Notas iniciais
O começo de uma nova história, mistérios, dramas, horrores, ação, uma história com todos os gêneros mas para poucos.

Eu beijei Elisa, seus olhos castanhos me fitavam com aquele amor expresso, você sabe do que estou falando, aquele amor que só alguém especial pode demonstrar, eu a abracei e começamos a andar lado a lado.
A nossa frente estava a 106 turma da escola do colégio de Arnaudville, era o dia da nossa formatura.
A poucos minutos atrás, Sean, tinha feito seu discurso de formatura, todos aplaudimos com grande entusiasmo, talvez não pelo seu discurso, mas por que agora se abriam para nós possibilidades, escolhas que podiam mudar nossas vidas, nos tirar daquela vida monótona que nós, fazendeiros de uma cidade do interior, convivemos a tanto tempo.
Agora já era final de tarde, todos estávamos indo para o baile que seria realizado dentro do ginásio da cidade, eu fui até minha mãe, era possível ver em sua fisionomia como a doença a afetava, porém, naquele dia seu rosto estava iluminado por um largo sorriso.
—Ah meu pequeno Jackson, como você cresceu. – disse ela enquanto se erguia da cadeira de rodas e envolvia meu pescoço com seus braços cadavéricos.
Eu a abracei de volta, segurando-a firme ao mesmo tempo que tomava cuidado para não a apertar.
— A senhorita me permitiria uma dança madame? – eu me dirigi a ela com um tom brincalhão.
—Não, não. – diz ela olhando para Elisa. – Ocê já tem uma mocinha te esperano pra dança, e eu já to muito cansada.
Eu então lhe dei um beijo leve na face, e a olhei nos olhos.
— Eu vou ficar um pouco com o pessoal, depois eu vou pra casa certo, descanse em.
Ela acenou levemente com a cabeça enquanto sorria, e se sentou na cadeira, o meu tio, começou a levar minha mãe para o carro e eu voltei a Elisa, que estava me esperando.
Eu fiquei na festa até as 3:00 da manhã, Elisa estava cansada, e dentro do meu velho Caravan 1989 fui em direção a sua casa, ao chegar lá, fiz questão de descer do carro e abrir a porta para ela, e a levei até a porta do pequeno sobrado em que morava em meus braços.
— Você fica por aqui. – disse enquanto a beijava de leve em seus lábios.
Ficamos ali juntos por alguns minutos, abraçados, e nos acariciando.
— Está na hora de ir, quando acordar te mando uma mensagem. – falo a soltando e me afastando um pouco.
— Não vá longe Jack, Seu destino está ligado ao meu. – disse com um sorriso malicioso no rosto.
Aquela garota mexia comigo.
— Temos uma escolha a fazer agora, mas o que quer que seja eu trago você comigo. – falo voltando para o carro.
Ela ficou na entrada da casa até eu ligar o carro, então quando comecei a andar ela acenou e entrou, eu viro a direita e pego uma pequena estrada que me levaria a fazenda.
Levei cerca de 15 minutos para chegar, tive que descer do carro para abrir a porteira, entrar com o carro e então descer fechar a porteira e entrar, era um trabalho bastante chato, mas que já era rotineiro.
Ao entrar em casa estavam sobre a mesa todas as minhas opções para o futuro: Uma carta de alistamento para o serviço militar, uma carta da Universidade de Heidelberg na Alemanha, Um convite para trabalhar no Hospício em Montana e por fim a própria mesa, tudo o que me resta agora era decidir.
Eu olho a hora em meu celular, 4:27 da manhã, uma notificação aparece, Elisa perguntando se cheguei bem, logo abaixo uma noticia que acabou de ser postada, algo sobre se completar um ano desde o incidente de 21 de maio, eu deslizo o dedo e clico nas teclas rapidamente, respondendo a Elisa que cheguei bem em casa, coloco o celular em stand by e o guardo no bolso.
Como sempre faço fui até o quarto da minha mãe checar como ela estava, porém ao abrir a porta me deparei com algo muito incomodo, ela estava deitada de barriga pra cima e seus olhos estavam fixos no teto, eu corri para ver se estava tudo bem porém ela não respirava, seu corpo estava frio e sua pele, agora que via melhor entre a luz da janela, estava pálido como a neve.
— Socorro!!! Ajuda!!! – Eu gritei como toda a força de meus pulmões, porém no meio daquela fazenda infernal ninguém podia me ouvir.
Naquela noite ela morreu, seu câncer fez com que seu pulmão abrisse uma cavidade e o ar saísse e pressionasse seu tórax, ela sentiu dificuldade de respirar e morreu sufocada.

Ͷ

Os ponteiros do relógio, marcam 11:59, falta um minuto para um novo dia.
Elisa estava deitada sobre meu peito, ela lia um livro sobre um incidente que ocorreu a alguns anos em Heidelberg na Alemanha, um caso sobre um homem que estava desenvolvendo uma espécie de virús biológico; eu estava acariciando seus cabelos castanhos, apenas a olhando enquanto lia.
Já faziam muito tempo desde que minha mãe morreu, depois disso eu perdi totalmente o rumo, me culpava pelo aconteceu, e se não fosse por Elisa eu teria me perdido por completo, ela que me acolheu e me ajudou, alugamos uma casa na cidade, eu não era mais capaz de entrar na fazenda, eram lembranças demais, culpa demais para mim.
Meu tio foi embora logo após o funeral, ele foi a cidade aquele dia apenas pela minha formatura, depois de deixar minha mãe em casa e ajeita-la ele partiu, a casa está abandonada atualmente.
— Estamos bem não é? – eu perguntei sussurrando em seu ouvido.
— Estamos bem. – ela respondeu baixinho, e me deu um beijo de leve no rosto.
— Tudo parece tão confortável, tão maravilhoso, as vezes não parece real.
O livro foi colocado de lado e ela envolveu meu peito com um abraço, seu rosto ficou frente a frente com o meu, ela deu um leve sorriso e me deu um longo beijo, o toque de seus lábios me faziam entrar em um êxtase viciante, era como uma droga capaz de me submeter; seu rosto se afastou e ela encostou sua testa na minha, seus olhos penetrando minha mente, eu poderia julgar que ela podia ler meus pensamentos naquele momento.
— Talvez seja só um sonho, quem sabe você não está preso em um coma, e sua mente não está te confortando com esse mundo? – ela disse em um tom calmo, e baixo.
— Talvez, mas se esse amor realmente existe em um sonho, em um coma, então não me acorde, quero viver isso para sempre. – respondi enquanto envolvia meus braços em sua cintura.
— Eu ficaria feliz em poder viver essa eternidade com você. – sua voz soou calma e gentil.
Lá fora caia uma forte chuva, raios iluminavam a noite, trovões tocavam sua melodia caótica; todo aquele caos havia partido de nossa vida e se projetado no céu noturno em forma de tempestade, uma vida de paz no meio de tantas de guerra.
— Por favor, não me acorde. – eu murmurei enquanto fechava meus olhos e deixava minha consciência se esvair, partir para lugar nenhum, e para todos os lugares ao mesmo tempo.
Ela se deitou sobre mim e nossas respirações se intercalavam no meio da noite, eu deixei meus braços caírem abertos na cama e suas mãos pousaram com delicadeza sobre a minha, naquela noite ela confortou como em tantas outras.
Obrigado por estar aqui.

A porta se abriu com um grande estrondo quando Kyle a chutou.
— Avançar!!! – Eu gritei e meus “homens” entraram revistando toda a casa, e conforme iam se espalhando por toda casa eu ia ouvindo suas vozes:
— Limpo. – elas ecoavam de cada cômodo da casa.
— Droga! Outro beco sem saída. – um de meus homens falou enquanto voltava a sala.
— Vamos acha-los, é só uma questão de tempo, só temos que pensar mais antes de agir. – falei enquanto meus homens se reuniam no ambiente.
A um mês atrás minha equipe foi designada uma zona de guerra, não para lutar as batalhas, mas por que começaram a ocorrer assassinados em massa dos nossos soldados, aparentemente apenas mortes comuns em uma guerra, porém quando essas mortes acontecem com muita frequência, eles têm que chamar alguém mais espero para checar.
Nesse caso, nós, a Equipe Aprimorada de Combate, ou como gostamos de nos chamar, E.A.C.
Somos uma equipe formada por soldados veteranos que tiveram seus corpos parcial ou totalmente destruídos, como no meu caso, então as partes danificadas foram substituídas por próteses de alta tecnologia, além de armamento militar de ponta embutido em nossos corpos, desde então somos designados para enfrentar as aberrações desse mundo, como os magos, as bestas, e os malditos inumanos.
— O que fazemos agora senhor? – perguntou Kyle.
— Rastrear esses caras. Todos usem seus sensores para examinar esse local, se eles nos fizeram pensar que estariam aqui, então deixaram algum sinal nesse maldito lugar.
Após concordar todos se espalham pela casa e começam a checar os cômodos minuciosamente usando os olhos biônicos.
— Jack – ouço a voz de Kyle me chamando no outro cômodo.
Quando chego lá me deparo com Kyle olhando fixamente para uma cadeira.
— O que tem ai? – pergunto vendo o interesse dele no objeto.
— Veja você mesmo. – ele me diz apontando para a cadeira.
Eu ativo minha visão e consigo perceber traços genéticos na cadeira, milhares de pontos minúsculos, de... sangue?
— Ativar identificador genético, usar como base o banco de dados da E.A.C., e da Interpol.
Minhas lentes começam a expandir os pontos no meu visor e a analisá-los um a um, cadeias genéticas começam a ser montadas e milhares de outras passam a se sobrepor sobre as que foram extraídas da cadeira.
Eram traços genéticos de todos os membros da minha equipe.

A cadeira rangeu em minha solidão.
Eu tentei me mover para uma posição mais confortável nela porém meus braços estavam amarrados com cordas as minhas costas, tentei falar e só então percebi que tinha uma mordaça na boca, sentia minhas veias queimando, meu corpo queimava e suava muito, eu podia ver apenas algumas pequenas frestas de luz.
Apenas minha respiração era audível dentro daquela sala, porém eu podia ver ao longe sons estranhos, gritos e barulhos de correntes casualmente, uma vez cheguei ainda a ouvir um tiro eu acho, não tenho a menor ideia do que estava acontecendo ali, ou do por que eu estava ali.
Minha última lembrança é de ter ido para a casa de um professor da universidade, ele disse que queria me mostrar um experimento e então eu fui, ele me ofereceu um chá, nós conversamos um pouco e depois meus olhos ficaram extremamente pesados, e eu não me lembro de mais nada.
O professor... me drogou? Que merda estava acontecendo ali?
O escuro me aterrorizava, toda aquela situação, meu corpo, minha mente, tudo doía, aquele calor em minhas veias, o que era tudo aquilo, o que estava acontecendo aqui?
Neste momento a porta se abriu, eu via apenas a silhueta da pessoa que estava parada a porta, eu não tinha ideia de quem era, a forma veio andando em minha direção, e quando mais se aproximava, mais sombria ficava sua forma, a luz que vinha de trás de si era forte, e não me permitia manter meus olhos completamente abertos, a figura continuou vindo em minha direção, quando ela chegou perto percebi que era uma silhueta feminina, Elisa?
As sombras beijaram meus lábios e então em uma explosão de sombras elas me envolveram, tudo ficou escuro, sufocante, as sombras eram completas, apenas frestas de luz podiam ser vistas, e então a porta se abriu, sobre a porta haviam silhuetas, elas não tinham formas definidas, porém se moviam, elas começavam a se unir diante da luz, elas tomavam uma forma, era alguém, estava em uma cadeira de rodas, e vinha andando na minha direção, devagar... devagar... devagar... devagar... devagar... devagar... cadeira... devagar... cadeira, ruídos... ela vinha em minha direção...
AHHHH! MINHA CABEÇA!!!
Tudo estava estranho tudo estava embaçado.
A figura estava a minha frente, ela era... Mãe?!
— Por que nos deixou?
NÃOOOOO!!!
Estou no quarto escuro, apenas um pouco de luz entra pela fresta da porta, tudo está escuro, minha cabeça dói, estou amarrado, que merda está acontecendo AQUI? QUE MERDA ESTÁ ACONTECENDO?!

A porta se abriu lentamente, por trás de seu mistério espreitam olhos curiosos.
— Papai posso dormir aqui com vocês? – eu ouvi a voz do pequeno John dizer.
Abri meus olhos e me virei para a porta, lá estava a pequena figura envolta em cobertores, Elisa também se virou para olha-lo.
— Claro filho, vem cá. – ela falou se afastando para dar espaço entre nós.
O garoto correu e se jogou na cama, que balançou violentamente, então começou a se esgueirar entre nós até ficar confortável.
Eu me virei para ele e acariciei seus cabelos castanhos como os da mãe, seus pequenos braços passaram pelo meu peito, e ele ficou ali naquele abraço interminável.
— Ficou com medo da chuva? – eu perguntei ainda lhe fazendo um cafuné.
Ele acenou que sim com a cabeça, no mesmo instante um trovão entoou seu rugido pelo céu e os braços do garoto se apertaram contra meu corpo.
Elisa riu da reação e se deitou atrás dele, seus braços o envolveram em um abraço materno.
— Não precisa ter medo filho, estamos aqui tudo bem. – ela o acalmou.
John estava com oito anos, foram os oito anos mais felizes que tivemos em nossas vidas, antes dele a casa tinha um silêncio incomodo, desconfortável.
Eu e Elisa sempre fomos discretos, ficávamos lendo, ouvindo uma música de fundo, ou assistindo algum programa, entretanto, por mais que já estivéssemos acostumados, o clima parecia estar pesado, como naqueles momentos em que queremos conversar mas não temos assunto, John foi nosso salvador, deste que nasceu ficávamos o olhando, conversando sobre ele, brincando com ele, o ajudando, o limpando, e mesmo agora que cresceu nós ficamos brincando com ele, lemos pra ele, estamos sempre perto, e ele preenche o vazio que ainda havia entre nós.
Agora ele preenche também o vazio da nossa cama.
No dia seguinte eu acordo na beira da cama, John como de costume está esparramado, eu me levanto com cuidado para não acorda-lo, Elisa já não está na cama.
Após lavar o rosto desço as escadas e a encontro na cozinha terminando de fazer o café.
Eu começo a caminhar de modo sorrateiro para perto dela, me aproximando de forma discreta, até que a enlaço com meus braços e a giro, ela solta um suspiro e então quando percebe o que aconteceu faz uma cara de brava.
— Jacks idiota, tem nada melhor pra fazer não? – diz parecendo chateada.
Eu rio como uma criança malcriada, e então vou em direção a uma cadeira.
— Tenho sim, hoje vou levar o John pra caçar e atarde tenho aquilo lá para resolver.
Ela me direciona um olhar de compreensão e então acena positivamente com a cabeça.

A cadeira rangia violentamente, enquanto o homem se contorcia sobre ela, eu observava enquanto a enfermeira injetava o líquido de coloração vermelho transparente na veia dele, e quanto mais lhe era introduzido mais ele se contorcia.
— Ele parece estar reagindo muito mal. – falei em tom calmo.
— Deseja que eu pare senhor? – a mulher perguntou parecendo confusa.
— Mas de jeito nenhum, querida. – e lhe dirigi um sorriso carismático. – qual seria a graça se ele não balançasse um pouco.
Então senti um leve toque no ombro, ao me virar me deparo com Ângela, ela usava aqueles belos óculos que a deixavam tão sexy.
— O paciente está pronto para vê-lo doutor.
— Uau Angie, você está linda hoje. – falei enquanto a envolvia em meus braços.
— Doutor, peço que tenha postura por favor, ou vou injetar ácido nas suas veias.
Imediatamente eu a soltei e fiz uma expressão de espanto como se estivesse surpreso.
— Nossa Angie!!! Não acredito que tão bela dama seria capaz de tal brutalidade!
Ela simplesmente me ignorou e começou a andar pelo corredor.
No caminho era possível ouvir gritos em diversas salas do corredor, e nas que estavam com a porta aberta era possível ver cenas semelhantes a da sala que eu observava.
— Você não sente culpa por isso? Por tudo isso? – falou Ângela ainda caminhando na minha frente, sem olhar para trás.
— Eu deveria? São animais, a única coisa que os tornava humanos era a consciência, e agora ele não tem mais, são só cascas vazias, o que melhor do que isso para usar de combustível? – eu respondo sem dar muita atenção.
Após andar por mais alguns minutos, descer muitas escadas e atravessar muitas portas, Ângela finalmente me indicou uma sala.
— Ele está ai dentro, está amarrado para que não tente nada. – ela disse olhando para baixo.
Eu levei minha mão até seu Queixo e o levantei, então quando seus olhos encontraram os meus eu lhe dirigi um pequeno sorriso.
— Não sinta culpa, a culpa leva as pessoas a fazerem coisas estupidas Ângela, e se você pensar em fazer algo assim, se apenas passar na sua mente, eu vou matar você, mas te prometo que não será rápido, e muito menos indolor, como é a deles. – enquanto falava ela tentou desviar seu olhar, eu segurei seu queixo com força, a obrigando a me olhar.
Seus olhos se arregalaram e seu corpo ficou tenso.
— Agora vamos ver o que temos aqui. – falei enquanto a soltava e ia em direção a porta.

A porta se abriu lentamente, revelando uma silhueta de sombras.
— Olá filho! Finalmente acordou. – disse meu professor. – Oh! Deixa eu te soltar, você estava delirando, louquinho de pedra, eu te amarrei pra não ficar se debatendo sabe filho.
Ele soltava minha mordaça enquanto falava.
— Prontinho, vou soltar os seus pulsos agora.
— O que? Eu... eu estava me debatendo? – pergunto confuso.
— Pois é, do nada se desmaio e começo a ficar tremendo no chão igual rabo de lagartixa arrancado há... há...
— P... Por... que não me levou a u...m médic..o?
— Eu chamei um doutor aqui, ele já deve estar chegando, só te amarrei pra não se machucar enquanto ele não chegasse sabe.
— O... onde estam..os?
— No porão de casa, pronto agora cê já ta solto. – ele fala terminando de soltar minhas amarras.
Eu tento ficar em pé mas meu corpo pesa, é como se tivesse um bilhão de pensamentos empurrando minha musculatura para baixo, meu corpo pende pra frente e eu caio de cara, porém antes de tocar o chão eu sou absorvido por uma espécie de buraco, era como se o chão tivesse se partido, eu começo a cair em um infinito de lembranças, de emoções, eu vejo Elisa, ela me pede pra ficar, pra não ir embora, Mas... Mãe, eu não poderia suportar aquelas lembranças, aquela casa, aquele silêncio.
Estou de volta em um quarto escuro, eu ouço gemidos, onde estou? No porão do professor? O que é tudo isso? Eu sinto algo, minha mão, tem algo aqui, é uma corda? Uma pequena e fina corda? O que é isso? Eu puxo e um abajur acende, estou de volta aquele quarto, na minha frente... Oh Meu Deus!!! Mãe?... ela está sufocando... ALGUÉM ME AJUDA!!! POR FAVOR... Oh Meu Deus... Oh Meu Deus... ME AJUDAAAAA!!!
— M... Mãe?
Eu sinto uma espetada no pescoço, alguma coisa está queimando minhas veias, meu pescoço, meu corpo.
— O que é isso?! – pergunto assustado.
—Você está com alucinações né? Relaxa, esse soro vai acordar você, sê conseguiu passar do estágio final de adaptação física garoto, então não se preocupa, isso aqui só vai cuidar da sua mente agora, eles falaram que o problema disso é os sentimentos, quando começa nóis se perde neles, então eu to tirano os seus hi! hi! hi! Se vai ficar ótimo. – diz o professor rindo.
— É só contar pra mim filho e tudo vai ficar bem Hi! Hi! -Eu sou erguido com força e de repente estou em pé segurado contra a parede pelo professor

Na presença de um Rei, até o tempo se curva em respeito.
— Eu e Elisa estávamos viajando para Montana já faziam dois dias, Ela estava ao meu lado lendo um jornal, que novamente trazia a contagem anual informando que haviam se passado 03 anos desde o incidente de 21 de maio”.
“Mais algumas horas de viagem e teríamos chegado”.
“Foi quando tudo começou, um deslizamento ocorreu na estrada e o carro foi atingido por pedras e jogado para fora da estrada, me lembro de ter ouvido os gritos de Elisa, me lembro de tentar segurar sua mão em meio a queda, e de no fim estar preso nas ferragens, ela estava ferida ao meu lado, estava desmaiada, eu sentia uma dor enorme no meu tórax, me lembro de ter visto uma barra de ferro atravessada em minha barriga, logo depois perdi a consciência”.
“Quando eu acordei, eu estava acorrentado em uma cama de pedra, correntes prendiam meu corpo esticado sobre ela. Ao meu redor haviam várias pessoas, todas acorrentadas ao chão em círculo, e uma dessas pessoas era Elisa, ela estava machucada, desmaiada, no chão haviam letras, em alguma língua que eu não compreendia, estavam por todo ele”.
— Até que enfim acordou. – falou uma voz que eu não consegui localizar.
“Eu olhei ao redor mas não conseguia ver quem dizia aquilo”.
— Está na hora, você já nos fez perder tempo demais. – novamente falou a voz.
“Então de aberturas nas paredes daquele lugar que se parecia com uma cripta começaram a entrar várias pessoas, todas trajando túnicas negras, elas usavam alguma espécie de mascará, tinha chifres, pareciam cabeças de boi, mas tinham dentes afiados”.
“As pessoas acorrentadas, dentre elas homens mulheres e crianças começaram a se contorcer, elas gritavam e imploravam para serem soltas, perguntavam o que estava acontecendo, muitas choravam e rezavam, algumas xingavam e tentavam se soltar”.
“Todos então começaram a entoar palavras em uníssono, como se fossem uma só voz, eram palavras estranhas, em alguma língua que eu nunca tinha ouvido, e conforme eles falavam as marcas no chão começavam a acender em um tom azul morto, e as pessoas começavam a gritar, e a chorar, e implorar por suas vidas, eu assistia a tudo aquilo horrorizado, era algo que eu nunca havia visto antes, eu só conseguia chorar”.
“E então começou uma cena que nunca serei capaz de esquecer, o começo de tudo isso, os corpos começaram a se desintegrados, começando pelos pés, as pessoas gritavam enquanto as células de seus corpos eram separadas, elas se contorciam e gritavam, seus gritos, eles vão ficar pra sempre na minha mente, Elisa, ela não teve sequer a chance de gritar enquanto seu corpo era desfeito, ela nunca acordou”.
“Depois que todos estavam desintegrados as massas negras que restavam no lugar de seus corpos se juntaram todas no teto daquele lugar, formando uma espécie de arco de carne e sangue, e do meio daquela coisa surgiu um espaço infinito aonde haviam apenas chamas azuis, Foi quando eu ouvi o tiro”.

Mil disparos foram efetuados a partir de um coração amargurado.
— Hã!? O que está acontecendo? – eu acordo em uma espécie de sala totalmente escura, apenas uma mesa a minha frente está iluminada.
— Ah... finalmente acordou hã?! – diz uma voz atrás de mim.
Um homem usando terno, com uma barba rala e cabelos bem penteados e tendo uma mecha branca no centro de seus cabelos surge e se senta a minha frente.
— Quem é você? – eu pergunto tentando olhar ao redor.
—IVO-1. – o homem diz simplesmente.
Ele então tira uma de suas luvas e eu posso ver sua mão mecânica.
— O que é isso? Eu deveria saber?
— Sou membro de uma organização, uma organização bastante peculiar. – ele diz olhando para a mão enquanto a meche.
— E o que eu tenho a ver com isso?
— Tudo Jackson, Tudo foi apenas por você, ao saber de suas habilidades, um aprimorado com capacidades excepcionais, mais forte, mais veloz que os demais, e tudo por um único motivo, sua consciência foi alocada em um chip, e implementada com um software de aceleramento, basicamente sua mente pensa mais rápido do que as outras.
— O que?! O que vocês fizeram com minha mente? – eu pergunto espantado com tudo aquilo.
— Nós? Não fizemos nada, foi o governo que fez, quando você foi atingido na guerra, eles te deram a impressão de que ainda tinha sua mente ai dentro, sabe isso te tornava mais humano, esses homens nunca te seguiriam se pensassem que era uma máquina.
— Então eu não passo de uma maldita máquina?!
— Basicamente, mas eu tenho uma proposta pra ti, minha organização está interessado na sua habilidade, em te tornar um de nós, por isso te atraímos até aqui, e por isso demos a informação de como derrubar sua equipe para aqueles indivíduos.
— Você fez isso?! – Pergunto contristado.
— Foi o que acabei de dizer.
— Como ainda estou vivo, eu deveria ter morrido na explosão.
— Salvamos você para que pudesse escolher, decidir se deseja entrar ou não para nossa organização.
— Não poderiam simplesmente ter me hackeado? Sou apenas uma inteligência artificial no fim.
— Não, você não é, seu sistema é o mais complexo que existe atualmente, não podemos te controlar, ou te manipular, você está no controle Jackson, então isso só pode ser uma escolha sua.
As luzes se acendem e percebo que estou em uma espécie de quarto, ele possui uma cama, cômoda, e uma porta que aparentemente levava ao banheiro, uma televisão na parede liga junto da energia, ela mostra um jornal sobre terem se passado 8 anos desde o evento de 21 de maio. O homem se levanta e caminha em direção a porta.
— Vou te dar um tempo para pensar a respeito.

Uma porta fechada, é um portal para infinitas possibilidades.
A sala era completamente branca, Sua mobília era apenas uma cadeira colocada especificamente para mim, preso em uma parede estava um homem, ele tinha o corpo preso em uma camisa de força, em seu rosto uma espécie de focinheira, ele tinha uma corrente que o prendia a parede. Eu fechei a porta atrás de mim e fui para dentro da sala, me sentei na cadeira.
— Olá. – falei em tom cordial.
O homem então abriu seus olhos, um deles era completamente negro, uma esfera negra sem íris ou qualquer outra forma, o outro era comum, um olho castanho escuro, seus cabelos negros lhe caiam sobre o rosto, ocultando-lhe parte da face.
— Quem é você?! – a voz do homem pareceu rasgar a garganta enquanto saia, rouca e grave, seu olhar duro recaiu sobre mim, como se tentasse penetrar minha mente.
— Apenas um psiquiatra. – respondi lhe dando um sorriso.
— Não! Não é! – novamente a voz emanou de algum local tenebroso dentro de seu corpo.
— Ouça. – falei me apoiando nos joelhos. – Só estou aqui para ouvir sua história, e então poder alegar sua sanidade, ou não, não importa quem eu seja importa? – dessa vez falei de forma mais séria.
— Pra ele sim, por que ele só está aqui para encontrar com aquele cara, se você não for aquele cara, então ele vai ir embora.
O homem parecia se contorcer no chão, ele olhava para algum ponto na sala, mas não havia nada lá.
— Quem é ele?
— Ele só vai conversar com aquele cara! Com o mensageiro deles, os que o chamaram!
Nesse momento confesso que o sangue em meu corpo congelou, imagino que eu tenha ficado pálido, ele só podia estar se referindo a um evento, e com certeza esse cara era eu.
— Você estava lá... naquela noite? – minha voz saiu mais insegura do que o desejado.
Naquele momento ele sorriu, um sorriso tão demoníaco e maléfico que fez com que meus pelos da nuca se arrepiarem, então em algum momento que não fui capaz de definir a camisa de força foi consumida por chamas azuis, a corrente simplesmente derreteu e o homem estava de pé na minha frente, uma íris vermelha surgiu em seu olho negro, e seus cabelos ficaram prateados.
— É você!!! Queria ouvir minha história? Vou te contar minha história Humano! – Agora junto da voz rouca que ouvi antes uma outra voz falava, calma e firme, enquanto uma gritava a outra simplesmente pronunciava as palavras calmamente.
Eu instintivamente peguei meu relógio de bolso, na tentativa de Alcançar a pedra que estava em seu interior, e ao fazê-lo percebi os ponteiros parados.

30 segundos estão marcados, e meus sentimentos começam a morrer.
O relógio marcava 0, eu não estava sentindo mais nada agora, era como ele dizia, os sentimentos haviam partido, eles haviam levado as vozes junto, as emoções, tudo agora não passava de uma sensação que já não sentia.
— O que você fez comigo? – digo o empurrando para trás, minha força era maior do que eu pensava, ele é jogado a dois metros de distância, porém ele caiu em pé de modo muito ágil para o velho que era.
— É um presente garoto, um presente que aquele cara me ajudo a criar, ele chama de Vírus Femtas, eu não sei por que, mas ele nos torna Deuses filho, e agora nois dos tem o poder HiHiHi! – ele disse enquanto se aproximava de mim devagar. – Só não faz besteira tá filho.
No chão eu vejo um machado de lenhador, eu o seguro com uma das mãos, e então o velho pula como uma pantera pra cima de mim, eu me desvio de seu avanço mais rápido do que ele próprio e então desfiro um golpe na vertical arrancando seu braço fora.
Ele cai no chão e começa a se debater, seu braço começa a criar tumores, a carne começa a crescer imediatamente.
— Acho que não vou conseguir te matar com isso né? – digo olhando para o machado em minhas mãos.
Eu seguro o machado com as duas mãos, e desfiro um corte com toda minha força na cabeça do velho, então me viro e começo a sair pela porta.
Fora tem um corredor, sangue espalhado pela parede toda, pelo chão, ao lado vejo um outro quarto, é muito semelhante ao que eu mesmo estava.
— Esse desgraçado estava fazendo experimentos com vária...
Antes que pudesse terminar a frase sou lançado com muita força no fim do corredor, eu me choco com tamanha força na parede que ela se rompe.
— HI! HI! HI! Se quer brincar garoto? Então vamos brincar.
— Ótimo, vamos brincar vovô.
Eu me ergo sem dificuldades, é impressionante como mesmo após aquele impacto ainda estou perfeitamente bem, porém ainda é cedo para contar vitória, o velho acaba de arremessar o machado em mim e ele se crava fundo na carne do meu ombro, a dor é forte, porém nem perto do que teria sido caso essa coisa não estivesse no meu sangue.
Eu puxo o machado do meu ombro, o velho já estava em cima de mim, eu tento apunhala-lo porém ele choca seu corpo contra o meu me fazendo perder o ar por um momento, ele tem uma pistola na mão, e a coloca dentro de minha boca.
— Isso vai ser algo incrível garoto Hi! Hi! Hi!
A última coisa que ouvi foi o barulho do disparo.

O som do disparo marca o começo de uma Guerra.
“Então aqueles dois caras chegaram atirando, começando a matar as pessoas que usavam máscaras, Três deles correram para onde estavam os atiradores e segurando alguma espécie de pedra eles começaram a desenhar no ar um círculo com mais daquelas letras estranhas, então após terem terminado os três círculos se expandiram e se tornaram uma espécie de barreira, luminosa, as balas simplesmente atingiam e ricocheteavam”.
“E ai que ele apareceu pra mim, vindo direto das chamas e junto delas ele começou a queimar meu corpo, invadindo minha carne com sua presença, a dor era insuportável, eu virei meu rosto para a direita e as chamas começaram a queimar minha face, adentrando cada vez mais meu corpo, nesse ponto eu já havia ficado cego do meu olho esquerdo, quando olhei novamente para onde os três haviam feito aquela espécie de barreira, pude ver que agora do outro lado dela haviam sombras, tão densas que eu podia jurar serem físicas”.
“E eram”.
“A barreira foi engolida pelas sombras, que se tornaram Leões negros, sem olhos, ou qualquer tipo de traços, eram apenas silhuetas de sombras, porém eles corriam por toda a cripta dilacerando aqueles homens com túnicas”.
“Logo as marcas no chão começaram a se apagar uma a uma, no meio das sombras eu pude ver uma garota, com seus 15 anos no máximo, ao seu lado dois grandes leões negros estavam com os atiradores inconscientes na costas, ela estava caminhando na minha direção, quando o teto começou a desabar, só então percebi que todos homens de máscara estavam mortos aquele portal de carne e sangue começou a se desmanchar criando uma chuva de matéria podre, as chamas sumiram, e a menina montou um leão e correu por uma abertura”.
“Em meu desespero eu tentei me soltar de uma das correntes, e ela simplesmente quebrou como se não estivesse ali, ao olhar para minha mão vi a mão de uma besta, com garras longas, e chamas emanando de si, eu corri em direção a uma das aberturas, e uma pedra grande se soltou e vinha em minha direção, quando eu estendi minha mão para me proteger chamas azuis saíram dela e atingiram a pedra, ela simplesmente derreteu, eu continuei correndo até sair da cripta”.
“Quando finalmente sai, não tinha ideia de onde estava, era alguma espécie de floresta, eu estava exausto, então simplesmente cai no chão, e deixei minha consciência se esvair”.
— Então eu acordei aqui, ele me disse que você estava aqui, e que me diria o que fazer na hora certa.
O homem tirou a focinheira do rosto e eu pude ver que metade de seu rosto estava completamente queimado, seu braço esquerdo agora era como o de um Monstro, com longos dedos, e uma pele monstruosa.
— A consciência dele foi fragmentada, por isso ele não tem controle sobre meu corpo, ele apenas fala comigo, então eu fiz um acordo com ele, ajudaria a concluir a transferência da mente dele, se ele me desse o poder para matar todos os desgraçados que feriram Elisa, ele me disse que você era o dono da voz, o líder daquele grupo, mas que você faz parte de um grupo bem maior. Então primeiro eu mato todos vocês, depois entrego meu corpo ao Rei do Desespero.
Finalmente fui capaz de entender o que era aquela coisa, nós criamos um monstro na tentativa de criar um novo portal.
— Jacks... é esse s... seu nome não é?!... por favor n...

Ele foi incapaz de Terminar a frase, minha mão atravessou seu peito e o encosto da cadeira antes que pudesse se dar conta.

A cadeira range sobre o peso, emoções e histórias se confortam sobre si.
Me sento a mesa e pego o jornal do dia, na capa uma matéria falando sobre o hospital psiquiátrico de Montana, aparentemente após 13 anos finalmente descobriram a celsa do incêndio, em baixo vinha um pequeno quadro falando sobre terem se passado 16 anos desde o incidente de 07 de maio; coloco o jornal de lado e tomo meu café, em breve teria de sair.
John foi acordado por Elisa, que o aprontou para sair, eu fui até o carro e guardei o rifle de caça e meu arco no porta malas e chequei se estava tudo pronto.
Dentro de alguns minutos John e Elisa apareceram na porta, o pequeno estava vestido como um verdadeiro fazendeiro, usava chapéu de palha, camiseta xadrez, acho que ela confundiu a temática, mas tudo bem. Ele da um beijo na mãe e corre em minha direção.
— Estou pronto papai! – diz ele com grande entusiasmo.
— Ok, caçador, entra ai.
Ele entra no lado do passageiro e eu após acenar para Elisa e mandar um beijo no ar, entro e ligo o carro.
— Coloque o cinto filho, sou conhecido por ser um grande corredor de rua. – digo sorrindo para ele.
— Deve ser por isso então que a mamãe que sempre dirige né? – retruca com um olhar de gozação.
— Esperto demais. – Digo enquanto começo a dirigir.
Após dirigir por cerca de duas horas chegamos a um bosque onde era permitida a caça, andamos por alguns minutos mata adentro até que finalmente chegamos a rastros; eu fiz um sinal para que John ficasse em silêncio e me aproximei das marcas.
— É de algum cervo, e não deve estar longe. – falei em um sussurro.
Ele acenou de modo positivo, retirou o rifle de caça que trazia nas costas.
— Deixe travada até que eu diga que pode atirar, ande com cuidado atrás de mim. – falo em tom sério para que entenda.
Eu retiro meu arco das costas e posiciono uma flecha na corda sem retesa-lo, então começo a caminhar cuidadosamente entre as folhas secas caídas no chão.
Não foi preciso caminhar muito para encontrar o cervo, ele estava comendo frutinhas em um arbusto ali perto, olhei para John e fiz um pequeno aceno com a cabeça, o garoto destravou o rifle com cuidado e mirou cautelosamente no animal, assim como eu havia lhe ensinado, respirando calmamente, e mirando com paciência para garantir que o tiro fosse perfeito.
Eu reteso o arco e miro no cervo, caso o tiro de John não o derrubasse eu o faria de forma rápida para que o animal não sofresse, olho de soslaio para o garoto e aceno levemente.

Se você ouviu o disparo, você não era o alvo.
Não foi necessário que eu soltasse minha flecha, o disparo atingiu o coração do animal fazendo com que caísse imediatamente; John tinha os olhos vidrados no animal.
— Bom trabalho filho, lembre-se bem dessa sensação, nunca se esqueça desse sentimento. – coloco minha mão sobre a cabeça do garoto e a viro com delicadeza para me olhar. – Seria falta de respeito se esquecer do momento em que tirou uma vida.
Ele faz que sim com a cabeça.
— Vamos. – digo me erguendo e caminhando na direção do animal.
Após retirar as partes comestíveis e ensaca-las voltamos para o carro, já era quase duas horas quando começamos a voltar para a cidade.
— Pai, por que deixamos algumas partes do cervo lá no bosque? – perguntou John.
— Para alimentar os animais do bosque, afinal, estamos levando o alimento deles pra casa.
Ele fez uma expressão de compreensão e voltou a olhar a paisagem.
— Vamos ter de fazer uma pausa aqui. — digo entrando com o carro na entrada da antiga fazenda.
A porteira estava aberta, um homem estava parado encostado no seu Crysley, ao me ver entrando fez um comprimento.
Eu estaciono meu carro ao seu lado e desço, John também desce.
— Chris. – digo enquanto vou até ele e lhe dou um abraço.
O homem também me abraça forte e então olha para John.
— Meu filho, John. – falo enquanto aponto para ele. – esse é meu amigo, Chris. – digo a John.
O garoto se aproxima e então estende a mão, Chris olha a atitude dele e Aperta a mão com firmeza.
— É um prazer John. – fala sorridente.
— Ele está aqui para comprar a fazenda. – digo para John.
Ele então me olha e concorda.
Eu levo Chris para ver a fazenda, ele já a conhecia de quando éramos crianças, então apenas caminho com ele pelas propriedades enquanto conversamos sobre o cotidiano, após andar por toda a propriedade voltamos aonde os carros estão estacionados.
— Jack, vou querer ficar com a fazenda. – diz Chris quando chegamos aos carros.
— Claro, é pra isso que estamos aqui. – respondo sorrindo.
— Sinto muito pelo que aconteceu cara. – ele coloca a mão no meu ombro. – fico feliz que esteja se dando bem.
Aceno de forma positiva, eram muitas lembranças que tinha naquela casa, talvez para que finalmente pudesse viver de forma plena eu tivesse que me libertar delas.
— Obrigado. – digo simplesmente.
— É isso ai irmão, amanhã então?
— Claro, vou preparar a papelada, nos vemos no fórum certo?
Ele concorda com a cabeça.
— Tchau John, cuida do seu velho em. – Fala Chris enquanto da uma pequena batida no chapéu de John.
Ele então entra no carro e vai embora.
Eu olho uma última vez para aquela casa, John a olha também em silêncio ao meu lado.
— Vamos indo, sua mãe está nos esperando.

Os ponteiros marcam 10 segundos para 7 mortes.
— Corram!!! Todos pra fora!!! – eu gritei enquanto corria para a janela.
Quando chegamos a janela a bomba explodiu, uma espécie de campo de força se expandiu eu fui jogado pela janela, os outros foram esmagados entre as paredes e o campo de força. Kyle que estava logo atrás de mim estava com a cabeça a altura da janela, e quando seu corpo foi esmagado sua cabeça foi lançada para fora.
Eu me levanto com dificuldades, estou meio zonzo, ouço tiros ecoando e ao recobrar os sentidos eu percebo que estão atirando em mim, porém o traje aguenta a maior parte dos danos.
— Droga! – eu digo vendo a cabeça de Kyle a minha frente. – Eu vou fazê-los pagar garoto.
Eu me ergo então e pego meu rifle, meu traje até o momento estavam aguentando os disparos, mas não seria capaz de me proteger por muito tempo.
— Iniciar modo combate. – a interface do meu sistema imediatamente ativa todos os mecanismos de combate de minhas próteses, me deixando apto para um combate direto.
Com um salto eu avanço três metros ou mais, ao apontar meu rifle para algum alvo o sistema corrige a mira, fazendo com que eu acerte três apenas no espaço de um salto assim que pouso no chão eu corro atirando em mais inimigos dentro das casas ao redor, cada disparo era uma morte, e pelas minhas contas ainda restavam 46 balas.
Os inimigos eram muitos, porém com agilidade eu conseguia evitar muitos dos tiros, muitos deles já estavam mortos, quando eu finalmente descobri o comandante deles, a 500 metrôs um carro forte, pelo sensor de calor pude ver três pessoas dentro, e foi pra lá que me movi, eu corria por dentro dos prédios para evitar seus tiros, e no momento em que me encontrava a 20 metrôs deles não haviam mais edificações para suar de cobertura, então eu saltei pra fora.
Mal tive tempo de ver o que me atingiu, uma espécie de projétil explosivo foi lançada enquanto eu estava no ar, ele atingiu minhas pernas, e como a armadura já estava danificada ela não conseguiu me proteger do impacto, eu caí no chão com as penas destruídas, meus braços também estavam bastante danificados e uma grande parte de meu corpo.
Mais disparos vieram e começaram a causar mais e mais danos, porém pararam antes de me matar.
Os três desceram do caminhão e vieram caminhando na minha direção, eram homens fardados com trajes de ponta, tecnologia que potencializava os movimentos embora não fornecesse uma proteção tão boa.
— Acho que vencemos bichinha, no final essa sua elite de merda não conseguiu nem da conta de uns soldadinhos não é? – disse o homem apontando a arma para minha cabeça.
Eu apenas lhe dirigi um sorriso sarcástico quando disse:
— Auto Destruição!

O Projétil “explodiu” minha mente.
Eu abro os olhos, sinto uma leve dor de cabeça, o velho está enfiando vários pinos de ferro em todo meu corpo, ainda estou naquela espécie de quarto, vejo uns livros, alguns produtos químicos, e bem diante dos meus olhos um jornal falando sobre terem se passado 7 anos desde o incidente de 21 de maio.
— Acordo filho? Acho que se não vai conseguir se mover não em Hi! Hi! Hi!
Eu lhe direciono um leve sorriso.
— Eu acho que você não vai conseguir se mover nunca mais. – eu digo sério.
Eu mecho minha perna em um empurrão jogando o velho longe, os pinos rasgam minha carne, mas eu ignoro a dor, começo a arrancar um pino a um enquanto o velho se ergue, logo então ele avança novamente em minha direção, eu me desvio de seu golpe me abaixando e estoco seu coração com um dos pinos que removi de meu corpo, então puxo outro pino de minha perna e enfio no seu ombro, arranco outro, mais um, e depois outro, e vou estocando o velho com cada um deles.
— Cristo garoto, Hi! Hiii! Você está bem brutal não é?
Tiro o ultimo pino que está atravessado em meu braço e enfio em seu olho.
— Você ainda nem viu nada velho.
Eu começo a o arrastar de volta para a sala em que estive no porão.
— Hi Hiiiii! O que se vai fazer garoto? Hein?! Sabe que não consegue me matar né?
— Para o seu azar professor, eu SEI que toda forma viva pode ser morta, eu sou biólogo sabe, e pro seu azar minha tese de mestrado foi o vírus.
Eu o jogo com força dentro da sala, ele cai desajeitado enquanto eu o jogo no chão e os pinos geram faíscas quando se chocam com a pedra.
— E como se pretende me matar em garoto? – o velho pergunta rindo.
— Simples, vou te purificar com fogo, tudo morre ao fogo professor, só tenho que garantir que você queime até o final.
— Hi! Hi! Hi! Eu vou me curar mais rápido do que o fogo vai me matar garoto, apenas desista.
Eu então começo a pisar nos pinos de ferro para que eles atravessem também o chão imobilizando os membros do velho, e a cada um ele fazia uma cara de dor ao ter meu peso sobre os pinos.
Eu então olho ao redor, mas não vejo nada inflamável e nenhum item cortante.
— Já volto velho, não vai sair daí em. – digo com sarcasmo na voz.
Logo em seguida eu volto com uma lata de querosene e uma faca, eu começo a cortar todo o corpo do velho, abro suar veias, seus braços, seu peito, deixo seus membros a mostra, então pego o querosene e o derramo em seus órgãos internos.
— O QUE SE PENSA QUE TA FAZENDO!!! – grita o velho enquanto o abro.
— Só garantindo que todo esse seu sangue infectado pare de te curar.
Eu pego então um fosforo e após acendê-lo eu o jogo sobre seu corpo.
O velho começa a se debater enquanto queima, eu pego uma cadeira e me sento pra assistir.
A cadeira suporta o peso de um morto vivo.

Ͷ

Os olhos do garoto estavam frente a frente com os meus, eles possuíam um brilho azul estranho, e possuíam aqueles arcos e símbolos que estavam ao seu redor, além disso, eles me transmitiram aquelas visões, o futuro?
— O que foi isso? – eu pergunto assustado.
— Você é uma pessoa que possui diversas portas para o nosso mundo em seu futuro, eu achei simplesmente fascinante, é quase como se nosso universo te atraísse, então decidi te dar o direito de escolha, você decide se quer entrar em nosso mundo, viver uma vida boa e tranquila com sua garota, ou se deseja viver uma vida totalmente desconhecida.
— Quem é você, e o que é isso?
— Eu não sou ninguém, ainda não. – o garoto parece se mover em uma velocidade fora do comum, quando me dou conta ele já está na frente da porta. – sua mãe vai sufocar amanhã, se deseja viver uma vida além dessa fazenda, deixe-a morrer, e escolha seu lado, a guerra está chegando, e ela não tem fronteiras.

Notas finais
Enigmas.

1º- Em minhas visões haviam portais, que convergiam até outros mundos, pode listar e me dizer quantos e quais?

2º- o tempo é marcado pela noticia antiga, Me diga a ordem de cada vida.

A imagem possui palavras em rúnico, se traduzidas dão mais detalhes da história.

Em Breve Capitulo 1 - Desespero.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.