Seguindo meu instinto - Perina
20 Olhos lindos
Notas iniciais
–É só uma tontura. Me ajuda sentar. A lutadora fez o que o namorado pediu.
–Só uma tontura? Isso acontece sempre?
–Não. Não. Acho que foi ficar sem comer muito tempo e também corri pra caramba hoje pra achar você.
–Me desculpe. Não queria preocupar você.
–Linda esta tudo bem. Já estou me sentindo melhor. Vamos comer que eu sei que você também esta com fome e só basta um querendo desmaiar aqui. Ele sorriu.
Ele realmente se sentia melhor do enjoo, mas que tudo estava bem era uma mentira. A dor forte que sentiu ainda era sentida. Tentou seguir o melhor que pode. Comeram em silencio, ele se encontrava distante, mas disfarçava o quanto podia enquanto contava uma piada e tentava ouvi lá ao máximo. Já era 6hrs da tarde, as aulas daquele período estava no fim. Namoraram. Ele escolheu um livro qualquer de poesia e recitou algumas para sua amada. Que por sua vez não gostou, poesia não era seu estilo. Ouviram musica. Contaram sobre suas infâncias. De como Bianca era a princesinha e não gostava de se sujar e de como Karina adorava jogar bola com os meninos e subir em arvores. Pedro contou de como João era um garoto divertido e alegre, de como aprontavam e deixava seus pais loucos, mas desde a separação dos pais se tornou um rapaz fechado em seu mundo virtual e também de como ficou feliz com a vinda de Tomtom, de como a protegia. Contaram de suas antigas “paixonites” de criança. O musico contou de uma ex-namorada maluca que ele teve em São Paulo, o namoro durou três dias, a garota era surtada, o perseguiu até o ultimo dia em que morou lá. Karina riu imaginando ele se esconder dela em tudo que era lugar. A lutadora revelou que foi apaixonada por Duca e que ninguém nunca descobriu, mas desde o dia que ele e sua irmã revelaram o namoro ela não se interessou mais pelo lutador. Logo os portões do colégio fechariam e com muito custo o casal saiu de sua “bate caverna”.
Gael e Bianca estavam enlouquecendo com o sumiço da lutadora. Dandara os acalmava dizendo que Pedro estava com ela e ele cuidaria bem dela. Ele avia ligado na hora do almoço e explicou que ela queria ficar sozinha, mas estaria cuidando dela. Já era sete horas quando Pedro chegou na casa deixou Karina.
–Linda vou indo falar com o seu Gael. Você pode ir lá pro meu quarto, pega uma camiseta minha e qualquer coisa que você queira vestir e toma um banho. Minha mãe deixou toalhas limpas no banheiro. Pedro deu um beijinho e saiu para casa do mestre. Gael ficou surpreso com a chegada do musico, estava desesperado, queria muito ver sua filha. Antes que ele gritasse para saber onde estava a lutadora, Pedro já foi lhe explicando tudo. Ele vez por vez tentava interromper, mas era repreendido por Bianca e Dandara, quando Pedro acabou de explicar a situação Bianca se sentiu aliviada.
–Mas isso é um absurdo.... De jeito nenhum ela vai dormir lá. Gael dizia agitado. –Vou buscar ela agora...
–Você não vai buscar coisa nenhuma. Sua namorada disse o segurando firme em seu braço. – Gael. Meu amor... Ela esta muito magoada. Você tem que dar espaço pra ela agora. Amanhã ela vai estar mais calma, com as ideias no lugar ai vocês conversam. Hoje ela dorme na minha irmã e amanhã vocês se resolvem.
–Eu concordo com a Dandara pai.
–Filha eu preciso falar com ela...
–Gael você me disse que ela esta distante e diferente. Se você continuar a pressiona lá assim, você vai distancia lá mais. É só essa noite. Amanhã vocês conversam.
–Pedro tem uma roupa pra ela e um pijama. Bianca deu lhe uma mochila. –Diz pra ela que eu amo.
–Digo sim.
–Pedro cuida dela. Disse Dandara. Pedro fez um sinal com a cabeça e saiu.
Ninguém sabia o que se passava na cabeça do mestre Gael. Do quanto ele não a deixar lutar o também o fazia mal. Ele tinha seus motivos. Além de querer ela segura outro motivo secreto o fazia deixar Karina distante daquele mundo. Era algo em seu passado que todos desconhecia até sua falecida esposa Ana. Ele queria que tudo que suas filhas sonhassem se realizasse, mas aquilo estava fora de cogitação. Suas escolhas do passado apesar de boas refletiriam em suas filhas coisas ruins.
–Gael o que foi? Você esta quieto.
–Bianca você não ia sair com o Duca? Pode ir, amanhã a Karina vem pra casa e nós conversamos todos juntos.
–Tá. Vou indo, não demoro. Bianca estranhou aquilo, mas como conversariam amanhã ela saberia o que esta acontecendo. Pegou sua bolsa e encontrou o namorado na baca da avó.
–Gael o que você esta escondendo das meninas?
–Dandara o que eu te contar agora você tem que me prometer que não contara a ninguém.
–Eu prometo, mas me conta logo. Já estou ficando nervosa. Gael respirou fundo...
Pedro chegou em sua casa entregou a mochila a Karina que estava deitada em sua cama.
–Bianca disse que tem um pijama e uma muda de roupa.
–Obrigada. E o papai?
–Ele esta muito nervoso, mas a tia Dandara ficou com ele.
–Ótimo. Ela faz bem pra ele.
–Esquentadinha eu tenho que ajudar lá no restaurante. Você fica bem por algumas horas?
–Fico sim. Pode ir tranquilo. Quando a Tomtom chega?
–A Tomtom foi dormir na casa de uma amiga, tinham que terminar um trabalho pra amanhã. Essa gosta de dormir fora.
–Que pena. Vou descansar um pouco e quando você vir agente vê um filme.
–Pedro? Filho vamos?
–Só um minuto mãe. Combinado. Que comer alguma coisa?
–Sua mãe me fez um sanduiche. Estou bem.
–Ok! Qualquer coisa tem o que comer na geladeira. Quando vir trago bolo de chocolate e alguma coisa pra comermos.
Pedro deu um beijo rápido e foi para o perfeitão ajudar seus pais. A lutadora estava deitada na cama de Pedro descansando, ouvia musica até que caiu no sono.
Do outro lado da cidade a música começou a retumbar, altíssima, nos grandes alto-falantes.
— Nosso próximo lutador dispensa apresentações, mas, como eu morro
de medo dele, vou apresentar o cara mesmo assim! Tremam nas bases, rapazes,
e fiquem de quatro, meninas! Com vocês Rafael “cachorro loco”. Disse um velho grisalho em um microfone improvisado. Rafael apareceu sem camisa do outro lado da sala, avia muitas pessoas em volta e muitos barulhos fizeram ao velo entrar. O seu oponente estava firme do lado oposto esperando um sinal para que pudesse ataca lo. O velho grisalho deu o sinal e coo dois animais começaram a luta, era golpes baixos, nada de regras. Muito dinheiro estava em jogo e Rafael sabia que se não levasse a melhor pagaria muito cara ao seu pai um ex-treinador de artes macias tailandesas.
O adversário tinha agarrado Rafael com seus braços grossos e tentava jogá-lo no chão. Quando ele se inclinou para fazer esse movimento, Rafael deu uma joelhada no rosto do jovem. Antes que ele pudesse se recuperar, Rafael o atacou repetidas vezes, os punhos cerrados socavam o rosto ensanguentado de seu adversário. O jovem caiu no chão de cimento com um som oco,
e, por um breve momento, a sala ficou totalmente em silêncio.
O velho jogou um quadrado de pano vermelho sobre o corpo caído do lutador, e a multidão explodiu. Rafael comemorou seu desempenho. O seu pai que estava em um canto de braços cruzados acenou secamente para o filho.
Karina acordou sonolenta não sabia ao certo onde estava, depois de uns minutos se lembrou de que dormiria na casa do namorado. Olhou a hora no relógio do celular quase meia noite, dormiu por algumas horas. Ouviu o chuveiro sendo desligado. A porta do banheiro foi destrancada, Karina sentiu um frio na barriga. Fingiu estar dormindo. O musico saiu do banheiro apenas com uma bermuda e uma toalha em seus ombros. Olhou a jovem lutadora dormindo em sua cama, parecia ate um anjo, passou a toalha sobre os cabelos úmidos. Trancou a porta antes de se deitar junto a sua esquentadinha que ainda fingia dormir. Delma e Marcelo estavam tão cansados que foram logo pra cama e nem se lembraram da jovem lutadora no quarto do filho. Pedro abraçou sua namorada e trouxe mais próximo, a jovem se enfiou em seu peito. O musico beijou sua cabeça e acariciou suas costas. Karina olhou o musico.
–Desculpe se te acordei.
–Não me acordou. Pedro sorriu.
–Volta a dormir então.
–Estou sem sono.
–Esta com fome?
–Só um pouquinho
–Só um pouquinho? Você? Karina sorriu.
–Estou com muita fome. Tem bolo de chocolate?
–Tem. Espera que eu vou buscar.
–Ok! Mas antes me da um beijinho.
Pedro sorriu e a trouxe para um beijo. A envolveu em seus braços. O beijo era de vagar, mas suas línguas vorazes. O beijo agora já era profundo, Karina tinha suas pernas sobre as dele. Ele segurava firme em sua cintura. O beijo era muito intenso e nem perceberam quando foi que a lutadora subiu sobre musico. Pedro acariciava suas costas e suas covinhas perfeitas e familiares. Karina se deu conta de qual longe eles estavam e separou se dele. Pedro sentiu que ela estava envergonhada se levantou e foi até a porta.
–Bolo “olhos lindos”?
–Bolo. Pedro saiu tentando organizar seus pensamentos. –Do que ele me chamou? “Olhos lindos”?
Não demorou muito ele voltou com um pedaço de bolo de chocolate e um enorme sorriso, ela desconhecia a fascinação que Pedro sentia a vela comer bolo de chocolate. Entregou o prato e sentou na expectativa da primeira mordida, que veio com o gemido de prazer que ela soltou ao sentir o gosto de cacau em sua língua, aquele arrepio correu sobre o corpo de Pedro.
–Você que um pedaço?
–O-o q-que? Não. Respondeu gaguejando.
–Esta tudo bem? Esta nervoso?
–Fico nervoso quando estou perto de você. Karina sorriu e deu um selinho no musico cabeludo.
Karina voltou a comer e os arrepios em Pedro ocorreu a cada gemido que a lutadora soltou.
–Obrigada!! Estava uma delicia.
–De nada. Agora bora dormir que é tarde.
–Preciso escovar os dentes. Ela se levantou e foi procurar sua escova na muchila que Bianca enviou. –A Bi não mandou minha escova.
–Usa a minha. Vou levar o prato e quando voltar podemos dormir. Karina arregalou os olhos pela ideia de usar a sua escova, além de achar nojenta era algo muito intimo para dividirem. Foi até ao banheiro e olhou a escova sobre a pia em um recipiente próprio. “A azul deve ser a dele” pensou ela.
–Que se dane. Disse para si mesma pegando a escova e aplicando creme dental em suas sardas. Pedro já se encontrava deitado, quando a jovem saiu do banheiro de pijama azul e dentes escovados. “essa Bianca deve ser maluca” pensou ela quando encontrou o pijama na mochila mais cedo. Karina se deitou ao lado, deu um beijinho e se aconchegou fechando os olhos.
–Boa noite Pe.
–Boa noite “Olhos lindos”. Karina sorriu com o novo apelido, mas gosta mais do “esquentadinha”.
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