Quando pensei em escrever esse diário, não sabia por onde começar. Até porque eu nunca havia sequer escrito um diário ou qualquer coisa parecida antes, então não sei como toda essa coisa funciona, então resolvi apenas escrever do primeiro jeito que vier a minha cabeça.

Mas por onde eu devo começar?

Bem, começando pelo fato de que eu guardo vários segredos. E talvez não seja tão relevante assim, afinal, quem não tem segredos no fim das contas. Mas o que torna esse segredo tão secreto é o fato de que, se ele viesse à tona, outros segredos também viriam, e isso desencadearia problemas sérios na minha vida, problemas que eu não saberia lidar.

Caso este diário seja descoberto, não tenho ideia do que as pessoas poderiam fazer. Mesmo assim, resolvi arriscar porque eu simplesmente precisava colocar para fora tudo o que eu sinto de alguma forma. Ou eu iria explodir.

Então, sem mais delongas, preciso dizer o motivo de tanta euforia. O motivo de todos os meus problemas e de tudo o que eu sinto medo.

Kim TaeHyung.

O cara por quem sou apaixonado há exatos sete anos.

Cabelos alaranjados, uma boca sexy e fina, rosada, um jeito de malandro, um sorriso quente, um olhar penetrante. Nem os melhores adjetivos para descrever a pessoa mais bonita do mundo seriam suficientes para descrevê-lo. Ele é o cara mais desejado da escola toda. E eu com certeza o desejo mais do que qualquer outra garota daquela escola. Poderia dizer que um dia me arrisquei a contar o que eu sinto e o chamar para sair, mas seria mentira.

Mas por que gostar de um cara como ele seria um problema?

Por que ter medo de expor um sentimento?

Admito que o medo de ser rejeitado é o menor dos meus medos.

Meu nome é Min YoonGi.

É óbvio agora, mas eu sou um garoto. E gostar de um garoto onde eu moro não é exatamente fácil, principalmente quando se está finalmente tendo o papel principal em um novo dorama que já estar no ar. E minha família jamais aprovaria.

E por que resolvi começar a escrever?

Certo. Minhas aulas começaram há uma semana. Estou em meu primeiro ano. Na escola onde estudo, não tenho muitos amigos. Contando minha prima que veio morar comigo esse ano. Era veio de Sucheon para estudar comigo. Quando sai de casa com ela, não imaginava o que estaria me esperando na escola naquele dia, aliás, acordamos sem ter uma total certeza das coisas que acontecerão conosco. Mas de todas as coisas possíveis, o que estaria me esperando não era uma delas.

Quando entrei na sala, a primeira coisa que reparei fora o alaranjado do cabelo de Kim TaeHyung. Ele sorria com outros garotos da turma, garotos com quem eu costumava falar, já que eram da minha antiga turma.

Eles não conheciam TaeHyung, mas do jeito que conversaram, parecia que eram amigos há muito tempo.

Bem, é preciso que eu diga que eu fiquei parado na porta observando Kim TaeHyung como se ele fosse uma estátua feita por um artista grego. Ele vai estar estudando na minha sala por um ano inteiro. Isso era realmente possível? Eu não poderia sequer imaginar algo do tipo. Quero dizer, lógico que aquilo era, realisticamente falando, possível. Mas como geralmente as coisas não acontecem como queremos, eu não estava preparado.

Quando eu percebi que ainda estava parado na porta da sala de aula após alguns demorados segundos, me dei conta do que estava fazendo. Kim TaeHyung seria meu colega de classe e tudo começou a parecer um dos diversos sonhos que eu tinha com ele. Fiquei envergonhado quando uma garota passou do meu lado, cochichando com sua amiga. Elas estavam rindo de mim. Sem jeito, caminhei para o único lugar vazio que havia na sala, que ficava quase ao lado de Kim TaeHyung. Assim, que sentei, os olhares cessaram e as conversas aleatórias voltaram. Pela primeira vez em sete anos de amor platônico, eu estava na mesma sala que ele. Por um ano inteirinho.

Sentei na cadeira mais longe o possível do quadro, ao lado da janela que dava para o lado de fora da escola. Dali, eu pude ter uma visão completa da sala e uma desculpa para olhar diretamente para o meu sonho de consumo.

Ele era tudo o que todas as garotas daquela escola queriam. Era bonito, brincalhão, inteligente, vinha de uma família respeitável... Era o cara de quem eu gostava. E naquela primeira semana de aula, eu não conseguia parar de agir como um idiota. Ele estava perto e eu simplesmente congelava. Ele conversava com todos, dava bom dia a todos e eu não conseguia me dirigir a ele. O destino estava finalmente a meu favor, e eu estava dando um tapa na cara da sorte. Assim, ela iria me abandonar logo.

Gostar tanto dele assim – amá-lo – doía como se uma adaga estivesse presa no meu peito. E eu não podia contar a ninguém sobre essa dor, porque a única pessoa com quem eu poderia compartilhar esse segredo está apaixonada por ele. Minha prima, eu havia acabado de se mudar para Seoul de Sucheon, estava gostando dele também. Uma semana de aula e ela já entregava presentinhos para ele. E TaeHyung, para meu sofrimento maior, aceitava todos eles.

Meu sonho de consumo era educado, prestativo, era uma boa pessoa, não respondia aos professores, não fazia fofoca e ajudava a escola em todos os eventos. Eu não ficaria surpreso se a minha teoria de que TODAS as garotas da escola realmente fossem apaixonadas por ele. Kim TaeHyung, apesar de todas as meninas que haviam se declarado para ele, recusou todas.

Será que ele gostava de alguém? Será que era uma garota? Ou seria um garoto? Se eu me declarasse, ele me aceitaria? Por que ele me aceitaria, se recusou todas as garotas que se declararam? Eu não seria especial. Eu não sou, no fim das contas. Sou só alguém que ama atuar e segue a carreira. Um novato diante das telas, branco como arroz, tímido e inseguro.

— Suga, você anda distraído esses dois dias. Está tudo bem? A escola já está muito puxada? — Perguntou uma das managers do estúdio onde estava gravando meu primeiro drama. — Você anda tão cabisbaixo.

— Eu estou bem, secretária Oh. É só impressão sua — sorri com certa timidez.

— Você está se alimentando direito?

— Sim, você sempre consegue alimentos deliciosos pra mim, noona.

— Coisinha fofa — ela passou a mão nos meus cabelos, que atualmente estavam platinados para o drama. — Você trabalhou bem hoje. Vá pra casa com cuidado, okay?

— Você também, noona.

Como um cara tímido como eu havia se tornado um ator?

Dois anos atrás, eu participei de uma peça na escola. Um agente chamado Kwang JugnWoo, me assistiu e simplesmente disse que eu tinha o dom. E eu particularmente concordo. Apesar de tímido, quando estou na frente das câmeras ou em cima do palco, não é Min YoonGi, mas o personagem que entrava em ação. Eu me transformava. E eu amava o que eu fazia.

Eu era introvertido, mas Kim TaeHyung não era o único que recebia cartas, declarações e presentes de garotas. E bem aqui eu quebro a minha teoria de que todas as garotas da escola gostavam dele. Algumas gostavam de mim.

Quando retornei à escola naquele dia, por volta das sete horas da noite, presenciei mais uma das declarações a TaeHyung. Eles estavam perto da piscina, que era o caminho que eu gostava de tomar até o dormitório, apear de mais longo. Perto da porta da entrada, MinAh estava entregando uma caixa de bombons a ele.

— Oppa, eu gosto de você.

A voz de Minah tremia e o meu coração sofria. Eu esperava ansioso pela resposta dele. Go MinAh era linda. Ela tinha cabelos curtos olhos cor de meu, era simpática, fofa e sabia cantar. MinAh era uma beldade.

— Você não precisa me dar uma resposta agora...

— Eu quero dar uma resposta agora.

Eu senti a entonação na voz dele.

— Eu gosto de outra pessoa. Portanto, eu não posso ficar com você. Sinto muito.

MinAh aparentemente correu para longe dali. Ela atravessou a piscina e sumiu atrás da porta. Eu estava prestes a dar meia volta, quando meu celular toca. Ecoando naquele lugar fechado, fazendo TaeHyung desviar sua total atenção pra mim. Eu pensei em amaldiçoar a pessoa que estava me ligando, mas quando vi que era a manager Oh, mudei de ideia.

— Noona!

— Você chegou bem?

Ela gritava no telefone, parecia que estava saindo com seus amigos, enquanto eu olhava de quando em quando para TaeHyung, que parecia segurar um sorriso.

— Sim, eu cheguei bem.

— Certo, então amanhã o motorista estará passando às...

— Sete horas em ponto. Sim, eu estarei pronto esse horário.

— Isso mesmo, então descanse. Até amanhã.

— Certo, até amanhã.

Após desligar e guardar o celular no bolso, olhava para TaeHyung e desviava os olhos no mesmo instante. Ele estava bem ali, olhando pra mim com aquele sorriso maravilhoso. Meu coração batia tão forte que eu achava que isso faria o chão tremer; eu imaginava se ele estava escutando esse órgão acusador. Eu sorri envergonhado demais, passando as mãos no cabelo.

— Eu lembro quando seu cabelo era preto. Mas o platinado ficou incrível em você. Caiu muito bem.

Ele o que?

— Combinou mesmo com você — ele disse, se aproximando.

Eu, estupido demais, não consegui respondê-lo com rapidez. Eu apenas fiquei envergonhado demais. Como, por Deus, como mesmo eu havia virado ator?

— Ah... Eu também gosto muito do seu cabelo... — Estupido demais. — Quero dizer, essa cor combina muito bem com você...

TaeHyung sorriu. Ele sorriu de mim. Precisava urgentemente falar alguma coisa inteligente.

— Desculpe atrapalhar, a minha manager ligou e... Bem...

— Sua manager? — Ele indagou curioso. — Puxa, que legal.

— Eu sou Min YoonGi — eu disse, o cortando de repente e esticando minha mão.

Eu me perguntava internamente se pareci desesperado, mas um lado de mim nem se importou porque, segundos depois dele sorrir mais uma vez — e que sorriso —, ele segurou minha mão, a balançando.

— Eu sei quem você é. Min YoonGi, o mais novo ator que anda arrasando os corações, principalmente da DaeJI.

DaeJi era a personagem principal no drama, e meu par romântico.

— Eu também sei quem você é, Kim TaeHyung.

— Eu fico feliz de ter conhecido você. Uma celebridade.

Meu coração batia como nunca havia batido antes. Minhas pernas falharam por um segundo, mas os obriguei a se firmarem, quando ele soltou minha mão. Naquele momento, percebi que o que eu achava que sentia por ele não era nada comparado ao que eu realmente sentia.

Era muito maior do que eu imaginava. Talvez você se pergunte em como eu posso ser tão fissurado nele desse jeito, mas era o que eu sentia. E o meu autocontrole era muito grande, porque eu estava prestes a me declarar.

Mas eu não o fiz.

Segundos depois ele soltou minha mão para que ele pudesse atender a uma chamada em seu celular. Era um de seus amigos que ligava, o chamando para algum lugar, algum lugar longe dali. Ele se despediu de mim com um aceno rápido e logo aqueles minutos pareceram como um dos sonhos que passavam pela minha cabeça.

No dia seguinte, minha mente ainda associava aquele momento, a um mero sonho. Cheguei a escola depois do almoço, segui para a sala e me dirigi ao meu lugar usual, sem tirar os olhos do celular. Alguns dos meus colegas de classe vagavam pelos corredores, enquanto outros almoçavam ou dormiam ali mesmo. Segui para a última cadeira na fileira perto da janela e me acomodei.

— Ya, Min YoonGi, porque você passa direto sem falar comigo?

Kim TaeHyung sentou na cadeira da frente para conversar comigo.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.