Segredos

4 Florescente


Notas iniciais
Esteja disposto a se surpreender.

Estava presa a uma casa enorme, dentro de um quarto enorme, e com pessoas que não conheço, estava orando para que o presidente considerasse o meu pedido. Talvez, Christian não quisesse vir, peguei muito pesado com ele, talvez ele estivesse com muita raiva de mim, e com razão. De repente, ouço um ruído vindo da sala, então encosto minha cabeça na janela transparente do meu quarto: são os guardas, e trazem o Christian consigo.

—Trouxemos-o, senhor! —disse um dos guardas.

—Pois bem, sigam-me. —ordenou, o presidente.

Ele veio em direção ao meu quarto, então me afastei da janela e sentei novamente na cama, o presidente entrou no quarto, sorrindo.

—Surpresa!

Sorri, entusiasmada.

—Está feliz? —perguntou.

Percebi que Christian não abria os olhos, e estava imóvel, será que fechou os olhos para não me ver? Ele deve estar muito magoado mesmo!

—Por que ele não se mexe? Por que não abre os olhos? -questionei, abalada.

O presidente suspirou, e finalmente disse:

—Tivemos que dopa-lo!

—Dopa-lo? Por que? Ele estava se recusando a vir?

—Não não, senhorita —falou o guarda —, na verdade nem falamos com ele, colocamos remédio na água dele sem que ele visse, só pra adiantar as coisas.

—Não! Vocês não podiam ter feito isso, ele ficará furioso e acho que se ele pudesse escolher, preferiria ficar lá.

—Calma, Isabel! Logo, ele acordará, e quando o fizer, ele decidirá se quer ficar ou não. Não vamos o obrigar a nada. —afirmou o presidente.

Naquele momento, senti uma pontada de tristeza, e se ele não quiser ficar?

—Bom, vamos deixa-lo aqui, quando ele acordar você nos chama pelo interfone que o meu assistente instalou aqui.

—Tá, obrigada.

Um dos guarda pôs Christian na cama ao meu lado, e um lado meu, por mais que sentisse pena por ele estar inconsciente ali, eu estava feliz por te-lo ao meu lado. Os guardas, e o presidente se retiraram do quarto, deixando-me a sós com Christian.

Algumas hora depois, Christian ainda não tinha acordado, e eu o observava dormir! Seus olhos meio puxado, mas nem tanto, sua cabeça para o lado, virada para mim. Toquei-o de leve nos cabelos, estavam tão macios.

Christian abriu os olhos, e disse:

—Isabel!

—Oi. —disse.

Ele pulou da cama.

—Aonde nós estamos?

—Na casa do presidente.

—Sem piadinhas..., onde nós estamos?

Fiz uma cara séria para ele, então entendeu que estava falando a verdade.

—Por que? —perguntou, assustado.

—Não sei bem ao certo, apenas sei que ele quis me trazer aqui.

—E por que eu estou aqui?

Abaixei a cabeça, e revirei os olhos.

—Eu pedi.

–

Era jantar, e o presidente fez questão que todos jantássemos juntos.

O presidente era estranho, sempre de terno e gravata, sorrindo feito bobo, como se nada importasse para ele. Pele clara, olhos escuros. Era diferente.

Estávamos comendo estrogonofe, e todos nós parecíamos assustados, exceto o presidente, é claro.

—Então, rapaz, quantos anos você tem?

—19, senhor... —Christian respondeu, meio sem jeito.

—E já trabalha como enfermeiro? Nossa!

—Eu sou voluntário, senhor. Ainda estou na faculdade!

Disso eu não sabia.

—E onde está sua esposa? —perguntou Christian.

—Morreu à dois anos, de câncer no cérebro.

Me engasguei.

—Eu sinto muito, senhor.

—Está tudo bem. Ana era uma pessoa ótima, e de bom coração! Por mais que eu não falasse dela na mídia, ela era um pouco reservada, sabe...

O presidente tinha realmente uma alma boa.

—Minha mãe morreu a alguns anos também, de acidente de carro. —comentou, Christian.

Me engasguei novamente. Será que meus pais também já tinham morrido?

—Meus sentimentos! —falou o presidente.

—Eu sinto muito pela sua mãe, Christian. E pela sua mulher, Presidente Lowtner! —finalmente disse.

—Mas, e aí rapaz, você vai querer fazer companhia a Isabel aqui?

—É claro, senhor! Vai ser uma prazer.

Um sentimento de alívio me possuiu de repente. Graças à Deus!