Segunda Chance

9 Capítulo 9 - Charada Resolvida


Notas iniciais
Eis o novo capítulo! Tá quase acabando essa fic! QUASE! Boa leitura!

— Outro ataque cardíaco?

— Sim. Foi na noite passada. – Falei. Eu me encontrei com a Eva depois da escola. Felizmente, após um dia inteiro descansando, ela parecia muito bem. Estávamos caminhando enquanto conversávamos sobre o problema do Peter.

— O tempo está acabando. Preciso fazer algo agora...

— Thomas! – Ouvimos a voz de Jeremy.

Nós dois vimos de longe os guardas noturnos da Pizzaria Freddy Fazbear. Eles pareciam agitados.

— O que aconteceu agora? – Perguntou-se Eva, irritada.

— Vamos lá.

Aproximamos-nos e vimos Jeremy, Mike e Fritz na porta da pizzaria.

— O que houve?

— Eva! Marc! Que bom vê-los! Hã... Por acaso você viu em qual direção o Thomas saiu correndo?

— Não. Por quê?

— Bom... Ele passou a noite toda nos ajudando no trabalho, mas... Do nada, ele desmaiou em serviço. Achamos que era por causa de mais uma alucinação ou até mesmo o jeito medroso dele. Então, ele acordou assim que o nosso turno acabou, se levantou e saiu sem falar com ninguém.

— Que estranho. – Falei.

— Realmente.

— Nós vamos procurá-lo. – Disse Mike. – Se o virem, segure-o de imediato. Quero bater nele por ter nos assustado daquele jeito.

E se afastaram.

— Hã... Eva. O que você acha que deve ter acontecido?

— Não sei. Acho que nunca vi nada parecido.

— Psiu! – Ouvimos alguém nos chamar atenção. Olhamos para o lado e vimos uma sombra do lado da pizzaria, escondida. Quando nos aproximamos, ela saiu.

— Vamos, Marc! – Eva correu atrás da sombra e eu fui atrás.

Ao segui-lo, enxergamos que o cara usava o uniforme de vigia da pizzaria e logo reconhecemos a aparência física dele: Era o Thomas. Ele parou perto da porta dos fundos.

— Thomas, seu idiota! O que está havendo com você?! Se está começando a enlouquecer por causa do trabalho, eu sugiro que peça demissão e nunca mais volte...

De repente, Eva foi surpreendida pelo mais velho, que se jogou nela e a abraçou. Está aí um ato que eu não esperava. Quer dizer, eu sei que, de certa forma, os vigias adoram a Eva, mas não ao ponto de se sentirem tão íntimos dela.

— Thomas? – Ela murmurou, ainda surpresa.

— Que bom sentir um abraço em um corpo mortal de novo. – Ele disse.

— Corpo mortal? – Repeti, confuso.

— Mas... Do que você está falando?! – Eva desfez o abraço e se afastou. – O que deu em você, Thomas?!

— Eva... Você não me reconhece? – Ele perguntou em tom triste.

— Mas o que...? Você não é o Thomas... – Ela se aproximou. Tocou no rosto do mais velho. – Essa expressão... Golden Freddy?

— HÃ?! – Muito bem... A bizarrice começou cedo demais.

— Golden Freddy?! – Ela repetiu, chocada. – O que você fez?! Como é que...?! Não pode ser...

— Eu juro que o Thomas está bem. – Ele disse. – Apenas... Imagine que ele está dormido. Eu prometo devolver o corpo dele quando eu terminar.

— ‘’Devolver o corpo’’?! Eva, o que está havendo?! – Perguntei, já não entendendo mais nada.

— Já ouviu falar, naquelas histórias de terror, que as almas possuem os corpos de outras pessoas? Pois é... Acho que isso pode ser realmente possível no mundo real.

— Isso está ficando cada vez mais esquisito!

— Necessitou de quase quatro dias de concentração. Só consegui abandonar aquele corpo animatrônico nessa madrugada. Thomas estava em um momento de fraqueza por causa da aflição e do medo. Eu possuí esse corpo assim que tive a chance e acordei esta manhã. Eu sabia que você viria, então eu me escondi atrás da pizzaria.

— E por que você fez isso, Golden?

— Porque eu preciso lhe dizer uma coisa muito importante, mas não quero correr o risco de falar dentro da pizzaria e alguém ouvir. E tenho que ser rápido, afinal, esse corpo não é meu.

— E o que é?

— Tenho uma mensagem do Peter.

— Mensagem?! – Perguntei.

— É. Bom... Ele me visitou duas noites atrás. Eu estava treinando para poder separar a minha alma do traje de urso dourado quando vi a alma dele nos corredores. Nós conversamos.

— E sobre o que vocês conversaram?

— Os pesadelos estão cada vez mais perturbadores. Peter diz que os ataques cardíacos são os sustos que ele leva durante a noite.

— Faz sentido pra mim. – Disse Eva.

— E o que mais, Golden? – Perguntei.

— Ele disse que o coração dele não irá mais aguentar. Agora as dores aparecem no sonho. Creio que vocês têm mais dois dias para salvá-lo. Mais que isso, ele não aguentará.

— Então, você está dizendo que...

— O Peter pode morrer.

Não. Não, não, não, não, não e não! Ele não pode deixar a nossa mãe! Não pode me deixar! Minha respiração começou a ficar pesada... Estava ficando tonto e enjoado. Caí no chão e coloquei as minhas mãos na cabeça.

— Marc! Marc, respira! – Eva foi me socorrer.

— Não! Peter... Não! – Senti as minhas lágrimas surgirem. Eu comecei a ficar desesperado.

— Controle-se, Marc!

— Desculpe. Eu não sabia que essa seria a sua reação. – Disse Golden Freddy, sentindo-se culpado.

— Eu não posso perdê-lo! Ele não pode morrer!

— Eu não vou deixar! – Disse Eva, firmemente.

— Quem está aí?! – Ouvimos uma voz um pouco distante de nós.

— É o Jeremy. Golden, volte para a pizzaria. Deixe o Thomas assumir o controle desse corpo.

— Eu espero ter ajudado.

— Ajudou. Obrigada. Agora vá.

Vi Thomas desmaiar bem na nossa frente. Provavelmente, a alma de Golden deve ter ido embora. Eu ainda estava sob o efeito do desespero e do medo de perder o meu irmão, pois ainda ofegava. Minha visão ficou embaçada e logo apaguei.

Eu estava em um local escuro. Só tinha uma espécie de luz me iluminando por cima. Onde é que eu estou, afinal?! De repente, ouvi um choro. E não era uma choradeira qualquer...

— Peter! – Falei, fazendo minha voz ecoar. Segui o barulho até ver outro ‘’holofote’’, que iluminava um garotinho que estava deitado no chão em posição fetal e chorava sem parar. Ele tinha um esparadrapo em volta de sua cabeça. Reconheci aquele cabelo castanho e a sua roupa preta com listras na hora. – Peter!

Ele abriu os olhos e me encarou.

— Marc?

— Você está acordado!

Senti as minhas lágrimas deslizarem em meu rosto novamente. Me ajoelhei e abri os meus braços, recebendo o menor, que me abraçou fortemente.

— Que saudade! – Ele chorava. – Você veio me buscar?

— Bom... Eu não sei onde eu estou, exatamente. Nem sei como cheguei aqui.

— Nem eu. Normalmente, os meus sonhos não são assim.

— Seus sonhos?

— É. Eu vivo preso em um lugar. Só posso me defender com uma lanterna.

— Do que está falando?

— Marc... – Ele desfez o abraço. – Eu estou com tanto medo... É assustador! Estou lutando muito para continuar vivo... Mas dói. Eu preciso sair daqui de um jeito ou de outro. Não aguento mais.

— Nós... Vamos salvá-lo, Peter. Eu não vou deixá-lo de novo. Você vai acordar... E eu vou cuidar de você... Vou provar que posso ser um irmão mais velho melhor. – Comecei a chorar — Eu prometo.

— O fato de saber que você está me procurando e que está preocupado, já é prova o suficiente. Obrigado. – Ele começou a se afastar.

— Pra onde você está indo?! – Eu me levantei.

— Eu... Sei que você pode me salvar. Vou esperá-lo. Boa sorte, Marc.

Abri os meus olhos e me sentei. Percebi que eu estava em meu quarto.

— Finalmente acordou. Perdeu um dia inteiro. Pelo visto, você não irá dormir esta noite.

— Eva?! – A garota estava sentada na ponta da minha cama, de costas pra mim.

— Antes que pergunte, eu o trouxe aqui. Os vigias me ajudaram. Aproveitei e conheci a sua mãe. Ela é um amor. Está muito preocupada com você. – Se virou e me encarou. – Espero que esteja mais calmo agora.

Abracei os meus joelhos, apoiando o meu queixo neles.

— Eu sonhei com o Peter.

— Eu sei.

— Hã? Como?

— Simplesmente sei. – Ela sorriu. Levantou-se e se aproximou de mim, sentando bem ao meu lado. – Eu liguei para a minha mãe. Ela fará a cirurgia no seu irmão. Conversei com a sua mãe sobre isso e ela concordou com a ideia. Se tudo der certo, só precisamos mesmo da alma do Peter para evitar um coma de 10 anos.

— Mas onde eu podemos achá-lo?

— Onde fica o quarto dele?

Na mesma hora, me levantei da cama e a conduzi até o quarto do Peter. Nós entramos e eu fechei a porta.

— Exatamente como eu vi... – Ela murmurou.

— O que?

— Uma vez, eu entrei na mente do Peter... E consegui ver o quarto dele. Talvez... O quarto pode ser a terceira localiza... – Ela parou de falar, de repente, e arregalou os olhos, olhando algum ponto fixo do quarto.

— Eva?

— Achei.

— O que?! Sério?!

— Ele está ali. – Ela apontou para um lugar na frente da cama do meu irmão e se aproximou, abaixando-se logo em seguida. – Peter...

Eu me aproximei. Para mim, Eva encarava o nada, mas creio que, para ela, o Peter estava bem na sua frente.

— Ele... Está aqui? – Me abaixei em frente ao ‘’nada’’ que ela via.

— Sim. Esse tempo todo, ele voltava para o quarto.

— ‘’Da tortura para a prisão é onde me encontrará’’.

— O que?

— É a charada do Henry. Ele fez um enigma para eu resolver sobre a localização de Peter. Queria que eu descobrisse sozinho. ''Da tortura''... Peter era obrigado por mim para ir a Pizzaria Freddy Fazbear, o que foi uma tortura para ele, já que morria de medo daquele local. E a prisão... Acho que se referia ao quarto. Eu o prendia aqui muitas vezes. E no sonho, ele me disse que estava preso.

— Então os pesadelos do Peter devem estar nesse quarto, só que... Na cabeça dele.

— O que devem ser os pesadelos dele?

— Depende. Algo o assustava?

— Hã... – Eu encarei os bichos de pelúcia no canto do quarto. – Daquilo. Quero dizer, ele tem medo dos animatronics. Já com esses aí, nem tanto.

Eva se aproximou dos brinquedos e pegou a pelúcia do Foxy.

— Como eu queria poder entrar na mente dele e ajudá-lo a lidar com os pesadelos! Só que... Eu não sou tão forte. Toda vez que entro na mente de alguém, ela não tem mais os mesmos pensamentos que o de costume. É como se a minha presença apagasse isso. Tanto que eu consegui afastar os pesadelos do Peter quando eu tentei me comunicar mentalmente com ele, mas eu não posso ficar o tempo todo daquele jeito.

— Acho que o Henry pode ajudar.

— Como é?

— Ele já fez alguns comentários como se tivesse a mesma habilidade que você. Além disso, ele parece saber sobre a situação do Peter mais do que nós dois.

— O Henry tem a mesma capacidade que eu para ver as almas?

— Você não sabia?

— Ele nunca me contou, nem demonstrou... Pelo menos, não na minha frente.

— Bom, de qualquer forma, eu sei que ele tem alguma habilidade semelhante a sua. Talvez seja mais forte que você.

— Será?

— Se for para entrar na mente do Peter e ajudá-lo a lidar com os pesadelos, terá que ser nós três. Você me ajuda a entrar também e o Henry nos ajudar a ver o que está acontecendo.

— É um plano esquisito, mas esquisitice é o normal no nosso dia-a-dia. – Ela sorriu. – Tudo bem. Irei conversar com o Henry. Vamos ver se aquele menino vai abrir o jogo comigo.

— Eu vou com você.

— Como quiser.

Devem dar uns 30 minutos para chegar até a casa da Eva caminhando. De qualquer forma, nós chegamos ao apartamento dela. Andamos pelo corredor e vimos a porta aberta.

— Mas o que...? – Eu tentei dizer algo, mas me calei ao ver Eva correndo desesperadamente para dentro do apartamento.

— Henry!

Entrei também. O local até que era bem decorado e aparentemente estava tudo em seu devido lugar. Agora sei que nada foi roubado. Eva procurou por Henry no apartamento inteiro e eu a seguia. Voltamos a sala, onde Eva parecia muito perturbada.

— Será que ele saiu de casa? – Perguntei.

— O Henry tem medo das ruas. Ele nunca sairia sem alguém por perto para protegê-lo. – Percebi que ela estava tremendo. Eu me aproximei e toquei em seu ombro, tentando confortá-la. – Eu achei que tinha trancado a porta...

— Deve ter sido arrombada.

— Eu preciso procurá-lo...

O telefone tocou, assustando nós dois. Encaramos-nos e logo depois Eva se aproximou lentamente para atendê-lo. Eu me aproximei para tentar escutar junto.

— Alô?

— Olá, olá? Tudo bom? Que bom que me atendeu, Eva. Eu temia que fosse outra pessoa.

— Quem está falando?

— Hã... Eu acho que esta não é a pergunta principal, não é mesmo? Eu sei que, a esta hora, você já deve ter verificado todo o apartamento e procurado por seu irmãozinho.

— É você quem está com ele?!

— Podemos dizer que sim. Não se preocupe. Ele ainda está vivo, se é isso que quer saber. Sabe, ele é muito forte. Foi realmente muito difícil de levá-lo. Ainda bem que sempre levo um pouco de clorofórmio comigo.

— Você usou... – Eva respirou fundo. – Escuta aqui, seu desgraçado, se alguma coisa acontecer com o meu irmão, eu...

— Hei, hei! Calma! Pra que tanta violência, mocinha? Já sei! Por que nós não conversamos pessoalmente? Não é isso que você quer? Encontre-me na Pizzaria Freddy Fazbear assim que ela estiver fechada. E seja pontual. Esses animatronics não são muito gentis. E eu não quero ficar arrastando aquele menino de um lado para o outro.

— E os vigias? Eles estarão trabalhando esta noite.

— Ah sim, claro. Eu já cuidei deles.

— O que você fez?!

— Calma. Eles estão vivos. Só... Os deixem descansando. Apenas para conversarmos melhor.

— Por que está fazendo isso comigo?!

— Sobre isso, nos falaremos assim que nos encontrarmos. Te vejo lá.

E desligou. Eva colocou o fone no lugar e se sentou no sofá, colocando as mãos no rosto.

— Você vai?

— Tenho que ir. Pelo Henry, eu preciso ir. Além disso, se eu morrer, pelo menos você poderá levar o Peter para cumprir a promessa que eu fiz a você.

— Você não vai morrer, Eva. É a garota mais esperta que eu conheço. Temos que bolar um plano para impedir que aconteça algo tanto com você quanto com o seu irmão.

— Se esse cara do telefone quer conversar... Eu vou conversar. Você pode entrar escondido na pizzaria e procurar pelo Henry enquanto eu o distraio com essa ‘’conversa’’. Tire-o de lá e não entre mais.

— Eva...

— Já está decidido. Vamos.

Não conseguir pensar em outra coisa para tentar impedi-la e bolar um plano melhor. Apenas a segui. A cada passo que dávamos era como se estivéssemos em um momento tenso que nunca acabaria. Assim que chegamos à rua, eu encarei o rosto da Eva. Ela não parecia com medo, apenas um pouco nervosa. Quase não dava para notar. Eu segurei a sua mão, como um jeito de passar a pouca coragem que eu tinha para ela.

Finalmente chegamos a pizzaria. Eva respirou fundo e largou a sua mão da minha, dando alguns passos até a porta.

— Eva.

— O que é?

— Boa sorte.

Ela se virou e me encarou.

— Obrigada.

Eva entrou na pizzaria. Eu fui até a porta dos fundos e entrei por lá. Estava muito escuro, um clima nada confortável para uma noite como aquela. Eu andava sempre com a mão na parede, como se fosse um jeito para eu saber se eu tinha que fazer uma curva ou andar reto. De repente, escutei barulhos.

Qualquer coisa, menos um assassino louco!

Qualquer coisa, menos um assassino louco!

Ouvi o barulho cada vez mais próximo, como se estivesse... Atrás de mim. Eu parei na hora e o barulho parou também. Agora é oficial: A coisa está atrás de mim!

— Por... Por favor... Nã... Não me mate... – Eu gaguejava de tanto medo! Fechei os meus olhos e abaixei a cabeça.

— Marc? É você? – Reconheci aquela voz na hora.

— Freddy?! — Olhei pra trás e consegui enxergar os seus olhos brilhantes.

— O que faz aqui?

— Freddy! Nunca pensei que ficaria tão feliz em vê-lo!

— Você está tremendo. O que houve?

— A Eva está em perigo!

— O que?!

— Acho que Purple Guy está aqui! Ele marcou de se encontrar com ela aqui. O escritório, de certa forma, é o lugar mais seguro da pizzaria. Você precisa me levar até lá.

— Certo. – Ele se aproximou de mim e tocou cuidadosamente em meu ombro. – Segure em meu braço. Nessa escuridão, você pode se perder.

— Obrigado. – O obedeci.

Freddy começou a me guiar pelos corredores. Ele andava lentamente para que eu pudesse o acompanhar melhor.

— Por que a Eva iria se encontrar com aquele verme?

— Purple Guy sequestrou o irmão mais novo dela.

— O Henry?

— Conhece?

— Sim. Ele falou com Foxy uma vez.

— Ele deve estar em algum lugar na pizzaria.

— Hum... Você pode ajudar a Eva enquanto eu peço ajuda aos meus amigos para encontrarmos o Henry.

— Tudo bem.

— Só que... Deixe-nos cuidar do Purple Guy. Temos uns assuntos a resolver com ele.

— Hã... Entendo. Ah! E mais uma coisa, Freddy.

— O que?

— Preciso que vocês tenham a mente aberta. Os outros vigias estão presos aqui também. São inocentes. Não os matem, apenas os leve até a saída.

Ele ficou calado por alguns segundos até finalmente me responder:

— Faremos isso. Mas como saberemos diferenciá-los de Purple Guy?

— Simples. Hã... Ele estará da mesma maneira que vocês lembram.

— Mas nós não nos lembramos do rosto, só do uniforme.

— Assim que o vir, vocês lembrarão.

— Se é o que diz... Ah! Pare!

Paramos em um corredor que estava um pouco mais clareado por causa da luz do escritório no fim do corredor.

— Cuidado com as câmeras. Provavelmente, ele deve estar dando uma olhada a cada minuto. Eu o distrairei caminhando enquanto falo para os outros procurarem por Henry e os vigias. Boa sorte.

— Obrigado, Freddy.

Ele se distanciou. Encontrei uma pequena câmera no teto e tomei cuidado para não ficar no campo de visão dela. Aproximei-me da porta do escritório, onde vi Eva amarrada na cadeira. Havia um homem que acabava de tirar o casaco roxo e cobria Eva com ele.

— Você é um traidor imundo! Devia morrer queimado, seu desgraçado! – Eva o xingava com todas as suas forças enquanto se debatia.

— Desculpe, garota, mas é que eu não tenho outra escolha. – Essa voz...

— Vincent? – Eu sussurrei.

— O que está fazendo?! Não quero os seus trapos! Cadê o meu irmão?!

— Hei, hei! Não se preocupe. Em breve, você se encontrará com ele.

— Por que está fazendo isso com a gente?!

— Eu... Acabei, por acaso, descobrindo sobre a sua capacidade de ver espíritos, Eva. No início, eu queria me livrar de você, pois, mais cedo ou mais tarde, iria acabar descobrindo sobre a real identidade de Purple Guy. Então, eu soube do seu irmão, que tem a mesma habilidade. Portanto, eu tenho que me livrar dos dois. Não posso correr o risco de ser dedurado por vocês, certo? Eu realmente gostava muito de você, Eva. Sempre me apoiou e elogiava o meu trabalho. É uma pena que vai morrer assim.

— Foi você quem matou aquelas crianças?!

— Desculpe. Foi um momento de fraqueza. De dia, eu sou Vincent, um homem que é bom no que faz. De noite, eu sou livre para fazer o que quero. E foi aí que matei aqueles meninos um por um. Primeiro, era só uma tentação que não consegui resistir... Depois, eu queria fazer de novo, e de novo, e de novo.

— Cara, se você tiver alguma doença, é melhor ir se tratar agora! Não é tarde demais, Vince! Em algum lugar, dentro de você, tem uma pessoa trabalhadora e maravilhosa que eu conheci.

— Não, não tem. – Ele pegou o seu chapéu roxo e colocou na cabeça de Eva. – Acho que assim está bom.

— Pra que isso?!

— Para confundir os animatronics. Eles não se importam com o rosto, certo? Apenas com o uniforme. Isso significa que virão atrás de você, achando que é o assassino.

— Espera aí! Você os fará me matar?!

— Eu não tenho coragem de matar uma amiga como você. Esse sangue eu não quero derramar. Além disso, é só para me dar tempo pra matar o pequeno Henry.

— Fique longe dele!

— Eu realmente sinto muito. – Ele acariciou a cabeça de Eva e depois se afastou.

— Vincent! Volta aqui! Não faça nada com o Henry! Pode me matar, mas deixe-o ir!

Ele a ignorava. Eu me afastei, me escondendo no escuro, sentado no chão. Vincent olhou para o lado e viu um pedaço de ferro jogado no chão. Ele bateu levemente na própria mão para ver o peso do objeto e sorriu. Não acredito que ele realmente pretende bater em uma criança com aquilo!

Assim que o maluco se afastou, eu entrei no escritório.

— Marc!

— Eu ouvi o que aquele maníaco disse! Ele é doido! – Eu tirei o uniforme roxo de seu corpo e tentei desamarrá-la da cadeira.

— Não acredito que o Vincent faria uma coisa dessas. Ele sempre foi tão...

— Eu sei. Os psicopatas estão sempre fazendo cena. Não consigo tirar essas malditas cordas!

— Eu posso ajudar? – Ouvimos uma voz, acompanhada por uma melodia.

— Puppet! – Exclamou Eva, sorrindo.

A marionete segurava a caixinha de música, o seu presente dado por Eva.

Acordei em uma espécie de sala vazia. Eu estava deitado no chão, todo desorientado. Senti uma perna na minha barriga e minha mão na cara de alguém. Levantei-me, empurrando seja lá quem estivesse encima de mim.

— Sai pra lá, caramba!

— Ai! – Era a voz de Jeremy. – O que foi? Ah! Não acredito que dormimos em serviço de novo! A Eva vai nos matar!

— Esse não é o escritório. – Disse Thomas, meio sonolento.

— Então onde estamos?

— Alguém viu os meus óculos? – Perguntou Fritz.

— Fiquem de pé, homens! – Ordenei. Os outros se levantaram na hora. – Ótimo! Precisamos sair daqui ou nunca descobriremos o que está acontecendo.

— Espera! Cadê o Vincent? Antes de apagar, eu tinha o visto!

— Sério, Jeremy? Eu também. – Disse o ruivo.

— E eu também. E você, Mike?

— Também, Thomas.

— Será que... Aquelas coisas o levaram?

— Se for, já era! Não tem mais jeito!

— Ora, Fitzgerald! E nós vamos abandonar um cara tão legal como o Vincent? – Me aproximei da porta, tocando na maçaneta. – Vamos procurá-lo todos juntos e voltar rapidamente para o escritório antes que os animatronics...

Abri a porta e dei de cara com um Foxy me encarando.

— Isso aqui é de um de vocês? – Ele segurava um óculo avermelhado.

— AAAAAAAAH! – Todos gritaram.

— FECHA A PORTA, MIKE! – Jeremy, desesperadamente, avançou sobre mim e fechou a porta.

Que susto!

Notas finais
Purple Guy dá as caras, Henry está em apuros, Eva e Marc precisam salvá-lo, os vigias precisam sair daquela sala e os animatronics precisam encontrar o seu assassino. São cinco problemas para resolver nos próximos capítulos! E vocês? O que acham dessa confusão toda? Comentem aí! Eu adoraria ouvir a sua opinião!