Segundas Chances

4 Palavras bêbadas são pensamentos sóbrios


Notas iniciais
Muito obrigada pelos comentários e favoritos que recebi até agora, vocês não tem noção como isso me incentiva a continuar ♥ Ainda estou pegando o jeito de escrever em português, pois geralmente escrevo em inglês, então não sei bem como adaptar os nomes e tudo mais, se devo escrevê-los em inglês ou português, esse tipo de coisa. Enfim, aproveitem u3u

Zelena levantou sua cabeça de seus joelhos e olhou fixamente para sua irmã, irritada. Porém, ela esqueceu um pequeno detalhe.

Ela estava verde.

– Finalmente chegou para me expulsar, irmãzinha? – As palavras da ex-Bruxa estavam um pouco arrastadas.

Regina notou que Zelena estava bêbada, se a garrafa de uísque vazia do lado de sua irmã ou os olhos que não apresentavam nenhum brilho servisse como indicação. A morena se agachou para ficar no nível da ruiva e, num tom geralmente reservado para Henry, perguntou:

– Zelena, por que você pensa isso? Por que você acha que eu te expulsaria, como disse?

– Você me deixou sozinha e eu fiquei com raiva, com muuuuita raiva. Eu estava com tanta raiva e inveja que eu quebrei algumas de suas coisas, e agora você está irritada e vai me expulsar! – a moça parecia ter tido uma ideia – Mas não se eu me esconder! Sim, preciso me esconder – Zelena deu uma risadinha.

Ela girou o pulso e logo se lembrou de que não tinha mais magia. Opa!

De repente, antes que Regina pudesse entender por completo o que a ruiva estava fazendo, a mesma se levantou e empurrou sua irmã, fazendo com que esta perdesse o equilíbrio e caísse no chão.

No próximo momento, Zelena estava correndo dali, mas não sem antes tropeçar e quase cair de cara.

A Rainha estava impressionada. Aparentemente, sua irmã enquanto bêbada tinha um comportamento infantil. Olhando no seu relógio, Regina suspirou. Eu não acredito que vou brincar de esconde-esconde com minha irmã às 11 da noite. Parando para pensar nisso, para as duas sempre foi difícil terem momentos despreocupados. A morena podia não querer admitir, mas ela sentia falta de tê-los, principalmente com Henry.

Se levantando, Regina chamou por Zelena pela décima vez naquele dia, obviamente não recebendo resposta. Saindo do quarto de hóspedes, ela comprimiu os lábios, agora não tão feliz com a ideia de ter que procurar a Bruxa. Porém, foi nessa hora que ela ouviu, o som de choro vindo do primeiro andar.

Lá, ela encontrou Zelena de joelhos, vomitando no chão e choramingando. Descendo em seus próprios joelhos, Regina moveu sua mão em círculos tranquilizadores pelas costas de sua irmã enquanto ela tremia.

Quando havia terminado, a ruiva teria caído na sujeira se não fosse pela força e reflexos de Regina, que pegou sua irmã assim que esta ficou inconsciente. Em seguida, colocando um braço por baixo dos dela e o outro embaixo das pernas, Regina a levantou e rapidamente colocou um feitiço, o qual fazia com que Zelena ficasse mais leve do que uma pluma.

Levando ela para o quarto de hóspedes sem muito esforço, Regina a largou gentilmente na cama enquanto preparava um banho no banheiro, mas sem antes fazer um movimento com a mão para reparar o espelho quebrado.

Depois que a banheira estava cheia e a água quente, Regina retornou à Zelena e deu tapinhas na bochecha na esperança de que ela acordasse.

Não teve essa sorte, decidiu gritar.

– ZELENA! – e obteve resultado, pois sua irmã deu um pulo e indagou rapidamente:

– Oi? O quê? Gina?

– Me desculpe, eu tinha que te acordar. Eu preparei a banheira, você precisa de ajuda?

Zelena abriu a boca, embora nenhuma palavra tivesse saído de lá. Subitamente, ela ficou tímida, olhando para suas mãos ao abaixar a cabeça e murmurar algo inteligível.

– O que você disse, sis? – Regina estava confusa pela mudança repentina no comportamento.

– Eu não quero que você olhe para mim agora.

– E por que isso, querida? – a mão da morena encontrara o queixo de Zelena para forçar que olhasse em seus olhos.

Regina tinha uma ideia de qual seria a resposta. Com vômito nas roupas e cabelo, pijama amassado, a mão cheia de sangue seco e provavelmente quebrada, sua irmã estava, na verdade, uma completa bagunça. Porém, a morena não podia fazer nada à respeito ainda, considerando que Zelena estava instável e poderia, e iria, ‘explodir’ a qualquer momento.

– Verde – foi a única palavra que a ruiva disse, antes de comprimir os lábios e franzir as sobrancelhas. A morena nem havia pensado sobre isso, na realidade.

– Ah, hmm, eu... – Regina deixou sua mão que segurava o queixo descer, enquanto ela hesitava, pensando na melhor maneira de responder, já que estava procurando por uma sugestão de como remover o verde.

– Eu sabia – Zelena revirou os olhos e cruzou os braços na frente do peito enquanto ficava cada vez mais agitada. Ela não havia entendido a hesitação de Regina da maneira certa, achava que a morena só não queria ferir seus sentimentos ao dizer que era feio.

Ela se levantou da cama e, por causa do álcool ainda presente no seu sistema, quase caiu, tonta. Regina também se levantou e olhava diretamente nos olhos azulados de Zelena, mas apenas suspirou e não interrompeu quando sua irmã mais velha continuou em seguida.

– O verde é uma merda! – Zelena pontuou cada palavra com um empurrão no peito de Regina, enquanto esta nem lutou de volta e deixou ser empurrada até suas costas encontrarem a parede.

– Não era para funcionar aqui em Storybrooke! Uma das coisas boas daqui era que meu corpo não era todo verde. Eu ainda era a Bruxa Má – ela parecia cuspir essas palavras com desgosto, e Regina podia sentir o álcool e, infelizmente, vômito no bafo de Zelena por causa da proximidade – Mas eu já tinha aceitado isso. Agora, estar verde novamente é sua culpa. Eu não posso acreditar que por um momento eu confiei em você e deixei você ver meu lado vulnerável só para você me deixar sozinha que nem todos SEMPRE fazem! Eu nunca ganho nada...

– Para piorar, você me deixa uma mensagem me contando que vai para uma festa, a festa do bebê da Snow sem mais nem menos! Você ainda tem tudo e eu nunca, nunca ganhei nada que eu queria em nenhum ponto da minha vida... Eu-. Isso, isso é tããããão injusto... – Zelena, que havia começado com a voz forte, potente e gritante, acabara sua reclamação com um choramingo, seus olhos marejados até então finalmente soltaram as lágrimas.

Junto com o comportamento infantil, Regina pensou, triste, minha irmã também tem uma imensa raiva para cobrir a verdade das palavras. A morena não podia nem discutir, sabia que tinha errado pra caramba, sim, não só no agora mas na Floresta Encantada também.

Nossa, as duas tinham ferrado tudo várias vezes uma com a outra.

– Eu não sei o que dizer pra você, Zelena. Eu sei que vai demorar um bom tempo para nós duas confiarmos uma na outra completamente, mas eu vou começar dizendo que eu sinto muito e que quero colocar o passado no passado, onde ele pertence. Especialmente porque tenho a chance de conhecer a minha irmã mais velha e não posso desperdiçar... Eu sinto muito por ter te deixado sozinha – a morena pedia com os olhos por perdão.

– Você pode ter tudo que quer se lutar. Não siga o caminho mais fácil; escolha o que vai tomar seu tempo e constante esforço para continuar seguindo-o. Eu tentei mais vezes do que posso contar fazer coisas ruins para ter Henry, e posso te assegurar que eu não alcancei nada. – Regina encerrou.

Isso fez com que Zelena chorasse mais alto e colocasse a cabeça no ombro da mais nova. Enquanto ela segurava com força a jaqueta, a qual parecia ser a única coisa a mantendo estável, Regina passava a mão pelos cabelos ruivos, sem se importar com a sujeira da sua irmã mais velha naquele momento.

As duas cada vez mais arrumavam o relacionamento uma com a outra, sem perceberem. Elas ficaram naquela posição sem falar nada por um bom tempo. Quando o choro alto diminuiu, dando lugar a soluços e fungadas, Regina já havia criado uma solução para o problema verde.

– Eu acho que posso remover o verde, quer que eu tente? – Ela sussurrou baixinho.

Zelena apenas assentiu com a cabeça, mas permanecia com o rosto aconchegado no pescoço da mais nova, buscando conforto.

– Posso olhar para você? – Zelena hesitou. – Se eu não olhar, não vou conseguir remover... E não é feio, Zelena. Você não deveria se sentir envergonhada. Eu peço desculpas por ter te insultado antes, eu não estava falando sério, te juro.

A ruiva, sem pressa nenhuma, se soltou do abraço e deu alguns passos para trás. Ela parecia uma criança, cabisbaixa, tímida, mexendo nos dedos por estar nervosa. Era algo que Regina nunca mais queria ver, deixou os olhos marejados. Era assim que Zelena agia por trás da ideia de perversa? Sem autoconfiança alguma?

Lentamente passando a mão na frente do corpo de Zelena, ela se concentrou e canalizou bons pensamentos, já sentindo a mágica na ponta dos dedos. Não muito tempo depois, o verde estava saindo para dar lugar à cor normal da pele dela. A morena fez um movimento com a mão e um pequeno espelho de mão apareceu. Ela o entregou à Zelena.

A Wicked Witch olhava maravilhada para seu próprio reflexo, analisava sua face minuciosamente. Logo em seguida, ela jogou seus braços em volta de Regina, em um abraço bem apertado.

– Obrigada, obrigada, obrigada! Eu prometo que farei meu melhor, eu prometo. Por favor, me perdoa, eu fui tão estúpida! – Zelena ria de felicidade, algo que não fazia há tempos.

– Eu sei que você não sente nada agora por causa do álcool, mas você está com a mão machucada... Eu vou consertar, porém, nós teremos que trabalhar nesses problemas de raiva que você tem, eu não quero que você se machuque mais assim!

A ruiva concordou com a cabeça rapidamente, com os olhos arregalados e cheios de esperança e alegria. O comportamento meio infantil estava de volta e Regina tinha que admitir, era adorável.

Girando seu pulso, em uma fumaça roxa o livro de feitiços de Regina apareceu. Ela passou pelas páginas até encontrar o que precisava. Pegando a mão da sua irmã na sua, a morena começou o feitiço de cura após estudá-lo brevemente. Quase que imediatamente, uma luz branca saia de suas palmas e cobria a mão de Zelena, completamente curando-a.

Regina estava realmente impressionada por seu sucesso, assim como sua irmã, que a deixou saber com um “Uaaaau!” Com magia boa, não é difícil curar alguém, a mais nova pensou, ao contrário da magia escura, porque geralmente envolve pensamentos ruins.

– Agora, eu vou reaquecer a água enquanto você tira o pijama e eu vou te ajudar a lavar o cabelo, está bom assim?

– Aham.

Após aquecer a água, ela escutou a Bruxa gemendo de dor. Franzindo o cenho, ela voltou ao quarto e encontrou Zelena com as mãos na barriga e com a cara verde e pálida – dessa vez, de náusea. Levando a ruiva para o banheiro, ela deixou-a remover o álcool do sistema no vaso sanitário, enquanto segurava o cabelo dela. Quando Zelena terminou, Regina removeu o pijama por ela, olhando para o lado para dar à sua irmã um pouco de privacidade.

Sentindo que sua irmã ainda estava um pouco tonta e pálida, ela carregou-a para a banheira e colocou bolhas na água para que não tivesse que lavar o corpo todo de Zelena e, depois, pegou o shampoo, lavando as madeixas ruivas. Regina achava o cabelo dela lindo, era macio e cheio de vida.

Ela notou que sua irmã tinha os olhos fechados, provavelmente quase dormindo, enquanto Regina enxaguava o cabelo com cuidado. Decidiu tirar sua jaqueta, aproveitando que o vestido por baixo era de manga curta, para que pudesse tirar o ralo da banheira sem se molhar. Pegando uma toalha do armário, ela finalmente voltou a atenção à Zelena.

– Zelena, você pode se levantar para eu colocar a toalha em volta de ti? – Bocejando, ela fez que sim com a cabeça.

Enquanto Zelena se secava no banheiro, Regina aproveitou para colocar seu pijama e pegar outro para sua irmã.

Quando as duas estavam prontas, a morena levou Zelena para sentar na ponta da cama, para que ela pudesse pentear seus cabelos ruivos, removendo todos os nós. Era uma ação reconfortante para ambas, algo que nunca tiveram a chance de fazer antes por não terem amigas. Isso porque Regina era proibida de ter amigos por conta de Cora e o treinamento para se tornar rainha; Zelena cresceu muito pobre e tinha seus poderes desde pequena, por isso, sempre teve dificuldade de formar amizades.

– Eu nunca tive isso antes... – Zelena sussurrou.

– Nem eu, mas há uma primeira vez para tudo.

Alguns minutos depois, Zelena já estava embaixo das cobertas e Regina já ia sair do quarto, mas foi chamada:

– Espere! Hmm, eu... Obrigada. E... Você pode dormir aqui comigo, sis?

– Claro Zelena. Só vou trazer uma aspirina e um copo com água, sei que vai precisar amanhã. – Regina riu.

Descendo as escadas, suspirando ao ver as coisas quebradas novamente, ela se dirigiu à cozinha e lá encontrou as panquecas intocadas que havia preparado para a mais velha. Ela fez uma nota mental, primeira coisa de manhã seria dar algo para Zelena comer urgentemente.

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Colocando o copo e o remédio na cabeceira, ela olhou para o lado e ali estava Zelena, dormindo pacificamente. Sem as lágrimas ou a expressão de irritada que seu rosto sempre apresentava, Zelena estava linda, Regina pensou com um sorriso triste.

Entrando no outro lado da cama, embaixo das cobertas, Regina desligou o abajur e deixou um bom espaço entre as duas. Mas, logo em seguida, a Bruxa fez algo inesperado: ela virou o corpo, deitou sua cabeça no ombro de Regina e colocou seu braço por volta da cintura dela.

Regina ficou um pouco tensa de início, com olhos arregalados. Mesmo assim, deixou, pois sabia que Zelena provavelmente precisava da afirmação de que tudo estava bem e que não estava sozinha. Se a morena tinha que ser essa pessoa, então que seja. Porque ter uma irmã para espantar os pesadelos e receber conforto, não tinha palavras para descrever a sensação.

– Obrigada, mana. Boa noite. – se a moça mais nova não estivesse tão perto, não teria escutado, de tão baixinho.

– De nada, querida. Boa noite.

Notas finais
Gente, se tiverem alguma ideia para algum capítulo, podem falar! Algo que queiram que elas façam e tal. Se os capítulos estiverem muito compridos, avisem, viu? Não esqueçam de comentar ♥