Sem luz nos seus olhos azuis
14 Epílogo
Todos os anos em que Jack viveu passavam devagar, a evolução e descobrimento de algo novo sempre era uma novidade, mas os dias de neve que ele fazia sempre era recebidos com alegria, não eram deixados de lado como a evolução da que observava. Ele conseguiu aos poucos refletia com tudo que presenciou e viveu em imortalidade.
Deixar de ser um guardião demorou um tempo que ele mesmo pode aguardar, não interferiria na idade de Elizabeth e só de pensar que iria ser um jovem normal e que envelheceria com ela, não pode negar a felicidade que estampava seu rosto a todo momento que ia perguntar para Norte se o mesmo tinha conseguido tirar os dons e a imortalidade que Jack possuía.
Quando pode ter a sensação de que todos podiam lhe ver, não apenas agarrou Elizabeth e gritou em felicidade, insistiu em conversar com seu irmão casula e ter os pais da sua amada do lado para conhecer. Ter uma etapa que lhe foi negado a mais de trezentos anos.
— Jack? O que foi, meu amor? — Eliza falou ao seu lado, apertando sua mão em sinal de conforto — Não é tão ruim assim... Só vamos conhecer algumas crianças, não é nada demais... — sorria singela.
Como ele poderia receber tanto amor vindo daquela mulher? Tinham se conhecido a anos atrás, quando ele era apenas um guardião e ela uma garota normal. Agora sua feição já mostrava o quão madura e adulta estava e o mesmo refletia em Jack, as madeixas poucas madeixas brancas se misturavam com a cor natural do seu cabelo.
— Vamos conhecer nosso filho ou filha, não ver umas crianças — falou com um sorriso triste ao se lembrar que ambos não poderiam ter seu próprio filho, tal noticia tinha arrasado Elizabeth — Dá para acreditar? Eu vou ser papai — comentou feliz.
— Posso imaginar — sorriu e abriu a porta que levava a um pequeno parque, várias crianças corriam de um lado para o outro, brincavam alegres entre si.
Uma pequena garotinha estava afastada de todos, sozinha no balanço. Jack soltava a mão de Eliza, indo em direção onde a mesma se encontrava e sorriu carinhoso quando a mesma levantou o olhar.
— Você é um dos adultos que fazem visitas? — ela indagou, mostrando o olhar que brilhava de curiosidade — Madame White sempre fica por lá — apontou para o prédio de onde Jack e Eliza tinham vindo — Não é difícil se perder por aqui.
— Eu sou e realmente não é difícil, mas me diga — começou, sentando-se no outro balanço ao lado da garotinha — Por que não está brincando com as outras crianças?
Eliza assistia tudo de longe, sorrindo e se sentando em um banco, confiando no que seu marido iria fazer.
— Eles não gostam de brincar comigo, eu tento e eles não deixam, acham que eu sou estranha — explicava, cabisbaixa.
— Sabe, as melhores pessoas são as mais estranhas — comentou — Está vendo aquela mulher? Ela é casada comigo e eu sou estranho, mas ela me ama do jeito que eu sou — explicou e a garotinha ergue a mão para Elizabeth — Eu sou Jack, qual o seu nome?
— Anna, meu nome é Anna — falou — E o nome dela? — apontou para Eliza.
Sem esperar mais, Elizabeth levantou-se e se aproximou de ambos, ficando ajoelhada diante da garotinha e sorrindo.
— Qual o seu nome? — ela perguntou.
— Eu sou Elizabeth.
— Que nome bonito, você também é muito bonita senhora Elizabeth — enrolou a língua ao tentar pronunciar o nome de Eliza, a fazendo dar uma pequena risada.
— Obrigada minha querida, e os seus pais?
— Eu não tenho pais, nunca tive — negou com a cabeça — Eles me deixaram aqui, acho que eles não me queriam...
Jack manteve o rosto sereno, mantendo o rumo da conversa de uma maneira que animasse a pequena e Eliza fez o mesmo. Se passaram os dias até que a garotinha tivesse se acostumado com a presença de ambos, chamando sem querer Jack de "pai" enquanto o mesmo vinha lhe visitar.
Isso foi o suficiente para que depois daquele momento Anna fizesse parte da família de ambos e deixasse o lugar onde ninguém brincava com ela, pois o que poderia ser melhor do que ter o conforto e amor dos seus pais?
Jack nunca esteve tão feliz quanto naqueles anos em que viu sua filha crescer e sua mulher cuidando e os amando. Ele não podia deixar de sorrir, nem no seus últimos momentos de vida.
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