Notas iniciais
Oioi pessoas! Antes de tudo eu quero agradecer à Kaká Gr pelo comentário no ultimo capítulo e me desculpar por demorar tanto pra postar. Eu estava tendo sérios problemas em acertar o final desse capítulo! Eu vou tentar postar o próximo mais rápido ok?? Divirtam-se!!

No dia seguinte eu me levantei tipo, duas horas antes do horário marcado para sairmos da mansão. Eu não consegui me manter na cama por mais tempo. Não que eu seja uma pessoa matinal, porque eu não sou, mas com o meu nível de ansiedade tão alto eu nunca conseguiria ter um sono pacífico. Então eu decidi levantar e fazer algo útil, como por exemplo me preparar para o meu primeiro dia trabalhando com o Monroe mais novo.

Eu tomei um banho longo e relaxante e sai do banheiro pensando que não havia nada nesse mundo que poderia tirar o meu bom humor... Até que eu resolvi pensar no que usar.

Eu realmente acho que todo primeiro dia de trabalho deveria vir com um manual de vestimenta! Sério, será que o estresse de ter que provar inúmeras combinações de roupas e parte dos testes de psicoaptidão das grandes empresas? Você não quer se vestir bem demais pra não parecer esnobe, mas também não quer parecer uma mendiga. Você não quer chamar muito a atenção para que ninguém perceba seus erros, mas também não quer passar despercebida. E alem de tudo isso todo mundo sabe que as mulheres, especialmente as assistentes, são imediatamente julgadas por sua aparência então eu também tinha o desafio de fazer a minha maquiagem perfeitamente e esconder as consequências da barra de chocolate que eu comi no avião.

E quase duas horas depois eu estava pronta.

Optei por uma calça social preta em vez de uma saia, completando o look com uma blusa larga de um dourado meio envelhecido que valorizava o moreno da minha pele e o castanho dos meus olhos e por fim, mesmo a contragosto, um salto médio.

Eu parecia profissional e madura ainda mais com a maquiagem discreta (mas que levou mais de meia hora e metade do meu tubinho de base) em tons de marrom e o meu cabelo castanho solto e liso. Eu me sentia pronta.

. . .

Ryan me levou até o prédio central da Monroe Enterprises e eu me encontrei novamente embasbacada com a magnitude da arquitetura do local. Era como se o respeito que o nome Monroe escrito na frente do prédio emanava não bastasse. Toda a arquitetura irradiava poder. Era um prédio alto, de no mínimo 50 andares, todo espelhado em um vidro preto numa forma meio oval. A base do prédio parecia como a de todos os outros, mas quanto mais alto ia ficando mas ele se curvava até que no topo ficava com uma forma meio arredondada.

Pessoas entravam e saiam rapidamente, todas atrasadas, correndo contra o tempo e eu imediatamente me senti bem. Eu sei que eu deveria achar tudo muito sufocante e reclamar da era capitalista que faz do homem um escravo do tempo e blá blá blá... Mas a verdade é que eu sempre amei esse agito. Ele me faz sentir viva e motivada, como se nada pudesse me atingir. E foi assim que eu entrei no meu novo trabalho, feliz com a vida e o mundo e acima de tudo otimista. Esse foi um grande erro.

Começou com as medidas de segurança. Eu passei metade da manha sendo entrevistada pelo chefe da segurança e a psicóloga profissional da empresa. Eu não tenho certeza, mas estou quase certa de que metade das perguntas que eles me fizeram foi importada de algum protocolo do FBI. Perguntaram-me sobre a minha família, meus amigos, os meus sentimentos sobre o governo atual dos Estados Unidos da América, minhas ideias sobre o capitalismo e a livre concorrência no mercado de trabalho entre outras coisas que, pra ser sincera, me assustaram um pouco.

Quero dizer, eu entendo que se eu vou trabalhar para um cara tão importante quanto Alexander eu tenha que ser entrevistada para que eles tenham certeza que eu não sou uma espiã corporativa ou algo assim, mas sério, do jeito que eles falavam comigo parecia que eu era a principal suspeita de um atentado terrorista ou algo assim... Foi desgastante e assustador.

Quando eu finalmente me livrei de todo esse interrogatório de segurança fui encaminhada para a ex-secretária de Alexander que passou a me treinar para o meu novo trabalho.

Alice podia muito bem ser uma modelo da Victória Secret’s. Ela era alta e loira com pernas compridas e um sorriso impactante. Seus olhos verdes me examinaram de alto a baixo do jeito que as mulheres bonitas (e que sabem que são bonitas) fazem com as outras toda vez que as encontram. Depois de me avaliar, assim como todas as outras projetos de Gisele Bunchen que eu já conheci, ela me deu aquele sorriso superior com uma pitada de desdém e eu tive que me segurar pra não rosnar de volta pra ela.

Mas eu consegui manter a calma e procurei absorver tudo o que ela me falava para que a minha aparência fosse a única coisa da qual Alexander e qualquer outro pudesse reclamar.

Meu novo trabalho consistia em levar o café de Alexander exatamente às 7:45 da manhã todos os dias de segunda à sexta, depois disso eu organizaria o seu itinerário do dia. Com quem ele se encontraria, quem podia ter reuniões cara a cara com ele, quem só podia ter reuniões via Skype, quais ligações passar direto para o telefone do escritório de Alexander e quais eu deveria enrolar... Ao final de todas as explicações minha cabeça estava girando e eu ainda tinha uma hora de expediente.

Alice me levou até onde seria minha “sala”. Na verdade somente Alexander tinha uma sala propriamente dita. Ficava no último andar no final do corredor do lado direito. Eu tinha uma mesa bem à frente do elevador para que pudesse atender a todos os clientes antes que eles pudessem ver o que quer que Alexander estivesse fazendo em seu escritório pelas amplas portas de vidro.

Eu me sentei e comecei a arrumar minhas coisas na mesa. Uma foto da minha família e amigos do Brasil e algumas coisas básicas, tipo maquiagem reserva, na gaveta.

E de repente o telefone começou a tocar.

Se esse fosse um telefone normal do tipo que todo mundo tem em casa não seria problema nenhum, mas esse era um telefone completamente estranho, do tipo que as recepcionistas em consultórios usam. Ele tinha um milhão de botões de várias cores, mas eu não fazia ideia de qual a finalidade de cada um deles. Meu coração começou a martelar no meu peito.

Ok Vanessa respira, esse pode ser um telefone mutante, mas ainda se atende do mesmo jeito. É só tirar o fone do gancho e falar... Você consegue. VAI!

Com toda a confiança do mundo eu peguei o telefone e falei:

“Monroe Enterprises bom dia!” e para o meu horror... O telefone continuou tocando.

PORQUE ESSE NÃO PODE SER UM TELEFONE NORMAL??? Aparentemente atender ao telefone normalmente não é o suficiente, tenho que apertar algum botão, mas qual??

E foi aí que eu comecei a suar frio.

Felizmente Alice surgiu do nada e arrancou o fone de minhas mãos paralisadas, apertou um botão vermelho e atendeu ao telefone assim como eu fiz (ou tentei fazer).

Eu juro que tentei não encarar, mas foi impossível. Ela atendeu perfeitamente o cliente, respondeu às suas perguntas e foi perfeitamente educada como se tivesse feito um curso só pra isso (na verdade, conhecendo a fama dos Monroe, eu não duvidava).

Quando ela desligou, eu rapidamente perguntei:

“Como você fez isso?”

“O que, não te ensinam como atender ao telefone nos colégios do Brasil?” A resposta veio trazendo o sarcasmo pra dizer um oi, mas eu decidi que descobrir como se atendia ao telefone mutante era mais importante do que explicar pra ela que brasileiros são, na verdade, muito parecidos com o resto do mundo.

“Não telefones mutantes como esses!” disse eu com o meu melhor sorriso falso.

Ela me encarou com um sorriso típico de modelo nojenta e eu fiz o meu melhor para não avançar na garganta dela e manter a minha cara de simpatia. Foi difícil, mas eu consegui me manter em controle enquanto ela me explicava os mistérios daquele telefone assustador. Demorou mais ou menos 20 minutos e, apesar de eu ter entendido a ideia geral, eu anotei o nome do telefone e a marca pra procurar outras informações com o meu amigo Google depois.

Logo após o meu tutorial, Alice sumiu novamente (eu estava começando a achar que ela tinha algum tipo de superpoder de teletransporte), eu agora tinha apenas 40 min restantes de trabalho e eu os usei para ir adiantando o itinerário de Alexander para o dia seguinte e para tentar memorizar a lista de clientes e a restrição de cada um. E foi nesse pequeno momento de distração que eu levei um dos maiores sustos das últimas 24 horas.

“Bom dia” cumprimentou um homem com uma voz alta e poderosa. Meu coração correu uma pequena maratona com o susto e o sangue subiu todo para as minhas bochechas quando eu olhei para cima. Ele era absolutamente lindo!

Era tão alto quanto Alexander, mas era loiro de olhos verde-escuros impressionantes e tinha um sorriso fácil (e perfeito) em seu pálido rosto.

Esses são os momentos em que eu agradeço por ter nascido morena. Raramente o meu rubor era percebido pelas outras pessoas pelo fato de que o vermelho do sangue não superava o marrom da minha pele.

Eu tentei me recompor o mais rápido possível (o que não foi rápido o suficiente) e me forcei a dar o meu sorriso mais profissional e dizer:

“Bom dia, como posso ajudá-lo?”

“Eu estou querendo falar com o Alex, ele está ai?” ele falou de forma casual e divertida contrastando com o seu terno cinza-chumbo perfeitamente alinhado. Todos os homens nessa cidade são um quebra cabeça?

“Ele está sim Sr...”

“Johnson, Matt Johnson” ele sorriu presumido.

Eu lembrei-me imediatamente desse nome. Era o primeiro na lista de DEIXAR PASSAR NÃO IMPORTA O QUE ACONTEÇA.

“Por favor, acompanhe-me Sr. Johnson” eu falei me levantando e indo em direção ao escritório de Alexander. Pelas portas de vidro eu pude ver Alexander concentrado em algo na tela de seu computador.

Eu bati na porta e ele levantou o olhar para nos ver na porta. E esse foi o momento mais surpreendente da minha estadia até agora por que, acredite se quiser, Alexander Monroe abriu um sorriso genuinamente brilhante.

Sim, ele tem os dentes perfeitos e brancos e a boca perfeitamente delineada, e eu achei que os sorrisos presumidos e cheios de mensagens subliminares que ele tinha me dado até agora eram perfeitos, mas eu estava colossalmente errada! Esse sorriso era diferente, despreocupado e alegre sem deixar de ter um leve brilho de travessura! Esse sorriso me fez ter certeza de que até o final desse intercâmbio eu teria problemas sérios de coração.

“Com licença Sr. Monroe, mas o Sr. Johnson está aqui!” eu anunciei desnecessariamente.

Ele nem se deu ao trabalho de falar comigo (espera aí eu não ganho o sorriso de 1000000 de dólares também?) simplesmente deu um aceno com a mão e ordenou:

“Por favor, Sta. Miller traga-nos duas xícaras de café preto”

Eu me apressei para a pequena cozinha que ficava na outra ponta do corredor e agradeci por alguém ter acabado de fazer o café pra que eu não tivesse que batalhar com outro objeto tecnológico hoje.

Eu atravessei o corredor extremamente concentrada em não derrubar a bandeja em minhas mãos, no entanto eu deveria estar mais concentrada no caminho a minha frente.

Eu passei pela sala de espera, pela minha mesa, pelo zelador do andar e quando eu estava a alguns metros de alcançar o meu objetivo, de outra sala mais a frente da sala de Alexander (que depois eu descobri ser a sala de reuniões) saiu um grupo de executivos, que eu imagino serem do conselho.

Não, eu não me choquei com um deles, mas com três! Sim, três!

A bandeja voou espalhando café quente sobre todos eles, no chão e, ironicamente, não tanto em mim. Os ternos de alta costura de todos eles tinham pelo menos uma mancha de café e eu acabei de joelhos no chão porque escorreguei no café.

E só pra tornar tudo isso ainda melhor... Por causa das malditas portas de vidro Alexander viu TUDO!

Sabe aquela história de eu não aparentar quando fico corada? Pois é esse foi o momento de exceção à regra! Tinha tanto sangue na minha cabeça que eu me preocupei com a pressão intracraniana elevada. Foi como se todo o universo tivesse parado, cada segundo demorou dias pra passar, o grupo de executivos se uniu em ódio pela minha pessoa e foi como se todos eles tivessem o mesmo rosto, tão semelhantes eram as suas expressões.

Mas nada disso estava na minha lista de prioridades. A única coisa em que eu conseguia pensar é na mensagem clara que piscava nos olhos de Alexander em dueto com o meu coração: “Sério, não vai durar nem um dia? Fraca!”