Sem espelhos

1 Quebrado - assim como seu coração


Notas iniciais
PARABAINS SRTA ELLIE, MEU MOZÃO, ESPERO QUE VOCÊ GOSTE MUITASSO PORQUE ESSA É PRA VOCÊ ♥ (também dedico essa one pra Mei, que é meu mozão mor, outra razão de minha existência e fã incondicional de PP) Amo vocês ♥ 18.11.2014

Levantou a marreta pela última vez, impulsionando-a para o lado com toda a força que possuía.

Parou.

Respirou fundo.

Chocou a ferramenta contra o último espelho da residência, quebrando-o por completo e espalhando vidro por todo o chão.

Agora sim sua nova morada (porque ele não tinha uma casa, não possuía um lar. Não mais) estava completa.

Kougami Shinya não suportava olhar para espelhos.

~X~

Um dia você entenderá, Shinya, era o que Makishima Shougo dizia enquanto olhava para o moreno, do alto da escada que tanto lhes era familiar. Um dia você perceberá que está lutando contra o mal errado. O Sistema é a causa de tudo, ele sempre dizia. Makishima estava certo de que era o bem da humanidade, de que libertaria as pessoas do mundo alienado e falso a qual viviam.

Mas sempre que se encontravam – ali, principalmente ali, naquela escada que separava-os veemente – o coração do assintomático batia forte e ele até esquecia porque deveria lutar contra Kougami.

E não era diferente com o justiceiro – ou cão, como ele mesmo gostava de se chamar. Kougami ainda lembrava-se de ter respondido você sabe que é o que tenho que fazer. Você sabe...

Makishima esperava uma atitude dogmática, esperava que Kougami acordasse e lutasse ao seu lado, tentando destruir o falso sistema que chamavam de Sibyl.

Kougami queria que Makishima se rendesse, que aceitasse os fatos como eles eram e que parasse de procurar a ruína da sociedade.

Quando Kougami olhava para Makishima (de baixo, sempre de baixo)...

As escadas não pareciam um empecilho quando o assunto era os lábios de um na boca do outro.

~X~

— A jovem inspetora parece gostar de você. Vocês formariam um belo casal – falou casualmente, enquanto separava sua boca dos lábios de Kougami, em busca de ar.

— Não digas besteira – retrucou seriamente, voltando a atacar o pescoço do albino com vontade, deixando marcas de mordidas e chupões.

— Não é besteira, Shinya, você sabe. Ela gosta de você, serias feliz com ela. – Voltou a insistir, enquanto começava a desabotoar a camisa social do justiceiro. – O jeito que ela te olha... Às vezes até sinto pena. Você tem mesmo uma queda por assintomáticos.

— Akane não é assintomática e isso não é hora para falarmos dela. – Kougami abaixou-se um pouco mais para provocar os mamilos do companheiro, ainda por cima da camisa. – Você deveria parar de me provocar apenas por alguns momentos...

— E quando eu o faria, Shinya? – Agarrou os cabelos pretos com força, forçando a cabeça de Kougami para beijá-lo exatamente como queria. – Sabemos o que acontecerá depois disso. Sabemos qual será o meu fim. É triste saber que o homem que me beija é o mesmo que me matarás, não acha?

— Você vai escapar. Você sempre escapa.

Makishima sorriu minimamente.

— Fico feliz em saber que contas com isso. – E dirigiu o corpo do moreno ao chão, nos pés da escada.

A nossa escada.

— Estás feliz?

— Não realmente.

E sentou-se sobre Kougami, afrouxando sua gravata e terminando de retirar sua camisa, enquanto o moreno também despia Makishima. Quando ambos já encontravam-se com os troncos despidos, Kougami começou a brincar com os mamilos do amante, lambendo e mordiscando levemente, apenas para provoca-lo um pouco.

Parou quando Shougo afastou-se, abaixando-se até a altura do cós de Shinya, para começar a retirar sua calça – e o justiceiro não pode deixar de gemer quando sentiu a boca do assintomático em seu membro, descendo e subindo e lambendo o máximo que conseguia, enquanto estimulava a base com uma das mãos. Ele acariciava a nuca branca e os pequenos fios também brancos que ali nasciam, enquanto distribuía beijos e marcas por toda extensão daquela pele. Só parou quando se deu por satisfeito, observando todas as lindas marcas que havia deixado naquele que agora era todo e somente seu (mesmo que por pouquíssimo tempo).

Segurou os cabelos de Makishima com certa força, forçando-o a afastar-se, quando sentiu que gozaria. Em seguida virou-se por cima do amante, ficando por cima e direcionando sua cabeça para o membro do albino, começando a retribuir o que há pouco lhe era feito.

(E sugava e lambia com afinco, tentando proporcionar o máximo de prazer que conseguia. Mesmo que negasse a realidade, logo se afastariam e a caçada recomeçaria. Kougami não sabia o que iria acontecer, apenas o que deveria fazer...

Deveria matar Makishima Shougo.)

Por isso – e também porque deliciava-se com as expressões de prazer que recebia – continuou a sugar com afinco, esforçando-se e levando o amante ao paraíso, até sentir o sêmen preencher sua boca.

Engoliu e voltou sua atenção para a entrada de Makishima, preparando-o, lambendo seu prepúcio e voltando para a bunda, começando a penetrar um dedo, e outro, e outro... Até começar a enlouquecer com a visão de seu pênis naquela bunda e penetrá-lo com força.

Kougami já havia sido gentil demais.

E estocou e preencheu o interior do companheiro, entrando e saindo e arrancando gemidos extasiantes, enquanto ele mesmo gemia, baixinho, sentindo o corpo do assintomático sugar-lhe.

Continuou a movimentar-se freneticamente, até sentir o criminoso gozar, apertando seu canal e fazendo Kougami gozar também.

Caíram embolados, um em cima do outro, enquanto arfavam e ouviam suas respirações (curtas, entrecortadas e tão preciosas...).

Makishima Shougo era seu inferno – sem sombra de dúvidas.

~X~

Quando olhava para espelhos, sentia repulsa.

Sua imagem refletida não passava da imagem de um cão – obediente, que seguira as ordens do dono sem questionar ou parar para pensar. Um cão que havia cometido um erro.

Makishima estava certo.

Makishima...

Quando olhava para o espelho, não gostava do que via.

~X~

Sentou-se no velho sofá, um dos únicos móveis encontrados na sala. Acendeu um cigarro e tragou profundamente, soltando o ar de forma entrecortada e lenta.

Jogou a cabeça para trás e olhou para o teto, perdido.

Talvez Makishima estivesse certo, afinal. Talvez devesse procurar por Tsunemori Akane e retribuir o sentimento que lhe era oferecido. Esquecer o Sistema, esquecer o passado, esquecer...

Esquecer e recomeçar sua vida.

Mas quando ficava sozinho – e ele estava sempre sozinho – podia lembrar-se das últimas palavras de Makishima. Afiadas como facas, cortavam seu coração inúmeras e inúmeras vezes.

Então, Kougami? Depois disso, você poderá encontrar um substituto para mim? Makishima havia perguntado, ajoelhado no chão e com suor escorrendo pelo rosto.

Kougami via desespero, frustração, tristeza... E sofria de amor.

Bem, eu com certeza espero que não, ele havia respondido, enquanto apertava o gatilho e retirava a vida da única pessoa que havia amado.

O destino dos dois estava entrelaçado, desde o começo ou até antes.

(E nem mesmo Tsunemori Akane poderia mudar isso.)

Bem, eu com certeza espero que não.

Eu com certeza espero que não.

Eu com certeza...

Pelo menos não possuía mais espelhos em sua casa.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!