Sem luz nos seus olhos azuis
8 Capítulo 7
Nevava do lado de fora, o céu escuro tomava toda a cidade mesmo ainda sendo cedo. Alex prestava mais atenção no lado de fora do que em sua lição escolar e livros antigos dos guardiões, historias que continham toda a época de ouro detalhada.
As letras douradas não chamavam mais sua atenção e o frio do lado de fora parecia entrar por alguma fresta invisível. A espada que tinha ganhado de Norte estava pendurada na janela e mesmo sendo mortal para uso de despreparados, Alex tinha o total preparo, tinha sido treinada com o possível a ter sido ensinada e depois de ter visto sua amiga evaporar e partir de forma estranha, sua defesa era um meio de fazer por ela.
A ligação fraca que tinham e ficou forte com os poucos dias e semanas. Os meses que tinham passado refletiam claramente em sua aparência, as mexas roxas tiradas de seu cabelo, deixando apenas o preto como cor e os olhos acastanhados fitando a janela de seu quarto.
— Alex? — Uma voz alarmada adentrou o cômodo e o barulho de algo como terra sendo escavada chamou a atenção da garota — Alex!
Era Coelhão, mas o que a surpreendeu foi como parecia preocupado, bastante preocupado.
Aproximando-se do mesmo, tocou levemente seu rosto e mesmo com a mascara de guerreiro antigo, sorriu para tentar tranquiliza-lo.
— O que aconteceu?
— Você esta bem, não é? — Indagou preocupado.
— Sim? Acho que você me salvou do tédio chamado "lição de casa", mas tirando isso está tudo tranquilo, não sei o porque da pergunta — Respondia com um sorriso tranquilizador, o seu dom de guardiã humana afetava até mesmo os outros guardiões e tinha se desenvolvido para algo maior — Mas você ainda não respondeu minha pergunta.
— A mulher que o homem da lua mostrou... — Contava ofegante e antes de dar continuidade, o túnel da qual tinha vindo e entrado pelo quarto de Alex, saia Fada — Ela seguiu você?
— Ela foi antes de nós, mas ela já parecia saber quem era Alexandra...
A maneira que Fada estava portada e armada alarmou Alex, ficando mais rígida e séria ao olhar para o guardião da esperança e esperando que o mesmo terminasse o que tinha começado a explicar para si.
— Eu sei me defender...
— Acredite, Alex. Essa mulher não liga se sabe ou não se defender, ela é louca. Dominada de maneira pior que as trevas e sombras do Breu — Argumentou, Fada. Voando até a espada que estava pendurada na parede e entregando a Alex — Se algo vier, queremos que não fique de lado como uma donzela, fizemos isso com a Eliza e não deu muito certo — Argumentou.
Pegando a espada, parecia que a mesma tinha adquirido peso com a falta de utilidade. A janela se abrirá com o vento forte e o céu antes escuro tinha como elemento algo estranho e da qual Alex não tinha presenciado antes.
Mesmo sendo recuada para ver o que tinha do lado de fora, pode ver o pequeno detalhe surgir em preto nos céus outro logo depois aparecer. Aquele segundo detalhe ela reconhecia sem sombra de dúvidas. Era Jack Frost.
— Ele é doido? — Coelhão falou e a falta da presença de Fada o fez ficar ainda mais surpreso — Fada!
Não adiantava chamar a companheira guardiã, a mesma voava em direção a Jack com suas espadas empunhadas e o olhar voraz para a inimiga.
As nuvens escuras pareciam descer os céus e em poucas camadas foram a casa de Alex. Tentado mesmo que brevemente impedi-las, Jack viu que as mesma pareciam fumaça, não eram atingidas nem com um ataque simples ou complexo, sendo assim desviou sua total atenção a mulher de preto e chapéu esquisito que flutuava a sua frente.
— E pensar que uma figura assim como a senhora não apareceria — Falou com um humor amargo — Toda bizarra e... Feia — Concluiu com um careta.
— Não é hora para isso, Jack — Alertou, Fada — Ela veio atrás de Alex e Coelhão está com ela.
— E por que essa louca veio pegar a garota, apenas para inicio de conversa? — Perguntou.
— Ela é uma desviada, uma das minhas crianças que se perdeu com a loucura do mundo — A voz grossa e sombria chamou a atenção de Jack, que a olhou impassivo — Você já foi uma criança desviada, mas tinha um propósito... — Respirando de forma estranha.
— E ainda tenho velhota.
— Protegia sua irmã — Falou e isso causou uma surpresa não apenas em Fada, mas em Jack também — As crianças de onde se transformou originalmente em um ser imortal, mas ela o desviou... — O tom de sua voz foi estridente e Fada tapava os ouvidos em agonia — Pobre Elizabeth...
— Como sabe dela? — Indagou desconfiado, mas ficando irritado com a maneira que a mulher de chapéu estranho começava a agir — Como?
— Você a destruiu, a matou... — Murmurou e não parecia que apenas sua voz era ouvida, outras falavam em conjunto com a sua voz que já estava estranha.
— Fique quieta... — Rosnou, segurando com firmeza o cajado — Não tem o direito...
— A matou... — Jack rangia os dentes de raiva e sentia a mão de Fada em seu ombro — Mas ela nem se lembrara de você e ela acabara no esquecimento eterno de sua mente, garoto invisível...
— Cale a boca!
Voando o mais rápido que podia até a mulher, podia ver o olhar malicioso que a mesma portava e o céu escuro que tinha como suporte. Juntava toda a emoção que tinha em si, toda a tristeza e culpa carregadas num ataque semelhante ao que lançou a Breu e mais poderoso que o aprisionamento de Jack Black. Mas a mulher tinha lançado um grito que se chocou contra o ataque de Jack, jogando-se em direção ao mesmo e vendo o seu objetivo alcançar o guardião, todo o sentimento que ele tinha carregado no ataque voltar para si e fazer com que ele se distraísse e caísse.
— Jack!
Com rapidez, Fada alcançou Jack e em seguida o seu cajado, que caia em uma direção oposta.
A risada da mulher ecoava e os céus tornavam-se menos escuros, mostrando que não tinha se prejudicado e tinha atingido e feito algo que valesse a pena.
Ela já tinha abalado três guardiões. O da diversão, esperança e a guardiã humana.
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