Sem luz nos seus olhos azuis
13 Capítulo 12
O tremor no chão interrompia o momento de reencontro. Os céus ficaram mais escuros e Eliza apertavam mais contra si Jack e Vítor. Temendo que algo acontecesse a ambos, poderia temer a segurança dos mesmos e voltava a se culpar por voltar até a Terra, mas tirando esses pensamentos da cabeça quando a mão de Jack apertava a sua.
— Eu posso tentar distrai-la novamente, dará uma chance para você e seu irmão fugirem — falou, Jack.
— Eu não vou deixa-lo sozinho! — Eliza falou com determinação na voz.
— Já lhe perdi uma vez e isso não vai acontecer novamente por minha culpa, então vá. Por favor... — pediu, beijando o topo da cabeça de Lizzy e voou em direção a nuvem escura que subia aos céus.
Relutante, olhou para seu irmãozinho, vendo que o mesmo olhava assustado para os céus e que tinha passado por uma situação bem assustadora com a mulher de preto. Fazendo o que foi mandado, segurou Vítor firmemente para longe dali, tropeçando as vezes em algum relevo de neve no chão ou até mesmo com o cansaço do corpo por segurar por u tempo não calculado o corpo do irmão.
— Lizzy, olhe! — apontava para cima, algo vermelho voava em direção a batalha que Jack travava com a mulher de preto, reconheceu em memória quem seria. Era Norte.
Logo atrás vinha uma figura colorida, mas seu destaque em verde fez com que quase gritasse pela atenção de quem era.
Diferente de Norte, Fada notou a figura de cabelo alaranjados e teve que abortar a ajuda ao velho amigo para crer com os próprios olhos, sorrindo bobamente com a garota que pensava estar morta ou desaparecia em corpo sem vida.
— É você! — gritou eufórica, voando e agarrando Eliza e Vítor no ar, num abraço de urso que ambos perderam o ar e a mesma notou, os deixando no chão — Eu pensei que... Nós pensávamos que você...
— Ela tinha viajado, fada do dente — completou Vítor com um sorriso inocente — E ela voltou para mim... — falou feliz, abraçando de lado Elizabeth.
— Isso mesmo querido, ela voltou... — sorriu com ternura — Como é possível?
— Foi o homem da lua, ele me trouxe para cá... — sorriu, mas logo o desfez ao ouvir o impacto de algo caindo — Jack! — alarmou-se, mas parou com o braço de Fada a impedindo — Ele está em perigo!
— E seu irmão também — falou séria — O homem da lua contou a situação, pelo menos parte dela... — sussurrou confusa — Mas deixe que ele fique com Coelhão, seu irmão parece sem esperança — observou melhor o garotinho.
— E onde estaria aquele mestre da pintura? Eu preciso ajudar Jack — falou alarmada.
— Bem atrás de você — a voz grossa do Coelhão a deixou surpresa, a fazendo se virar para o mesmo — Do jeito que eu conheço aquele garoto, você deveria vir junto e não deixar seu irmão sozinho novamente — cruzou os braços.
— Tem razão... — falou cabisbaixa — Mostre o caminho, Coelhão! — ordenou e com o bater da pata no chão, um túnel se abriu e eles entraram no mesmo.
Na batalha, a cada instante que se passava, a mulher de preto parecia crescer mais e mais. Os adultos não pareciam notar, mas sentiam a presença dela que era o desespero. Jack nunca conseguiria entender como ninguém que tivessem a crença neles não visse algo daquele tipo, era um absurdo...
Tendo a ajuda de Norte, os globos de vidro que lançava abriam portais para um loca vazio e inabitável, mantando uma parte do corpo descomunal da mulher longe, Fada atacava o rosto da mesma com suas espadas e Sandman prendia as mãos da outra para que não se defendesse dos ataques, era a combinação perfeita de ataques entre todos.
No treno, Alex assistia tudo para ter uma chance de reduzir por completo a existência daquela monstruosidade corrompida, afinal, ler livros dos guardiões e da era do ouro servirá de algo.
Sentia a agonia e tristeza em massa dela, a dor que não largava e que agora estava sendo sua ruina, mas que tentava provar o contrario. Sentiu pena por uma mãe como essa ter sido corrompida por algo como o próprio homem e sua sociedade, ninguém merecia perder os filhos e ela não deveria tomar o de ninguém.
— Norte, não mire nenhum globo nela — pedia — Deixe que eu falarei algo que a enfraqueça ou a faça desistir.
— Não é seguro!
— Mas é nossa única chance, daqui ela pode atacar a cidade inteira e machucar mais inocentes — suplicou, tendo o mais velho guardando no treno os globos — Eu sei que você sofre! — Gritou para a mulher, tendo a atenção dela voltada para si e as iris vermelhas lhe dando arrepios de medo — Mas já não chega de sofrimento? Por que torturar a si mesma? — indagava.
— Eles tiraram meus filhos, eu só os estou pegando de volta.
— Eles nunca serão seus filhos!
— Cale-se!
— Eles nunca serão, sabe por que? Por que você esta fazendo o mesmo que aqueles que tiraram a vida dos seu s únicos filhos da qual tinha.
— Não! Fique quieta! — soltava as areias que prendiam suas mãos e as fez tapar os ouvidos — Não!
— Está se tornando como eles, tirando filhos de suas famílias, fazendo o que fizeram contigo. Pense nas outras mães como você, que perderam a família porque você busca uma vingança da qual não existe! — gritou, sentindo a da dor da outra ficar mais forte, diminuindo a raiva que estava a momentos atrás — Pense em você no lugar dessas mães, não se torne aquilo que seus filhos não querem.
— Vão me pagar!
— Não, eles não iram pagar, não agora... — sussurrou — Você é mais do que isso, não deixe que um a coisa como a raiva torne algo que você não é — Ergue as mãos em direção a mulher de preto, sentindo um calor percorre-las e uma luz ourava afetar a mulher de preto, mesmo que distante — Está na hora de acabar com isso...
— Meus filhos... — ressoava enquanto diminuía seu tamanho, trazendo consigo a escuridão dos céus e ficando no tamanho normal no chão.
Com o treno pousando perto da mulher de preto, os outros três guardiões mantinham-se alertas, em modo de ataque enquanto Alex descia do treno e andava em direção a outra, vendo suas forma assustadora sumir e dar aparência a uma mulher camponesa humilde, com o rosto molhado de lágrimas.
— Não chore.. — Alex segurava seu rosto — Não tem motivos para chorar, você pode ficar com suas crianças novamente, não tem com o que se preocupar — sussurrou — Você é uma boa mãe, e uma mãe que tem outro dever... Só que não aqui... — tranquilizou.
— Eu quero vê-los... Eu poderei vê-los... Sinto tanto a falta deles... —
— Vá ficar ao lado deles, eles vão precisar de você... — afastou as mãos do rosto da mulher camponesa, vendo-a ficar translucida e desaparecer em fios de luz, como se nunca tivesse estado lá — Acabou... A mulher camponesa de preto não existe mais — falou, virando-se para os outros e sorrindo tristemente, com lágrimas no rosto.
— Sua primeira tarefa verdadeira como guardiã... Fez tanto... — comentou Fada, indo abraça-la — Não temos como agradecer....
— Acho que alguém pode fazer isso por nós — Falou, Jack — Acho melhor alguém chamar o Coelhão e pedir para que ele traga alguém... — sorria.
Minutos depois de tê-lo chamado, quando Alex pode ver a garota de cabelos alaranjados sorrir para todos, não aguentou quando a mesma olhou para si, corria para abraça-la e chorar junto com ela pelo tempo que ficaram separadas.
— Eu pensava... Nos pensávamos.. — tentava falar.
— Pensávamos que estava morta... — concluiu, Norte.
— Pensaram errado — comentou com humor Eliza — Não conseguiriam se livrar de mim tão fácil — comentou, atraindo a risada de todos e dando espaço para que seu irmão saisse de seu lado, querendo abraços também.
Jack sentia falta daquele sorriso, como se moldava bem ao seu rosto e também com seu jeito que tanto amava, sentia falta em tudo na garota. Puxo-a para um abraço quando deixaram a atenção dela de lado, sentindo os braços dela rodarem seu pescoço e puxarem pela nuca rosto para perto do seu, o trazendo para um beijo.
Senti a dor de não a vê-la novamente, mas que sisso fosse com o passar dos anos, até se lembrar da historia de noiteluz, o guardião anterior de si e o sacrificio que fez.
— Espero que isso nunca acabe — Eliza sussurrou contra o ouvido de Jack — Nunca.
— E não precisa acabar... — sprriu, deixando Elizabeth desconfiada — vamos ficar juntos para sempre..
— Mas Jack, você é imortal... — lembrou com tristeza no olhar, mas sendo trazida a realidade com o beijo em sua bochecha — O que? — sentiu Jack se afastar de si e puxa-la pela mão até Norte — Jack?
— Eu renego meus deveres como guardião — falou, atraindo a atenção de todos e sendo olhado com surpresa — Quero uma vida humana, envelhecer. Não quero ver aqueles que amo morrerem novamente — ao falar tal coisa, virou-se para Eliza — Não quero perde-a de novo... — pousou sua mão no rosto dela — Por favor, Norte... — suplicou, olhando para o velho amigo que parecia confuso sobre o que fazer.
— Deixar seu posto de guardião não é uma tarefa fácil... Você fez o juramento... — explicou — Seu posto será deixado com outra pessoa.
— Não faça isso — Eliza se colocou na conversa — Não perca o que você tem.
— Eu tenho você, e é suficiente — declarou — Eu faço o que for possível.
O assunto se encerrou por ali, os guardiões voltaram para o polo e Alex foi para casa sendo acompanhado com Coelhão, já Eliza voltando para casa fazendo com que o efeito de memória do pai desaparecesse, que antes o fazia pensar que a filha estava fora do país, deixando o irmão em casa e aproveitando por um tempo a família, chorando ao ver até sua mãe no final do dia.
Quando já era bem de noite, entrava no seu quarto, do jeito que o tinha deixado e olhando para a janela aberta, com Jack nela olhando para a lua.
— Ele é um bom homem, me tratou como uma filha — comentou, atraindo a atenção de Jack — E o arco não pode ser visto pelos meus pais, deve ser o mesmo efeito dos guardiões em relação a crença — falou, ficando ao lado dele — Não tem como fazer com que você mude de ideia? — Sentia a mão gélida dele puxar a sua, a beijando.
— Eu quero envelhecer ao seu lado, voltar com essa ideia não será possível — sorriu — Entre a escolha de envelhecer e tê-la ao meu lado entre a imortalidade, eu prefiro sempre acordar como alguém normal e ver seu rosto sonolento.
— Não vai haver uma volta com essa escolha, Jack...
— Eu não quero voltar atrás com a minha escolha.
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