Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.
37 Capítulo trinta e sete - O que de tão sério quer falar comigo?
Notas iniciais
O sinal tão aguardado por Arthur, Bárbara e Benjamin soou trazendo uma alforria de vinte minutos entre a terceira e quarta aula naquela manhã de quarta-feira. Todos eles também estavam ansiosos pelo fim daquele dia de estudos, já que, hoje, dia vinte e três de setembro de dois mil e quinze, a Yumi completa mais um ano de vida, e a japonesa fará a sua comemoração particular com alguns amigos num barzinho com direito a karaokê.
— Quer dizer que a sua mãe ainda não voltou para a casa desde segunda-feira? Dois dias fora de casa e ela não responde nem as suas ligações, as do seu pai e as do Mig?
— É sério isso? – perguntou Arthur, se sentando à mesa de quatro cadeiras na cantina do cursinho.
Arthur havia comprado dois copos de 500ml de suco de laranja, um para o Ben e o outro para ele e a Báh. A garçonete veio logo, depois do menino, com uma bandeja de plástico onde trazia os salgados daquele grupinho.
— Este pastel de estrogonofe é seu, Arthur – informou a ruiva, checando a bandeja. – O que é isso que tu pediu? – questionou ela o amigo, tentando descobrir do que era aquele estranho salgado retangular na sua mão.
— Báh, isso é um folheado de camarão. Me dê isso aqui antes que termine derrubando o meu lanche – protestou ele ao ver que a amiga chacoalhava o salgado por algum motivo estranho.
— Parece que tem mais ar aqui dentro do que molho com camarão – analisou Bárbara, entregando-o ao menino.
— Você pode, por favor, deixar de me ignorar e responder a minha pergunta?
— Foi mal, Thur, mas a sua namorada é a culpada. É verdade, sim... A dona Marisa saiu de casa na segunda-feira e deixou um bilhete para o meu pai dizendo que iria se afastar da família que ela tanto quis o seu bem. E desde lá, não tem atendido as nossas ligações.
— Onde ela está? – perguntou a ruiva antes de dar uma mordida no seu enroladinho de salsicha.
— Na casa da minha tia, a Thereza. Ela mora ali em São José. (Uma cidade na região metropolitana de Florianópolis, que fica no continente).
— Ela está trabalhando normalmente?
— Não sei, Arthur!
— Poxa, acho que ela levou muito a sério a discussão que tiveram no domingo, hein... Mesmo assim, tenho pra mim que a doutora Marisa voltará para casa logo, logo. Não imagino os seus pais se separando como os dos japas.
— Na real, meu pai disse que ela já vinha se estressando com tudo que acontecia lá em casa; a gravidez da Paula; a minha desistência da faculdade e porque meu pai não quer tirar férias do hospital para irmos viajar no fim do ano para a Europa.
— Caramba, eu imagino que a profissão dos seus pais também contribuem para esta exaustão. Foi bem por isso que desisti da minha ideia de cursar medicina, aliás, nem conseguiria ser aprovada num vestibular desses.
— Ai, coitada dela, Arthur. Falou aqui a pessoa mais burra que eu conheço depois do Frederico. É claro que tu nunca ia passar em MED, só eu porque sou o mais inteligente de nós três aqui – ironizou o menino de olhos verdes, mostrando o dedo do meio para a garota.
— E por falar no Fred, qual foi a desculpa daquele puto para faltar a aula de hoje, Arthur?
— E eu que vou saber, Bárbara?
— Ô filho da puta, eu só fiz uma pergunta, não precisava ser tão cavalo. Perguntei porque sei que os dois ficaram até tarde da madrugada jogando videogame online.
— Então está explicado qual foi o motivo para ele faltar: o sono dos justos. Já prevejo o guri outro ano aqui no Energia e tomara que sozinho.
— Tomara mesmo, Benjamin! Todos nós merecemos passar no vestibular da UFSC este ano, vocês dois em medicina e eu em arquitetura. Não tenho mais forças para voltar aqui ano que vem caso eu não passe de novo.
— O próximo simulado é domingo que vem, certo? – perguntou o Ben, tentando se lembrar.
— Já? Pensava que o simulado seria aplicado no primeiro fim de semana de outubro, um fim de semana antes da aplicação do ENEM – confessou a Báh, mexendo na agenda do seu celular. – Não, não vai ser neste próximo fim de semana ainda, eu marquei aqui que a prova será no dia quatro de outubro mesmo às 13 horas.
— Claro que não, amor! Você deve ter se equivocado pela primeira vez na história.
— Bem capaz, Arthur. Eu sei do que estou falando... acha mesmo que eu me enganaria com algo tão importante?
O menino olhou para Benjamin e sorriu de canto para ele.
— Por que do sorrisinho, Arthur? Vocês é que estão enganados e sabem disso.
— Não, minha ruivinha teimosa, dessa vez, tu errou. O professor Juliano inclusive ratificou essa informação na última aula de segunda-feira quando a senhorita teve que sair mais cedo para ir ao dentista.
— Então, esses desgraçados adiantaram a prova para nos ferrar.
— Calma, ruivinha. Todo mundo se engana de vez em quando, até CDFs iguais a tu – provocou Ben, vendo que a amiga desejava lhe matar. Então mudou de assunto: – Viram que a inscrição para o vestibular da UFSC já abrirá nesta sexta-feira?
— Sim, eu estou cagando de medo faltando quase dois meses para o vestibular real – afirmou Arthur.
O sinal para voltarem para a sala tocou de repente para a infelicidade dos três.
— O Yuri faz questão de que eu só faça a inscrição quando ele estiver por perto – informou o Furlanetto enquanto os três se dirigiam à entrada do anfiteatro.
— Que fofo o seu namorado é, Ben. – O menino olhou imediatamente para o amigo, que suspirou de forma exausta. Havia pegado a indireta da namorada. – Isso vai trazer boa sorte para você. Além de que também está tendo aulas particulares com aquele crânio de aço inoxidável.
— Sei, aulas! – provocou Arthur, abraçando os ombros do Benjamin, que riu imediatamente.
— O pior é que sim, ele é muito sério quando está me ensinando, nem um beijinho me dá – reclamou o Ben, se acomodando na sua carteira.
Como era de costume, o menino de cabelo claro se sentava entre o casal de amigos, mas naquele momento foi empurrado pelo Arthur para a carteira do lado, onde o namorado da Bárbara se sentava desde o começo do ano.
— Me dá um beijinho, Bámoremio – pediu o guri, levando um não como responda. – Bámoremio, eu te amo... Me dá um beijinho bem gostoso, vai...
A ruiva cedeu e beijou o seu namorado ali mesmo e enquanto seu professor de história começava a aula sobre o fim da ditadura militar.
— Bámoremio? Que porra quer dizer isso? – provocou Benjamin ao trocar novamente de lugar com seu amigo.
— Vá se foder, Benjamin!
E os dois começaram a rir, recebendo uma advertência da ruiva.
Os olhos do japonês quase se fecharam novamente. Essa já era a quinta vez que o Yuri quase adormeceu enquanto tentava resolver a sua prova de imunologia. O menino já não aguentava mais tentar lembrar-se de todos aqueles nomes que estudou até no meio da madrugada anterior.
— Pessoal, eu tenho que informar a vocês que só restam cinco minutos para o fim do tempo de prova e não darei nenhum minuto a mais – interrompeu o professor com o pior sotaque de portunhol que a turma do Yuri já conheceu após entrarem na segunda fase do curso.
O menino levantou a cabeça e deu uma olhada ao seu arredor; fora ele só mais quatro alunos restavam na sala. Porra, tu se superou, Yuri Takashi, ser um dos últimos a terminar o teste? Caralho, o que está acontecendo comigo? Que merda eu não vou me lembrar do nome dessa porra de citocina liberada na apresentação desse antígeno.
— Tempo encerrado, turma. Lamento, lamento, mas regras são regras – voltou a atormentar o professor.
Yuri se levantou cheio de ódio no peito e jogou a folha sobre a pasta do seu professor antes de juntar as suas coisas e sair da sala. Pronto, o que mais odiava estava acontecendo: o pessoal que já tinha saído da prova estava comentando o teste e claro que não o deixara de fora.
— Eu prefiro conferir esta resposta com o japa aqui – comentou um dos amigos do Yuri, se afastando do bolo de pessoas formado no meio do corredor. – E aí, meu parceiro, arrasou mais uma vez na prova?
— Porra nenhuma! Eu tomei no cu bem bonito. Não sei a necessidade que aquele desgraçado tem para cobrar da gente tanta decoreba.
— Concordo contigo, Takashi. Já achei o bastante ter que entender como funciona todo aquele processo de apresentação do antígeno à célula, agora, lembrar-se de todas as interleucinas relacionadas no processo foi de foder com a turma mesmo. Já me preparo para um quatro ou cinco nesta prova – comentou a Fernanda.
— Eu também me fodi nesta prova. Não me lembrei do nome de várias daquelas interleucinas, além de que estava morrendo de sono, por isso já vou indo – disse Yuri, querendo se afastar daquela conversa.
— Se dois dos mais inteligentes da turma acham que foram mal na prova, imagina só como eu e o resto dos menos privilegiados fomos – comentou o mesmo menino de antes.
— Falou, Venícius. Eu preciso mesmo ir andando... Tchau, Fernanda!
O japonês deu graças a Deus quando saiu dali e nenhum dos seus outros colegas interceptaram-no. Por sorte, a sua próxima aula naquele dia só seria às três e meia, então daria tempo suficiente de ele ir para casa e dormir um pouco mais.
— Yuri...! Yuri...! – Ele ouviu alguém gritar o seu nome enquanto se dirigia ao estacionamento próximo do seu bloco de aulas.
Era o Joshua que gritava vigorosamente enquanto corria atrás do amigo.
— Opa, tudo certo contigo? – perguntou Yuri, apertando a mão do precoce, que tentava recuperar o fôlego naquele meio tempo.
— Eu tô legal e tu?
— Não tão bem quando queria estar, mas acho que sobrevivo a minha primeira nota abaixo da média da faculdade.
O amigo do japa riu enquanto os dois reiniciaram seus passos.
— Eu queria te chamar para comer alguma coisa comigo agora, se tu não tiver aula, é claro! Preciso muito conversar com você sobre uma coisa bem séria.
Yuri estranhou. O que poderia ser esta coisa tão séria?
— Ok, eu aceito! Que tal irmos naquela lanchonete que já fomos uma vez perto do Bradesco? Dá pra ir a pé daqui. Depois, volto para pegar o meu carro no estacionamento.
— Perfeito!
— Mas pode começar a falar, se quiser!
— Bem capaz! Quero conversar sobre esse assunto quando estivermos lá, não é um assunto de vida ou morte. Pode relaxar!
O oriental sorriu para o amigo, mesmo ouvindo aquilo, não conseguiu controlar a ansiedade até que chegaram a tal lanchonete. Os dois pegaram uma mesa, cada um deles pediu um suco natural de fruta e um sanduíche natural.
— Já vim aqui com a minha namorada duas vezes antes – comentou Joshua.
— Que legal! E aí, como está o namoro dos dois calouros? Ela me parece ser bem legal, tu tens que sair mais com a gente e levá-la junto. Isso seria muito tesão!
— Orra, se seria! Falando nisso nem avisei ela aonde iria, é que quando te vi descendo as escadas, sai correndo atrás de você. – O menino começou a rir ao mesmo tempo em que escrevia uma curta mensagem para enviar a namorada. – Pronto, já avisei aonde fui. Sabe como são as garotas, se não sabem onde estamos, começam a fantasiar um milhão de coisas.
O outro concordou, rindo daquilo. Yuri não queria bancar o grosso, mas queria pedir para o amigo ir direto ao ponto. Seja lá o que fosse que contasse de uma vez.
— Como o Benjamin está?
Yuri, na hora, entendeu o que o Joshua queria lhe falar.
— Acho que está bem. Ele vai à comemoração do aniversário da minha irmã hoje à noite, tu e a tua namorada vão ir também, certo?
O menino pareceu bem reflexivo antes de responder:
— Nós não vamos poder ir porque temos uma prova complicada na próxima sexta e marcamos de estudar hoje.
— Porra que chato! Só que eu imagino que o semestre esteja foda pra vocês também.
— E as namoradinhas, japa? Pegando muitas por aí?
O oriental tentou sorrir, mas a intimidação foi maior, então, só mostrou os dentes. Yuri continuava desconfiado sobre o assunto que o amigo queria conversar com ele.
— Que nada! Estou bem de boas. Ainda estou tentando me recuperar do acidente e recuperar o tempo perdido na faculdade.
— Bá, sério? E por que não dá uma pegada na Santori de novo? Tenho certeza que ela daria facilzinho, facilzinho pra você.
Yuri imaginou como Benjamin reagiria ao ouvir alguém lhe aconselhando a voltar a pegar sua ex-namorada.
— Cara, ela já está em outro. E além do mais, como já te falei, estou bem tranquilo em relação a isso. Mas e aí, o que querias falar comigo mesmo?
Imediatamente, Joshua deu uma engasgada com o seu sanduíche e começou a tossir repetidas vezes.
— É... é... – tossiu novamente – É que... Bem! É que...
O Takashi continuou a fita-lo sem esboçar qualquer reação. Ele sacou que aquilo realmente perturbava o mineiro.
— Você e o Benjamin são gays?
Mesmo já desconfiando sobre o que ouviria, Yuri sentiu como se alguém desse um forte soco no seu estômago e lhe arremessasse a vários metros de distância.
— Quê? O que quer dizer com isso, Josh?
— Foi mal, japa...! É que o Frederico veio com uma história de que viu você e o Ben saindo de um restaurante com as mãos dadas. Não sei se é verdade, por isso, estou lhe perguntando.
Yuri mordeu os lábios furioso, querendo matar o maldito do Fred.
— Quando ele te disse isso?
— Acho que na segunda-feira. O Fred me encontrou após a aula daquele dia e veio me perguntando se eu sabia sobre vocês dois.
— Aquele filho da puta...
— Foi mal, eu sei que não tenho nada com isso, mas...
— Realmente, é como tu disseste: não tem nada com isso, então, pronto! – Yuri foi o mais estúpido que conseguiu ser naquele momento.
— Então... então é ver...
— Verdade? Sim, é verdade! Eu e o Benjamin estamos namorando desde o sábado, mas já estamos nos pegando há uns dois meses pelo menos.
— Ghr! É... É... Affs!
— Quando ver o Frederico vou quebrar o nariz dele pra mostrar que não é só porque comecei a namorar o meu melhor amigo que eu perdi a minha masculinidade e força.
Joshua fechou os olhos, apertando a sua nuca. Não queria crer naquela confissão.
— Quem mais já sabe sobre vocês? Seus pais?
— Só a Bárbara e o Arthur sabem sobre a gente. E, claro, a minha irmã.
— Porra, caralho! Como vocês deixaram isso acontecer? Os dois são os maiores exemplos de pegadores de xoxota que eu conheço.
O japa franziu a testa, esgotado e aborrecido.
— Precoce, eu quero que tu e o Fred vão pro inferno. Deixa eu ir embora antes que desconte a minha raiva sobre você e isso não vai prestar pra gente.
— Calma! – pediu o menino, segurando o punho do furioso. – Eu só quero entender como isso foi acontecer justamente com vocês.
— O que espera que eu diga? Que acordamos num dia e, pum, éramos viados? Pois não foi bem assim que isso aconteceu, cara. Eu me apaixonei por ele e sofremos muito para assumirmos o nosso amor pra nós mesmos. Foi muito foda, só que agora nada disso importa, eu e ele estamos juntos e vamos ficar assim.
— E as suas famílias? Digo o que elas vão achar disso?
— Só terão que nos ouvir, nada mais. Aceitando ou não, eu não me afasto do Ben por nada mais nesta vida.
Joshua desviou os olhos para o teto, respirando profundamente como se sua vida toda dependesse daquela ação.
— Yuri, porra, cara! Eu não sei nem o que dizer.
— Por que diabos tu me chamou aqui então? Se não para ouvir a verdade.
— Sei lá, eu jurava que o puto do Fred estava devaneando outra vez como sempre faz.
Yuri mordeu os lábios, se controlando.
— E a Fernanda já sabe? Com certeza, se o desgraçado do Fred já deu com a língua nos dentes para ti, a guria foi a segunda na lista.
— A gente conhece muito bem a Fer, se já soubesse, já teria procurado ou você ou o Benjamin.
— Ah, na real, não me importo também, só que ela é da minha sala, quando souber, tenho certeza que vai espalhar por toda a UFSC. Eu queria um maior tempo para abrir o jogo com o pessoal da minha sala.
— Porra, foi mal! Só que eu precisa mesmo te perguntar sobre isso. Mas Yuri... Vocês vão superar isso, cara, vão conseguir se apaixonar novamente por alguma menina.
— Caralho, Joshua, vá se foder! Eu não quero superar o que sinto por ele, só faria isso se o Benjamin não me amasse, mas como sei que me ama, não quero isso.
— Velho, se coloca no meu lugar, de como se sentiria se dois dos seus melhores amigos se assumissem gays. Gays, porra! Que é isso?!
O Takashi deu um tapa ardido sobre a mesa, espantando um casal que comia ao lado dos dois.
— Pra mim isso já chega! Eu vou pra minha casa, cara. Eu tive uma péssima manhã de prova, estou caindo de sono, tenho o aniversário da minha irmã pra comemorar. Vou pra casa para dormir.
— Ok, tu que sabes. Deixa que eu pago a tua conta, afinal eu te convidei.
— Não quero, eu tenho dinheiro pra isso. E passar bem – vociferou Yuri, se levantando e indo em direção ao caixa da lanchonete.
— Yuri... hei, Yuri... – gritou duas vezes Joshua na rua. Só que foi ignorado pelo japonês que continuou a caminhar em direção à faculdade para pegar o seu carro. – Por favor, me espera – disse Josh, puxando o ombro do amigo após correr da lanchonete até a ali.
— Eu não quero discutir, Joshua, então me deixe em paz – confessou. – Por favor, cara! – insistiu após ver que o menino continua a segurá-lo ali no meio da calçada.
Joshua abraçou o amigo de surpresa, colocando uma mão sobre a nuca do japa e encostando sua cabeça no ombro do amigo.
— Velho, eu estou contigo e não abro. Pode contar comigo sempre. Jamais permitiria que a nossa amizade de infância acabasse por causa de preconceito ou qualquer outra merda dessas. Só peço um tempo para eu conseguir entender bem o que está acontecendo. Eu prometo procurá-los assim que pôr a minha cabeça no lugar. O.K?
— O.K!
— Me desculpe se eu fui um completo intolerante. Me desculpe mesmo, velho. Eu te amo e também amo o Ben. Diga isso a ele, O.K?
— O.K!
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