Selvagens
3 Ferro-Velho - Por Emy
Três anos após a festa de Anna London...
As garotas que tinham quinze anos agora já estavam para fazer seus dezoito, se já não tinham. Agora nosso grupo de amigos estava maior Eu, Cassie, Rodolf, Nancy, Johny, Sam e Oliver. Mas, ele já teve algumas alterações, por exemplo quanto Sam começou a namorar a Handrea Jackson e insistiu para ela ser do grupo, só que ele terminou com ela depois, e ela não tinha motivo nenhum para andar com a gente. A partir deste momento decidimos que se namorássemos não poderíamos colocar essa pessoa no grupo, pois ele era um grupo de amigos e não qualquer grupo que pode se fazer e desfazer por qualquer motivo.
Quando estávamos todos juntos qualquer coisa era uma aventura, era o melhor dia das nossas vidas. Nos reunimos várias vezes na cabana da floresta dos pais da Nancy onde tínhamos também lá perto uma macieira especial que havíamos plantado há três anos. O pai de Nancy venceu as eleições e era o atual prefeito, deixando o Patrick Brians, seu adversário político, nem um pouco feliz.
Os Brians eram a família mais rica da cidade, eram os donos das Fazendas Brians, de uma mansão enorme e um aeroporto particular, que não era muito grande, mas, ainda sim era muito importante como posse daquela família que se orgulhava de ter tanto dinheiro. Dinheiro que vinha de muito tempo quando a cidade era governada pela linhagem Brians, mas, que agora estava saindo do padrão e tendo como prefeito um aspirante a pai de família rica, Louiz Scottes, o filho do fundador do primeiro hospital da cidade, que melhorou e muito a infraestrutura da cidade.
A cabana da floresta dos Brians era bem perto do Ferro-Velho e por isso quando não tínhamos o que fazer acabávamos indo para lá, vadiar talvez. Um garoto também andava por lá, ele era mais velho que todos nós, tinha dezenove e morava bem perto daquele local. Suas roupas eram escuras e tinha os cabelos pretos na altura do queixo mais ou menos.
— Olá.
Para Nancy era bem difícil andar conosco por que ela sempre usava aquelas roupas mais chiques que seu pai comprava, mas, ela era também a mais comunicativa por ser a filha do prefeito.
— O que você quer?
— O que você está fazendo aqui é a pergunta? – Ela falava ousada com o garoto desconhecido e tenebroso.
— Já que não são donos deste ferro-velho então eu não devo satisfação do motivo de eu estar aqui – Ele se virou e a ignorou, começou a mexer em sua mochila e puxou uma ferramenta, agachou e começou a mexer nas latarias velhas.
Algo acendeu em Nancy, aquela conversa já havia virado uma disputa pessoal por aquele lugar que nós sempre vínhamos.
— Ei Nancy, esquece, ele está de boa – Falava Sam.
Ela voltou seu olhar ao garoto que tinha um olhar ainda mais forte e bravo. Ela não estava irritada, mas, estava pronta para disputar o direito de ficar ali. Eu nunca entendia por que Nancy gostava de fazer este tipo de coisa com pessoas que não tinham nem mexido com ela, talvez a mãe dela a tivesse criado daquela maneira
— Meu pai é o prefeito...
— E por isso acha que é a dona da cidade? – Ele levantou as sobrancelhas, não riu apenas por postura.
— Eu não disse isso!
— Então eu não te devo nenhuma explicação – Ele se virou e foi andando.
Nancy estava furiosa, pois era orgulhosa e agora ele havia colocado palavras na boca dela, coisas que ela não disse, e que nunca diria por ser uma pessoa muito justa. Ela correu até ele e o puxou pelo braço, ele puxou seu braço de volta com força.
— O que você quer?! – Ele falou irritado. Por instantes andei para perto dela achando que ele tentaria algo, mas, só estava irritado por Nancy estar enchendo seu saco. Sam começou a ir até ela.
— Eu não disse aquilo ok? Só estou dizendo que esse é o nosso lugar...
— Tudo bem, eu não quero ficar aqui se é com isso que está preocupada, façam o que quiserem... sei lá, sexo, eu não me incomodo...
— Não vamos fazer sexo! – Ela disse alto indo mais para perto dele.
— Sério? Três garotas e quatro garotos... imaginei que iam fazer besteiras... – Ele sorria maliciosamente.
— Nós somos amigos, e... nossa transar no meio do lixo velho... Acha que somos animais?
— É, na verdade são, mas, tudo bem – Ele se virou e continuou andando.
Nancy estava mais furiosa do que nunca. Ele agora tinha realmente irritado ela. O cabelo dela preso no rabo de cavalo balançava furiosamente com o vento.
— Eu não ligo! – Gritou ela.
— Qual é Nancy? Deixa ele vai – Falava Sam.
— Eu que não ligo! – Respondia o garoto.
— VAI SE FERRAR! – Berrou Nancy. Ela se virou ainda vermelha e foi até Sam que o acompanhou ao resto de nós.
Demos uma volta pela pilha de destroços de carros e entulho e fomos até uma van secreta que Johny deixava lá. Ele abriu a porta e foi até algo que parecia uma pequena geladeira, que obviamente estava desligada e de lá tirou algumas latas de cerveja.
— Toma Dolf! – Atirou uma para Rodolf.
Eu olhei para ele estranhando.
— Sério que vocês vão beber cerveja? Não poderiam fazer isso na festa do próximo mês? – Eu disse.
Ele quase cospe toda a cerveja de sua boca em mim, mas, engoliu e depois entrou em gargalhadas.
— Esperar o próximo mês para beber uma lata de cerveja? Qual é, vocês sabem que eu nunca bebo, só quando estamos aqui, é uma socialização de amigos! – Ele abria os braços alegre e vinha em minha direção para me abraçar.
— Ok, eu sei que você não está bêbado ainda – Falei.
— Se para te abraçar eu precisar estar bêbado, eu bebo mais algumas se não for problema – Ele piscou para mim com um sorriso no rosto.
Johny tinha transformado esse local em uma espécie que acampamento para a van dele, havia colocado mesinhas e bancos, uns guarda-sois.
Oliver estava olhando para o céu. Cassie ainda era apaixonada por ele, mas, não deixava de pensar que ele era jovem na época e agora não ligava para ela.
— Que olhar é esse? – Eu disse – Eu sei que você gosta dele, por que não fala isso para ele também?
Ela virou para mim. Seus olhos estava sem luz e sem esperança.
— Eu... Bom, ele só... Acho que ele não gosta de mim sabe? Como se só estivesse brincando comigo naquela época...
— Ele era um adolescente brincando de beijar as garotas... Se ele não te pediu em namoro era por que talvez não soubesse a sua reação, entende?
Ela se virou e voltou a olhar para ele. O céu estava nublado como nunca. Este era o primeiro dos nossos dias de férias de verão, mas, o sol parecia estar querendo brincar de esconde-esconde.
— Eu não sei brincar de beijar – Ela disse, podia jurar que seu pescoço imóvel significava que ela estava segurando lágrimas, pelo tempo que eu a conhecia.
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