chicago, conversando sobre seu pai e seu irmão.
O pai dela me quer morto. Isso vai ser bem divertido.
Chegamos a Chicago exatas duas horas e meia depois do sexo selvagem no carro. Tris me informa por onde devo seguir e percebo que desde que saímos de Indianapolis, ela quem tá no comando. Não é tão ruim quanto eu achei que fosse. Aliás, eu até gosto que ela mande em mim.
Estaciono o carro quando chegamos a um bairro de classe média e paramos em frente a uma casa. As cores são neutras e há um pequeno jardim bem cuidado na frente. A porta branca, o piso de madeira e a cerca envolta da casa deixam o local agradável.
– Pai? Chegamos! – Tris grita, enquanto corre para a porta e eu abro o porta-malas, retirando nossa bagagem.
Ponho o violão nas costas e nas mãos carrego nossa bagagem. Aperto as chaves, acionando as travas do carro e sigo para entrada da casa. Tris abraça um homem que aparenta ter a idade do meu pai. Cabelos curtos, meio castanhos, com alguns fios brancos. Ele a envolve de modo protetor e fecha os olhos quando ela encosta a cabeça em seu peito.
Esse deve ser Andrew Prior.
Eu me aproximo deles e ponho as mochilas no chão e vejo Tris se afastar e se colocar ao meu lado, olhando entre mim e Andrew. Ele me fita com uma expressão séria e me analisa da cabeça aos pés. Tenta me passar um olhar intimidador, mas a educação de um soldado que recebi do meu pai quando era criança me ensinou a nunca temer as pessoas.
Eu devolvo o mesmo olhar duro para ele, enquanto Tris faz as apresentações.
– Pai, este é Tobias. – ela aponta com a mão para mim. – Tobias, este é meu pai, Andrew Prior.
Eu ofereço a mão em um gesto educado e Andrew, ainda receoso, a aperta e nós balançamos.
– É um prazer conhece-lo, senhor.
– Digo o mesmo. Tris tem me falado bastante sobre você.
– Eu não duvido. – dou um sorriso torto.
– Entrem. – ele abre a passagem para nós e quando pomos o pé na sala, Tris para. Eu a olho confuso e Andrew também.
– Caleb está? – ela pergunta com dor e mais alguma coisa que não identifico em sua voz.
– Está no quarto. – Andrew suspira. – Ele subiu quando ouviu o carro. Sinto muito, filha. – há doçura e cuidado em sua voz.
– Tudo bem. – Tris nos dá um sorriso nada convincente. – Vamos deixar as nossas coisas lá em cima. – ela me dá um sorriso nervoso.
– Ok. – eu concordo.
– Vou preparar o café da manhã... – Andrew caminha em direção a cozinha.
– Não! – Tris quase grita. Eu reprimo uma risada. – Pode deixar que eu mesma faço, pai. Você pode mostrar o quarto a ele?
Ok. Agora eu tô nervoso.
– Se você prefere... – Andrew diz.
– Sim, sim, eu prefiro. – ela responde de imediato. Comprimo os lábios.
– Tudo bem, querida. Voltamos logo. – ele a beija na bochecha.
Andrew pega a mochila e bolsa de ombro de Tris e me dá um aceno de cabeça para que eu o siga. Eu caminho atrás dele, enquanto subimos as escadas de madeira branca. A casa é pequena, embora seja aconchegante. Tem dois quartos, uma suíte e um banheiro social no andar de cima. Nós entramos no primeiro à esquerda e quando abrimos a porta, o cheiro de Tris toma conta do local. O quarto tem paredes brancas com detalhes azuis. Há uma cama king-size no meio, com uma coberta azul e almofadas brancas. O tapete é branco e o piso é de madeira marrom. É organizado em tudo e isso me faz lembrar da forma como Tris dobrava as roupas na mochila.
Extremamente organizada.
E eu a mudei um pouco.
Porra, que incrível.
– Você não parece o tipo de cara que gosta da “conversa”, mas eu não estou nem aí... – Andrew começa, mas eu o interrompo.
– Pode perguntar o que quiser. – digo sem rodeios. – Minhas intenções com sua filha? As melhores, eu lhe garanto.
– Não é só um “lance” de sexo? – ele arqueia as sobrancelhas e cruza os braços acima do peito.
– Como pode pensar da sua filha desse jeito? – eu junto as sobrancelhas, tentando compreendê-lo.
– É o que você faz, não é? Eu conheço seu tipo, garoto. – ele repreende, como se estivesse falando com uma criança. Eu respiro fundo.
– Mas não é de mim que estamos falando, senhor, e sim da sua filha. Por que vocês fala uma porra dessa? Acha que sua filha sairia transando por aí com qualquer um que ela bem entendesse?
– Não sei se a conheço mais. – ele diz, com uma expressão derrotada. – Tris mudou muito depois que perdeu a mãe e o namorado. E a situação com Caleb só piorou tudo. – ele pausa e quando estou prestes a falar, ele respira fundo e continua – O que sabe sobre ela, Tobias?
– O suficiente. – eu digo.
– Bom, acredito que ela não tenha te contado... – ele suspira e espero que volte a falar. – Quando perdeu a mãe e sofreu com o abandono de Caleb, Tris entrou em depressão. Não era tão forte no início, então Christina cuidou dela. Mas então ela perdeu Peter e foi quando tudo caiu. Beatrice se viciou em remédios de tarja preta para saber como lidar com a dor. Ela só dormia e evitou qualquer contato. Nós a levamos a um psicólogo e ele recomendou um psiquiatra, mesmo sabendo que ela não era louca, mas sim apenas para que ele lhe receitasse remédio. Ela chegou a tomar por um tempo, mas antes de viajar, ela parou. Disse que não precisava disso.
Eu cerro os punhos.
– Não sei porquê está me contando isso. – eu digo.
– Porque quero que entenda. – ele me encara. – Confesso que não gostei de saber que minha filha estava fazendo uma viagem com um cara desconhecido. Milhares de coisas se passaram na minha cabeça. Mas então, vocês chegaram. E eu vi como ela olha pra você. Eu olhava para Natalie do mesmo jeito. Você é a luz pra ela, Tobias. Eu não quero admitir isso, mas é a verdade.
– Onde você quer chegar? – eu pergunto, sentindo minha garganta se apertar com tudo que eu ouvi ele me falar.
– Que não a magoe. Você é importante pra ela. Ela me falou de você algumas vezes por telefone e o modo como ela o dizia que você a fazia bem e como a ajudou a se encontrar, me fez temer por ela. Ela poderia estar se iludindo e eu não queria vê-la tão machucada novamente. – ele fecha os olhos e respira fundo. – Só me diga que tomará cuidado. Ela é frágil.
– Vou cuidar dela, senhor. Não se preocupe. – eu digo, com total respeito por esse homem que está na minha frente.
– Ótimo. Estou confiando em você, garoto. – ele sorri.
– Não vou decepcioná-lo. – eu digo, vendo ele caminhar até a porta e o sigo. – E só para constar, Beatrice não é mais tão frágil assim. A vejo como alguém muito forte que teve que passar por muita coisa e aguentar o tranco sozinha. Eu a admiro e tenho muito orgulho dela.
– Eu também, Tobias. – ele suspira e antes de entrarmos na cozinha, ele acena com a cabeça. – Eu também.
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