Self Destruction
1 OneShot
Notas iniciais
Eu sou tão estúpido! Deixei-me chegar a um ponto em que, por mais que eu me esforce, não tem volta. Me apeguei a coisas que poderiam me destruir, mas ao mesmo tempo, são as únicas que eu posso contar como conforto. Meus vícios. Álcool, lâminas e uma boa carteira de cigarros. Por mais que eu saiba que deveria larga-los, não consigo. De alguma forma isso me distrai de meus defeitos e falhas.
Me pergunto como alguém pode se olhar no espelho e odiar cada mínimo detalhe de seu corpo. A possibilidade de se ver da pior forma possível, como um monstro, é amedrontadora. Eu me sinto assim. Todos os cortes, todas as cicatrizes. Tragédia incoerente aos olhos dos leigos. Um choro por atenção. Não preciso de atenção, preciso de ajuda.
Não sei como alguém tem a capacidade de afastar todos os que consideram importante ou a proeza de matar todas as esperanças de um futuro que poderia ser perfeito, mas eu consegui. Não posso ser salvo.
Odeio saber que eu tenho que conviver com a decepção que me tornei. O doce garotinho foi substituído por um indefeso, solitário e melancólico ser, que mais preferia estar morto a ser considerado um desperdício de tempo e dinheiro. Sim, de dinheiro, pois meus pais gastam demais comigo e tudo que eu faço é falhar. Falhar, falhar, falhar. Um poço de decepções. O poço de decepções que eles odeiam.
Pais. Essa palavra me trás péssimas lembranças. Histórico de desconfianças e abusos físicos e verbais que tanto estão presos em meu passado, porém atormentam-me no presente durante a noite. Melhor sem eles, vou ser sincero.
Eu posso sentir que não sou bom o suficiente para eles, por isso continuarei abandonado, deixado de lado para finalmente apodrecer em minhas próprias gélidas e desprezíveis memórias.
Como se não bastasse, ainda sou obrigado a conviver com a maldita voz que sopra aos meus ouvidos o quanto sou odiado por meus pais e colegas, gordo, indesejado e desajustado numa sociedade repleta de perfeições idealizadas, obrigando-me a automaticamente acreditar nela. Talvez eu não devesse, mas eu acredito. Talvez isso explique o fato de eu não querer comer. Talvez isso explique o porque sinto repulsa ao sentir a comida indo para o meu estomago. Talvez por isso, no auge de meus 49, 5 kg eu seja gordo e indesejado.
Eu não me sinto sozinho, eu sou sozinho. Não é como se eu pudesse evitar. Posso estar rodeado de milhares de pessoas, conhecidas ou não, mas o que adianta se elas simplesmente não se importam? Eu deixei de me importar comigo mesmo. Estava esperando morrer.
O tão almejado fim. Então eu seria bom, um deus. Nada poderá preencher o vazio, mas melhor morto do que vivo, pois na segunda condição sempre faltará algo. Algo que não pode e não vai ser encontrado.
Ninguém é idiota de querer arcar com as consequências de meus erros. Eu já não aguento mais ter que lidar com as mesmas. Agora é tarde demais.O tempo não volta, e tudo que fiz já não pode mais ser concertado.
Os que eu costumava chamar de amigos se foram. Me abandonaram quando eu mais precisei deles. Quem precisa deles? É como se a vida fosse, todos seguissem em frente e eu continuasse preso no mesmo patamar. Sozinho. Vazio.
– Dominik! — Ouvi minha mãe me chamar atrás da porta. – Desça logo, garoto imprestável.
– Espera um pouco! — Gritei de volta.
- Merda de menino, deve estar no computador de novo. Inútil. – Meu pai retrucou.
Acendi o ultimo cigarro. Tomei os últimos goles da minha mistura favorita de bebidas. Puxei a manga de meu suéter preto enquanto segurava minha melhor lâmina e a firmei em meu pulso. Agora era o fim. Lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto, incontroláveis. Afinal, quem precisa de um garoto como eu? Quem amaria o garoto com cicatrizes?
Puxei o objeto metalizado, observando o sangue sair. Dessa vez cortei fundo o suficiente, espero ter atingido uma veia. Minha visão começou a ficar turva, poucos segundos depois, desfaleci no solo, agora sujo de sangue.
Notas finais
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