Segredos desse amor - Las Amazonas.
3 Capítulo 3 - O que ela tem?
As horas se passaram, os primeiros raios de sol já se faziam presente no quarto de Victoriano e Inês.
Ela ainda dormia, as duas dormiam tranquilas, confiavam e sentiam a proteção dele. O cheiro, os toques e o amor traziam paz.
Victoriano mal havia dormido, estava cansado, mas ele não cansava de olhar a mulher ali, tão tranquila junto com a sua pequena princesa. Eram, sem dúvidas, as luzes da vida dele.
Ele suspirou e tirou a filha que dormia em seu peitoral com cuidado, colocou ela aninhada a Inês e levantou com cuidado, pegou o robe e vestiu saindo do quarto.
Ele queria e precisava falar com Marília, estava atordoado, a cabeça estava a mil e suspirou pensativo, não sabia os temores de Inês, não sabia de muitas coisas, mas queria ajudar. Estava disposto a ajudar e dar todo seu amor, todo seu apoio a mulher.
Lhe doía, doía na alma por ver Inês sofrer, eram anos já daquela forma e ele não entendia, muitas vezes se isolava e bebia, queria entender de onde vinha aquilo tudo, mas a respeitava. Respeitava o tempo dela, as vontades e verdades de Inês.
Victoriano deu mais alguns passos pelo corredor e parou em frente a porta do quarto do filho, tocou a grande porta de madeira e suspirou com amor. Amava tanto a família, era capaz de morrer e matar por eles. Abriu a porta aos poucos e sorriu ao ver o seu menino já acordado.
— Bom dia, filho.
Victor sorriu ainda sonolento e olhou o pai, seu maior exemplo.
— Bom dia, coroa, entra aí...
— O que faz acordado tão cedo, Victor? Sei que suas aulas só começam às nove e meia, filho.
— Eu perdi o sono, ouvi o grito da mamãe... – falou sem jeito, mas queria falar com o pai, a cima de tudo eram amigos.
— Ela teve mais um daqueles pesadelos, acordou atordoada mais uma vez, isso me preocupa, Victor. – olhou seu menino que já era um homem e soltou um suspiro pesado. – Me deixa maluco, porque eu anseio em ajudar ela, mas ela não quer ajuda.
— Pai, eu entendo que não aceite essa negação da mamãe em questão a ajuda, mas respeite, ela tem os motivos dela... Respeite o tempo e as necessidades dela, eu sei que é complicado, mas tente ser tolerante.
— Meu filho, eu tento e como tento, mas me dói tanto ver a sua mãe daquele jeito, eu hoje vou falar com sua avó, ela deve saber como me ajudar. – Victoriano disse sem tirar o olhar dele, como seu garoto tinha crescido, já era um homem.
— Converse sim, ela deve saber te aconselhar melhor do que eu, ela conhece a mamãe melhor e talvez até saiba o que está acontecendo.
— Você me ajudou muito, garoto... Já é um homem, Victor, meu garotinho cresceu. – sorriu cheio de orgulho.
— Cresci sim, pai. – se esticou na cama. – Meu carro tá na revisão, me empresta a caminhonete?
— Pega o da sua mãe, hoje vou precisar da caminhonete o dia inteiro.
— A mamãe não me deixa tocar no carro, sabe disso, ela é doente de ciúmes pelo carro.
— Ela vai deixar, meu filho, pode ficar tranquilo.
(...)
Marília já estava pronta e esperava o marido, quase todos os dias eram daquela forma, ela ia pra casa de Inês e cuidava da neta.
Além de mãe, era amiga e confidente da filha, seu maior apoio vinha de Inês e todas suas forças eram da sua menina.
Ela caminhou até uma das janelas da casa e suspirou, fechando os olhos e sentindo a brisa fresca bater em seu rosto e contornar os belos traços que nem o tempo foi capaz de modificar.
Rodrigo desceu as escadas silenciosamente, sorriu ao ver ela ali, continuava tão bela quanto antes.
Ele se aproximou com cuidado, cheirou levemente o ombro dela e envolveu os braços na cintura dela, colocando o queixo apoiado no ombro de Marília.
— Bom dia, meu amor. – falou no ouvido dela, enquanto distribuía alguns beijos no pescoço da mulher.
— Hum... Bom dia! – sorriu e acariciou o braço dele, colando seu corpo ainda mais ao do marido.
— Acordou cedo demais hoje, Marília, isso te cansa, mulher. – disse cuidadoso.
— Eu não consegui dormir, tive um pesadelo e perdi o sono, amor, não foi nada demais.
— Porque não me acordou? Deveria ter me acordado, Marília! – a voz saiu suave, mas cheia de cobrança.
— Não briga comigo, Rodrigo! Você estava cansado, estava agarrado em mim e eu tive pena de te acordar, mas você não me entende mais.
— Quem disse isso? Eu te entendo! Mas as vezes eu me calo, ou não dou algumas respostas para não te deixar triste, porque você é frágil como uma flor, só isso. – virou ela com cuidado e se perdeu no belo par de olhos verdes dela. – Eu só quero a minha garota, a minha mulher bem, só isso!
— Estou bem, muito bem e cheia de dores, você ontem pegou pesado comigo, eu não sou mais tão elástica quanto antes, meu amor. – espalmou as mãos no peitoral dele e deu um meio sorriso.
— Pode não ser mais tão elástica, mas continua perfeita. – beijou os lábios dela levemente. – Vamos?
— Vamos... – roubou mais um beijo e sai da casa com ele.
(...)
Inês havia acordado confusa, mas aos poucos se acalmou, agora andava pelo quarto com a menina nos braços, enquanto cantarolava baixinho uma canção.
Beijou a testa dela com carinho, segurou ela melhor e vestiu o robe. Clara resmungou sonolenta nos braços dela.
— Acorda, filha... – passou a mão no rosto dela.
— Maizi cinco minutos, mamãe. – falou com o dedo na boca.
— A vovó já está chegando e ela vai trazer o seu avô hoje, não vai querer ir passear com ele de carro?
Clara coçou os olhinhos e os abriu com dificuldade, a claridade incomodava os pequenos olhos claros.
— Vovô... – sorriu olhando ela. – Bum dia, mamãe.
— Bom dia, preguiçosinha. – tirou o dedo dela da boca. – Nada de dedo na boca, Clarinha. – caminhou até a porta.
— Pega meu oinc, mamãe, não quece dele... – pediu olhando ela.
— Seu oinc... – voltou até a cama e pegou o ursinho, Clara pegou o bichinho e agarrou cochilando novamente.
— Você tá cansadinha mesmo, meu amor... – saiu com ela do quarto, estava atrás do marido e não achava ele em lugar nenhum. – Victoriano?
— Senhora, o patrão está com sua mãe no escritório. – Jacinta falou com o olhar fixo em Inês. – Disse que não queria ser interrompido, mas seu pai está na cozinha.
— Obrigada, Jacinta! – disse pensativa e foi até a cozinha, sorriu como uma garotinha feliz ao ver o pai ali e se aproximou dele. – Pensei que não gostasse mais de ver a sua princesa, papai.
— Minha princesa... – deixou a xícara de café sob o balcão e abraçou a filha, cheirou e apertou Inês com cuidado.
— Vai acordar ela, pai. – falou calma sentindo aquele cheirinho que só ele tinha.
— Desculpa, pequena. – soltou a filha e beijou a testa da neta.
— Sabe o que Victoriano quer com a mamãe? — olhou o pai com atenção, estava curiosa.
— Inês, não seja curiosa, filha!
— Mas papai, não é curiosidade. – falou emburrada.
— Espere, deixe que eles conversem.
No escritório, Victoriano estava ao lado da sogra, segurava as mãos dela e olhava Marília nos olhos.
Queria a verdade, queria conselhos, se sentia perdido com tudo o que vinha acontecendo e precisava da ajuda dela.
— Victoriano, está me preocupando, o que você quer? Aconteceu alguma coisa que eu não sei?
— Não, bom... Eu não sei, mas eu quero sua ajuda, quero que me diga a verdade!
Ela engoliu a seco e suspirou.
— Que verdade, meu filho? O que quer eu te fale?
— O que está acontecendo com a Inês? O que ela tem? Eu vi que ela te ligou de madrugada, Marília! Eu estou perdido, estou confuso porque não sei como ajudar minha mulher, é algo desesperador. – apertou as mãos dela, ela acariciou as mãos dele. – Eu só quero sua ajuda, se souber o que ela tem me diz, fala pra mim
— Ah, meu menino... – suspirou olhando ele. – Sua esposa está cansada, minha menina precisa relaxar, Victoriano! Ela já não pensa bem, está estressada, são dois filhos, uma casa, uma empresa e um matrimônio para cuidar.
— Estressada? Acha que estou sobrecarregando ela, Marília?
— Não, eu não quis dizer isso, eu só disse que você precisa entender que Inês não é de ferro, ela cansa, ela se irrita, sabe que ela guarda tudo para si e chora em silêncio, tente falar com ela, converse calmamente, saiam para jantar.
Ela acariciou as mãos dele e trouxe Victoriano para um abraço, havia cuidado dele quando era pequeno, se sentia mãe dele também.
— Com calma vocês se resolvem, Victoriano, fique calmo que a Inês é maluca por você.
— E eu sou doido por ela, Marília... Vou dar um jeito nisso, eu prometo!
DIAS DEPOIS...
As horas correram e logo os dias se passaram, uma nova semana tinha início e lá estava ela, mas uma vez de volta ao trabalho. Os pesadelos pareciam ter tido um fim e agora, as noites de sono eram tranquilas.
Ela estava sorridente, havia feito amor com o marido a noite inteira e aquilo tinha lhe dado uma confiança maior, mais sorrisos e o dia havia começado maravilhosamente bem.
Inês estava em sua sala, em meio a uma pilha de papéis, lia e relia inúmeras vezes na tentativa de enxergar algo errado nas cláusulas de alguns dos contratos que estavam ali em sua mesa, mas tudo parou ao ver uma movimentação estranha no corredor da sua sala.
Ela levantou e caminhou a porta, quando finalmente girou a maçaneta se deteve ao ouvir uma voz. Aquela voz que lhe trazia dor, ódio e rancor. Uma dor guardada por anos, suas pernas falharam o corpo tremeu e ela chorou.
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