Notas iniciais
Voltei :D Só para dizer que o título NÃO é o que ele parece... Enfim, espero que gostem. Vejo vocês lá embaixo.

— Vocês deveriam se envergonhar! Dormir em uma cozinha! Isto é ultrajante. Você tem sorte de eu não chamar seus pais, mocinho. – Fada Madrinha dirigiu esta última frase a Herkie, que estava vermelho igual a um tomate. Heather não estava muito melhor. Claro, tente ter uma adulta na faixa dos 40 anos gritando com você por DORMIR involuntariamente em uma cozinha. (N.A.: Esse não é o ponto Heather. ¬¬). – Então, o que tem a dizer em suas defesas? O que faziam dormindo na cozinha?

— Não vou mentir diretora. – Começou Heather. – Eu estava sem sono, e fiquei com fome. Fui à cozinha para arranjar algo para comer. Herkie estava na mesma situação, e acabamos fazendo nossa refeição juntos. Em meio a conversas, acabamos ficando exaustos e dormindo sem perceber.

— Certo. Isto é verdade Herkie? – Indagou a diretora ao rapaz, ignorando a expressão ofendida de Heath.

— Sim diretora. Estava com insônia, e decidi comer algo para ver se conseguiria ter sono. Encontrei Heather lá e acabamos distraindo um ao outro. – Confirmou ele.

— Muito bem. No entanto, não posso deixar isso impune. Detenção pelos próximos três dias, e me entregarão um relatório sobre os motivos para não se dormir em uma cozinha, ou qualquer lugar que não seja um quarto. Começando hoje. Dispensados. – Ela sinalizou para que os dois saíssem do escritório dela.

Eles saíram juntos do escritório da diretora, para receber os olhares de todos os estudantes da escola. Alguns começaram a murmurar entre si, outros lançaram uns sorrisinhos para eles. E havia os VK Haters, que olhavam com uma expressão de desprezo.

— E agora? – Cochichou Herkie.

— Agora, aja normalmente. Quem perguntar, diga a verdade. – Respondeu Heather, no mesmo volume.

— Quem diria? Uma VK dizendo a verdade... Ok. – Ele implicou, sorrindo.

— Eu sou cheia de surpresas. – Retrucou ela, sorrindo de volta.

Heather fez como havia dito para Herkie. Caminhou normalmente para seu armário, e pegou seu material para a próxima aula. Andando pelo corredor, ela viu um grupo de estudantes a encarando. Ela suspirou, e se virou para respondê-los.

— Tira uma foto. Vai durar mais. – Disse, sarcasticamente.

Ela só não esperava que os estudantes fossem pegar os celulares e realmente tentar tirar foto. Antes que pudessem acionar as câmeras, Heather confiscou todos os aparelhos e ameaçou de quebra-los.

— Vocês, Auradonianos, não conhecem sarcasmo não? Deixem-me em paz. – Disse ela, largando os celulares no chão.

— Ok pessoal. Vamos parar de atormentar os alunos, por favor? Obrigada. – Interviu Evie. – Certo Heath. Vamos conversar um pouco, que tal?

— Foi mal Evie, tenho aula agora. – Respondeu ela, secamente.

— Que bom que somos da mesma sala, então. – Afirmou ela, sorrindo. – Vamos.

— Nós somos? Não vi nenhum de vocês lá. – Ela confessou, surpresa.

— Isso porque você não olha para cima. Eu sento à sua frente. Herkie senta à sua esquerda, Carlos e Jay sentam atrás e Mal se senta à direita. – Evie esclareceu, rindo levemente. — Agora me diga: o que aconteceu na cozinha entre você e Herkie?

— Não aconteceu nada. – Ela declarou, exasperada. — Eu fui arrumar comida, ele também. Nos distraímos e pegamos no sono. Simples assim. Acredita quem quiser.

— Está bem. Acredito. – Disse Evie, erguendo as mãos em sinal de rendição. – Mas não foi isso que eu vim falar com você.

— Você veio mesmo falar comigo? Achei que havia me encontrado por acaso. – Ela murmurou, fitando o chão.

— Não, eu realmente precisava falar com você. – Evie estendeu a mão para Heather. – O que acha de deixar o passado para trás? O que aconteceu na Ilha, fica na Ilha?

— Quer dizer... Esquecer tudo e tentarmos uma amizade novamente? – Heather arqueou a sobrancelha.

— Sim. Até porque nossos amigos estão se tornando seus amigos, e iria ficar chato ter esse clima estranho. – Ela observou, sorrindo.

— Evie... – Heather hesitou, pensando um pouco. – Ah, está certo. Passado é passado. – Afirmou ela, apertando a mão de Evie. – Mas e quanto a Mal? Ela pensa assim também?

— Pensa, mas é orgulhosa. Você sabe. E ela quer “garantir que você é confiável”. – Ela ressaltou, revirando os olhos. — Mas, apesar de tudo pelo que nós passamos juntos, você nunca nos apunhalou pelas costas.

— E ela sabe. – Heath completou, sorrindo. — Tudo bem. No lugar dela, faria o mesmo. Tranquilo, agora vamos ou vamos nos atrasar.

----- // -----

— Então? O que a “Mais Bela de Todas” queria com você? – Indagou Hadie, sentando-se ao lado de Heather embaixo da árvore.

— Assuntos pessoais Hadie. – Heath respondeu impacientemente. — O que você precisa?

— Ué, não posso querer passar um tempo com a minha maninha? – Indagou ele, com um sorriso.

Heather arqueou a sobrancelha em direção a ele.

— Está bem, vim saber da fofoca do momento. Você e Herkie hein... – Hadie implicou.

— Não foi nada demais. – Novamente, Heather se viu esclarecendo algo óbvio. (A.N.: Para você, Heath). — Passamos um momento AMIGÁVEL na cozinha, e pegamos no sono, só isso.

— Aham, sei... Se você diz... – Ele cedeu, sorrindo em seguida. — Mas é bom ver que está considerando o que eu lhe falei ontem.

— Hã? Ah, sim. Claro. – Ela concordou rapidamente, sem se recordar do pedido de Hade. — Agora, eu posso voltar a fazer o que estava fazendo?

— Mas é claro. Que seria... – Ele ponderou.

— Olhar as nuvens... – Suspirou ela, começando a perder a paciência.

— Você até que é paciente, considerando de quem você é filha... – Hadie ressaltou.

— Shhhh. Eu sei. – Ela o cortou. — Não precisa espalhar isso por toda Auradon.

— Ok, vou deixar você sozinha. – Disse ele, se levantando. – Até porque eu vou tentar achar a minha alma gêmea.

— Boa sorte. – Ela desejou. — Me diga depois quem é.

Depois que Hadie partiu, Heather conseguiu relaxar por mais cinco minutos. Ela sentiu uma presença ao lado dela, e não precisou olhar para o lado para saber quem era.

— Você não tem outros amigos? – Questionou ela. – As pessoas vão começar a fofocar.

— Prefiro conversar com você. – Ele devolveu, provocando. — E desde quando você liga?

— Não ligo. Mas elas me atormentam. – Ela bufou, segurando a ponte do nariz. — Eu deveria espalhar cartazes. Uma garota quase me bateu enquanto eu vinha para cá. Quase porque eu ameacei manda-la à enfermaria.

A reação de Herkie foi totalmente inesperada para Heather. Ele começou a rir. E não um riso forçado, mas uma gargalhada sincera. Por pouco ela não conteve o sorriso que veio em seus lábios.

— Você é fascinante. – Comentou Herkie.

— E você é meio estranho. – Ela implicou, sorrindo de canto. — Agora que já falamos o que pensamos um do outro, precisa de algo?

— Não. Só preciso fugir dos meus “amigos”. – Suspirou ele.

— Por que você anda com eles, afinal? – Ela interpelou, curiosa. — Eles não parecem uma boa companhia.

— E não são. Mas são da realeza. E temos toda esta questão com nossos reinos... As alianças que se podem formar dessas amizades... Às vezes eu queria não ser herdeiro de um reino. – Ele desabafou, suspirando.

— Certo. E quem disse que você precisa fazer amizade com eles para isso? – Ela questionou, e o viu arquear a sobrancelha. – Quer dizer, olhe para Ben. Ele largou uma princesa para ficar com a herdeira da Malévola, e veja que dupla! O povo ama o Rei Ben. Ou eu estou errada?

— Você está certa. – Herkie assentiu. — Todos em Auradon amam Ben, tanto como cidadão quanto como Rei. E eles adoram Mal, principalmente depois da história da Coroação.

Eles ficaram um pouco em silêncio, apenas olhando as nuvens. Cada um perdido em seu pensamento.

— O que motiva você? – Perguntou Heather.

— Como assim? – Ele a fitou, confuso.

— O que te motiva a ser como você é? – Ela especificou a pergunta. — Espontâneo, amigável, divertido, descontraído...

— Feliz? – Ela assentiu. – Eu nem sempre fui esses adjetivos que você está dizendo. Eu costumava ser mais fechado, tímido, sempre em um canto com um livro. – Ele deixou escapar uma risada ao ver a expressão confusa de Heather. — Falava com aquele grupo somente no Campo de Torneio e sobre Torneio. Sabe quando aconteceu essa mudança? – Herkie observou conforme Heather negava. — No dia em que eu estava no corredor, lendo meu livro e andando distraidamente, e uma pessoa andando de costas esbarrou em mim, me derrubando com minhas coisas. – Concluiu ele, sorrindo.

Ao olhar para Heather, ele se surpreendeu ao ver um sorriso aberto no rosto dela. Isso o alegrou ainda mais.

— Eu... Eu acho que é a primeira vez que eu sou a razão de alguém mudar para melhor. E a primeira vez que alguém me faz sorrir assim. – Ela confessou, corando.

— Seus pais nunca fizeram você sorrir? – Ele perguntou, inocentemente.

Heather percebeu que fora um questionamento inofensivo, por isso não se zangou. Ela respirou fundo e respondeu, calmamente.

— Minha mãe morreu dois anos depois de eu ter nascido. – Ela contou, e Herkie percebeu um leve tom de rancor na voz dela, mas decidiu ignorar. — E meu pai... Eu nunca conheci. Ele desapareceu. Acredita-se até que esteja morto também.

— Você é órfã. – Murmurou ele. Ela assentiu levemente. – É estranho falar sobre o tópico “morte” aqui no reino.

— O que você quer dizer? – Indagou ela, arqueando a sobrancelha.

— Não deveria falar... Mas olhe ao seu redor. Procure por pessoas que já deveriam ter partido. — Sussurrou ele, ao ouvido dela. – Vejo você na aula. – Finalizou, indo em direção à escola.

Esse garoto... Ele é mais fascinante do que eu pensei.”

Notas finais
Já peço desculpas pelas intromissões de Heather nas minhas narrações. Ela adora fazer isso ¬¬'