Sekai no Piso
1 Antonio
Antonio andava sem rumo pelas ruas movimentadas e de aspecto bem cuidado. Aquele era um bairro conhecido pelos clubes noturnos e outros locais para diversão e ele fora lá a procura de algo para fazer e esquecer as coisas ruins que vinham acontecendo em sua vida. Já passara por vários prédios com fachadas atrativas, mas nenhum chamara especialmente sua atenção. Suspirou, caminhando mais um pouco até parar ao lado de uma máquina de refrigerante, em frente a um prédio com uma placa escrita: "Vende-se".
Comprou uma latinha e bebeu, quase desistindo de sua busca, pelo jeito não estava mesmo com sorte naquele dia. Acabou dando uma última olhada nos prédios e, por coincidência, ou obra do destino viu lá um Host Club. Um pequeno sorriso formou-se em seus lábios. Nunca tinha ido a um clube assim, mas sempre sentiu vontade de ver como era e, naquele momento, parecia o local perfeito. Olhou uma útima vez para a fachada do prédio: Sekai no Piso era o nome do clube e, sem saber exatamente o porquê, sentia que aquele lugar ainda lhe daria muitas lembranças... Passou pela porta de entrada, sem sequer reparar na pequena plaquinha de: "Fechado". Viu-se, então, em um pequeno corredor; com um balcão e uma cadeira no canto. No fim do corredor existia outra porta. Antonio tentou abri-la novamente, mas esta estava fechada. Então bateu na porta e esperou alguém atendê-lo.
~~oOo~~
Lovino Vargas estava, como sempre, com uma cara amarrada enquanto varria contra sua vontade o chão da Sekai no Piso. Seu irmão gêmeo mais novo, Feliciano Vargas, corria atrás de si tentando lhe contar qualquer coisa e fugir da tarefa de limpeza ao mesmo tempo.
- Cala a boca e vai limpar, Feliciano. Caramba, você é um inútil e o idiota do Ludwig só reclama comigo.- Disse lançando um olhar azedo para o dono do lugar, enquanto ajeitava o avental.
O alemão apenas observava tudo do canto. Realmente, às vezes se perguntava se realmente deveria ter aceitado os irmãos italianos no Host Club, dava muito trabalho cuidar deles. Lovino nunca fazia nada sem reclamar e parecia odiar meio mundo, ainda que fosse esse seu jeito que, incompreensivelmente, atraísse seus clientes. Já Feliciano... Não sabia mais o que fazer com Feliciano. Ele era pior que uma criança! E com certeza irritava muito mais que uma. Só queria comer macarrão, cantar e não conseguia fazer nada sozinho. Embora fosse muito bom em atender clientes e bastante fofo também... Ludwig suspirou e olhou para o japonês ao seu lado, que limpava calmamente o estabelecimento. Usava um avental, assim como todos os demais. Seria mais fácil se todos os seus Hosts fossem prestativos como Kiku.
- Obrigado, Kiku. E desculpe por isso... Parece que você acabará tendo que fazer toda a limpeza como da última vez...
- Não se preocupe, Ludwig-san. Eu não me importo.- O japonês respondeu calmamente, com sua costumeira boa educação.
O loiro apenas assentiu com a cabeça, aprovando a atitude do japonês. Sentia-se um pouco culpado por deixar tanto trabalho para o asiático, mas não tinha muita opção. Seus outros hosts pareciam sempre arranjar outros afazeres nessa hora. Por falar nisso, ele perguntava-se o que Francis estava fazendo em seu quarto para demorar tanto. Não era possível que alguém levasse tanto tempo para colocar a roupa de limpeza. Ludwig já pensava em subir lá e arrastá-lo de volta ao trabalho quando o francês finalmente apareceu no alto da escada.
- Pronto, aqui estou eu! Agora sim estou com roupas mais adequadas. Tive o maior trabalho para achar esta e...
- Ah claro, e agora você perdeu a maior parte do trabalho!- Lovino direcionou seu mau humor ao outro.
- Oh, verdade que já estão acabando? Eu nem percebi o tempo passar lá em cima...- Falou dissimuladamente.
- Então já que está aqui agora por que não desce logo e vem ajudar?- O alemão foi logo cortando qualquer possibilidade de discussão por parte de um deles. Se deixasse, eles ficariam brigando até todo o trabalho estar concluído.
-Hmpf. Está bem, chefinho. Estou indo.
Francis começou a descer as escadas, meio que desfilando. Suas roupas, uma camiseta branca sem estampas de gola "V", um pouco colada no corpo, e uma calça jeans preta, não pareciam ser nada discretas ou apropriadas para o serviço de limpeza, mas se tratando do Francis aquilo já era normal, então ninguém nem comentou nada.
Quando o francês chegou perto de Ludwig, apanhou o avental da mão dele, olhando criticamente para a peça para depois colocá-la, sob um olhar severo de Ludwig.
- E aqueles três ainda não voltaram do supermercado?- Francis perguntou, enquanto finalmente pegava uma vassoura.
-Ainda não.
O alemão respondeu, referindo-se aos outros três hosts que haviam saído para comprar alimentos. Arthur, Alfred e Matthew saíram antes de Francis subir para trocar de roupa e ainda não tinham dado notícias, provavelmente não fora uma boa ideia deixar os três irem juntos.
- Provavelmente o Alfred e o Arthur vão ficar brigando um com o outro ao invés de fazer as compras.- Feliciano falou, parando de perseguir seu irmão e indo até Ludwig.- E ainda devem ignorar o Matthie, como da última vez. Não é, Doitsu?
- Feliciano! Já te disse para não me chamar assim. Não sou mais um host, sou o dono da Sekai no Piso! Agora vá limpar logo e pare de enrolar!
- Ah, tá bom! Desculpeeee...
Feliciano respondeu cantando e pegando um pano para limpar as mesas. O silêncio instalou-se no ambiente quando todos passaram a dedicar-se a seus afazeres. Até Lovino havia parado de reclamar, apesar da expressão mal-humorada. De repente, o som de batidas na porta, vindas da entrada principal, quebrou o silêncio.
- Sinceramente, por que o Alfred tem que ter um problema com a entrada de serviços? Só para arranjar confusão mesmo...- Ludwig falou, caminhando até a porta e abrindo-a.- Finalmente vocês chegaram. Compraram tudo da list... Ah! Me perdoe senhor, nós ainda estamos fechados.
- Um cliente?!- Feliciano apareceu ao lado do alemão com um enorme sorriso no rosto.- Vamos entre!
- Feli... Er... Itália!- Ludwig impediu Feliciano que tentava arrastar um surpreso Antonio para dentro.- Nós ainda não abrimos!
- Ah, mas qual é o problema de abrirmos mais cedo? O Nihon já está terminando de limpar mesmo. E não é você quem diz que não devemos desagradar um cliente? Olha só para essa carinha de quem está precisando de uma conversa!
Feliciano passou os braços pelos ombros Antonio, virando-o para Ludwig. O alemão olhou para os dois, depois para o resto do local, onde os outros três hosts o observavam atentos. Percebeu que Feliciano tinha razão, o lugar já estava mesmo limpo. E não deveria fazer mal atender somente um cliente antes da hora. Ludwig deu um pequeno suspiro, vencido. Por que será que não conseguia mais dizer não para aquela carinha de Feliciano? Qualquer dia isso seria um grande problema, mas por enquanto resolveu não se preocupar.
- Está bem, Itália. Vamos atendê-lo agora, senhor.- Ludwig falou, fazendo com que Antonio se afastasse de Feliciano e sentasse em uma cadeira próxima.- Aqui está nosso guia.
O alemão lhe entregou uma espécie de guia turístico, onde estava escrito:
"Seja bem-vindo à Sekai no Piso, um pedaço do mundo com belos rapazes. Um lugar onde se pode viajar ao redor do globo em uma noite.
Escolha um de nossos países e aproveite para se divertir.
OBS:. Pagamentos na recepção, na saída. Pedidos adicionais a combinar com os hosts e bebidas e petiscos por fora."
Logo abaixo vinha uma foto com o nome de um país ao lado. Canadá, Estados Unidos, França, Inglaterra, Norte da Itália, Sul da Itália e Japão.
- Ah, me escolhe, me escolhe, por favor!- Feliciano pedia, meio desesperado, enquanto balançava a mão infantilmente.
- Veneziano!- O dono do lugar reclamou.- Deixe que o cliente escolha, por favor.
- Ah, tudo bem. Você parece uma pessoa bem animada, talvez possa me ajudar...- Antonio falou com um sorriso meio triste.
- Sim!- O italiano gritou, enquanto puxava seu novo cliente até uma mesa, com toalha nas cores verde, branco e vermelho e um jarro com margaridas.
Antonio então aproveitou para reparar melhor no interior do Host Club. Ao contrário da fachada, que era clássica e elegante, porém discreta, o interior era bastante chamativo e também muito mais espaçoso do que aparentava por fora. O chão era composto de ladrilhos pretos e brancos, quadriculados, parecendo um tabuleiro de xadrez. Havia sete mesas espalhadas pela sala, cada uma com um toalha de cores diferentes, das bandeiras de cada país, reparou o espanhol, e um vaso com as flores típicas de cada nação.
Na parede oposta à entrada principal havia um palco de tamanho médio, com um karaokê. Pelo que já tinha ouvido falar era algo comum em Host Clubs. Hosts e os próprios clientes cantavam para entreter. Ao lado do palco, existia uma escada levando para o segundo andar. Nas duas outras paredes havia portas discretas.
- Sente-se, por favor, veee~!- Feliciano disse devagar, com seu costumeiro tom doce.- Você pode me chamar de Itália Veneziano, como eu posso chamá-lo?
- Ah, me chamo Antonio. Antonio Fernadez Carriedo.
- Prazer em conhecê-lo, senhor Antonio!- Disse com um grande sorriso.
O espanhol não pode deixar de notar como Feliciano era atraente. Seus cabelos castanho avermelhados, lisos e bagunçados, combinavam com a expressão fofa e chorona e com o corpo magro e esguio, dando-lhe uma aparência de infantilidade. Não só isso, sua personalidade também combinava perfeitamente com a imagem, era o tipo de pessoa que tinha nascido para se tornar host. Mas havia mais alguma coisa naquele rosto... Sentia como se já o conhecesse, mas não se lembrava de onde ou como...
- Senhor Antonio? Você está bem?- Perguntou Veneziano, com a cabeça inclinada interrogativamente.
- Oh sim, desculpe. Estava com uns pensamentos estranhos.
- Sim, tudo bem! Quer conversar sobre algum assunto especial?
- Ah bem, eu gostaria de contar algumas coisas, se você não se importar de ouvir...
~~oOo~~
Do canto da sala, meio escondido na escada, Lovino observava a cena. Os demais hosts e Ludwig haviam saído da sala para se arrumarem para a noite de trabalho, mas o italiano mais velho não conseguia fazer isso. Lembrava-se da cena de algum tempo atrás, quando encontrara Antonio pela primeira vez... Achava que nunca o veria novamente, mas lá estava ele, sendo atendido por seu irmão gêmeo, no Host Club onde trabalhavam...
---- FLASH BACK ----
Lovino Vargas estava correndo pelas ruas. Sua faculdade tinha começado há pouco e as aulas daquele dia acabaram pouco tempo atrás. Tentava inutilmente secar suas lágrimas pelo caminho até a Sekai no Piso, Host Club onde viera morar recentemente com seu irmão, quando chegarão da Itália, e onde trabalhava como aprendiz de Host.
Não poderia deixar que o choro atrapalhasse sua noite de trabalho, não podia decepcionar os clientes só porque os "companheiros" de turma da faculdade não gostavam de seu jeito, o achavam mal-humorado, reclamão e arrogante...
Não conseguia entender por que estava chorando, não era como o idiota do Feliciano que choramingava por qualquer coisa. Talvez ainda sentisse saudades da Itália... Estava tão concentrado com seus pensamente que acabou esbarrando em uma pessoa e derrubando tudo que ela carregava.
- Ah!- Exclamou o homem, deixando a cesta de tomates escorregar de sua mão e espalhar seu conteúdo no chão.
Antonio começou a recolher os tomates da calçada rapidamente e depois ajoelhou-se ao lado do rapaz que continuava caído no chão. Não conseguiu ver bem seu rosto, pois a franja castanho avermelhada estava caída sobre os olhos, mas percebeu que era um garoto muito bonito e que estava chorando.
- Tudo bem com você?- Perguntou, preocupado, sem obter resposta. Pegou, então, um dos tomates que havia colocado de volta na cesta e ofereceu ao rapaz, que o segurou sem nada dizer.- Tome, tomates sempre me ajudam quando estou com problemas.- Confessou fazendo um leve carinho nos cabelos castanhos.- Espero que ajude a se animar. Agora preciso ir.
O espanhol se levantou e voltou a seguir seu caminho. Só então Lovino levantou-se, ficando um tempo parado olhando para o tomate que ganhara de presente, antes de seguir correndo a caminho da Sekai no piso.
---- FLASH BACK ----
O romano suspirou, não adiantaria de nada ficar se lembrando de coisas idiotas do passado, quando o espanhol visivelmente sequer recordava seu rosto. Virou-se e subiu a escada. Iria a seu quarto, se preparar para mais um dia de trabalho. Enquanto isso, Feliciano e Antonio conversavam.
- Depois eu descobri que minha namorada me traía com alguém mais alto, mais forte e loiro. Ela sempre gostou mais de homens desse tipo, sabe. Aí nós acabamos brigando, discutimos muito e no fim ela acabou terminando comigo! Eu fiquei arrasado. Quer dizer, não sei quando vou conseguir arranjar alguém como ela novamente! Fiquei tão mal que saí para beber num bar que tem perto da minha casa. Acabei bebendo muito além da conta, e acordei com uma ressaca enorme. E hoje ainda tive que ir trabalhar de manhã. Acho que o pessoal lá do hort-fruit que gerencio ficou com um pouco de raiva de mim depois de hoje. Admito que estava falando um pouco demais, reclamando e lamentando o término do namoro. Espero que não tenham levado muito a mal, não quero que fiquem guardando rancor. Mas então, depois que eu saí do trabalho, percebi que precisava fazer ago para me distrair um pouco do assunto. Algo que não envolvesse muita bebida alcoólica, claro. Aí eu acabei entrando nessa rua que era famosa pelos locais para diversão noturna e acredita que eu nunca tinha entrado num Host Club antes? Aqui parece ser muito legal, e é muito bonito também.
- Veee~! Antonio-nii-san, você realmente anda sem sorte! Não se preocupe, vamos arranjar alguém bem bonito para você, muitas pessoas legais vem ao Host Club!- Feliciano respondeu com seu típico sorriso infantil.
- Obrigado, Veneziano. Espero que realmente consigamos.- O espanhol respondeu, rindo do jeito fofo do mais novo.
Então ambos ouviram um barulho vindo de uma das portas laterais, aquela que levava a cozinha e, mais adiante, a entrada dos fundos.
- O que foi isso?- Perguntou Antonio.
- Parece que eles chegaram...- Feliciano disse, incerto.
~~oOo~~
Alfred, Arthur e Matthew haviam ido ao supermercado e agora retornavam à Sekai no Piso. Arthur e Alfred brigavam por idiotices, como de costume, e deixavam para trás o tímido canadense, que já tinha desistido de apartar a briga.
- Arthie, seu maldito, alguém como eu não deve entrar pela porta dos funcionários!- Alfred reclamava, após ter escancarado a porta lateral.
- Mas é exatamente isso que você é, seu idiota, um funcionário!- Depois de uma manhã inteira discutindo, o inglês já não aturava mais as besteiras do americano.
- Ei, ei, parem de brigar um pouquinho, sim? Nós já chegamos afinal...- Matthew pediu calmamente, fechando a porta atrás de si e deixando as sacolas que carregava no chão.
- É, você tem razão, Matthie.- Arthur imitou o gesto do canadense, suspirando, e sendo seguido por Alfred.
- Bem, apenas espero que o Kiku já tenha terminado a limpeza, não estou com a mínima vontade de fazer isso agora. Ei, nós já chega...
Alfred abrira a porta da cozinha, que dava acesso ao salão principal, enquanto falava e ficou estático ao ver Feliciano acompanhado de um homem, sozinhos na sala. Por alguns segundos nenhum deles teve nenhuma reação, ficaram apenas se encarando comicamente, até que Alfred fechou a porta com força e se virou desesperado para seu irmão e Arthur.
- Tem um cliente lá! O que nós vamos fazer?- Puxava os cabelos com as mãos em sinal de desespero.
- Um-m cliente? Mas já?- O canadense também parecia um pouco assustado.- Será que nós demoramos tanto assim no mercado?
- Não.- Arthur anunciou, após conferir seu relógio de pulso.- Ainda são seis horas e, mesmo sendo sábado e o Host abrindo mais cedo, só abrirá lá pelas sete...
- De qualquer forma, pela imagem da Sekai no Piso e de nós como Hosts, não podemos atrapalhar o atendimento de um cliente!- Exclamou o americano, como se fosse uma questão de vida ou morte.- Precisamos de um plano para subir para nossos quartos sem que o cliente perceba!
- Você está exagerando um pouco, mas até que eu concordo.- Disse o inglês, cruzando os braços e se apoiando em uma das bancadas da cozinha.- Então o que sugere?
- Simples. Você e o Matthie distraem aqueles dois enquanto eu subo pelas escadas!
- Idiota! É para nós três subirmos sem que eles percebam, não só você!- Arthur brigou com o americano enquanto pensava no porquê de ainda ouvir as ideias dele.- Então, alguém tem uma BOA sugestão?
- Nós podíamos simplesmente subir sem fazer barulho. Vai ver que eles nem nos notam.- Matthew opinou, diante do silêncio que seguiu-se, mas acabou ficando um pouco constrangido com os olhares de Arthur e Alfred sobre si.- Funciona bem comigo...
- É, nós podemos tentar. Ninguém tem ideia melhor mesmo.- Arthur comentou, olhando para seu relógio novamente.- E está ficando tarde, nós temos que subir para nos arrumarmos.
- Sim! Eu, o herói Alfred, aprovo sua sugestão!- Ele falou, fazendo sinal de positivo com a mão.- Eu vou na frente. Vocês sigam atrás de mim e façam tudo o que eu fizer.
O americano abriu a porta devagar, interrompendo mais uma reclamação de Arthur sobre suas atitudes. Os três entraram no salão, colados à parede e sob os olhares de Feliciano e Antonio. O espanhol estava achando bem engraçado o jeito como eles pareciam querer ficar invisíveis. Já o italiano não sabia direito o que fazer naquela situação e resolveu tentar distrair o outro e ajudar seus amigos.
- Er... Antonio-nii-san, será que você poderia olhar para lá?
Feliciano apontou na direção da entrada e o espanhol virou a cabeça curioso. Dando a chance para que os outros três subissem correndo as escadas e desaparecessem no segundo andar.
- Mas Itália-kun, não tem nada ali.- Antonio virou-se novamente para Feliciano, notando que os três "ninjas" tinham sumido.
- Não? Poxa, eu jurava que tinha alguma coisa interessante de se olhar daquele lado.
- Tem muitas coisas interessantes de se olhar por todo lado. Aqui é um lugar muito bonito.- Ele comentou com um sorriso.
- Vee! É verdade! O Doit... O Ludwig-san tem um bom gosto!
- Ludwig é aquele homem loiro que abriu a porta mais cedo, né? Ele é o dono do lugar?
-Sim!- Itália respondeu alegremente.
- E foi ele que escolheu essa decoração?
- Na verdade não. A Sekai no Piso era do pai do Ludwig-san e ele trabalhava como Host, mas há pouco mais de um ano o pai dele se casou com o meu e eles foram viajar pelo mundo e o Doitsu ficou cuidando do lugar.
- Sério?- O espanhol ficou um pouco surpreso com aquela informação.
- É, mas o Ludwig-san mudou um pouco a decoração. Olha o teto.- Disse Veneziano apontando para cima.
Antonio olhou e perdeu a fala no mesmo momento. Não conseguiu entender como não tinha reparado naquilo até aquele momento. Em todo o teto havia uma belíssima pintura do planeta Terra, focando principalmente na Europa, com o fundo negro com estrelas para representar o espaço.
- Nossa... É realmente linda...
- Gostou da pintura?
Feliciano e Antonio olharam para o alemão que acabara de aparecer no pé da escada.
- Me perdoe por aqueles três.- Continuou.- Espero que não tenham arranjado confusão.
- Ah, sem problemas, eu quase não os vi passar.- Antonio falou coçando a cabeça sem graça. Não estava acostumado a ser tratado com tanta formalidade.
- Ah! Antonio-nii-san, sei que você não quer beber, mas o que acha de uma garrafa de vinho? Temos bebidas de todos os lugares do mundo, mas eu recomendo o vinho italiano!- Exclamou com um grande sorriso.
- Oh, bem...- Olhou para a expressão inocente e sorridente de Feliciano.- Acho que não fará mal uma garrafa. Aceito sim.
- Que bom! Já volto.- Falou correndo em direção à cozinha.
No caminho o italiano passou do lado de Ludwig e piscou para esse com um sorriso travesso. O alemão apenas sorriu, percebendo que havia treinado bem os irmãos italianos, afinal a função de um Host era entreter seus clientes para fazê-los querer voltar ao Club e fazê-los comprar o máximo de bebidas que pudesse, de preferência as mais caras. O pagamento de cada Host vinha de acordo com o número de clientes que atendeu e de bebidas que vendeu e... Às vezes dos serviços feitos no segundo andar, nos quartos, mas estes só eram feitos com a aprovação dos Host, apesar de serem bastante lucrativos. Na verdade, o trabalho como Host dava bastante dinheiro, mas também era muito cansativo e exigia boa aparência e personalidade de anfitrião.
Logo Feliciano retornou com a garrafa de vinho, uma taça e também com um cartão e uma caneta. O cartão, que normalmente era dado na recepção quando o cliente entrava, servia para o pagamento. Quando um Host era solicitado, ele assinava seu nome no cartão e colocava lá todos os pedidos que o cliente fazia, para que pagasse na recepção, ao sair.
- Aqui está, Antonio-nii-san.- Feliciano serviu o vinho na taça, com muito cuidado pois frequentemente deixava-o cair por ser descuidado e acabava levando bronca de Ludwig.
- Veneziano, não quero atrapalhá-lo, mas você precisa subir para se arrumar.- O alemão falou com calma.
- Puxa... Se importa se eu subir um pouquinho, Antonio-nii-san?- Perguntou com uma carinha pidona.
- Claro que não.- Falou achando graça da expressão fofa do mais novo e fazendo carinho nos cabelos dele.
- Veee! Então eu já volto!- Falou, subindo correndo as escadas.
Passou rapidamente pelo segundo andar. Na verdade não gostava muito daquele lugar. Lá havia três quartos, todos com uma cama espaçosa e poucos móveis além disso, que eram usados quando algum Host recebia um pedido de "uma noite especial". Eles tinham o direito de decidir se queriam ou não aceitar, mas mesmo assim Feliciano ainda não se acostumara com isso.
Chegou então ao penúltimo andar do prédio, onde ficavam alguns dos quartos nos quais os hosts moravam. Também eram três em cada andar divididos da seguinte forma: No terceiro andar, Matthew e Alfred dividiam um quarto e Francis e Arthur ocupavam os outros dois. No quarto andar os irmãos Vargas ficavam com um quarto, Kiku com outro e Ludwig com a suíte.
Ao chegar no terceiro andar, viu Francis e Arthur brigando no quarto deste, mas sequer deu atenção. No quarto ao lado, Matt e Alfred terminavam de se arrumar e o canadense ajeitava a gola da roupa do irmão. Subiu até seu quarto e viu seu irmão lá dentro, arrumando seu uniforme castanho claro. Todos no Host usavam um uniforme de estilo militar, uma ideia de Ludwig que surpreendentemente dera certo e atraíra mais clientes.
- Nii-chan, já cheguei!- Falou sorridente para Lovino.
- Finalmente, Feliciano. Pensei que ainda estaria com esse avental quando abríssemos!
- Vee, o que houve, nii-chan, você parece mais irritado do que o normal.
- Calado! Eu estou perfeitamente normal, pare de ficar imaginando coisas, seu maldito!
- Tudo bem, então.
Feliciano falou com um sorriso e foi trocar de roupa. Voltou quando faltava somente colocar as botas. Lovino já tinha terminado de se vestir e encontrava-se sentado na sua cama, olhando para a porta. Veneziano sentou-se em sua própria cama e começou a colocar as botas.
- Ah, estou atrasado! Demorei demais, já!
- Aquele idiota ainda está lá embaixo?
- Quem?- Feliciano olhou para o irmão, que ainda encarava a porta com as bochechas avermelhadas.- Tá falando do Antonio-nii-san?
- Então esse é o nome dele?
- É, sim. E ele ficou me esperando lá embaixo. Por isso eu não deveria demorar tanto!
Feliciano já tinha colocado o primeiro calçado, mas estava com dificuldades com o segundo. Lovino foi até lá e começou à ajudá-lo.
- Mas o Antonio-nii-san é bem legal! Ele adora falar e acabou de brigar com a namorada!
- Então ele tem namorada?
- Ah, na verdade, eles terminaram. Agora eu vou ajudá-lo a achar outra pessoa! Vee!
- Hum, é mesmo...?
Lovino terminou de dar o nó na gravata do irmão e se afastou, indo até a porta. Feliciano levantou-se e o seguiu, já estavam saindo quando uma ideia passou pela mente de Veneziano.
- Nii-chan, você gostou do Antonio-nii-san?
- O quê?!- Romano sentiu-se ficar vermelho, aquilo o tinha pego de surpresa.- Mas é claro que não! De onde você tirou uma ideia dessas Feliciano? Aquele idiota, que não sabe nem ler uma placa de fechado! Eu nem mesmo o conheço! Como é que ia gostar dele?! Tira já isso da sua cabeça!
- C-certo. — Veneziano assustou-se com o ataque de seu irmão. Ele tinha ficado assustador, então não tocou mais no assunto enquanto saiam do quarto.
- Já estão prontos?- Perguntou Ludwig quando se encontrou com os irmãos Vargas no corredor. Kiku estava ao seu lado.
O uniforme do alemão consistia em uma farda verde musgo, com luvas e uma cruz na gola, e um par de botas marrom escuro. A vestimenta do nipônico era a mais clara da casa, totalmente branca, com detalhes em preto e dourado e sapatos pretos. O próprio Feliciano vestia um uniforme azul ciano, com uma camisa preta por baixo e botas marrom claras. Seu irmão usava uma farda castanho claro bem simples, com botas castanho escuras.
- Sim, vamos logo.- Romano disse, descendo na frente e sendo seguido por seu irmão, Alemanha e Japão.
No andar de baixo encontraram Francis, Matthew, Arthur e Alfred no quarto do inglês. Francis usava o traje mais elaborado: um sobretudo azul escuro com cauda e um casaco da mesma cor por cima. As calças eram de um forte tom vermelho e as botas marrons escuras.
Matthew trajava uma farda bege com uma calça um pouco mais escura e duas faixas que se cruzavam em um X na frente, com um casaco e luvas bem quentes que demonstravam o frio do Canadá. Calçava botas curtas castanhas.
Arthur vestia um uniforme de tom verde militar, com blusa branca e gravata verde folha. Suas botas eram longas e pretas e usava um cinto da mesma cor.
Alfred, por fim, usava uma vestimenta bege, com blusa branca, gravata verde e cinto preto. Suas botas eram pretas e usava seu fiel e inseparável casaco, com uma estrela do lado esquerdo e gola felpuda preta.
- Todos arrumados, então vamos descer. Os clientes estão nos esperando.- Ludwig falou, sorrindo para seus Hosts.
- Sim, Ludwig-san.- Nihon falou educadamente.
- Vamos lá! Iuhuuu!- América respondeu animadamente.
- Veee!- Veneziano exclamou apenas descendo as escadas e sendo seguido pelos demais.
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