O corpo de Eliza estremecia, mesmo a grande sala lunar estando aquecida e bem iluminada. A xícara de chá em sua mão tremia de um nervosismo desconhecido e temia algo, como pressentimento ruim.

Não poderia ser o homem da lua, pois ele mesmo lhe tinha garantido que estavam seguros, não explicava como funcionava a enorme nave que era a lua, mas deixava a firmeza em sua palavras quando era para tranquiliza-la de suas dúvidas.

Poderia ser os guardiões que ele mencionou e tinha lhe mostrado antes. Mas pareciam que todos eram fortes, então por que a sensação?

Um dos insetos que ali viviam pousou sobre o ombro. Era uma borboleta estranha da Terra, o formato de cada asas era diferente e as cores eram mais vividas, quase como o dourado que se destacava sobre as paredes e o teto.

Mas o mais estranho era que o homem da lua conseguia falar com o pequeno ser, não apenas com ele, mas com todos os outros. Ele os entendia.

— Aconteceu algo? — não saberia falar o"insetes" ou "borboletes", mas a tentativa que fazia era digna de alguém insistente — Estou falando com uma borboleta — lamentou-se.

Suspirou e molhou pouco sua mão com o chá já frio, oferecendo para borboleta e a vendo pousar suavemente em sua mão. Acabou rindo e o pouco de chá já tinha sumido, o que acabou deixando Eliza surpresa, mas não poderia se distrair.

Levantou-se da poltrona flutuante e caiu em outra mais baixa, indo assim até o chão, quase se desequilibrando e voltando a postura normal.

— Lunar? Os guardiões, eles estão bem? — perguntou enquanto se aproximava do telescópio, mas notou que o pequeno Lunanoff não estava lá — Lunar?

Um botão vermelho do painel holográfico piscava, sabia que não poderia mexer nas coisas que tinha ali e sem autorização, então mesmo que não quisesse, se afastou rapidamente dali antes de cometer algum erro.

Amarrando os cabelos ruivos num nó e agarrando-se mais ao agasalho de tricô branco, caminhou da sala até algumas prateleiras de baixo nível.

Explorando suvenir que tinham ali ou fotos estranha que se movimentavam, tinha até o mesmo ovo colorido que Lunar lhe contou a história do último coelho guerreiro do centro da Terra, mas um globo de vidro afastado chamara a sua atenção.

Não era tão pequeno como os outros e nem tão grande, era médio e havia um casal de mãos dadas. O detalhe que começava a deixa Eliza intrigada era como o garoto do globo era semelhante ao guardião da diversão ou Jack Frost.

— Como é possível? — sussurrou para si mesma e sentiu novamente a borboleta em seu ombro.

— É porque ele é a reencarnação do Noiteluz — A voz de Lunar atraiu a atenção de Eliza, que viu algo da qual não tinha visto antes, preocupação no olhar de Lunar.

— Reencarnação de Noiteluz? — indagou — E quem seria?

— O guardião da minha terra natal, um diferente — explicou.

— Mas... Isso é possível?

— Algo me diz que é — falou — Quando Noiteluz escolheu ser mortal, escolheu também viver ao lado da garota que amava — Eliza olhou devagar para o globo, a menina de casaco amarelo de mãos dadas ao albino — Mas o cargo de guardião não morreu com ele e sua vida mortal, ela foi passada adiante e que seguiu a procura de alguém digno.

— E esse alguém foi, Jack Frost — Eliza completou, olhando atentamente os dois — Mas e a menina?

— Ela partiu junto com ele a muito tempo — o tom de voz de Lunar tornou-se fraco — Mas não apenas eu sei a história, os outros guardiões tem conhecimento dela, pois já conheceram ambos — voltou a explicar, recebendo a borboleta que antes estava com Eliza em sua mão.

— Há um botão vermelho no painel. Não toquei no mesmo, parecia ser algo de assunto seu — alertou e apressadamente, Lunar se afastou até perto do telescópio e apertando o botão.

— Não é possível... — ele falou e Eliza andou até o seu lado, não vendo nada do que ele poderia ver, apenas um globo holográfico com três pontos vermelhos.

— O que aconteceu? — perguntou preocupada.

— Três guardiões foram feridos... — falou e o nervosismo de antes voltou a atingir Eliza.

— E você pode ajuda-los? — perguntou.

— Ajudar? Não posso ajuda-los daqui... Apenas posso tentar duas coisas que são, esperar e transferir a energia do cristal que seleciona um guardião para resgatar um ferido.

— Então o use.

— Eles não estão no polo, não posso fazer nada —suspirou.

— Então só resta esperar? — indagou nervosamente.

— É a opção restante... — falou preocupado.