Segundas Chances
2 Precauções, janta e conversa
Notas iniciais
Não esperando para ver se estava sendo seguida, Regina prontamente saiu da cela e se dirigiu para fora da delegacia. Zelena, um pouco aturdida, permaneceu ali dentro por alguns segundos antes de ter de aumentar seu ritmo para manter-se com o clique rápido dos sapatos de salto alto de Regina.
Uma vez lá fora, Regina lembrou-se que não seria muito inteligente deixar Zelena andando por aí na rua, ela poderia ser ferida.
É claro que a morena nunca iria contar para a ex-Bruxa Má que ela estava preocupada por sua segurança:
– Eu terei de nos levar para casa mais rapidamente do que andando. Eu não poderia arriscar que minha imagem fosse arruinada por algum idiota, como aqueles anões, os quais não conseguem manter suas bocas caladas.
Ela não esperou por uma resposta, ao invés disso, fez o movimento com as mãos que já era sua assinatura para teletransportar as duas para o hall da mansão da Prefeita. Depois, Regina pegou seu celular do bolso e mandou uma mensagem de texto para Emma, informando sobre a nova situação.
Regina Mills: Zelena ficará na minha casa de agora em diante. Espero que não seja um problema, Srta. Swan. Ah, eu colocarei um feitiço de proteção por fora da casa, só o Henry e Robin serão permitidos passagem por ele, por enquanto.
Emma Swan: Sem problemas, fica mais fácil não ter que tomar cuidado com ela pela delegacia, na verdade. Eu estava pensando, amanhã, depois da festa para o bebê, a gente podia planejar algo em relação ao Henry...?
Regina Mills: Perfeito, Até amanhã, Xerife.
Colocando seu telefone de volta no bolso, sem querer deixar Zelena esperando mais tempo, ela perguntou:
– Vou fazer a janta, você gosta de lasanha?
– Eu não tive o tempo de experimentar.
– Bem, hoje você vai. Mas primeiro, vou colocar um feitiço de proteção em volta da casa, apenas por precaução. Não vou perdoar tão facilmente, como na última vez, a multidão enfurecida estava no meu jardim – Regina riu falsamente.
Abrindo a porta, ela se concentrou no feitiço e fez um movimento circular com seus braços erguidos. Logo, uma barreira estava formada em torno da mansão.
Entrando novamente nela, ela notou que Zelena estava com suas mãos fechadas em punhos apertados e ela tentava controlar sua respiração. Regina conseguia sentir a raiva saindo dela em ondas. Seria por causa da magia que a ruiva não podia usar, ou o fato de que ela estaria praticamente em prisão domiciliar, a morena não tinha certeza.
Mas não quis descobrir naquele momento.
– Agora, se você puder me acompanhar até a cozinha – a ex-Rainha Má disse, mudando de assunto para evitar problemas.
–----
Fazer a janta foi um predicamento extremamente quieto. Elas só falavam uma com a outra quando necessário, já que Zelena foi convidada a ajudar na preparação da lasanha. Enquanto Regina cuidava da carne, sua irmã foi instruída em como preparar o molho de tomate. Para terminá-lo, a morena adicionou seu famoso não-tão-secreto ingrediente: flocos de pimenta vermelha. Quando a lasanha foi colocada no forno, como as duas não tinham nada para se manterem ocupadas, o silêncio se tornou insuportável.
Regina decidiu fazer conversa fiada.
Quando você não tem o que dizer, fale sobre a última vez que você preparou lasanha:
– ...foi quando eu fui convidada para uma festa de boas-vindas na outra maldição. Resumindo tudo, eu não era bem-vinda lá por todos, mas aquele definitivamente foi um momento bom antes de tudo desmoronar, considerando que Cora havia chegado na cidade. Algum dia eu posso te contar sobre ela e o resto, se quiser – Regina sugeriu, apoiando-se com as costas no balcão.
Isso a lembrou da última vez que falou sobre sua mãe, e teria sido com Branca de todas as pessoas, não muito tempo atrás. Elas tinham contatado o fantasma de Cora para saber sobre o abandono de Zelena, como uma vantagem. E agora, Regina estava conversando com a pessoa a qual eles queriam saber sobre em primeiro lugar.
– Eu gostaria disso – Zelena respondeu, fazendo com que a morena saísse de seus pensamentos e focasse no presente.
– Então... Além da sua tentativa fracassada de vingança, o que você acha de Storybrooke até agora?
Zelena apertou os olhos, enquanto Regina sorria debochadamente, mas respondeu a pergunta:
– É... diferente. A comida definitivamente é melhor, e tem toda essa tecnologia também. É, até, impressionante.
Regina apenas soltou um grunhido de afirmação e checou o timer para ver se o encarando faria ir mais rápido. As coisas estavam ficando incômodas.
– Fique à vontade – a morena acenou com a cabeça para a cadeira na ilha da cozinha – eu colocarei a mesa, o jantar está quase pronto.
Quase não era a palavra certa.
Começando a ficar pronto era mais exato.
Mas Regina não conseguia aguentar mais, elas ainda precisavam conversar sobre tudo que acontecera e não era o momento certo, sem dúvidas.
–----
Elas ainda tiveram que esperar um tempo depois da Prefeita ter terminado de colocar a mesa, mas decidiram beber um pouco de vinho e ficar quietas, pensando no que diriam uma para a outra quando elas finalmente tivessem a conversa séria. Em seguida, a lasanha estava pronta e as irmãs foram à sala de jantar. Depois de se servirem, o único som era dos talheres batendo levemente nos pratos, mas não por muito tempo.
– A... lasanha poderia ser pior – Zelena disse enquanto batia seus lábios delicadamente no guardanapo e tomava um gole do vinho.
Regina lhe lançou um sorriso cheio de falsidade, agradeceu ao elogio incrível que ela recém recebera e, então, resumiu sua alimentação.
A ruiva levantou suas sobrancelhas, claramente impressionada.
Sua irmã não tinha nem retrucado.
O par nem percebeu, mas para um completo estranho, seria claro que elas eram, de fato, irmãs. Elas podem ter crescido separadas, de qualquer maneira, as maneiras impecáveis e a postura perfeita que adotavam era quase a mesma e entregava seu parentesco.
Terminado o jantar, as duas levaram seus pratos para a cozinha e, enquanto Zelena lavava-os, Regina secava-os.
–----
Quinze minutos depois, elas estavam no escritório de Regina com outra taça de vinho nas mãos.
– Regina, nós precisamos conversar.
– De fato, precisamos – a ex-Rainha respondeu, movendo seu corpo um pouco para que estivesse voltada para sua irmã.
– Eu quero começar dizendo que eu... – Zelena teve que forçar a desculpa da sua garganta – peço desculpas. Eu peço desculpas por toda a dor que eu posso ter causado para você e todo o resto.
Regina foi pega de surpresa. Sua irmã pediu desculpas tão facilmente! Talvez as duas não fossem tão parecidas o quanto pensava. A morena sempre demorava um tempo para se dar conta que tinha feito algo errado, mas Zelena, aparentemente, já havia.
– Nossa, eu realmente não estava esperando por isso – Regina olhava para sua irmã e dizia com uma voz mansa – porém, eu acho ótimo que você, ao menos, pediu desculpas. Bem, eu quero dizer que também sinto muito por qualquer coisa que eu posso ter feito para machucar você ou seus sentimentos, Zelena. Eu desejo que você tenha sua própria chance na felicidade, assim como eu estou tendo.
Aquilo trouxe lágrimas para os olhos da ruiva. Ela tentou piscar para mandá-las embora, sem sucesso. Zelena fungou e baixou a cabeça. Trazendo suas mãos para sua face, para bloquear Regina de ver, ela falhou em conter um soluço quando a morena botou a mão no braço de Zelena e disse suavemente que estava tudo bem.
Não importa como você se sente por dentro, Zelena, lembre-se de sempre fazer uma cara boa. Ela ouvira seu ‘pai’ dizer isso para ela mais vezes do que pôde contar e foi uma das coisas boas que ele ensinara a ela. Pensando nisso, ela se levantou abruptamente, com suas costas viradas para Regina e, com uma voz áspera, falou com as esperanças de ter tempo suficiente para que pudesse se recompor:
– Não, não está bem, nunca está!
– Eu estava dizendo que estava bem em chorar. Não, o que você fez não foi bom, é claro que eu sei disso – Regina, de repente, ficou irritada e zangada, se levantando e circulando Zelena para que ficassem cara a cara – você quase matou um monte de gente, incluindo meu filho, devo adicionar, e eu deveria desprezar você por causa do que você fez. Mas eu não te desprezo, sabe por que, Zelena?
Ela esperou até que sua irmã olhasse bem em seus olhos para continuar, e esta última imperceptivelmente balançou a cabeça, mostrando que não entendia o porquê:
– Porque nós somos mais similares do que você imagina. Tudo o que eu sempre quis foi minha felicidade. E, finalmente, depois de todo esse tempo, eu a ganhei. Deixe-me dizer, vingança não conquista nada, eu descobri isso da maneira mais difícil. Além disso, eu não tinha me dado conta, mas graças à maldição, eu tenho o Henry de volta. Graças, de alguma maneira ou outra, a você.
Zelena, que já estava novamente com os olhos marejados, parou de segurar as lágrimas depois que Regina falou a dura verdade para ela. O que ela não estava contando com, era que a morena usasse seus polegares para limpar suas bochechas das lágrimas que ainda caíam e, em seguida, a envolvesse com os braços pelo torso. Zelena ficou rígida no começo.
Apesar disso, Zelena conseguiu retornar o abraço, escondendo seu rosto no pescoço de Regina, para continuar chorando silenciosamente, sentindo conforto. Brevemente, os cantos das bocas das duas foram para cima, não acreditavam que isso realmente estava acontecendo, mas era incrível.
O abraço acabou logo que começou, rapidamente. Regina passou a mão no cabelo, ato nervoso que desde pequena tinha, e sua mãe odiava. Zelena mexia com as mãos, confusa e envergonhada.
Contudo, foi o suficiente para as irmãs.
Regina limpou a garganta:
– Bem, eu acho que está na hora de encerrar por aqui, você não acha? – ela perguntou retoricamente e continuou – vamos levar estes para a cozinha – retirou a taça da mesinha de centro – e subir, vou te mostrar o quarto de hóspedes que você vai ficar.
O quarto era incrível. Melhor do que qualquer coisa que Zelena já esteve presente. Tinha uma cama enorme de casal, um grande closet, uma penteadeira e até mesmo um banheiro conectado com ele!
– Me desculpe se os lençóis estão meio amassados, se eu soubesse que você iria ficar aqui, eu teria organizado tudo e–.
– Tá tudo ótimo, irmã. Você está fazendo mais que o suficiente apenas por me deixar ficar aqui, sério – Zelena não entendia por que não estava respondendo amargamente como sempre fazia, sentia que não podia.
– Ah, tudo bem. Eu vou pegar um pijama para te emprestar, só um segundo – a morena saiu e voltou o mais rápido que suas pernas a deixaram. O bom era que o quarto de hóspedes era duas portas de distância do quarto principal. Regina a entregou uma escova de dentes e pijamas de seda, (estes, Zelena descobriria posteriormente, seriam a coisa mais macia que ela já teria usado), e ela avisou a ruiva que qualquer coisa que precisasse, ela daria sem problemas.
– Boa noite, Zelena.
– Boa noite.
Colocando os pijamas, Zelena desfez o coque bagunçado, limpou a face da maquiagem borrada com lágrimas, escovou os dentes e literalmente se atirou na cama, se cobrindo com os lençóis.
"Ela tirou da onde que eles estão amassados?" Zelena riu irritada "Estão perfeitos"
As duas ficaram um bom tempo antes de dormir pensando uma na outra e como o relacionamento delas já tinha melhorado, sem querer. Mesmo assim, era difícil não serem rudes uma com a outra, como sempre faziam.
Pela primeira vez em muitos, muitos anos, o sono veio para as irmãs facilmente, asseguradas de que, por enquanto, tudo estava dando certo.
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