Segundos
2 Capítulo 2
Quer dizer, ele jurava que tinha rido baixo.
Será que tinha rido em voz alta?
Ah, aquilo não era nem um riso. Tava mais pra \'huhu\'.
Isso é um riso?
Enfim, de qualquer jeito, a moça o olhou diretamente nos olhos, com um rosto curioso e face cansada, ao mesmo tempo. Foi profundo, e pareceu demorado, mas logo ela voltou a olhar para os outros, virando a cabeça devagar.
Kid ficou meio que congelado todo esse tempo. Seria tenso se ela tivesse percebido o seu momento levemente sádico.
Ele já a havia visto andando pela escola, e até já tinham se visto de perto, quando o grupo de Soul, Maka, Black Star, Tsubaki, ele, Liz e Patty tinham se juntado um momento para uma conversa.
Mas, se falado, tipo, \'Oi, tudo bem?\' não havia acontecido. Até porque, Maka e ela se monopolizavam, não largando-se uma da outra.
Kid havia percebido também a extrema falta de auto-estima. Parecia o polo negativo de Black Star. Extremamente não-satisfeita com sua existência, e também com um complexo de inferioridade mórbido.
Mas, bom, nada que não seja curado.
Não que fosse ele que curaria isso. Naquele momento, ele nem imaginava algo assim.
Naquele momento.
Mesmo assim, martelava em sua cabeça, como as pessoas a confundiam.
Ela tinha um semblante muito frágil, como só uma garota podia ter. Poderia se chamar até de quebradiço, já que a aparência magra dela trazia essa sensação. Por isso também, suas emoções eram facilmente mostradas, como se a todo momento tivesse emoções á flor da pele.
Sua magreza também marcava muito sua cintura, destacada por não ter emagrecido tanto quanto seus braços e barriga. Se alguém a confundisse, seria muito pouco perceptivo.
Bom, mas nem todos são detalhistas como Kid.
Vai saber.
- ... Se sente ao lado de Maka, a aula vai começar.
Essas foram as palavras de Sid, que após apresentá-la á classe, deu espaço para que Stein desse sua aula.
- Crona, que bom tê-la aqui. Sente-se ao lado de Maka, sim? Comecemos a aula.
Crona foi apressada, sentindo a pressão dos olhares em si.
\'Aaah, ainda não sei como lidar com isso!\'
Pensou frustrada, sentando-se ao lado de Maka, que lhe lançou um sorriso mais que contagiante. Logo na fileira acima, estava Kid, Liz e Patty.
- Yaay! Vamos ser amigas, nee~?
Patty chamou Crona, com um positivo exagerado na mão esquerda. Ela se assustou, se virando pra trás um pouco acuada.
- E-E-Eh, s-sim... Acho... Mas, não sei lidar com amizades!
Ela disse, a última parte um tanto como insatisfeita e resmungona.
- Ah... Mas nós podemos te ensinar, nee, Kid?
Dessa vez, Liz. Kid olhou de canto pra Liz e Patty, cruzando os braços e dando de ombros.
- Quem sabe. Provavelmente.
- Kyaa, não liga não, ele é chato assim mesmo...
- Isso é porque ainda não conheceu suas manias!
Kid falou, aéreo, e as gêmeas completaram-se, ainda sorridentes para a aluna nova. Ela recolheu os ombros, e suspirou, enquanto dava um pequeno sorriso tímido. Maka, ali do lado, sorria satisfeita, em vê-la se enturmando.
Maka olhou de leve para Kid, que apesar de estar com o corpo totalmente virado para outro lado, mantinha um olhar de canto sobre a garota nova magricela... O sorriso de Maka tornou-se mais feliz. Será que era o que estava pensando? Seria interessante, até porque, Crona não é nem aqui, nem em outro planeta, uma pessoa... Simétrica.
Ela voltou seu olhar pra frente. Daquele jeito, Stein iria começar a dizer que ia dissecá-los por falar na aula.
~Quebra de tempo~
- Fim da aula. Liberados.
O livro pesado em cima da mesa do senhor todo costurado foi fechado com um baque surdo bem audível. O professor parecia carregar tijolos em suas costas.
Crona olhou para Maka, confusa. O que faria agora? Voltaria para o quarto/cela/casulo?
Maka sorri maliciosamente. Crona levanta as sobrancelhas por isso.
- Eeei, querem jogar basquete hoje á tarde? Descontrair, sim?
Maka chamou todos os do seu grupo. Soul não precisava nem dizer que sim. Black Star acendeu a chama da competição dentro dele, e começou á descursar... Cansativo. Emfim, aceitou, junto á submissa Tsubaki.
- Não. Tenho coisas á resolver.
Kid negou fielmente. Patty virou-se, e lágrimas falsas cresceram em seus olhos, com uma cara de pidona.
- Demo, Kid-kun...! Patty quer tanto!
- Oras, vá então.
- E Liz também quer! — Patty apontou para Liz, que não teve tempo de rejeitar
- Então vão as duas. Sem mim.
- Mas sem o Kid-kun? E se precisar da gente, e se... E se... E se... Ah, caramba, Kid-kun vai sim!
Kid revirou os olhos, dando de ombros. Leia-se: Desistência.
Ninguém pode com Patty quando ela se fixa em alguma coisa.
- E você, Crona? Vai, não é?
Maka perguntou, sorrindo. Kid olhou de canto, para ela, esperando a resposta e disfarçando.
- Bom.. Sim. Desde que a bola não venha para mim. Pode acertar minha cabeça e eu não saberei lidar com um galo...
Ela falou a última parte baixo. Estava se sentindo culpada de reclamar tanto. De repente, Ragnarök brotou das costas dela.
- Não, não! A inútil Crona vai causar problemas. Nem pensar.
Black Star deu um cascudo na cabeça daquela forma negra.
- Hehe, volte pra dentro e fique quietinho, como um bom garoto!
Ele fez um sinal de \'xiu\', afim de irritar o pequenino.
~Quebra de Tempo~
- Filho? Vai aonde?
A mulher/fumaça em forma de mulher perguntou, vendo o filho indo sair pela porta.
- Ainda está aqui? Ah, vou só me encontrar com uns amigos.
- Isso me ofende, Kid.
- O que? Meus amigos?
- Não. \'Ainda está aqui?\'. Não seja arrogante, eu suportei seu peso sobre minhas bexigas durante longos noves meses. Respeite-me.
- Desculpe. Não percebi.
Murmurou, olhando para o chão, mesmo que seu queixo estivesse levantado para cima.
- Você é um garotinho atrevido... — A mulher murmurou, sentando-se em cima da mesa. o que, realmente, causou certo desconforto ao garoto. — Continue assim. Agora vá, vá se divertir com seus amigos.
Ela disse, e pegou uma maçã da fruteira ( simetricamente arrumada! Destruiu a simetria! ) mordendo um bom pedaço. Ele só saiu correndo. Coitada da pobre simetria!!!
Patty e Liz o esperavam já na quadra em que sempre jogavam. Ele viu Soul e Black se matando por uma bola onde todos já poderiam ter tocado, e suando só para colocá-la na cesta.
Ah, que nojo.
Maka e Tsubaki também jogavam, mas em um canto, só como defesa. Crona estava sentada em um banco parecido com um daqueles de praça, e Ragnarök ficava atormentando-a. Ele começou a caminhar naquela direção, enquanto Patty e Liz estava indo cada uma pra um time, jogar. Ele sentou-se, com as mãos nos bolsos, e cruzando as pernas.
De princípio, o silêncio predominou, e eles mal trocavam olhares reprimidos. Até que uma voz irritantemente tosca se fez aparecer.
- Hey, mocinha! Olhe aqui, olhe bem pro rosto dela. Ela não parece uma formiga fácil de pisar?
Ragnarök chamou Kid, provocando.
- Perdõe ele, sim? Ai! — A criaturinha apertou as bochechas de Crona fortemente — Ele não sabe o que di- Ai! Me sooltee... — Ela falava, manhosa. Aquela bendita criatura nunca a iria deixar? Kid estava achando a situação até um pouco engraçada ( momento sádico ), mas preferiu manter-se calmo. Não poderia ser insultado e apenas rir.
- Na verdade... O pequeno fácil de pisar não deveria ser você? Mocinha. Humpf, mocinha. Até parece. Mocinha. Olhe o seu tamanho, mocinha.
Resmungou, quieto. Ragnarök mostrou a língua nojenta dele, e voltou ao corpo de Crona, não sem antes dar-lhe um cascudo forte.
- Itai...
- Se dói, deveria revidar.
Ele disse, olhando o jogo, com cara de nada.
- Se eu revidar... Ele vai pegar minha comida... Ou bater em mim denovo... Então vou ficar mais magra, e não saberei como lidar com minhas costelas...
- Apenas revide. Não fique pensando. Só, revide.
Insistiu na idéia, gesticulando. Crona fez uma careta.
- Mas daí, vou ficar mais magra... E as pessoas vão achar ainda mais que eu sou um homem...
- As pessoas não acham que você é um homem.
- ... Isso foi uma mentira cruel, Kid-san.
- Só \'Kid\'.
O silêncio predominou entre os dois. Não fora mentiroso! Bom, ao menos, ele, não achou que ela era homem...
É, tem muita gente que pensa que ela é um homem...
- Imagine, então, que eu sou uma excessão da regra.
Disse baixo, olhando para o chão. Crona corou significativamente, virado o rosto cansado em sua direção.
- Não imaginou que eu fosse homem?
- Já disse. Não.
Ele já estava a ponto de deixá-la ali e ir suar um pouco com aquela bola, já que estava em um nível muito desconfortável de constrangimento. Apesar de conviver com garotas, ele não conviveu exatamente com garotas tímidas.
Descobriu que era dificíl lidar com elas.
- Hum... Que bom.
Graças á deus, nada que constrangesse-o mais. Mas, daí ela sorriu, olhando pro chão, com o rosto levemente rosado.
É, é melhor ir suar.
- Ok, estou entrando no jogo!
Fale com o autor