Sem luz nos seus olhos azuis
7 Capítulo 6
Os olhos azuis dela eram o que destacavam a vida que a mantinha, a alma de uma criança e espirito livre no corpo de uma jovem mulher, a risada de Elizabeth ecoava em seus pensamentos e nos sonhos que não conseguia ter, por motivo ser imortal e guardião de todas as crianças, protegê-las é sua função, mas teve a capacidade de se dedicar a uma pessoa que não fazia parte.
Os planos que o destino não tão existente, a indagação do que se aproximou e foi tudo tão simples ao conversar com ela, que esqueceu o fato de ser invisível a que não acreditasse. Mas ela acreditava e continuou até o fim.
Poderia tê-la perdido, mas protegeria algo que a mesma protegia. Seu irmão mais novo, Vitor.
Sem ser ruivo como a irmã, os cabelos pretos eram estranhos para alguém que era uma familiar dela. O garoto já sabia de sua existência e não reclamava de sua presença, mas indagava com frequência onde estava Elizabeth e o que a mesma estava fazendo longe de casa. Era de partir o coração do guardião, mas como sua função era levar diversão as crianças e não entristece-las, omitia a verdade e prolongava como se fosse uma mentira.
Fazia quase uma semana de que tinha ido ao polo e levado um sermão de Norte, o globo estranho que tinha alguém parecido com ele e que o homem da lua mostrou-lhes uma ameaça nova.
— Jack? — chamava Vitor, olhando curioso para o guardião que se mantinha sobre um galho de árvore — Você não vai brincar hoje?
— Apenas se você se agasalhar, fique doente e nem poderá sair de casa depois. Agora vá, não vou sumir daqui — incentivou o garoto, vendo rir e se afastar, mas parando o fitando e querendo comentar algo — Algo errado?
— Você não vai embora como minha maninha, não é? — perguntou, mordendo o lábio em sinal de nervosismo.
— Nunca amigão, sua irmã vai voltar, não se preocupe — piscou e viu o mesmo se afastar novamente.
Deixou o vácuo lhe dominar como nas outras vezes e lágrimas que mal caiam se transformarem em gelo. Aquele não era o espirito da diversão, era um espirito já vazio e quase sem motivação, apenas tinham uma coisa que ligava a uma pessoa que o viu.
— Não posso acreditar... — chamando-o atenção, Jack levantou a cabeça rapidamente e não escondeu a tempo as últimas lágrimas que caíram de seu rosto — Por que você esta chorando, Jack?
Era Jaime, o primeiro a vê-lo e que era o seu protegido favorito, depois de toda a historia melancólica e com perdas. O garoto sempre estava ali, como amigo e quase como um irmão mais novo, o ajudou poucas e muitas vezes e ainda estava ali, quase entrando na fase de deixar de acreditar no guardião.
— Não é nada...
— Vamos... Desça e venha ocupar a mente, Vitor esta voltando — falou num tom de pena, uma pena que ele não merecia.
Flutuando até o chão, ficando ao lado do garoto e vendo Vitor chegar perto deles, ofegante e vermelho devido a correria e desarrumado, mas bem agasalhado.
— Finalmente, derrubou algum durante o caminho até o lado de fora? — Jaime perguntou com humor, vendo Jack rolar os olhos.
— Apenas o abajur, escondi debaixo do tapete. Será que alguém vai notar? — foi o suficiente para a tristeza de Jack sumir por segundo e rir da pura ingenuidade do garotinho.
— Se alguém vai notar? Não sei, talvez qualquer um — ironizou Jaime, vendo o Vitor rir de maneira engraçada e rir do mesmo.
E assim se passaram as horas, os três se dividindo em "território" e jogarem bolas de neve um nos outros, os amigos de Jaime chegando e juntando-se a brincadeira de guerra de neve.
Foi divertido até certo ponto, mas quando em um momento da brincadeira toda uma bola de neve que acertou o rosto de Vitor em cheio preocupou a todos, afinal, a fama da pessoa que o fez era digna de se preocupar mesmo e essa era Cupcake.
O pedido de desculpas foi feito e de nada adiantou para disfarçar a cara de choro que se mantinha na face de Vitor. Assim todos se despediram de Jack — que se ofereceu a levar o garotinho para casa — e andaram em direção ao outro parque da cidade.
Como o pai de Vitor não notava a presença de Jack, o mesmo adentrou a casa e acompanhou o garoto até o seu quarto, ajudando a passar por seu pai a não ver o mesmo chorando e a subir até as escadas, levando- em direção ao seu quarto e vendo no final do corredor o quarto de Elizabeth com a porta entreaberta.
Balançou a cabeça de leve, não deveria desviar sua atenção, tinha um dever ali e o cumpriria com vigor.
— Eu não gosto de me machucar quando fico brincando, perde toda a graça — resmungou.
— É, mas se você não se machucasse, quem iria garantir que não ocorreria depois? — argumentou Jack, pegando um lenço e formando gelos sobre ele e os enrolando, um meio para amenizar a dor do garoto.
— Você é tão legal comigo, Jack. Parece minha irmã Lizzie, ela era muito chata por ficar cuidado de mim o tempo todo como se eu fosse um bebê — pegava o pano com gelo e o aproximou do rosto e resmungando em dor.
— Vai ver era porque ela gostava de protegê-lo — respondeu.
— Deve ser... — Bocejou e deitou-se em sua cama — Você gostava da minha irmã?
A pergunta realmente tinha o pegado de surpresa, mas forçou um sorriso para não atrair suspeitas e deu uma risada curta.
— Eu gosto da sua irmã, adoro ela para falar a verdade — sussurrou e quando viu o garoto, o mesmo dormia e uma fina areia adentrava o quarto dele, as areias dos sonhos do seu amigo Sandman — Estou lhe devendo uma Sand...
Já fora do quarto e da casa, pulava e era guiado pelo vento para longe dali, um local que fosse do outro lado dos Estados unidos e que ainda estivesse nevando, para assim não deixar os adultos preocupado com a neve fora de época.
Atravessando um bosque que era perto da casa de Alex, Jack pode notar que um dos túneis de Coelhão abriram e de lá o mesmo saiu furioso e sai em disparada a casa da sua amada humana.
Estranhou o que deveria estar acontecendo e foi puxado para trás pelo vento, nuvens estranhas e relâmpagos que atravessavam os céus traziam um mal pressentimento do que poderia estar para chegar
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