Sem Pistas
1 Episodio I: Branco como a neve
Notas iniciais
Era uma vez, além do que agora é o Forte de Briggs, havia um país coberto de gelo. Literalmente, pois alguém realmente o soterrou na neve.
Quem fez isso? Ora, eu mesma. Clara Werlang. Eu tive meus motivos. Eu salvei aquele país mas, mesmo assim, nunca me agradeceram.
Para dizer a verdade, nem se lembram de mim. Nem de Veronika. Não há registros. Não há nada. Não há pistas.
Eu e meu povo desaparecemos, mas foi para um bem maior. Eramos uma civilização avançada, com um alto conhecimento sobre a Alquimia. Nós eramos a Alquimia. Nossos olhos, pele e cabelos eram brancos como a neve, e nosso sangue era o mais vermelho dentre todos os humanos.
Infelizmente, para algumas pessoas, a Alquimia tinha suas limitações. Com o passar dos anos, tradições foram quebradas e a Alquimia passou a ser um raro dote de familias afortunadas.
Certa pessoa descobriu que, caso nosso sangue fosse misturado como um todo e solidificado, geraria uma pedra de coloração carmesim, que lhe daria poderes infinitos e poria um fim em suas limitações.
Quando essa informação chegou aos meus ouvidos, eu era pertencente à Ordem Mosqueta. O equivalente a um Alquimista Federal. Nosso dever, era proteger Veronika. E assim o fiz.
Essa pessoa ludibriou o país inteiro, e seus proprios regentes. Estavam cegos. Queriam ainda mais poder. A Alquimia se tornou uma febre novamente, e Veronika se tornou um país sangrento, conquistando terras e povoando-as.
Eu impedi o sofrimento eterno das milhares de almas Veronikanas, garantindo-lhes um descanso gelido sob a neve. Eu, e os que acreditavam em mim, fugimos para Rookbows. Um pequeno país que se formava ao Leste.
Nós mostramos a Alquimia para eles mas, diferente de nós, não parecia funcionar tão bem. Foi quando inventamos o Circulo de Transmutação.
Os anos se passaram. Muitos deles. E nós vivemos, e ensinamos. Nossos cabelos já eram brancos, não notavamos o quão velho estavamos. Para prevenir o esquecimento, marquei tudo o que aconteceu em Veronika numa especie de documento e o mantive trancado em minha casa.
Alguém o descobriu.
Alguém o descobriu e quis seguir os passos daquela pessoa.
Meu pai. Minha mãe. Minha familia. Hope Stark. Mortos. Sacrificados, para reviver o cadaver de um mero mortal, abaixo de nós.
Já deve ter ouvido falar na Troca Equivalente.
Quando se tenta criar uma vida — uma alma -, não existe Troca Equivalente. Mas nós, Veronikanos, nós negamos essa lei, e quebramos a Equivalencia. Por isso, somos imortais.
E eles, Limitados, deram a luz a um pedaço de carne sem vida, que se alimentava do nosso sangue.
Lá embaixo eu lutei com ela: Ini Redlake, mas ele a chamava de Sin, o homunculo original.
Negando as leis da Troca Equivalente, eu também quebrei o que vocês, Limitados, chamam de "tabu". Eu criei vida. Vida perfeita.
E, se as leis da Troca Equivalente realmente existem, elas são absurdas. Para salvar a vida daqueles que eu perdi, o valor foram minhas memorias. Todas elas.
Como eu disse, Sin se alimenta de nosso sangue, de nossa alma. Sin se transmutou em mim e se alimentou dos meus anos. Eu não passo de uma criança agora, de cabelos castanhos e fraca.
Clara Werlang. Nada, além de um nome. Um nome que desapareceu, sem deixar pistas.
Notas finais
Obrigada por terem lido ♥ ~
Fale com o autor