Pov Larissa.

Era estranho, sentia como se meu corpo estivesse pesado e dificultasse meu andar. Eu estava numa floresta estranha, parecia que a qualquer momento os galhos daquelas árvores iriam me pegar e me sufocar! Eu Corri o máximo que pude... Deus! Parecia que não tinha fim, estava escuro e a única coisa que me guiava era o desespero.

Quando menos percebi tropecei, não sabia no que, entretanto havia me derrubado de forma fácil e por sorte eu havia caído num monte de folhas que amorteceu a minha queda. Observei ao redor enquanto me levantava com dificuldade ainda sentindo aquele peso em mim, parecia o centro da floresta! No meio do lugar aberto havia um grande toco de árvore velha, me aproximei do mesmo sem perceber e ao tocar em sua madeira era como de aquele peso desaparecesse.

— Larissa...

— Quem é?!

— Não tema criança, sou a deusa Luna e lhe chamo para uma importante missão.

— Missão?! M-Mas eu completei 22 anos não faz nem três meses.

— Ouça, não tenho muito tempo... — Dizia a voz um pouco mais baixo como se estivesse distante. — De manhã quando o sol estiver acordando, corra até a floresta e poderá entender qual sua missão.

De repente foi como se tudo desmoronasse e eu caísse no mais profundo abismo. Eu queria gritar, mas aquele peso foi tão grande que foi como se ele roubasse tudo de mim até a voz.

Abri meus olhos vagarosamente com a respiração pesada, então quando minha visão ficou nítida finalmente pude observar um par de olhos cinzas a minha frente, demorei um pouco para notar que aqueles olhos tão lindos eram do...

— DESGRAÇADO! — Gritei num pulo me afastando dele. Aquele inútil daquele Antônio, Afonso... Brian! Isso. — POR QUE VOCÊ FEZ ISSO?!!

— S-Se acalma, eu só quero conversar. — Pediu sussurrando. — Estamos na minha casa.

— ALÉM DE SAFADO É SEQUESTRADOR!

— DA PRA VOCÊ CALAR A SUA BOCA?! — Ele gritou de volta, parecia que eu realmente havia irritado ele. — Da pra você se sentar e se acalmar?

Observei o maníaco sinistro a minha frente e respirei fundo. Talvez ele tivesse razão e eu fosse a maníaca da história. Me sentei próxima a uma cômoda com um abajur aparentemente caro, enquanto Brian se aproximava de mim observei o lugar que estranhamente tinha uma forte ligação com branco, bege, creme e um pouco de amarelo claro. Ele se sentou ao meu lado um pouco desconfiado e após um tempo de silêncio ele se pronunciou.

— Desculpa ok? Eu sei que sou esquisito e meio maluco, mas eu vou melhorar prometo ok?

— Por que eu estou aqui?!

— Eu estava fazendo minha corrida matinal na floresta e eu ouvi um barulho. Quando fui ver era você que tinha batido a cabeça numa árvore. — Se explicou envergonhado. Por que eu tinha a leve impressão que ele estava mentindo? — Eu vi uma coisa no seu cabelo e pensei que era sangue, te trouxe pra casa por que era mais perto que um hospital.

— Ah, isso? — Perguntei pegando algumas mechas vermelhas de meu cabelo. — Estava ajudando meu pai a pintar a casa, acabei encostando na parede vermelha que estava fresca e me sujei, eu meio que só troquei de roupa e sai pra comprar umas coisas pra minha mãe.

Novamente aquele silêncio ensurdecedor tomou conta do lugar. Percebi que ele a cada 5 segundos me olhava de um jeito estranho. Brian se aproximava lentamente de mim achando que eu não iria perceber.

— Você... me ama? — Perguntou ainda vermelho. Antes que eu pudesse responder ele literalmente avançou em cima de mim tentando roubar um beijo.

Num minuto de reflexo peguei rapidamente o abajur e acertei o rosto de Brian . Ele caiu no chão batendo a cabeça no tapete então, aproveitando que o mesmo estava um pouco atordoado corri dali saindo do quarto. Merda! foi a primeira coisa que pensei quando vi aquele corredor cheio de portar, respirei fundo e corri em direção ao final... ou começo do corredor.

— Qual é! esse lugar não acaba nunca? — Perguntei a mim mesma mantendo o ritmo da corrida.

Quando estava desistindo pude ver um corrimão ali perto, significava que eu achei o inicio do corredor? desci apressadamente as escadas e quando me virei para verificar se aquele tara... se Brian estava me seguindo e sem perceber acabei esbarrando em algo muito maior que eu, me fazendo cair no meio da escada.

— Qual é! Eu não paro de cair nunca?! — Falei irritada levantando o olhar e gelando ao perceber quem era.

— Sra. Gomes, acordou?

— S-Sr. Wright Scott! Você mora a-a-aqui?!!

— Até que eu me mude sim. E por favor, só Scott! Fora do trabalho não sou nada alem de uma pessoa normal.

— Ok... Me desculpe. — Falei nervosa me levantando. — D-desculpa estar correndo pela sua casa é que-

— O Brian, eu sei. — Ele disse forçando um sorriso como se quisesse ser simpático. — Segundo ele, você estava desmaiada na floresta e com sangue na cabeça?

— Dois grandes mal entendidos.

— Desculpe pelo meu filho, as vezes ele é meio impulsivo! Gostaria de tomar cafe com a minha família? Ah sim, suas sacolas então lá em baixo, quando for embora nos te entregamos.

Balancei a cabeça positivamente corada, eu queria realmente ir para casa rápido, entretanto estava com certa fome sim então não tive muita escolha.

oOo

— Então nos conte, como uma garota desarmada e meio atordoada por causa de uma batida forte na cabeça conseguiu nocautear esse... — A moça morena a minha frente pergunta. Ela estava procurando palavras para descrever Brian que estava encostado numa parede ali na cozinha com um saco de gelo na cabeça. — Esse meu querido filho?

— Ah... D-Desculpe! Eu meio que... Quebrei um abajur aparentemente um pouco caro na cabeça dele.

— O abajur no seu quarto era uma relíquia de família!

— D-desculpa... Eu vou pagar pelo que eu quebrei.

— Quebrou?! Você quase fez ele se fundir com meu celebro!

— É cérebro seu burro! E você tentou me beijar a força de novo. Foi reflexo.

— VOCÊ QUE ESTAVA SE OFERECENDO PRA MIM DAQUELE JEITO.

— ME OFERECENDO?! SEU PERVERTIDO, EU ESTAVA TENTANDO SER GENTIL VOCÊ QUE TENTOU ME AGARRAR.

Naquele momento gargalhadas enlouquecidas invadiram o lugar. Sr. Wright Scott, sua mulher e uma outra menina que parecia ser da família, riam alto com aquela cena. Senti meu rosto corar, aquele imbecil estava me fazendo passar vergonha de novo!

— Ele custa 18.000

— 18.000?!! Tudo isso?!

— Se você não tivesse me assediado talvez ele ainda estivesse inteiro.

As risadas então aumentaram. Ele estava tentando colocar a culpa de ser um tarado em mim!! E falhando miseravelmente estava me envergonhando mais... Eu mato esse miserável.

— E-Eu vou indo... Se puderem mandem minhas coisas pro 36 da rua Dourado. Se não puderem eu não ligo. — Falei passando por todos e me direcionando constrangida a porta dos fundos que por sorte era na cozinha.

— Espera, a gente só estava brincando. — Disse a garota ainda rindo. Eu apenas a ignorei e continuei andando.

Apenas deixei meus pés me guiarem, aquele lixo! Imprestável! Sem noção! Por que tinha que ser eu?! Agora eu perdi a chance de ter um bom emprego e estou com uma dívida gigante na minha conta! 18.000?!! Qual o problema daquele arrogante!??? Quando menos percebi sentia lágrimas descerem pelo meu rosto, eu só queria ser uma garota normal essa vida de adulta é uma merda.

— 18.000...

Notas finais
Então foi isso gente, me desculpem pela demora! Espero que tenham gostado e eu vou me esforçar para melhorar nos próximos capítulos! Obrigada por lerem. Até o próximo capítulo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.