Segunda Era Espacial

2 Capítulo 2: Sementes


Três dias desde o começo da viagem.

Walter sai do centro de controle, respira fundo e diz em uma voz baixa: – Será melhor quando as plantas estiverem crescidas. – Vê a estrada que dava uma volta em todo o anel até retornar ao centro de comando pelo lado oposto, está ficava a dois metros do chão, colunas de um metro eram ligadas ao chão abaixo da estrada, enquanto a estrada e o centro de comando eram suspensas por colunas de dois metros, a nave variava entre algumas cores, mas parecia predominar o branco.

Walter encosta no seu comunicador no ouvido e diz:

–Pessoal como vai o preenchimento do chão?

A voz de Lora Pod lhe responde:

–Estamos começando, suba até o eixo e venha ver.

–Está bem.

Walter dirigiu-se até o elevador que se localizava em cima do centro de controle, entrou e pressionou o botão “0”, as portas fecharam-se e começou a subir. Walter liga novamente o comunicador, desta vez com a bióloga Katerine Dren:

–Como estão as coisas por aí?

–Bem, as reservas de carbono super-denso estão intactas, e as sementes estão boas.

–Estás ocupada?

–Sim, estou preparando a queima do carbono, por quê?

–Estão começando a encher os anéis com terra, iria perguntar se não querias ver, mas continue seu trabalho.

–Na verdade, eu estava apenas adiantando o trabalho, mas vou até aí.

–Ok.

A porta abre-se, vê um caminho vermelho até onde está Lora junto com algumas outras pessoas a uns 5 metros de distância e diz:

–Como vai a tarefa?

–Tudo ótimo.

Lora era geóloga, tinha 26 anos, cabelos e pele negra, havia estudado em Oxford, que pensara em diversos lugares para trabalhar, menos em uma nave para Marte.

Lora falou:

–Ok, saiam da frente.

Ela levantou-se com um tubo flexível e o levou até um encaixe ao lado do elevador, ligou-o e falou: — Ok, vamos fazer o mesmo com o outro anel. – As outras pessoas mexeram suas cabeças positivamente e Lora junto com os outros andaram até perto do segundo elevador e fizeram o mesmo com aquele lado.

Então todos desceram até a base dos anéis e começaram a esticar vários tubos para despejarem a terra, puseram-se a despejar várias toneladas de terra no chão e pouco a pouco cobriram as colunas de um metro, ao mesmo tempo Katherine terminava de preparar as máquinas semeadoras.

Terminaram de cobrir o chão até o caminho que antes estava suspenso a dois metros de altura, então pararam para beber um pouco de água e descansar, após o descanso Katherine fala:

–Ok, preciso de dez pessoas para semearem a terra. – Dez pessoas levantaram-se, ela sorriu e apontou para as semeadoras, ligou o comunicador e falou ao anel outro anel: — Preciso que dez de vocês semeiem o solo, as máquinas estão ao lado do centro de controle. – deligou o comunicador e foi terminar de preparar o carbono para a queima.

Lora orientava o corte de algumas colunas, era uma parte que fora escolhida para ser uma espécie de lago, estava ainda no início, seriam 4 lagos em cada anel, cada um ficaria a 60° do outro do mesmo anel. O trabalho continuou até o fim da semeação e do corte das colunas indesejadas, após tudo isso começaram a trazer pelo elevador pesado dois rolo-compressores, um para cada um dos anéis. Começaram, então, a comprimir a beira aonde iriam ser construídos as lagos, pouco a pouco a terra foi se acomodando.

Trouxeram mangueiras até cada um dos oito lagos e começaram a enchê-los e também a alagar onde havia-se semeado, ao fim da tarefa todos dirigiram-se aos dormitórios e aos banheiros, Katherine então iniciou a queima do carbono, enquanto a potência do reator nuclear aumentou, a potência havia aumentado para que o sistema de refrigeração pudesse manter uma temperatura ótima.

O sistema de refrigeração era composto de tubos com água que evolviam toda a camada média da fuselagem, essa água era levada a todos os lugares da nave, o que preservava a temperatura igual em todos os cômodos habitáveis, a água passava por um resfriador, que consistia de válvulas que alternavam o caminho da água, para um cano que ia até a bomba e recomeçava seu processo, porém quando a temperatura estava alta a água seguia para uma série de canos que formavam picos e vales fora da fuselagem da nave, por isso perdiam calor por irradiação.

Após o banho, todos os tripulantes estavam nos centros de comando, que ficavam adjacentes aos dormitórios, banheiros, cozinha e as salas de entretenimento. Todo a reunião acontecia nas quatro salas e eram transmitidas uma as outras através de vídeo e áudio, Walter falou:

–Quanto tempo temos de esperar até podermos sair novamente? – A pergunta foi destinada a Katherine.

–Dez dias.

–Ok, existe alguma chance de o processo falhar?

–Não, se a temperatura, o suprimento de água e luz forem constantes.

–Quanto suprimento temos, Paul? – A pergunta foi direcionada ao oficial de suprimentos.

–Temos suprimentos para 20 dias, mas podemos racionar se for problema, então o suprimento pode durar até 40 dias.

–Bom, Clark qual as condições do reator?

–Trabalhando a dez por cento e está respondendo bem, apesar de operar normalmente a cinco por cento.

–A trajetória como está?

–Dentro dos padrões, aparentemente teremos que fazer alguns ajustes apenas quando chegarmos a três quartos da viagem.

–Parece que tudo está dentro do planejado, então, dispensados.

Todos se levantaram e saíram para fazerem suas tarefas ou para descansarem, Walter saiu da sala e dirigiu-se para seu quarto. A porta do seu quarto abre, ele entra, senta-se na sua cadeira e estica-se. Liga seu leitor digital e vê um livro intitulado “O Vermelho no Céu”, ele dá uma olhada nos outros títulos, são vários livros, porém poucos perto do armazenado na memória da nave, mas este livro parecia-lhe o mais interessante.

O Vermelho no Céu

Marte foi alvo de algumas explorações não tripuladas durante o período da 1º espacial, o programa Mariner da NASA conseguiu fotografar e colher informações do planeta, a polêmica de que existiam canais sobre a superfície de Marte na época foi solucionado, tudo não passava de mudanças de cor na superfície do planeta. A primeira sonda a aterrissar no planeta foi a Viking 1 em 1975, além destas houveram outras aterrissagens e satélites orbitais.

O salto para a futura colonização de outro planeta veio com a criação do Grande Reator de Fusão Nuclear Binacional, no ano 52 a.2ºEE(antes da 2º Era Espacial) localizado na fronteira da França com a Alemanha, utilizava a reação de fusão trítio-deutério, que foi substituída pela fusão Deutério-Deutério, que por não precisar de Trítio era mais fácil de suprir e é usada até hoje.

A 2º Era espacial começa com o primeiro motor de fusão nuclear criado, o Fusion-1, criado pelo físico nuclear August Levy, usando a reação Trítio-Deutério levou a sonda London até a órbita baixa e a fazendo retornar com ¾ do tanque ainda cheio. No motor Fusion-2, Levy atualizou o tipo de reação nuclear Deutério-Deutério, o motor que levou e mantem até hoje a Estação Europeia na órbita alta.

Dez anos após a criação dos Países Unidos Sul-americanos foi criado a política de pesquisas de alta tecnologia, que levou inicialmente a uma estação espacial nacional, um privilégio que antes pertencia apenas a União Europeia e cinco anos depois uma colônia dos Países Unidos na Lua, chamada de Luna, seguido por uma outra colônia lunar chamada Paradise, desta vez Europeia.

Com o fim da 2º Guerra Fria e o início da política de reconstrução de países adotado pela União Europeia e pelos Países Unidos em no ano 50 da 2ºEE, no ano 80 da 2ºEE com o fim do programa houve a fusão geral de todos os países que levou a criação do Conselho Mundial, que discutia quais quer problemas entre as cidades estado do mundo, sendo esses ambientais, diplomáticos, entre outros.

O Conselho Mundial no ano 81 da 2ºEE anunciou o início da construção da Marte 1, uma nave que levaria os humanos a conquistar o Planeta Vermelho, sua construção foi concluída em 93 da 2ºEE, uma nave que foi montada em órbita possuía quatro anéis giratórios, cada um com meio quilometro de diâmetro e 50 metros de largura, possuía uma tripulação de 1000 pessoas, iniciou sua viagem no primeiro dia do ano 82 da 2ºEE, e atingiu a órbita do planeta 7 meses depois, no início do 8º mês pousou no planeta, até hoje é o prédio mais alto já construído pelo homem em outro planeta, possuindo quinhentos metros de altura.

Hoje em dia a colônia humana em Marte tem mais de vinte mil pessoas e toda a sua periferia foi construída com o ferro retirado da superfície marciana e se localiza a cinquenta metros da superfície do planeta com exceção da nave Marte 1 que é o centro da colônia e ainda se mantem em pé.

As colônias em Marte e na Lua vem se expandindo em área e em população, são completamente independentes de recurso da Terra, porém respondem ao Conselho Do Sistema Solar(antigo Conselho Mundial).

Walter desliga o leitor digital e vai dormir.