Segunda Chance

2 Capítulo 2 - A Alma de Peter


Notas iniciais
Voltei com mais um capítulo! Obrigada quem estiver gostando! Fico muito feliz com isso! Boa leitura!

Eu acordei por causa do despertador, era uma hora da madrugada. Havia me esquecido completamente de me encontrar com a Eva! Coloquei a primeira roupa que encontrei e saí pela minha janela, correndo pelas ruas até chegar á pizzaria. Não era muito longe, mas também não era muito perto.

Quando já consegui avistar a pizzaria do Freddy Fazbear, vi Eva sentada na calçada. Ela ouviu os meus passos e me encarou com uma expressão bem séria. Ao me aproximar, eu parei. Minha respiração estava pesada por causa da correria.

— Olha, se você estava com vergonha de encontrar com uma estranha como eu, era só dizer.

— Não é nada disso! Agradeça o meu despertador! Você tem sorte de eu não ter um sono tão pesado!

— Da próxima vez, eu marco pra sair com você mais cedo. Só assim não irá se atrasar. Vamos entrar?

— Claro.

Nós fomos pela porta dos fundos, onde já estava aberto. Eva disse que garantiu que ninguém a trancasse. Era assustador ver o local todo escuro. Durante o dia, parecia um lugar mágico para as crianças, mas, de noite, parecia um lugar perfeito para um assassinato. Na verdade, eu já ouvi falar dos incidentes que ocorreram nessa pizzaria.

De repente, ouvi um barulho estranho, fazendo o meu coração quase sair pela boca.

— Mas o que foi isso?! – Perguntei, ainda em choque por causa do susto.

— Foi a câmera do Fritz.

— Fritz?

— É. – Ela apontou para uma pequena câmera instalada no teto, que se movia lentamente, fazendo o barulho que havia me assustado alguns segundos atrás. – Fritz Smith. É o turno dele essa semana. Eu espero que ele consiga sobreviver hoje.

— Não parece ser tão difícil trabalhar como guarda de segurança noturno numa pizzaria.

— Só se for numa pizzaria qualquer. Aqui é trabalho pesado.

Não parece... Deixa pra lá! A Eva deve ser um pouco exagerada. Afinal, é só um trabalho chato como um guarda noturno. Continuamos a andar, com a garota na frente, me guiando.

— E os seus amigos?

— Eles estão aqui.

— Estão com algum problema com a lei? Porque vocês estão fazendo muito mistério...

— É que... É complicado explicar isso pra você agora. Vamos logo. Precisamos ir á Sala de Premiações.

— O que faremos lá exatamente?

— Falar com um amigo.

— De novo esse mistério?!

— Sim. Agora fique aí.

— Hã?! – Quando eu percebi, eu estava em frente a uma entrada para uma sala, que seria a Sala de Premiações, nesse caso. Estava escuro, mas pude ver que estava enfeitado com pizzas na parede e pelúcias no balcão. Eva caminhou até uma caixa enorme de presente de cor verde com uma grossa fita meio roxa. – O que vai fazer?

— Shhhhh! – Ela se virou pra mim, com o dedo indicador na frente da boca, pedindo silêncio... — Não importa o que você verá, mas não grite e não corra. Entendeu?

Agora eu estou com medo. Do que ela está falando? O que eu verei? Eva abriu a caixa cuidadosamente, colocando a tampa no chão e depois voltou para o que estava dentro do objeto.

— Acorda, dorminhoco. – Ela disse em tom doce. – Levante e eu lhe mostro uma coisa legal.

Não sei com quem ela está falando, mas a coisa obedeceu. Quando vi três enormes e dedos negros saírem da caixa, percebi que não era uma pessoa, muito menos era um humano. Ele se levantou, mostrando ser uma criatura alta e magra, com face, que seria uma máscara, branca com marcas roxas descendo de seus olhos vazios. Seu corpo fino e preto tinha três botões brancos, listras esbranquiçadas nos braços e nas pernas. Quando ele saiu de dentro da caixa, vi que não tinha pés. Obviamente, fiquei chocado ao ver aquilo!

— Boa noite, Puppet. Parece bem disposto. Sabia que eu viria? – Eva falou com tom gentil. – Eu trouxe uma coisinha pra você.

Do bolso de sua camisa branca, Eva tirou uma pequena caixa de madeira e estendeu para o boneco, que se aproximou lentamente e pegou o objeto, delicadamente, com a ponta de seus enormes dedos escuros, levando para ver de perto o seu presente.

— É uma caixinha de música. Abre-a toda vez que ficar triste. Assim que ouvir a melodia, irá se sentir bem.

Na mesma hora, o Puppet abriu a caixinha e uma bailarina saiu dela, girando enquanto tocava uma música bem relaxante. O boneco parecia hipnotizado com o presente.

— Ele gostou. – Sussurrei.

Acho que mesmo falando baixo, Puppet parecia escutar muito bem. Fechou a caixa e se aproximou de mim. Por mais que não tivesse pupilas, eu sabia que ele olhava pra mim.

— Calma, calma! – Eva se colocou na minha frente. – Ele é um novo amigo! E precisa de ajuda! Você é a força maior aqui, Puppet! Por acaso viu um garotinho? Ele tem cinco anos, é bem pequenininho.

— Eva, ele está no hospital.

— O corpo dele está no hospital, Marc. O que queremos... É a alma.

— A alma?

— Sim. Quando alguém dorme, nossas almas passeiam por aí e depois voltam. Quando estamos em coma, elas passeiam e se perdem do corpo. E ás vezes nem retornam. É o que pode acontecer com o Peter.

— Isso parece loucura...

— Eu sei. Mas não é todo dia que você vê uma marionete viva na sua frente, não é?

— Bem, realmente, ver um animatronic na minha frente agindo como se tivesse vivo está fora dos padrões da realidade.

— De qualquer forma... – Eva voltou a encarar Puppet. — ... Pode me responder?

O maior balançou a cabeça negativamente.

— Ele não quer dizer? – Perguntei.

— Não é isso. Ele não viu a alma do Peter por aqui.

Lentamente, Puppet se aproximou de Eva. Não o ouvi falar nada, mas ele parecia conversar com a garota, o que foi um pouco desconfortável pra mim, já que estava um silêncio incômodo e o boneco parecia estar dando informações para a Evangeline, o que pode ser sobre o Peter, e eu não sou capaz de saber!

— Puppet disse que há alguém que pode ter visto.

— Quem?

— Golden Freddy.

— O urso dourado?

— É.

— O bicho que mordeu o Peter?!

— Olha, ele estava fazendo o trabalho dele. Foram vocês quem ferraram com a vida do garoto!

— Como sabe que nós...

— A culpa está estampada na sua cara! Além disso, eu conheço os funcionários da pizzaria. Ao ver uma ambulância saindo daqui, perguntei o que havia acontecido e me contaram tudo. O resto foi só ir ao hospital e observá-lo. Eu achei que você era um inútil que não ligava para porcaria alguma, mas ao vê-lo chorando, vi que estava realmente muito triste.

— E simplesmente resolveu me ajudar?

— O Peter é só um menino. Não merece ter um final ruim. Além disso, não é só ele quem precisa de ajuda. O Golden Freddy também está sofrendo.

— Por quê?

— É a primeira regra dos animatronics: Faça a criança sorrir e não chorar. Ou seja, não machucá-las. E o Golden não quis ferir o Peter. Os animatronics não têm controle sobre seus movimentos durante o dia, estão vivos só á noite. Por isso, naquele dia, ele mordeu a cabeça do seu irmão. Foi um acidente.

Agora parece que tudo ficou mais claro. Eu sei que a culpa foi minha, mas como eu iria saber que aquele urso iria fechar a boca?

— Apenas cumpra a sua parte. – Cruzei os braços. – Só salve o Peter.

— Certo. Puppet, pode nos levar até ele?

O boneco deu as costas e começou a caminhar lentamente, sem olhar pra trás.

— Essa tecnologia de hoje é fantástica. Parece ficção científica.

— O que?

— Estou falando do Puppet. Ele é um robô vivo! Quero dizer, não só ele. Pelo o que parece, todos os animatronics estão...

— Eles estão ‘’vivos’’ porque receberam uma alma.

— Como assim?

— Não soube dos assassinatos da pizzaria?

— Sim, mas...

— Muitas crianças foram assassinadas. Umas cinco ou seis. Foram muitas lágrimas e famílias destruídas, uma coisa bem triste. Só que, elas não foram embora. Ainda estão aqui, só que nunca mais voltarão pra casa. Suas almas foram fixadas nos bonecos porque querem encontrar o assassino. E o Puppet... – Eva encarou a marionete com uma expressão triste. — Foi a primeira vítima.

— Mas que horrível!

— É.

— E quem os matou?

— Eu não posso contar isso aqui. Eles ficam tristes e agitados. Suas almas só pensam em vingança. Eu tento acalmá-los como posso. A vida de muitos guardas de segurança noturnos foram ameaçadas por eles porque pensam que é o assassino.

— Por quê? São seguranças. Deviam proteger as pessoas.

— Deviam. Até que chegou um doente vestido de segurança que causou esse banho de sangue.

— O assassino ainda está á solta?

— Infelizmente está. Ai! – Eva estava tão distraída conversando comigo que nem viu quando Puppet parou de andar, trombando nele por acidente.

Quando olhamos pra frente, percebemos que estávamos em um salão de festas. Ainda estava escuro, mas pude ouvir alguns passos. Não eram simples passos, eram mais pesados. Não sei se foi ilusão, mas vi um par de olhos brilhantes. Ah sim! São os outros animatronics.

— Pessoal, por que vocês não acenderam a lanterna? Sabe que o escuro traz pesadelos a vocês. – Eva se afastou de mim. Como estava muito escuro, não sei para onde foram, mas não saí de perto do Puppet, que estava parado, distraído com a caixa de música que tocava em suas mãos.

De repente, vi uma luz amarelada brilhar um pouco a sala. Não era a melhor iluminação de todas, mas, com certeza era bem melhor do que aquela escuridão. Agora dava para enxergar os bichos que estavam espalhados pela sala, encarando a Eva, que descia do palco e se dirigia a um dos animatronics, o coelho arroxeado.

— Bonnie! Que saudade! Você parece bem! Cuidou dos seus amigos?

— Olá, Eva. – Ouvi a sua voz. Era robotizada.

— Ele fala? – Perguntei, esquecendo-me do perigo que posso está correndo. Os animatronics me encararam. O que me assustou não foram os olhares, e sim ao ver que eles saíam de seus lugares e se aproximavam. Eu dei passos pra trás até as minhas costas baterem na parede.

— Amigos! Hei! – Eva correu desesperadamente até mim e se colocou na minha frente. – Esse é um novo amigo. O nome dele é Marc. Vocês sabem que recebemos muito bem os nossos amigos, não é?

Eles se olharam e pareciam se acalmar, o que me fez suspirar de alívio.

— O que eles iam fazer comigo?

— Provavelmente, colocá-lo dentro de um traje.

— Um traje?

— É. E acredite em mim. Não é nada agradável. Vem, temos que pedir ajuda a eles. Atenção! – Eva pegou uma cadeira, pra mim, e depois se sentou numa mesa próxima.

— O Marc está com risco de perder o irmãozinho. Preciso falar com o Golden Freddy.

— ‘’Irmãozinho’’? Está falando do garotinho da mordida? – Perguntou o coelho, Bonnie.

— É.

— Você sabe que o Golden nunca mais foi usado depois daquilo.

— Nem sabemos onde ele está. – Disse a galinha, que tinha uma voz igualmente robotizada, só que feminina.

— E por que levaríamos esse cara até ele? Foi por causa dele que o nosso amigo está sofrendo!

— Foxy! Isso foi muito rude! Sabe que não podemos esfregar os erros na cara das pessoas! – Eva repreendeu.

O raposo só bufou e cruzou os braços.

— É agora que eu devia agradecer por me defender? – Perguntei, irônico.

— Não. Agradeça-me quando eu salvar o Peter. – Sua atenção voltou aos animatronics. – Alguém aqui sabe onde posso achar o Golden Freddy? Foxy, se você souber, diga agora!

— Eu não sei.

— Mas eu sei. – Quem disse foi o urso amarronzado que usava uma gravata borboleta e uma pequena cartola, todas pretas.

— Freddy. – A garota se aproximou do animatronic. — Onde?

— Eu posso levá-los.

— O que?! Freddy, você sabe que...

— Eu sei que o Golden não quer ser incomodado, Foxy, mas veja o desespero desse garoto.

— Você só pode está brincando...

— Fala sério. É o irmão dele e está precisando de ajuda! Você se lembra de quando nós precisávamos de ajuda?

Percebi que o raposo ficou incomodado com a pergunta. Tanto que deu até um passo pra trás.

— Tudo bem. Leve-os! Mas se ele machucar o Golden, a culpa será toda sua! – E o Foxy começou a andar.

— Pra onde você vai? – Perguntou Eva.

— Aquela câmera está enchendo a minha paciência há uma hora! Quero ver se o segurança está a fim de brincar.

E ele saiu correndo pelos corredores.

— Pobre Fritz.

— Ele vai matar o segurança? – Perguntei.

— Pretende, mas não se preocupe. O Fritz pode ser um pouco desastrado, mas não deixa de estar preparado.

— Então? – Freddy se aproximou de nós. – Vamos?

— Claro. Vá em frente.

Começamos a sair da sala de festas, mas antes eu fiquei encarando o Puppet, que estava ouvindo a caixa de música o tempo todo.

— O que você fez a ele? – Perguntei á Eva. – Olha! Parece enfeitiçado!

— O Puppet adora música. O deixa mais calmo. Além disso, eu ia jogar aquela caixinha velha fora, mas arranjei um novo dono pra ela.

— Entendi. Agora, mudando de assunto, você acha que pode salvar o Peter?

— Acredito no fundo do meu coração.

— É bom que seja otimista... Ao contrário de mim. – Abaixei a cabeça. – Ele não pode morrer, Eva.

— Ele não vai. Eu não vou deixar.

— Eu tenho medo.

— Se me permite dizer... – Freddy, que estava ouvindo tudo, começou. – Eu entendo o que sente.

— Entende?

— Claro. Afinal, tudo o que nós sentimos... É o medo. Sei disso mais do que ninguém. – E voltou a olhar pra frente.

— Não ligue. É assim que ele lida com a tristeza.

— Ele não parece triste.

— É normal um líder não querer mostrar fraqueza.

— Líder?

— Obviamente, o líder deles é o Freddy Fazbear, não? Agora, vamos nos concentrar em encontrar o Golden Freddy. Tenho uma forte sensação de que tanto o Peter quanto aquele urso dourado está precisando de ajuda.