Seguindo em Frente
27 Sinal
Notas iniciais
Rony tentava reconfortar Hermione do jeito que podia.
A vontade de permanecer com ela ali, dentro de um abraço que demorava mais do que já haviam dado durante todos os anos de amizade — sendo que amizade não era a palavra real que usaria para o momento -, ele acariciava a nuca dela, a deixando chorar. Poucas vezes a vira chorar com angústia e em um impacto de realidade, lembrou-se que a morena havia chorado do mesmo modo por ele um dia e isso o fez apertá-la mais junto ao peito. Que demorasse apenas cinco minutos ou uma vida inteira, Rony esperaria paciente por ela.
Os espasmos do choro foram ficando mais fracos e depois cessaram. Hermione passou a respirar mais fácil e permaneceu agarrada ao pescoço dele, seu corpo mole pelos braços do ruivo e o cheiro dele fazendo sua cabeça girar. Uma voz baixa em sua consciência disse que era errado está achando tão bom e extrapolando da boa vontade de Rony — dando um lembrete doloroso que a ação dele seria como a de qualquer pessoa que queria o seu bem — mas a outra voz gritava para aproveitar e mandar para o inferno a sua postura de boa moça, agindo sempre pela razão extrema e das pessoas ao seu redor.
Aconchegou-se mais e pode escutar o coração de Rony esmurrando no peito igualmente como o seu. Seus corpos estavam colados. Cedeu a necessidade e grudou seu nariz na curva do pescoço dele, inspirando o cheiro surpreendente de menta, sentindo-o reagir e enterrar o rosto nos seus cabelos.
A pressão em seu cintura a fez subir mais nas pontas dos pés — quando ele tinha crescido tanto? — e afastar-se um pouco, soltando sua respiração pela boca ao encostar sua testa na bochecha dele. Ainda de olhos fechados sentiu os dedos dele enxugarem o rastro das lágrimas em seu rosto, descendo as mãos até que conseguisse olhá-la nos olhos. Passariam anos e não poderiam caracterizar a desejo louco que tinham um pelo outro, mas um desejo diferente e que não pensavam ter amadurecido em um curto espaço de tempo.
— Eu...
— Sei que quer — Rony murmurou, notando a dúvida que a garota tinha sobre o certo e o errado, ou se não estava segura o suficiente que ele queria também... seria melhor ainda sendo que não haviam brigado antes.
Seus lábios roçaram em uma lentidão torturante, a mistura de suas respirações ofegantes batiam nas faces deles e quando o beijo aconteceu — meio desesperado -, os dentes se bateram, fazendo-os rir na boca um do outro. Iniciado desengonçado, Rony liderou o ato e puxou o lábio inferior de Hermione, ficando mais motivado quando ela correspondeu e o puxou pela nuca, buscando cheia de fome os lábios do ruivo. Resfolegou, empurrando-a para a parede e usou sua língua, enlouquecendo ao sentir a ajuda dela.
Viu-se comparando com os beijos de Lorena... e desviou esse pensamento.
Hermione colocava os dela do chão, fora o sentimento que não era o mesmo e nem mútuo.
A sala ficou quente e uma hora eles precisavam respirar. Maldita necessidade natural.
A visão que tinham, de lábios inchados e vermelhos, foi o estopim para que sentissem as fazes ruborizarem. Mas o sentimento de arrependimento não veio e sim o contentamento após semanas sem aquele contato — o que tinham descoberto
Se afastaram, Rony mexendo nos cabelos já desarrumados por Hermione e ela sentindo a boca ainda formigar. A morena bloqueou a vontade de mais e escondeu o rosto entre as mãos, lembrando do mundo lá fora e do braço que ardia sobre o pedaço de pano colocado irregular. Desviou o olhar para qualquer ponto e lutou para pensar em alguma coisa.
— Droga! — murmurou, subitamente mal-humorada. — A gente tem que parar com isso.
Rony a encarou.
— Isso? — repetiu. — Você só pensou no suposto lado errado? Que tal pensar no lado de que você queria, que eu queria e que aconteceu?
— Mas não devia! Eu tenho namorado!
— Namorado — ele bufou. — Por que ainda continua insistindo nisso?
— Isso não te interessa e não mude o foco da conversa! — a morena lembrou, sacudindo a mão. — O que teve aqui não vai acontecer de novo.
— Por que você não quer ou por que não pode?
Porque não posso, quis responder. A aproximação dele a deixou nervosa e sucumbir de novo não dava.
— Estamos em local de trabalho — retrucou, empurrando-o e caminhando para a porta.
Rony sorriu, tocando os lábios.
***
Harry desviou no furação chamado Hermione Granger assim que ergueu a mão para bater na porta da sala em que Peter a levou. Foi para trás, piscando de surpresa quando ela fechou os olhos e deu um gritinho baixo, batendo o pé como as garotas de filmes romanticamente clichês. Hermione fazendo aquilo? Se bem conhecia ela, só tinha uma pessoa que a tirava do sério daquele jeito.
— Aproveitou bastante? — indagou, olhando para Rony que saía da sala com um sorriso enorme e totalmente desarrumado.
— Mesmo não sendo da sua conta... — murmurou, acompanhando-o pelo corredor do ministério. — Sim, aproveitei.
— Só espero que saiba o que está fazendo. Se você machucar a Hermione de novo eu te dou um soco.
— Estou morrendo de medo, Potter.
Mas Harry não o escutava mais. O moreno o deu um olhar de falo-com-você-depois e o puxou para uma sala. Kingsley estava de costas e de braços cruzados, olhando para além do feitiço que impossibilitava que os prisioneiros temporários que ficavam no ministério de os verem. A bruxa desconhecida sacudia as grades de ferro altamente enfeitiçadas, os cabelos cacheados bagunçados e berrando palavras desconhecidas — o que depois de um tempo e do olhar cortante do único olho amostra eles tinha a suposição de serem xingamentos.
A gargalhada dela trovejou no mesmo momento que a porta foi reaberta e um funcionário — o que fora mandando para Hogwarts, afim de saber do que se tratava o assunto que Minerva falara antes da captura — informando que mais uma invasão estava acontecendo. Harry cruzou o olhar com Rony e correram para fora, cruzando o saguão até as lareiras e encontrando-se já com um grupo ali. Como o de costume, eles puxaram a mão de Hermione, com certeza ela já sabia do endereço.
Rodopiaram, apertaram as mãos e logo após estavam em um lugar estranho.
— Onde estamos?
— Bristol — arfou Hermione, a varinha em punho. Uma explosão.
O grupo — composto deles três, Neville, Luna, Gina e Peter — adiantaram-se na rua, seguindo os gritos e barulhos de desmoronamento. A casa térrea de cor amarela e de jardim grande estava com o teto parcialmente destruído.
Gina e Neville dividiram-se nas duas extremidades da casa, suas varinhas brilhando feitiços silenciadores e ilusórios, tentando aquietar os outros moradores curiosos que abriam as portas pra ver o motivo do estardalhaço. Lembravam de coisas que tinham que fazer e entravam afobados, como se qualquer coisa dependesse de suas vidas.
Dentro da casa os outros corriam pelos corredores, cada um entrando nos quartos.
Gritos e choros ficaram mais altos.
— Por favor! — pediu alguém, e eles pararam nos movimentos, andando devagar até encontrarem uma porta extensa. O chão de madeira, a parede de frente e as outras duas de lado cobertas de espelhos refletiu e multiplicou a sombra coberta por uma capa. O invasor segurava uma menina que se debatia em desespero enquanto gargalhava maldosa, o som abafado pela máscara que usava.
Uma sala de balé.
Peter pediu silêncio com um dedo cobrindo a boca e sinalizou para se separarem.
Rony entrou primeiro, levantando a varinha na direção da sombra. Ela parou em seu ato de lançar um feitiço na mãe da menina logo a frente do ruivo e tê-lo ali pareceu atiçar mais seu humor negro. Rony encarava — por cima da máscara — o rosto da pessoa. A capa era igual a da capturada, mas os cabelos rebeldes que escapavam do capuz eram brancos. O corpo esguio revelou ser uma mulher também, mas ela tinha força o bastante para segurar uma criança.
Não tinham janelas no enorme ambiente, mas ele cogitou a ideia dos outros estarem agindo por trás da casa naquele mesmo instante.
O treinamento para auror lhe fez relaxar o aperto em sua arma — minimamente, sem ficar vulnerável.
Distrair em melhor das hipóteses para um plano de fora dar certo.
— Não sei para quem trabalha — falou, auditivamente. — Mas as crianças não tem culpa de nada!
— Tem sim! — o outro rugiu, atirando um feitiço na direção do ruivo. Rony bloqueou, agarrando a mulher desesperada jogada no chão que assistia tudo e colocando-a atrás de si.
O barulho das paredes ruindo começou fraco, depois a explosão de concreto os assaltou, subindo uma fumaça marrom e pedaços de tijolos para todos os lados. Nesse meio tempo, o céu escureceu e as gotas de chuva causadas pelo clima da cidade deram seu sinal.
O teto foi a baixo de uma vez e a aura negra que circulou a bruxa e a menina as fizeram saltar para o alto.
— Será realizado... o que foi premeditado... — o sussurro horripilante soou para a noite chuva, congelando os aurores de pé sobre os escombros pararem para escutar.
A missão fora um fracasso e fitaram a mulher desolada que Gina e Hermione tentavam erguer.
Estavam molhados e cansados, mas aquilo não tinha terminado. Mais uma criança levada, dessa vez de baixo de seus narizes incompetentes e idiotas. Voltariam para o ministério.
E sobre a água forte que caía sobre eles, encharcando seus corpos na imaginária tentativa de lavar a podridão do caso, fitaram-se na mesma hora, dispostos a dá um basta final naquilo.
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