O dia já havia começado bem assim que abriu os olhos escutando o “bom dia” do namorado. Stephen acordou com John do seu lado fitando-o enquanto sorria.

– Bom dia!

– Melhor impossível. Bom dia. – John deu-lhe um selinho.

Stephen se virou. Ia levantar, mas parou e olhou por de baixo das cobertas. Levantou a cabeça subitamente, lembrando-se do que acontecera na noite passada.

– Oh...

Foi o que ele conseguiu dizer.

– O que foi?

– Aquilo realmente aconteceu. – John ficou receoso. Achou que Stephen não tivesse gostado – Eu achei que tinha morrido e ido para o céu – Falou com um sorriso no rosto, deixando John mais aliviado.

– Que susto você me deu!

– Enfim, eu vou tomar banho. Jedikiah disse que me queria cedo na Ultra.

Stephen se levantou, enrolando-se no lençol já que, mesmo após a noite de ontem, estava com vergonha de que John o visse nu. Quando estava abrindo a porta do banheiro, John chamou por ele e se levantou da cama, mas ao contrário de Stephen, ele se levantou nu e foi em direção ao namorado.

– Onde você vai? – Perguntou Stephen, misturando o nervosismo com a vergonha.

– Tomar banho. – John passou sorrindo e entrou no banheiro. Segundos depois, apontou a cabeça pela porta fazendo a clássica pergunta – Você não vem?

Stephen revirou os olhos e entrou no banheiro.

***

John foi diretamente para o esconderijo dos Seres do Amanhã e entrou na sala onde ficava Tim.

– Tim, você conseguiria rastrear quantos da minha espécie tem na Grécia?

– É por causa da voz em sua cabeça?

– Inteligente como sempre. Você pode?

– Eu posso certamente tentar. – Tim projetou na tela o mapa mundi. Deu um zoom na Grécia e mostrou diversos pontos vermelhos no mapa. – Aproximadamente 439 revelações recentes e 666 revelações antigas.

– Eu não gosto desse número.

“John”

A voz reapareceu em sua mente. John fechou os olhos, se concentrando. Tentando entender o que a pessoa tanto queria com ele e quando abriu os olhos se viu no terraço de um prédio. O mesmo lugar onde beijara Stephen e onde vira o homem pela primeira vez.

– John! – Ele se virou e viu o homem parado à sua frente, usando capuz e cheio de tatuagens. – Eu não tenho muito tempo.

– Como eu vim parar aqui? Foi você?

– Como você apareceu no hospital para Stephen? – O homem pareceu tremeluzir como uma imagem falhando. – Eu não tenho muito tempo. O resumo é: Você precisa me encontrar. Você e Cara viram o que vai acontecer. Vocês precisam me encontrar.

– E como eu vou fazer isso? Eu nem sei qual o seu nome e nem se posso confiar em você.

Leia minha mente, cabeção!”

Cabeção? John estava começando a perder a paciência com esse cara, mas apesar disso, fechou os olhos e entrou na mente do homem. Vários flashbacks mostraram Morpheu, como era chamado, conversando com uma bela mulher de cabelo curto chamada Selena. Ambos sorriam e falavam sobre um lugar na Grécia chamado Atenas. Infelizmente, John não conseguiu ver mais do que isso e abriu os olhos. Morpheu já tinha desaparecido.

De volta ao subsolo, John explicou para Cara e Russell o que ele vira na mente de Morpheu e os três começaram a formar teorias. Além disso, Cara e Russell haviam perdido Albert. Não sabiam onde ele estava.

Enquanto isso, na Ultra, Stephen estava conhecendo seu novo parceiro. O nome dele era Matt. O novo parceiro de Stephen era humano, mas tinha pavio curto e se dedicava bastante. Um novato.

– Se ele é um novato, porque colocaram ele comigo? – Perguntou Stephen

– Como assim? – Jedikiah não estava num humor muito bom.

– Eu sou um novato. Ele é um novato. Não vê?

– Duas cabeças pensam melhor do que uma. – Jedikiah forçou um sorriso. Stephen levantou os braços e saiu do escritório do chefe.

Assim que Stephen bateu a porta, Jedikiah olhou seriamente para Matt.

– Já está ciente de suas obrigações?

– Sim, senhor. Já fui informado da minha verdadeira missão.

– Não fale muito. Mesmo aqui na Ultra, no meu escritório, falar certas coisas pode ser perigoso.

– Entendido.

– Mais uma coisa: Pegaram o velho?

– Sim, senhor.

– Ótimo. Mande-o para ser executado e peça que informem Stephen de que ele deve estar presente. Tem certas coisas que aquele metido precisa aprender, como esperar o chefe dele terminar de falar.

– Sim.

– Pode ir.

Jedikiah olhou na mesa, o retrato de Morgan. Tentou sorrir, mas não conseguiu, então liberou um pouco do estresse bufando, enquanto arrumava a gravata.

“Alguma notícia do Albert?”

“Não, mas descobri quem estava tentando falar comigo.”

Stephen viu o novato se aproximar e revirou os olhos.

“Desculpa, eu tenho que ir, John”

– O que foi?

– Jedikiah quer que você veja uma coisa.

– Ele está querendo muita coisa hoje.

– Você também.

Stephen foi até a sala onde fora chamado e viu Albert amarrado à uma cadeira e com um agente da Ultra interrogando-o. Quando o agente viu que Stephen estava ali, se levantou e soltou Albert.

– O que você está fazendo?

– Este homem usava suas habilidades para roubar, Stephen. Estava esperando por você.

– O que eu tenho a ver com isso?

– Você tem muito o que aprender. – O agente puxou uma pistola e atirou no ombro de Albert – Ele é um ladrão – Deu outro tiro, desta vez, na perna – Ele sabe sobre a Ultra, sempre soube. – Atirou mais uma vez, acertando a barriga. – Ele fugiu quando o pegamos anos atrás.

Stephen queria degolar o agente na sua frente, pegar Albert no colo e levá-lo à um hospital. Não agüentava mais ficar ali, vendo o homem ser baleado mais de uma vez, antes de morrer. Não queriam apenas matá-lo, mas fazê-lo sentir dor antes que partisse para “o outro lado”. Além disso, Stephen sabia, no fundo, que aquilo era apenas uma desculpa para matarem mais um de sua espécie.

– Chega...

– Chega? Você não sabe nada sobre ele... Você acha que John e aquele ex-namoradinho dele são os únicos que podem matar?

Stephen arregalou os olhos. Mais uma exceção à regra.

O agente atirou mais uma vez.

À noite, John e Stephen se encontraram próximo à ponte. Estavam sozinhos, observando o rio que passava ali. Stephen contou o que aconteceu com Albert e se sentiu culpado por não ter feito nada. John o consolou e em seguida contou sobre a experiência com Morpheu.

– O que você está pensando em fazer?

– Eu quero fazer uma visita a ele.

– Ok. Estou dentro.

– Você está doido, Stephen? Jedikiah vai suspeitar.

– Eu sei que vai. Insano do jeito que ele é, talvez ele até procure minha mãe para saber de mim, então é só eu dizer a mesma coisa para os dois.

– Na Ultra eles podem ler a sua mente. E se eles descobrirem que você mentiu?

– Eu falo com ele só onde nossos poderes são bloqueados. Eu vou com você.

John começou a rir. Stephen fitou-o tentando entender o porque de John achar a cena engraçada.

– O que foi?

– Você não quer me deixar ir.

– Não. Eu não quero te deixar ir sem mim. – John acenou com a cabeça ainda sorrindo.

– É, isso mesmo... Eu tenho opções?

Stephen fez uma careta, como se estivesse pensando.

– Não.

– Foi o que pensei.

Os dois se beijaram.

Notas finais
Galera... desculpa pelo Albert ~um minuto de silêncio~