Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.
34 Capítulo trinta e quatro - Seus filhos da puta, vocês me pegaram!
Notas iniciais
Perfeito! Foi o primeiro adjetivo que veio a cabeça de Benjamin quando, no início daquela nova semana, recebeu o telefonema todo entusiasmado de Yumi. O motivo foi o mesmo que fez a japonesa pular por todo o hospital minutos antes de pegar o telefone e telefonara para o Ben:
— Senhor, senhora e senhorita Takashi, o Yuri ganhará alta antes do meio-dia de hoje assim que eu receber o resultado dos seus exames. – A voz do médico trazia toda empatia esperada pela família do jovem. – Sei que foram duas semanas aqui de muita tensão, mas agora podem levar o seu filho para casa e aguardar a volta da sua rotina dentro de algumas semanas. O Yuri está fora de qualquer risco decorrente do acidente, só que vocês terão que continuar com alguns cuidados básicos como trocar as gazes e aplicar o antisséptico nas regiões da cicatrização a cada vez que ele tomar banho. As enfermeiras estão trocando agora mesmo o gesso no seu braço esquerdo e então o menino só deverá retornar ao PA daqui a dez dias para fazer um raio-X a fim de sabermos se o osso já estará regenerado.
— Ok, doutor! Temos uma quase interna de medicina em casa— comentou Nara, pondo uma mão nos ombros da filha.
Benjamin prometeu a amiga que visitaria Yuri já em sua casa após sair do cursinho naquele dia.
O menino de olhos verdes cumpriu a sua palavra e voltou a morar em Florianópolis mesmo a contragosto da sua mãe. Ele voltou a estudar no mesmo cursinho de antes: junto com Bárbara, Arthur e Frederico. Já tinha uma semana desde que retornara para lá e mesmo assim a doutora Marisa andava evitando o caçula como se ele não estivesse presente na rotina da família Furlanetto.
O Yuri voltou a falar dois dias após sair da máquina de oxigênio, mesmo que no início ainda um pouco rouco e com uma voz metálica. E foi para um quarto normal do hospital uma noite após ser transferido da UTI para o semi-intensivo. Cada avanço na recuperação do oriental foi muito bem comemorado por sua família e amigos. Ben continuou a ir ao hospital nem que fosse apenas para dar um beijo no japonês e ouvir a sua voz.
O menino de olhos verdes teve que viajar na semana passada para Blumenau com o seu pai para cancelar o contrato do seu apartamento e o contrato da faculdade. A multa rescisória foi absurda e foi outro motivo para que Marisa enchesse o saco do esposo por ele ter concordado com aquilo.
Ao voltar para aquelas salas abarrotadas de vestibulandos, Ben chegou a se arrepender daquilo, porém ao se lembrar de que estava novamente em casa e perto de todos aqueles que ele amava os seus esforços pareciam recompensados.
No intervalo das suas aulas daquela manhã, Benjamin deu a grande notícia aos amigos de infância.
Não há nem como narrar perfeitamente qual foi a alegria que Arthur, Bárbara e o desmiolado do Fred sentiram ao saber que o japa estaria em casa dali a poucas horas. Todos não viam a hora do Yuri deixar o hospital depois de duas semanas trancafiado lá dentro.
— Se não fosse tão em cima da hora, bem que podíamos bolar uma festa surpresa de boas-vindas para o japa na casa dele – sugeriu Bárbara, mordendo um pedaço de torta salgada, assim que ouviu a grande notícia.
— Não se esqueça de que o senhor e senhora Takashi odiariam a ideia – estragou Ben, arrancando um pedaço da torta da amiga sem pedir e colocando-a na boca. A ruiva deu uma intimidada sangrenta com os olhos porque tinha pedido que ele fosse à cantina e comprasse para eles algo de comer, mas a preguiça falou mais alto, e ela se viu obrigada a ir.
— Achei uma incrível ideia da Báh... só que organizar uma festa surpresa com vários amigos exige mais tempo, mas podemos aparecer mais tarde lá com um bolo, salgados — concordou Fred.
Benjamin concordou com a ideia.
— Eu ligo para a Yu e explico o que faremos. Tenho certeza de que ela acalmaria as feras dos seus pais, além de que o japonês vai se sentir muito acolhido – informou a ruiva, mordendo os lábios.
— Nada de convidar toda a frota de caminhoneiros, hein... sabemos bem que a dona Nara é uma megera – ponderou Arthur, beijando o ombro da namorada.
— Só vou chamar a Fernanda e o Josh, afinal se nos esquecermos deles seremos grandes filhos da puta, é claro! – concluiu ela.
— Sim, tu tens toda a razão – concordou Ben.
O papo foi interrompido quando o professor de biologia escreveu no quadro negro: O ciclo reprodutivo das briófitas.
— Eba, eu adoro botânica – soltou Fred, arrancando um olhar de dúvida dos três amigos. – O que é? Eu aprendi que devemos curtir as nossas aulas por mais chatas que elas sejam para termos um bom aproveitamento.
— Não me diga que teve um insight enquanto se masturbava – brincou Arthur.
— Shhhhi! — reclamou uma guria sentada logo atrás do grupo. – Se querem conversar vão pra cantina.
A Bárbara olhou com severidade para os três e depois para a garota morena, que torcia a boca com tamanho desprezo.
— Foi o Joshua e o Yuri que me disseram isso – respondeu o loiro, ignorando a reclamação da desconhecida.
— Primeiro, tu precisa descobrir qual é o curso que vai prestar, imbecil – cochichou Benjamin.
— Shhhhi!
— Shhhhi pra tu também, ô, ixtepô! – retorquiu a Bárbara, prestes para jogar a sua pequena agenda do Bob Esponja na cara da menina.
Os meninos tiveram que rir da reação da ruiva, mas, dessa vez, o professor lá de cima do tablado chamou a atenção do seu grupinho:
— Se não consideram esta parte da disciplina importante, eu preciso mandar que saiam da sala porque a UFSC considera e os demais colegas também.
Benjamin já estava com saudades de sofrer aquela pressão dos seus professores. Eles se calaram pelo resto da aula toda, porém na troca de professores, outra vez não conseguiram calar a matraca. O menino de olhos verdes achou estranho que até a ruiva estava participando das zoeiras tão infantis dos três.
Após almoçarem, Arthur, Bárbara e Benjamin voltaram para o cursinho a fim de revisar a matéria do dia enquanto Frederico saiu com a desculpa de estar com dor de barriga. O menino disse que não gostava de cagar na rua, por isso iria para casa. No meio da tarde, foi a vez do Ben se despedir dos amigos. Ele tinha recebido meia hora antes de decidir ir embora uma mensagem da Yumi que dizia: O Yuriiiii já está em casa, gatinho ♥ Beijão
— Que horas mais ou menos vão para a casa do japinha? – indagou Benjamin enquanto se despedia dos amigos.
— Assim que a Bárbara terminar aquela pilha de exercícios – garantiu Thur.
— Só que antes vamos ter que passar na panificadora. A Fernanda e o precoce vão nos encontrar lá na frente do prédio do Yuri. Não vá abrir esse bocão, hein...
Benjamin antes de sair mostrou o dedo do meio da mão para a ruiva, que retribuiu mandando beijinho.
Ele teve que deixar o seu carro no acostamento em frente ao prédio dos amigos orientais já que o porteiro informou que as vagas destinadas aos visitantes estavam todas ocupadas.
Ben não conseguia controlar a alegria enquanto esteve no elevador, que ficou nítido no excesso de olhares para as suas roupas, os seus cabelos e o seu rosto naqueles espelhos daquela caixa metálica.
Ele trazia em suas mãos uma caixa de bombons com formato de coração, mas por receio trouxe-a toda embalada num papel dourado. Assim que apertou a campainha, a empregada dos orientais abriu a porta com seu rosto apático de sempre.
— Quanto tempo não vejo você por aqui, Ben – mencionou ela, abrindo passagem para ele.
— Pois é, Akiu. É um prazer te ver novamente – respondeu, sorrindo.
Benjamin apenas sorriu enquanto entrava com medo de dar logo de cara com o senhor Yuri ou com a Nara. A sala estava vazia e podia-se ouvir um barulho de música vindo do andar superior do duplex.
— Eu posso subir lá?
Ela deu de ombros, fechando a porta. O menino subiu as escadas com pressa e o que não queria aconteceu: deu de cara com o senhor Yuri sentado na cama do filho enquanto Nara ajeitava os travesseiros para o caçula.
O Yuri neto estava de costas e só viu o amigo quando se ajeitou nos travesseiros organizados pela sua mãe como encosto para as suas costas enfaixadas.
— Caramba, tu veio me ver – gritou Yuri sem conter a alegria. O seu sorriso encheu os olhos do amigo, que sorriu de volta mostrando quase todos os seus dentes – você pode imaginar como os lábios do garoto se distenderam para que aquilo acontecesse.
— Menino, que ótimo vê-lo – afirmou Nara. O senhor Yuri apenas balançou a cabeça tentando ser cordial.
— Filho, então já sabe... se precisar de alguma coisa, ligue para o meu celular e eu venho assim que puder. Eu quero que saiba que tu e tua irmã são a minha prioridade de agora por diante. Não quero que pense que por eu estar indo embora desta casa não serei mais o seu pai ou da Yumi. Eu serei.
Benjamin não acreditou que tinha chegado numa péssima hora. Caramba! Numa hora horrível diga-se de passagem. Quando estava se preparando para sair do quarto, Yumi entrou.
— Ulalá, olha só o que os bons ventos nos trouxeram. – Como sempre ela foi simpática. Não teve como deixar de reparar na expressão de ódio que a menina fez ao ver que seu pai ainda estava ali.
— Tudo bem, pai. Eu vou ficar bem! – disse Yuri, querendo expulsar todos só para dar atenção exclusiva para o Ben. – Pode ir, se quiser.
O senhor Yuri deu um aperto de mão no filho e foi ignorado ao estender a mão para a Nara. O homem se levantou vencido e foi em direção a Yumi, que virou a cara, olhando fixamente para o amigo.
— Tchau, Benjamin! Continue cuidando muito bem do meu filho – pediu o senhor Yuri, cabisbaixo.
— Tchau, senhor Yuri. Até logo!
Nara começou a chorar no momento seguinte ao seu marido se retirar do quarto.
— Yumi, eu volto outra hora – avisou Ben, sorrindo envergonhado para a menina e, depois, para o Yuri.
— Não, não... eu vou levar a minha mãe para o quarto. Ela precisa descansar um pouquinho – proibiu ela. – Venha comigo, mãe. Deixe o Yuri receber o seu amigo numa boa. Venha comigo, por favor – disse toda solicita.
A senhora Takashi se aproximou dos dois com a cabeça baixa e se retirou do quarto na companhia da filha. Ela estava morrendo de vergonha do filho da sua gineco.
— Caralho, me desculpe... eu não tinha a mínima ideia do que estava rolando aqui. Se soubesse, teria vindo mais tarde, japa.
— Ben, relaxe e, por favor, feche a porta.
O menino fechou a porta e se aproximou da cama. Não conseguia mascarar a sua reação de perplexidade.
Yuri abriu os braços pronto para um abraço quando Ben já foi logo dando um beijo bem gostoso na sua boca. Os lábios do de cabelos castanho claro estavam bem mais úmidos do que os do outro.
— Eu estou superfeliz que tenha saído daquele hospital. Não aguentava mais aquele lugar, meu amor. E é tão bom ver você longe de qualquer aparelho médico; até mesmo daquele que media os seus batimentos cardíacos.
— Ué, mas não me dizia que adorava aquilo?
— Sim, só por poder ver o seu coração acelerando quando eu te tocava assim – provocou Ben, apalpando o pênis e o saco do oriental, que por reflexo foi para trás.
Ele riu, voltando a colar os seus lábios nos de Yuri. Ben preferiu ignorar o que presenciara ao entrar ali.
— Eu trouxe um presentinho pra ti, espero que engorde muito – caçoou Ben, entregando a embalagem.
Yuri sorriu ao ver aquela caixa de chocolate tão fofa.
— Muito obrigado, Benzinho. Eu já disse como eu te amo?
— Não hoje – respondeu ele, dando um selinho no japonês.
Os dois ficaram imersos num breve silêncio enquanto Yuri colocava sobre a mesinha de cama a caixinha de acrílico com os bombons.
— Meu amor, eu preciso conversar contigo sobre o que acabou de ver – começou Yuri, quebrando o silêncio e tentando alisar o rosto e o pescoço do amigo com a sua única mão livre (o braço esquerdo ainda continuava engessado).
— Não precisa me dizer nada agora, se quiser pode me contar outro dia. Eu não quero que se estresse em vão.
O japonês sorriu e puxou a cabeça do amigo em encontro do seu peito para poder sussurrar no ouvido dele:
— Não consigo me estressar contigo tão pertinho do meu coração... ainda bem que estás aqui para me aquecer e tirar a minha cabeça desse mundo caótico que é a minha família.
Ben conhecia o Yuri há tantos anos que sacou tudo: ele estava prestes a desabar e queria manter uma pose austera como sempre fizera.
— Então pode me dizer o que está acontecendo com a sua família – disse Ben, ainda próximo do rosto do outro, mas agora olhando dentro dos seus olhos negros.
— O meu pai tem outra mulher – principiou, com o coração ferido. – Ele está se separando da minha mãe porque nos disse que não pode mais sustentar um casamento de farsa e uma família perfeita diante da sociedade. – De repente, o menino começou a chorar como previsto pelo Benjamin.
O de olhos verdes se rearranjou na cama para poder se deitar de lado do japa, repousando a cabeça do amigo sobre o seu ombro esquerdo enquanto afagava os longos cabelos pretos do menino, que havia meses que não via uma boa tesoura.
Às vezes, Ben dava uns beijinhos no topo da cabeça e na testa do Yuri.
— Ele contou pra gente que a sua namorada está grávida de nove meses. Nove meses, Benjamin... A menina tem a metade da idade daquele velho escroto – disse Yuri, revoltado. – A Yumi ficou ainda mais chateado com ele do que a nossa própria mãe, acredita?
— Acredito. Pô, ela já foi traída e sabe como isso pode ser foda. – Ao falar aquilo, se lembrou do beijo que trocou com o Gustavo e, ficou um pouco vermelho e perturbado. – Meu amor, eu preciso aproveitar para me desculpar sobre aquele beijo que troquei com o meu amigo.
Yuri afastou a sua cabeça do ombro do Benjamin e sem enxugar os olhos, começou a observá-lo com atenção.
— Eu realmente preciso pedir desculpas para ti pelo o que eu fiz naquela noite. Quando o beijei logo vi a merda que estava fazendo contigo e me afastei. Só Deus sabe o quanto eu chorei por aquilo, se eu pudesse voltar naquela noite, nunca teria feito aquilo. E as coisas só pioraram quando tu pegou o teu carro e desapareceu naquelas ruas.
O japonês mordia os lábios sem perder contato visual. De repente, começou a aproximar o seu tronco do amigo e deu um beijo sem avisar.
Ben ficou sem entender nada, mas presumiu que o beijo provava que nenhuma mágoa restava entre eles. Quando o beijo terminou, Yuri continuou com os olhos fechados e o rosto encostado no do outro – sentindo a aquela pele branca, com poucos pelos e cheirosa.
— Benzinho, eu não quero saber o que aconteceu lá. Eu te amo de verdade e fico muito feliz que tenha visto a minha importância para ti nestes dias. Tipo, eu soube o quanto se preocupou desde a manhã do meu acidente até o dia em que acordei, além de que não saiu do meu lado por nada. E ainda voltou para Floripa para ficarmos juntos novamente. Ah, Yumi me contou tudo, tudo mesmo... até a besteira que ela fez de te colocar na parede por minha causa.
— Não diga isso, ela só quis fazer o papel de irmã tão presente que sabemos que ela é. Eu achei aquilo tão fofo e queria que o Mig se importasse tanto assim comigo para ter coragem de pegar de jeito quem estivesse me fazendo sofrer daquela maneira.
— Mas porra... Tu não me fazes sofrer de modo algum. Eu te amo e isso basta. Ela não tinha o dever e nem o porquê fazer isso contigo. Já tive o meu momento de discussão com ela por causa disso.
— Claro que eu estava te fazendo sofrer, japa. Eu não estava te levando muito a sério. Tive que ver isso quando sofreu seu acidente e quase te perdi de vez para a morte. Aquilo seria insuportável para o meu coração e nunca me perdoaria, afinal pegou o carro e deu no pé por minha causa.
— Não quero discutir! Fui um imbecil ao pegar aquele volante e ao assumir o risco de me matar ou alguma outra pessoa. Se tivesse acontecido algo comigo como morrer...
— Não fale isso, cara!
—... mas, é verdade! Tá, tá... deixa isso pra lá! Eu te amo e tu já me disseste que me ama. Isso é o que importa! Quero ficar juntinho assim de ti para sempre.
— Amo mesmo... e estou louco para dizer isso para quem quer que seja. Só que acho que a gente vai tomar no cu quando formos revelar o que sentimos para os nossos pais.
Yuri engoliu em seco. Para ele era estranho ver um Benjamin totalmente modificado, porém concordava que este era ainda mais fofo do que o outro. Não estava resistindo sentir aquele corpo bem definido do amigo sem poder transar com ele. Enquanto não melhorasse bem, aquilo ficaria só nas suas intenções mesmo.
— Não temos que pensar nisso agora. A gente vai ter que lidar com isso, mas não precisamos sofrer por antecipação. Ninguém desconfia de nada e podemos manter desse jeito por algum tempo ainda. A minha família já está passando por um péssimo momento, isso não seria legal agora.
Ben sentiu um aperto no peito. Dessa vez, foi ele que ficou um pouco chateado com o que ouviu: quer dizer que o amor dos dois estava sendo comparado a uma coisa péssima? O menino de olhos verdes se achava preparado para enfrentar as suas famílias, entretanto o mais forte dos dois não? Aquilo o deixou inseguro em relação a ficarem juntos.
— Tenho que discordar de você. A Bárbara acha que o meu pai está desconfiado do nosso amor e, outro dia mesmo, me disse que nos chamaria para conversarmos sobre as nossas brigas. Só que não sei o que ele está esperando agora.
— Meu caralho! O que a gente vai fazer? – gritou Yuri. O seu corpo se afastou tão depressa do outro que após fazer aquilo começou a sentir uma dor no seu braço engessado. – Ai, ai... O meu braço começou a doer – revelou, tentando massagear o seu ombro.
Ben pareceu ignorar aquilo.
— A gente vai ser forte e enfrentar qualquer coisa. Não estamos juntos nessa? Eu nunca conseguiria fazer isso sozinho. Não quero mais ficar de beijos e de pegadas com você, ambos escondidos como se fizéssemos a maior cagada de nossas vidas. A gente é de maior e muito bem vacinados, obrigado!
— Eu não quero fugir e tu sabes bem disso, não sabe? Faço muita questão, só que fiquei com vergonha agora. Como vou poder olhar na cara do seu pai e da sua mãe. Digo a sua mãe mesmo porque se ele já sabe, com certeza já deve ter dito isso à doutora Marisa.
— Pare com tantas nóias. É claro que ela não sabe de nada. Do jeito que a minha mãe é uma louca, quando ela souber fará o maior escândalo. Eu conheço muito bem a dona Marisa, cara, muito bem mesmo!
— Ela e a dona Nara então! Acho que é por isso que as duas se dão tão bem, não é mesmo?
Os meninos começaram a rir.
Benjamin conseguia ver o que os olhos negros do amigo denunciavam; Yuri não estava muito seguro daquilo. Ben entendia que o oriental devia estar com medo do Manuel e da Marisa, contudo também estava com medo da reação dos pais do japa.
— Não está mais certo de eu e tu ficarmos juntos, Yuri? Pode ser bem sincero comigo, não vou te forçar a nada.
— Não! Eu não tenho dúvidas, só que ver que, a cada dia, estamos mais próximos de assumirmos um namoro e de contarmos sobre ele para as nossas famílias, fico morrendo de medo. Mas eu te amo e é isso que importa, meu amor.
— Seu bobo – disse Benjamin, beijando a nuca do amigo. – Estou com medo também, mas não vejo a hora de não precisarmos mais ficar escondidos por aí. Lembre-se de que num dia desses, eu te disse que contigo não me importaria de enfrentar tudo ou todos, se lembra? Pois, então... não estava blefando.
Yuri sorriu, fazendo um bico de pato, que foi mordiscado pelo menino de olhos verdes.
— E olha a gente aqui se agarrando como se fôssemos os únicos no seu apartamento. Imagine só se a dona Nara abre aquela porta, japinha.
Os dois voltaram a rir e a se agarrarem mais forte. Ben apalpava os glúteos do amigo enquanto beijava-lhe no pescoço. Yuri gemia tamanho ao tesão de ter a região da orelha chupada por aqueles lábios carnudos.
— Quer comer a minha bunda?
Ben arregalou os olhos para o amigo com as sobrancelhas levantadas.
— Yuri, tu tá de brincadeira comigo?
— Claro que não, pô! Estou com saudades de transarmos – provocou, apalpando a região no meio das pernas do amigo. O pênis de Benjamin estava todo ereto, e o menino todo alvoroçado.
— Pare com isso! Não é justo, Yuri – comentou, retirando a mão do amigo dali. – Tu tá de repouso absoluto até melhorar, está me entendendo? É claro que não poderemos fazer nadinha disso até lá.
Yuri mordeu os lábios, desapontado, porém riu daquele momento embaraçoso.
— E aí, trouxesse suas apostilas para eu te explicar alguma coisa? Não quero me enferrujar com tamanho ócio.
— Não estou a fim de estudar hoje à noite. Não me explicou como fará para não perder tanta matéria importante da faculdade.
Yuri se ajeitou no colchão, montando uma pilha de travesseiros entre as suas costas e a cabeceira da cama. Ele fez aquilo por causa do que Ben tinha dito: eles não estavam sozinhos no apartamento.
— O coordenador do meu curso ligou para a minha mãe e explicou que a partir da semana que vem, duas vezes por semana, um professor adjunto virá até a minha casa para aplicar as provas. A teoria está todo no sistema online da UFSC, então não preciso assistir às aulas e como estou de atestado médico, as minhas faltas estão devidamente justificadas e não rodarei por F.I.
— F.I?
Yuri riu, apertando o queixo fino do menino.
— Eita, calourinho burro... FI, frequência insuficiente.
O celular do Benjamin vibrou. Ele viu que era uma notificação da Bárbara vinda pelo WhatsApp.
Báh:
Mozão, a gente está subindo agora para o apartamento do japa. A Yumi vai abrir a porta para gente. ♥
Ben riu, atrapalhado. Havia se esquecido de que os amigos viriam fazer uma surpresa para o japa. Aquele não era o momento perfeito para a família Takashi, mas nenhum deles podia imaginar o que estava acontecendo ali.
— De quem é a mensagem, Ben?
— Está com ciúmes, gatinho? Está morrendo de ciúmes desse menino de olhos verdes e de um corpo bem torneado?
Yuri sorriu com os lábios fechados e virando os olhos para trás.
— Era a Bárbara, ela me disse que está morrendo de saudades tua e que vem no fim de semana te abraçar.
— Ué... E por que não mandou no meu celular?
— Porque tu não tens mais um celular, seu puto – replicou, socando o braço não engessado do oriental. – Meu Deus, me desculpe... confesso que já tinha me esquecido da sua condição física.
— Onde tu vai?
Benjamin estava se dirigindo para a porta do quarto. Não queria que os dois fossem pegos tão pertinho um do outro pelos amigos que não sabiam da relação deles.
— Vou abrir a porta, estou me sentindo agoniado aqui dentro.
Quando abriu a porta, a Yumi fez sinal para o Ben desligar o interruptor do quarto. O menino a obedeceu, mergulhando os dois numa escuridão total.
— Hei, porra, que aconteceu com a luz? – urrou Yuri, achando que o menino queria provocá-lo.
De repente, a luz do corredor também se apagou e os amigos do japa entraram, no quarto, carregando um belo com velas acessas e gritando:
— Surpresa!
Foi aí que Benjamin ligou as luzes novamente, e Yuri deixou a boca cair quando viu a Fernanda, a Bárbara, a Yumi, o Arthur, o Joshua e o Fred reunidos ali. Os seis traziam também várias bandejas de salgados e alguns refrigerantes com eles.
— A festa vai acontecer aqui mesmo neste quarto – anunciou Fernanda toda elegante. Havia se vestido como tivesse realmente ido a uma festa de gala. Um exagero como bem observou o menino de olhos verdes no ouvido do Arthur.
— Mas que porra é essa, seus filhos da puta – riu Yuri, se colocando de pé mesmo com um pouco de dificultada devido às suturas. – Todos compactuaram para isso?
— A gente fez isso porque amamos você demais da conta, viu? – garantiu a ruiva, colocando o bolo de festa com as velas ainda acessas sobre uma mesinha de estudos do amigo.
— Ainda mais porque tu foste quase para o outro lado da vida, só que não resistiu ao nosso charme e encanto – galanteou o precoce, sorrindo de orelha a orelha.
O Yuri chorava quando terminou o abraço com a Bárbara e foi abraçado pelo Joshua.
— Valeu pelo que estão fazendo agora pelo meu irmão, Benjamin... Eu te amo demais e quero muito que seja feliz com o meu maninho – cochichou Yu no ouvido do menino de olhos verdes.
Benjamin não resistiu e abraçou a menina, já aproveitando aquele abraço para dar uma força pela situação tão delicada que os japas estavam passando com a separação dos seus pais.
— Saiba que estarei aqui para tudo que tu precisar, japinha. Eu te amo também e muito.
A Yumi por um breve momento se esqueceu de que estavam juntos com mais pessoas e se deixou levar pelo carinho do quase cunhado. Ela não conseguiu mais controlar as lágrimas.
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