Segredos....
18 Capítulo 19 - Olhe no seu bolso querida
Notas iniciais
Capítulo 20
O guarda me levou até um corredor onde o começo era uma escada, se havia janelas no subsolo por que não poderia ter uma escada? Subimos, com o soldado me guiando. A escada tinha poucos degraus que levavam a outro corredor, não igual aos outros, esse tinha um lustre no começo e um tapete vermelho que levava até o final do corredor, o soldado começou a andar e eu acelerei o passo para acompanhá-lo. As paredes eram cobertas com um papel de parede parecido tecido em alto relevo, no final do corredor havia uma porta, o soldado parou em sua frente, bateu e a abriu sem esperar resposta
—Bom jantar, e espero que não se matem — ele falou baixo
—Você até que é legal para soldado — comentei antes de entrar pela porta
—Obrigado — o soldado respondeu e fechou a porta
Virei para poder olhar a sala, era grande, bem iluminada e toda branca para variar, no centro tinha uma mesa marrom enorme com vários lugares, estava cheia de comida, mas havia somente dois pratos, atrás da mesa podia se ver uma tela de TV que ocupava quase a parede toda. Samantha estava no canto oposto da mesa, bem de frente para a porta, logo percebi que o jantar iria ser só para nós duas, o outro prato estava em frente a cadeira do seu lado direito, fui caminhando devagar até a cadeira ao seu lado
—Bela sala de reuniões, muito bonita mesmo — comentei me sentando a mesa
—Obrigada filha, então, como você está? — ele perguntou, logo depois estralou os dedos e a taxa de vinho que estava perto de seu prato se encheu, ele pegou a taça e tomou um gole
—Mãe acha mesmo que em um jantar em "família" vai compensar 5 anos fora da minha vida? — falei sarcástica e logo depois me arrependi — me desculpa! Eu não queria dizer isso, eu sei que está tentando e tal mas é muita coisa para assimilar
—Tudo bem, você está certa, não vou conseguir compensar — ela assentiu tomando mais um gole do vinho — mas quem sabe te ajudando e respondendo todas as suas perguntas você comece a me
entender?
—Claro, comece com as mentiras, eu sei que são muitas
—Eu lembro que mais cedo, você me perguntou por que eu tinha abandonado vocês — Samantha largou a taça de vinho na mesa e se virou para mim segurando agora minha mão, ela estava fria, com medo — Foi apenas para protegê-las, pode parecer bobagem mas, os poderes de vocês estavam evoluindo, logo achariam vocês e as tirariam de mim
—Quem tiraria nós da senhora? — perguntei a interrompendo
—Os descendentes de Eli — ela respondeu secamente — essa é uma história longa, mas se estiver disposta a ouvir, a muito tempo...
—Eu já sei a história, Marco me contou sobre Ivo e os filhos que brigavam pelo poder...
—Não, você não sabe o final, poucos sabem
—Izy fugiu com medo de morrer, anulando seus poderes e os irmão continuaram brigando, por isso essa guerra toda
—Esse é o final que tentamos fazer eles acreditarem, poucas pessoas do nosso lado, descendentes de Dário ou do bem, como você preferir, sabem do verdadeiro final
—Parece que essa realidade é cheia de segredos não é memo?
—Todos temos segredos querida, até você, e eu sei o seus — ela me respondeu com frieza — agora se você deixar eu contar o final seria mais simples de resolvermos esse problema
—Claro, continue, ficarei calada
—Bem, até a parte que Izy fugiu é verdade, ela realmente fugiu mas ela não fugiu por medo, fugiu para tentar acabar com a guerra que estava matando milhares. Ela achou uma maneira, viajou até um povoado ao sul e pediu para forjarem uma caixa especial, que só podia ser aberta por uma chave única e encantada também feita. E assim se fez, quando a caixa ficou pronta Izy já tinha um modo de acabar com a guerra: aprisionando seus poderes na caixa que só poderia ser aberta pela chave encantada. Depois de aprisionar seus poderes, escondeu a caixa em um lugar secreto e guardou a chave em segurança. Os irmãos ficaram sabendo disso, e a consideraram uma traidora, sem perder tempo Eli caçou a irmã e a chave, Izy se recusou a dizer onde estava os objetos então foi morta. Dês de então nós buscamos esses objetos, os descendentes de Dário pra protegê-los e os de Eli para destruir cada um que entrar em seu caminho, inclusive nós.
—E vocês já acharam algum desses objetos?
—Os Elianos acharam a caixa, mas não há nenhuma pista de onde a chave se encontra
—Se vocês encontrassem, por que não destruí-los?
—Não! Eles são muito poderosos, se fosse preciso usaríamos
—Vocês já tentaram se entender? Quer dizer as duas partes, "o bem e o mal"
—Eles não querem conversar, querem o poder! — Samantha respondeu batendo na mesa, limpo a garganta e logo prosseguiu — Filha, que tal jantarmos? Depois terminamos essa conversa
—Claro — falei me ajeitando na cadeira, aí me levantando quando minha mãe encostou a mão em meu braço
—Você não conhece muito bem isso aqui, é só pensar no que você quer e estralar os dedos, a comida aparecerá no seu prato querida
—Oh, ok, diferente devo admitir — passei a mão de leve pela garganta e me lembrei, o meu cordão! — você tinha um cordão de chave! Não é a chave que estão procurando?!
—Querida — ela falou rindo — se fosse aquele cordão velho acha que ainda estaríamos nessa guerra? Toda família recebe um cordão falso quando outra família de junta, ele serve para lembrar o que estamos buscando
—Vocês são bem ligados à cultura — comentei enquanto pensava em um uma comida e estralava os dedos, pensei no meu ultimo almoço no refeitório junto com mel antes dessa confusão começar — Sabe, eu nunca perguntei sobre meu pai, pode me contar sobre ele?
—Acho melhor não, deixaremos isso para outra hora
—Por que? Aconteceu alguma coisa entre vocês, ele morreu...
—Sim, morreu, mas isso não é assunto para agora, você acabou de começar a entender um pouco mais desse mundo que vivemos, quando for a hora eu te contarei
Não falei mais nada, comecei a comer e logo terminei, minha mãe me encarava a cada colherada que eu dava
—Só me chamou aqui para isso Samantha? — perguntei depois que acabei de comer
—Sim, se não quiser mais conversar pode se retirar se quiser — respondeu dando um suspiro
—Então com licença — falei levantando da cadeira e indo em direção à porta, quando toquei na maçaneta ela falou :
—Tudo que eu estou fazendo é para o seu bem!
—Segredos e mais segredos, posso conviver com isso até certo tempo, mas eles sempre são revelados mãe, até mais — respondi abrindo a porta e saindo
"Como sei que estou fazendo a coisa certa?" Pensei enquanto descia as escadas, agora iria visitar minha irmã, apesar de tudo estava preocupada com ela
"Você está Anne, ela está mentindo estão todos enganados, não queremos destruir o mundo, queremos conviver em paz com ele, apenas assumindo quem somos" pude ouvir a voz Victoria na minha cabeça
"Eu não me importo com o rumo dessa guerra só quero minha irmã salva e nós duas fora disso" respondi, caminhando pelo pátio redondo central indo pra a enfermaria, agora ele estava mais vazio
"Como você quiser" ela falou e depois sumiu
****
Entrei na sala da enfermaria onde estavam as macas e pude ver, na terceira maca do lado esquerdo, minha irmã deitada dormindo e... Marco? Sentado um uma cadeira do lado da cama com a cabeça abaixada, caminhei até ele é encostei a mão em seu ombro, Marco logo levantou a cabeça
—Oi — ele cumprimentou com uma voz de sono
—Oi, o que está fazendo aqui? — perguntei enquanto ele se levantava da cadeira e olhava para Mel
—Só vigiando. A cirurgia dela terminou a umas 3 horas atrás, mas ela ainda está medicada para não sentir dor, então vai demorar um pouco para acordar
—Obrigada por cuidar da minha irmã, enquanto eu estava por aí
—Não tem de que, você foi legal comigo, então o mínimo que eu podia fazer era retribuir
"olhe no seu bolso querida, se precisar de ajuda para decifrar pesa ajuda ao garotão" a voz de Victoria ressoava na minha cabeça, coloquei a mão no bolso da blusa e senti um papel, a tirei de lá e olhei.
Era uma foto de um casal, um garoto bonito com uns 19 anos, um pouco mais alto que a garota. Estava a abraçando de lado, enquanto a garota com uns 16 anos, retribuía encostando a cabeça em seu ombro. A foto parecia um pouco antiga, reparei no pescoço no garoto ele usava um colar de corrente com uma pedra preta como pingente
—O que é isso? — Marco perguntou olhando para a foto
—Eu...Eu achei na gaveta da minha cabeceira, você sabe quem são? — perguntei ficando ao seu lado e lhe dando a foto
—Não...- ele respondeu analisando a foto — Mas a garota parece com você
—Nada a ver, só um pouco talvez, minha aparência é muito comum
—Não, é diferentemente bonita — ele retrucou olhando para mim, devo ter ficado um pouco corada pois ele riu um pouco, depois voltou a encarar a foto — ei, espere, esse cordão, ele é o símbolo dos Elianos
—Os descendentes de Eli? Minha
mãe me contou sobre eles
—Sim, eles usam esses pedras pretas às vezes, acho que representa o poder, alguma coisa assim talvez, mas o que um Eliano está fazendo abraçando um de nós?
—Deve ser uma brincadeira de adolescentes — respondi pegando a foto e guardando no bolso — Que tal você ir comer? Aposto que está com fome, eu quero ficar aqui com minha irmã mesmo
—Ok, então até manhã no treino
—Até amanhã — afirmei e logo depois Marco saiu pela porta
"Parece que a ficha caiu não é? Pergunte a sua mãe ela vai saber quem são as pessoas na foto" Victoria falou
"Sai da minha mente! Quero ficar sozinha, agora!" Respondi
"Ok, querida"
Respirei fundo e olhei para minha irmã, sentei na cadeira pegando em sua mão
—Mel...você não sabe a confusão que está aqui, melhore logo, assim você me ajuda a achar essa maldita chave e damos o fora daqui, voltamos a nossa vida de sempre- cochichei olhando para ela, senti uma lágrima descendo pela minas bochecha e a limpei — mas por enquanto não vou sair daqui sem você
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