Segredos
13 Não desista, insista
Eu mal tinha conseguido dormir. Fechei os olhos por alguns segundos e senti Christian colocando o cobertor por cima de mim da forma mais cuidadosa possível. Resolvi não me mexer mais e acabei pegando no sono quando já se passava das três horas da matina.
Às nove horas, eu desperto. Christian, como um médico voluntário, já estava de pé, e observava a enfermeira colocar meus remédios em cima do criado mudo.
— Ainda não sei qual a importância desses remédios — balbucio, revirando os olhos.
Meus cabelos estava todo embaraçado e eu confesso que ninguém estava apto a me levar a sério naquela situação.
Mas Christian é bom nisso.
— Eu não quero que você tenha problemas futuros, Isabel. Quero o seu bem pelo resto da sua vida. Acredite.
Sorrio, e faço que sim com a cabeça.
Quando me lembro do envelope! Dou um pulo da cama, depois de tomar os remédios e vou a procura do envelope.
Acho-o debaixo do travesseiro e sorrio levemente por não lembrar daquilo.
— Está pronta? — Christian pergunta.
— Prontíssima, Chris. A coisa que eu mais estou nesse mundo é pronta!!! — garanto.
— Olha só, o que quer que tenha aí dentro, por favor, não fique triste. A gente não precisa desistir agora.
Eu dou os ombros, não tinha como não ficar ansiosa mesmo.
Abro o envelope e passo os olhos pelo papel, leio letra por letra, palavra por palavra...
— E então? — questiona, Chris.
— Nada — minha voz sai mais rouca que o normal, tanto que preciso repetir o que eu disse pois tenho mera certeza que ele não ouviu — Não tem nada sobre meus pais aqui.
Christian se aproxima de mim, e pega o papel para ver com seus próprios olhos.
— Mas isso é impossível! Por que diabos seus pais não estão aqui?
Engoli em seco. Respirei fundo pelo menos umas três vezes. Tentei me concentrar em coisas boas, em esperanças de vida, mas era praticamente impossível não pensar.
Eu era relativamente forte em relação a decepções. Já fui deixada pra trás, e humilhada por muita gente. Só que agora parece que roubaram a esperança que tinha renascido há pouco tempo da minha vida.
Senti meus olhos se encherem de lágrimas, mas havia prometido a Christian a não ficar triste. Conti o choro.
Ele me abraçou, o que tornou ainda mais difícil de não me entregar nas lágrimas.
— Pode chorar, se quiser. Não vou te julgar por demonstrar seus sentimentos.
Me afastei um pouco na distância que dava para olha-lo nos olhos.
— Só quero ficar um pouco sozinha, tudo bem pra você? — pedi.
Ele assentiu. Christian me entendia muito bem. Graças a Deus ele não fazia o tipo de cara que insistia.
Ele saiu deixando a porta entreaberta, eu sentei na cama e apoiei meu rosto nas minhas mãos.
Finalmente chorei, um pouco. Um choro silencioso. Aliviou o nó da minha garganta mas o vazio no meu coração continuou lá.
Ouço um barulho vindo da janela. Alguém estava jogando predegulhos.
Era Philips. Dei risada solta, leve, porém ainda cabisbaixa.
— Oi — falo, desanimada.
— Você abriu o envelope? — falou Philips por trás da janela.
Antes de responder, abro a janela de vidro e continuo:
— Ahn, sim. Mas não encontrei resultados.
— Eu sinto muito — ele se lamenta.
Philips me fez sorrir por alguns minutos até que eu resolvi parar de me entristecer.
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