Seguindo em Frente

5 Decisão Repentina


Notas iniciais
Eu sei, demorei muitíssimo. Mas eu estou em semana de últimas provas e fora meu humor que vai de alegria a estresse, já que eu estou esperando a lista de aprovados para uma escola profissionalizante. Bom, desculpas dadas, aproveitem um dos capítulos que eu menos gostei de fazer. Música: Wake Me Up - Avicii

Rony releu a carta pela milésima vez desde que a tinha recebido e ainda não sabia como teve tal sorte. Estava sentado na cama de armar de seu quarto e repassava a lista que tinha feito mentalmente de prós e contras.

Prós: tinha a chance de conhecer um país diferente.

Certo, não era a primeiro lugar de diferente que conheceria já que viajara aos treze anos para o Egito, mas mesmo assim, seria uma experiência fantástica.

Contra: sua família.

Já tinha falado com os pais, mas, ao tocar no assunto da provável ida dele para outro país, pôde ver nos olhos da mãe o medo da perda de outro filho. Mas, pensou ele, a mãe não deveria esperar que ele ficasse para sempre debaixo de suas asas, sem seguir sua vida, aprendendo a fazer suas escolhas sozinho. Completaria dezoito anos em pouco tempo e teria que que se virar sozinho. Sem falar na reação do pai que, depois de ficar sem fala, o encorajou a fazer o que seria de melhor para ele e seu futuro.

Sentindo meu caminho em meio à escuridão

Guiado pela batida de um coração

Não sei dizer onde a jornada vai acabar

Mas sei onde começa

Prós: quem sabe poderia aprender uma língua nova.

Aquela era um dos prós que ele tinha colocado na lista que menos fazia sentido. E o mais importante.

Contra: Hermione.

Não tinha falado com ela sobre um certo assunto desde que tinham chegado na Toca a uma semana. Toda vez que tomava coragem, alguma coisa acontecia e desistia. Sabia que não era uma atitude de um grifinório, mas não podia evitar que o medo borbulhasse toda vez que fitava aqueles olhos castanhos.

E se o seu sentimento não fosse recíproco? O que faria depois, abaixasse a cabeça e fingisse que não tinha sentido nada com o beijo roubado que a garota lhe deu? Afinal, aquele ato dela também o confundia. Será que Hermione tinha o beijado por pena? Talvez desconfiava que ele gostasse dela e, pelo menos uma vez, Rony pudesse sentir o gosto se sua boca?

Dizem que sou muito jovem para entender

Dizem que estou preso em um sonho

Bem, a vida vai passar por mim se eu não abrir os olhos

Bem, tudo bem por mim

As dúvidas o torturavam e Rony bufou, as ideias se ajustando na cabeça. Respirou fundo e sim, era o melhor a se fazer. Alevantou-se da cama, fazendo-a ranger e dobrou a carta, guardando de volta na gaveta.

A casa estava um pouco silenciosa, Jorge estava arrumando algumas coisas na loja de Logros e Gui tinha voltado para o Chalé das Conchas. Harry tinha ido conversar com Kingsley e Gina ficara para ajudar a mãe no preparo do almoço. Só não tinha visto uma pessoa desde o café da manhã.

Desceu as escadas e a viu, deitada no sofá, em sono profundo, um dos braços caído no chão formando um arco. Balançou a cabeça e seguiu para a cozinha vazia. Olhou pela janela e viu a mãe e a irmã colhendo algumas ervas do lado de fora. Um gemido tirou sua atenção e viu Hermione de cenho franzido, mexendo a cabeça em negativo, o sono já agitado.

Estava outra vez na sala escura, parecia um filme de terror. Não sabia como estava ali de novo, mas sabia que sairia bem. Um vento frio entrou por uma janela que não tinha visto, fazendo-a ficar arrepiada de medo. Não via os Malfoy por perto, apenas Belatriz que gargalhava e rodopiava com sua varinha em punho. Seu peito afundou quando, no meio do salão, viu seus pais amarrados. O que estariam fazendo ali? Tentou mexer os braços mas não houve resultado já que estava amarrada com grossas cordas à uma cadeira. O pânico fluiu por seu corpo ao escultar Belatriz amaldiçoando seus pais. Os gritos deles a invadiam como uma dor física e Hermione se debatia, gritando e implorando para que Belatriz parasse, mas sua voz não saía e se viu cansada em poucos minutos de tentativa.

Rony se aproximou de Hermione, vendo o suor escorrer por sua testa.

— Pára, pára já com isso! — Hermione gritou e sentou rápido. A respiração acelerada, o coração batendo mais forte contra o peito.

— Pesadelo? — disse uma voz. Olhou para cima e viu Rony. Ele sentou ao seu lado e Hermione assentiu. Passou a mão na testa e notou o quanto soava.

— Quer falar sobre isso? — Rony tentou mais uma vez. Hermione negou. Se fosse falar o que tinha sonhado, acabaria em lágrimas e a última coisa que queria era passar vergonha chorando na frente do ruivo.

Rony, sem saber o por que, segurou a mão dela e entrelaçou os dedos dos dois. Hermione ficou surpresa mas não o repeliu. Não podia explicar a quentura gostosa que sentiu. Quando sua respiração foi ficando normal, descansou a cabeça no ombro dele e tentou não pensar nos perigos que os pais ainda corriam sem a memória verdadeira.

Então, acorde-me quando tudo estiver acabado

Quando eu for mais sábio e mais velho

Todo esse tempo eu estava procurando por mim mesmo

E não sabia que eu estava perdido

***

Depois do almoço, ao voltar para o quarto, Hermione recebeu uma carta de Kingsley, pedindo para visitá-lo. Seu coração deu um pulo e disse a se mesma para não criar muitas expectativas se o assunto fosse a procura de seus pais. Não queria se machucar mais se a reversão do feitiço da memória fosse impossível ou, pior, se visse que seus pais estivessem bem sem ela.

Tomou um longo banho, vestiu-se e, após avisar aonde iria a Sra. Weasley, entrou na lareira e caminhou para a sala de Kingsley que tinha sido nomeado Ministro da Magia depois da guerra. Bateu levemente na porta e escutou um breve "entre" do lado de dentro.

— Desculpe atrapalhar, ministro - Hermione entrou e fechou a porta. Caminhou até a mesa de Kingsley e viu ela abarrotada de pergaminhos.

— Ah, não tem problema. Vamos, sente-se — a voz forte dele ordenou.

— Bom, ministro, de acordo do que estava escrito na carta, o assunto é sobre meus pais — Hermione sentou-se e foi logo ao ponto. Queria acabar logo com aquilo.

— Sim, é. Como sabe, Harry veio falar comigo hoje um pouco mais cedo — a garota assentiu. — E, fora os outros assuntos que tratamos, ele comentou o caso em que a senhorita se encontra em relação ao seus pais.

Hermione fez uma nota mental em agradecer ao amigo. Sorriu e concordou.

— Isso mesmo, como deve saber, quando decide ajudar o Harry na busca das horcruxes eu tive que alterar as memórias deles. Agora, eu acho, estão em algum lugar da Austrália — engoliu em seco. Lembrar era doloroso. Kingsley assentiu e juntou as mãos, deitando os cotovelos sobre a mesa e olhando para Hermione.

— Bom, não queremos que eles fiquem sem saber o que realmente aconteceu, certo? — ele riu. — Vamos disponibilizar a ajudar de dois aurores para procurarem seus pais. Está tudo uma correria já que estamos aos poucos voltando a normalidade no mundo bruxo — ele falava de cabeça baixa, mexendo nos pergaminhos enquanto Hermione sorria e tentava seguir o raciocínio dele e não ficar muito empolgada. Por fim, pegou o pergaminho que procurava e ergueu a cabeça, entregando a ela. — Aqui estão os aurores que a ajudarão.

Hermione pegou o pergaminho e, após milhões de agradecimentos a Kingsley, quase saiu correndo de volta as lareiras. Entrou na primeira que viu e em segundos, estava na sala dos Weasley. Todos estavam reunidos na cozinha e pode escultar vozes alteradas. Achou estranho e caminhou até o local em tempo de ver Rony saindo pela porta com uma mochila enorme nas costas.

Então, acorde-me quando tudo estiver acabado

Quando eu for mais sábio e mais velho

Todo esse tempo eu estava procurando por mim mesmo

E não sabia que estava perdido (2x)

— O que aconteceu? — perguntou mas ninguém respondeu.

— Gina, o que houve? — indagou de novo mas a ruiva apenas olhou para a mãe pedindo ajuda. Hermione virou-se para Harry em um pedido silencioso. E de novo o medo do desconhecido a invadiu e seus olhos lagrimaram sem saber de nada.

— Querida, o Rony não comentou nada com você? — Molly se aproximou. Hermione negou e olhou para a porta. Rony estava caminhando já perto do portão. Ela correu mesmo sentindo a mão de Gina em seu braço tentando segurá-la. A repeliu e continuou seu caminho.

— Hermione, espera! — Gina gritou mas Harry a impediu de seguir a amiga.

— Não, Gina. Ela precisa saber — disse sério e a ruiva parou sem poder evitar o que aconteceria.

Hermione corria sem fôlego. Alcançou o ruivo já na cancelinha do jardim.

— Hey, Rony, para onde você pensa que vai? — ela o puxou pelo braço, fazendo com que ele se virasse para olhá-la. Uma estranha corrente elétrica foi sentida por ambos.

— Para o Brasil — Rony forçou a voz ficar a mais natural possível quando viu quem era.

— O quê? Para quê? Por quê? — a garota arregalou os olhos. Que história era aquela? Rony soltou o ar e ajeitou a mochila nas costas que começava a incomodar por causa do peso.

— Recebi uma carta do Brasil oferecendo uma vaga para trabalhar como auror lá. Não poderia recusar.

— Isso é... maravilhoso mas, Rony, no Brasil? — gaguejou. — Eu não sabia disso. Quando recebeu essa carta?

— Recebi na noite em que voltamos de Hogwarts.

— A uma semana — sussurrou para si mesma, o olhar baixo. Ergueu a cabeça e o olhou. — E todos sabiam, menos eu? E quando pensava em me contar?

— Achei que não precisava te incomodar com assuntos meus — seu olhar estava frio.

Tentei carregar o peso do mundo

Mas só tenho duas mãos

Espero ter a chance de viajar o mundo

Mas não tenho nenhum plano

Gostaria de permanecer jovem assim para sempre

Sem medo de fechar os meus olhos

A vida é um jogo feito para todos

E o amor é um prêmio

— Pensei que fossemos... — a garota desejava dizer outra palavra — Amigos...

— Isso mesmoHermione, amigos — Rony disse entredentes. — Por isso achei que iria querer o melhor para mim.

— Mas eu quero! Tanto, que te peço que fique! — os olhos começavam a arder. — Por favor, pelo o que existe entre nós... — Hermione abaixou a voz.

— E o que existe entre nós? — Rony a encarou.

A morena não disse nada, encarando os olhos azuis de Rony. Ele tinha uma mistura de sentimentos neles.

— Já decidi e vou até o fim agora — decidiu.

— Mas isso não quer dizer que você não vai mais voltar, certo? — a morena deu um passo adiante em expectativa.

— Eu não sei — Rony ficou de costas sem coragem de encará-la.

— Então, até logo.

Hermione esperou a resposta. Nada. Deixou os braços caírem ao lado de seu corpo, pesadamente.

Eu não sabia que eu estava perdido

Eu não sabia que eu estava perdido

Eu não sabia que estava perdido

— Vamos, Rony! Eu digo até logo e você também! — o rosto dela já estava banhado de lágrimas.

Ainda de costas, Rony declarou:

— Adeus, Hermione.

E aparatou, fazendo com que um pouco de terra se agitasse do chão.

Notas finais
Eu sei, eu sei, estou chorando também, mas quem mandou eu ser tão ruim? Tá, parei. Booommm, gostei sabia? Agradeço muito a primeira pessoa que comentou a fic. Garota, você lacrou com meu dia. Te amo muito! Come on, gente! Comente, por favor! Até a próxima!