Selfie

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Como uma louca pelo o Akashi que sou, resolvi fazer essa oneshot dele com ele mesmo. Abordei alguns assuntos, que espero que não esteja tão confusos e que irei explicar nas notas finais. Boa leitura e qualquer erro é apenas me avisar que arrumarei mais tarde. (capitulo betado pela Gaby-senpai *-* Obrigada e desculpe não colocar o Niki certo mas eu não lembro '-' é muito difícil rsrs)

Dizem que no inferno existe um lugar onde seus piores pesadelos se repetem sem parar, mas muitos não precisam morrer para se estar lá. Para viver em seu eterno purgatório, muitos têm apenas os próprios sentimentos e a própria mente se encarrega de castigá-los. Ao nível mental era algo completamente encantador e sufocante; e mesmo que você tentasse fugir de todos, havia uma pessoa da qual nunca conseguiria... Não importa o quanto você tente, você é incapaz de fugir de si mesmo.

Existe uma tênue linha entre o amor e o ódio, entre a razão e a insanidade, onde esta facilmente pode ser rompida. Em um breve momento você pode ser lúcido e se amar como em outro está louco e se odiando; até onde o que vemos é realmente a realidade? Afinal o que nesse mundo é real ou não?

Na vida sempre há ilusões, coisas que realmente aconteceram e você não quer acreditar, onde você apenas fecha seus olhos e finge que tudo que lhe perturba simplesmente nunca aconteceu, e há ilusões que mesmo nunca ocorrendo, você se agarra àquele fato para seguir em frete; alguns chamam de fé, outros de, simplesmente, loucura. Afinal não há sentindo em ter fé em algo fantasiado por sua mente.

Olhos vermelhos em olhos coloridos, era assim que Akashi se via diante daquele momento, olhando para o seu reflexo no espelho; ele tinha grande olhos vermelhos, porém via o seu reflexo com belos orbes heterocromáticos. O ruivo nada disse, nada acreditou, escutou o seu reflexo sussurrando em sua mente, o perturbando, mas negou com a cabeça... Não o escutaria, não ficaria louco de vez. Precisava se acalmar.

Arrumou a sua franja com o seu pente, pegando a mochila escolar na cadeira ao lado e a ajustou em seu ombro, sorriu fracamente; seu olhar esbanjava calma e sutileza, por mais perdido que estivesse, mas o ruivo apenas conseguia enxergar as írises cruéis diante do próprio reflexo.

"Fraco."

Os sussurros tomavam formas quanto mais se encarava; o leve sorriso de Seijuro se desmanchou, mas o do reflexo cresceu em uma linha torta, em um sorriso perverso.

"Perdedor."

O sussurro saia cheio de superioridade e Akashi recuou um passo sentindo-se ser inferiorizado. Negou com a cabeça aqueles sussurros, aquelas imagens, aqueles pensamentos, estava tudo errado, ele estava enlouquecendo, não via outra resposta, mas aceitar que estar louco não era uma opção.

— Eu sou um vencedor! — Retrucou com um sorriso, fazendo a ilusão à sua frente amarrar a cara, mas não teve tempo para a resposta, pois o ruivo apenas saiu de frente do espelho seguindo mais uma vez o seu caminho para a escola.

~+~

— Você é um perdedor, eu não disse? — Sorriu abertamente, mostrando os dentes brancos em um sorriso perverso; o olhar heterocromático era selvagem, vibrante, havia tomado conta do corpo de Akashi Seijuro, ou melhor, ele era Akashi Seijuro.

" Eu... Eu fui fraco... Eu estou louco."

Sussurrou. Estavam sendo os sussurros, a insanidade de Akashi, um dia ele também havia sido Seijuro... Mas agora quem era ele? O que ele era? Estava louco? Ou apenas havia deixado de existir?

— Fraco sim, louco não. Como pode ser louco sendo que você sequer existe? Quem é você? Eu sou Akashi Seijuro, eu já fui um ninguém, mas você foi fraco, não tem mais o direito de ser o Akashi, afinal, Akashi Seijuro é um vencedor. — Dizia de forma psicótica ao próprio reflexo, que diferente de seus olhos coloridos, não passavam de vermelhos; seu reflexo demostrava estar perdido, estar ferido, a ponto de chorar a qualquer momento. — Patético. — Estalou a língua no céu da boca.

Exigiu, estava apavorado. O atual Seijuro se aproximou do espelho o tocando em direção ao seu rosto, seu reflexo não seguiu seu ato como o costume deveria, ficou parado, observando aquela mão de quem um dia foi tocar o frio e inanimado vidro do espelho.

A ilusão sentiu o toque quente da pele dos dedos do ruivo contra a sua face e recuou. Akashi riu da timidez daquele ser, fez um gesto com a mão, dobrando e abrindo o dedo indicador o chamando para mais perto de uma forma sensual.

Apavorado o reflexo se aproximou, ele não era um covarde por mais temeroso que estivesse com tudo; ele não entendia nada... Em um momento no jogo contra Murasakibara ele era o Akashi e no outro apenas o sussurro da insanidade.

O verdadeiro Akashi naquele momento estava adorando perturbá-lo, ele era tão fraco ao seu ver; o que fazia-o desejar apavorá-lo cada vez mais. Deslizou o dedo pelo espelho onde estava a sua bochecha e desceu para o queixo; de uma forma ilógica conseguia sentir a temperatura da essência que seu reflexo tinha.

Aproximou seus lábios do vidro, selando sua boca contra a imagem da própria, sentindo de forma inexplicável a maciez da mesma. O reflexo corou levemente, estava sendo beijado por ele mesmo, era estranho, mas não consegui se mover, os olhos estavam conectados com os heterocromáticos a sua frente.

Pavor e desejo se misturando em uma harmonia sem lógica, era insano e ambos precisavam daqueles toques. A língua de Akashi se forçou contra a matéria do espelho sentindo o gosto doce que o reflexo possuía, moveu a mesma, mas não conseguia aprofundar o ato, havia certas coisas que não se podia fazer com um espelho. Por mais que sentisse o ruivo do outro lado era como se tivesse uma parede entre eles. As língua se encostavam, mas nenhum dos dois sentia verdadeiramente a boca do outro.

Era frustrante não poder beijar corretamente quem desejava, Akashi queria mais, porém não conseguia, tentou segurar o queixo do outro e o puxar para perto, mas o vidro era plano e seus dedos não o penetravam, assim era impossível de fazer o que queria corretamente. Tentou mordê-lo nos lábios, porém o vidro impedia; se afastou frustrado apertando os próprios cabelos.

"Isso apenas prova o quanto louco eu estou..."

— Você não está louco. Quem está é o Akashi, e o Akashi sou eu! Você é um ninguém, apenas um perdedor. — Sorriu em deboche mais uma vez.

"Um dia eu irei voltar a ser o Akashi de sempre e você irá desaparecer, afinal eu estou apenas louco, você não existe."

— Quem não existe é você, que não passa de um reflexo. Nunca mais você voltará a ser Akashi Seijuro.

~+~

Nunca havia chorado tanto. Um choro denso de alivio em que perdera a compostura; o fim daquele jogo quebrou todas as suas defesas, mas ele não chorava pela perda, chorava de alivio. Finalmente deixara de ser um ninguém, deixara de ser o sussurro da insanidade e voltava a ser Akashi Seijuro.

"Quem diria que Akashi seria um perdedor?"

O sussurro cruel estava de volta, os olhos heterocromáticos o fitavam novamente com toda a sua velha pretensão. Akashi não o respondeu, ele queria que aquelas ilusões parassem, então ele apenas ignoraria.

"Akashi você é um fraco, um idiota, um ser que não consegue nem controlar as próprias lágrimas... patético. Além de perdedor, é um mal perdedor. Está de volta, está, como é ai fora? Quente e acolhedor? Não! É frio e sabe por que é frio?"

Perguntou, porém como o esperado não recebeu uma resposta, mas sabia que tinha a atenção do ruivo, que estava como o de costume: empacado em frente ao espelho. Ele não admitia, porém prestava atenção em cada palavra do sussurro da insanidade, cada palavra era absorvida pelo seu cérebro que decorava cada palavra dita como um mantra, como se esta fosse a realidade; ele não entendia, mas não evitava de acreditar que era frio, ele realmente sentia o frio do lado de fora, mas por que tão frio?

"Porque você não tem ninguém, você está sozinho, você é um inútil, uma ferramenta sem serventia, se eles não precisam de você, eles lhes jogam fora, assim como você os jogou. Não, aquele não era eu, era você, porque você é o Akashi e eu sou o ninguém. É frio e será sempre frio, porque Akashi Seijuro é uma pessoa nojenta e desprezível que está tão quebrado que não sabe amar e ninguém será o suficiente para colar os seus cacos, afinal não se cola o pó do pó. Seu coração desintegrou, você é uma casca vazia sem alma, sem sentimentos, você é um grande nada Akashi Seijuro, sempre foi, mas agora é ainda pior, além de um nada é também um perdedor."

Tudo que escutava lhe era tão real que Akashi não evitou de sentir ainda mais as lágrimas rolarem em sua face; colocou a mão na frente do espelho, deslizando seus dedos pelo os lábios do reflexo, juntou o seu rosto com o do outro deslizando os lábios sentindo o calor que a essência possuía, mas não havia como o beijá-lo como queria.

— Por que...? — Questionou se apertando contra o espelho, tentando o abraçar sem sucesso, suas mãos não penetravam a matéria por mais que sentisse a essência.

"’Por que’ o que?"

Lambeu a bochecha do ser a sua frente, o olhando de forma lunática, raspando os seus dentes contra a pele macia, sem de fato sentir o atrito necessário, todos os toques eram ineficientes e isso lhe era absurdamente frustrante.

— Por que não some? Por que não me deixa viver em paz? Por que me dizes coisas tão cruéis o tempo inteiro? — Despejou as suas dúvidas o beijando desesperado.

Tentava tocar com a sua língua no céu da boca do outro, mas não conseguia, os dentes se bateram com tamanha aflição, as mãos ficaram coladas umas às outras, palma com palma; tentaram entrelaçar os dedos, mas isso era impossível, gemeram insatisfeito, precisavam de mais.

"Não é cruel, é a verdade. E lembre-se: por mais que tente, é impossível fugir de si mesmo, você é o Akashi Seijuro real e eu sou o Akashi Seijuro dentro de sua consciência... Eu sou o seu subconsciente. Você não me aceita, mas eu existo, eu sou o ninguém, mas também sou apenas você, o lado que recusa-se a aceitar."

— Você também não me aceita. — Retrucou.

"Não, não aceito."

Confirmou raspando as pontas de seus dedos nas palmas de Akashi em uma tentativa inútil de entrelaçar os dedos, mas era tudo tão plano que era impossível, o espelho lhes impedia de se conectarem.

— Eu sinto que te amo, mas... — Não conseguiu terminar a frase, deixando as lágrimas caírem como cascata pelo seu rosto delicado. Ele não aceitava amar uma pessoa tão cruel, quanto mais aceitar que ele era daquela forma, ele não aceitava e ponto! Ninguém mudaria esse fato.

"Eu também te amo, mas não aceito amar alguém tão fraco, quanto mais aceito que você na verdade sou eu."

Ambos sorriram, sentindo vontade de rir, eram parecidos e nisso concordavam; não dariam o braço a torcer. Eles não se aceitavam, mas de uma coisa poderia se ter certeza: é impossível fugir de si mesmo. Akashi era o cruel com essência fraca ou era o fraco com essência cruel, por mais que fugissem, Akashi não se livraria de si mesmo.

Notas finais
Como sempre ao postar bate aquela insegurança ;-; espero que tenham gostado, critica e sugestões são sempre bem vindo. Sobre o que eu abordei: - Sobre Akashi está beijando o seu reflexo deve ser encarado como ele beijando apenas um espelho, todo os sentidos e sensações foram a sua mente que criou, por isso ele não conseguia todos os toques que desejava.-O subconsciente é uma área onde reina os pensamentos que não aceitamos ser nossos, então quando akashi (olhos vermelhos) está controlando ele não aceita que Akashi (olhos heterocromáticos) faça parte dele e virce verça.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!