Segredo Descoberto
22 Eu vim buscar minhas filhas...
Notas iniciais
Violetta Castillo
Ao olhar para a porta, encontrei León me olhando seriamente. Um medo percorreu por todo meu corpo com aquela frase que ele acabara de dizer:
"Será mesmo que nada nem ninguém irão separa-las, Violetta?"
Ele não teria coragem de tirar minhas filhas de mim, ele não faria isso. E mesmo que essa ideia percorresse por sua cabeça, eu não iria deixar que isso acontecesse! Ele não é ninguém pra fazer isso, 'apenas' o pai. Ok, fui um pouco insensível em dizer isso, mas para Angel e Melissa, o León é apenas mais um amigo da mãe delas, nada mais que isso...
Eu não irei esconder a verdade das minhas filhas, até porque, elas merecem um pai. Eu contaria a verdade o mais breve possível, mas para isso acontecer, León terá que me entender, caso contrário não entraremos em nenhum acordo, e isso pode prejudicar minhas pequeninas, e é claro que isso está fora de cogitação! Então eu espero que ele compreenda logo meus motivos!
— Maman? — (Mamãe?). Mel me chama.
— Oui, mon amour? — (Sim, meu amor?).
— Parce que l'oncle Léon a dit cela? — (Porque o tio León disse isso?). Perguntou ela inocente.
— Pour pas un ange, il est juste une blague. — (Por nada anjinho, ele só está brincando.)
Digo isso e Mel me encara receosa. Volto o olhar para León, que possivelmente entendeu quase tudo, afinal, ele estava indo para a França, não? Deveria saber ao menos o essencial... ou não, pois seu olhar estava nitidamente confuso.
— Será que vocês podem, por favor, falar minha língua? Ah... relembrando, não é francês! — Ele diz irônico.
— León! Ela é só uma criança, pare de ser tão grosso! — Digo irritada.
— Maman, pourquoi est-il en colère? — (Mamãe, porque ele está bravo?). Melissa perguntou olhando para mim com medo.
— Je ne sais pas princesse. — (Não sei princesinha)
— Dá pra parar! — León meio que gritou e Mel apertou minha mão com medo.
— Melissa está com medo, León... medo de você, por isso está falando francês, ela tem esse costume! — Revido brava.
— Eu saberia se você não tivesse me privado das gêmeas! — Diz sarcástico.
— Não vem com essa agora, tá! Você nunca demonstrou que queria filhos, León! Não jogue a culpa pra cima de mim à essas circunstâncias! — Digo e deixo uma lágrima escorrer de meus olhos, mas logo à seco.
— Não jogar a culpa para você? Fala sério, Violetta! A culpa é sua sim, a culpa é sua de Melissa estar no hospital! A culpa é sua por ter me privado de 3 anos de vida das minhas...
— Para, León! — O interrompo antes que ele diga algo que deixe Mel ainda mais confusa.
Mas ele de certa forma estava certo, caso eu não tivesse deixado minhas filhas para fazer aqueles shows, elas sem dúvidas estariam bem agora! Melissa não estaria no hospital nesse momento, certo que não foi nada grave, mas poderia ter sido. Poderia ter acontecido algo pior, e eu... estaria longe delas. Se algo pior tivesse acontecido eu nunca me perdoaria, nunca!
— Não chola, maman! — Mel diz assim que vê algumas lágrimas escorrendo por minha face.
— Mamãe não está chorando, amor. — Digo forçando um sorriso.
— Pala de faze minha maman chola! — Melissa grita com León.
— Ótimo! Perfeito! Deixe ela contra mim... é isso! Parabéns, Violetta! — León diz batendo palmas enquanto ria sarcástico.
— Pare com isso, estamos em um hospital, e a Mel está aqui, quer "conversar"? Então vamos ali fora! — Digo apontando para porta.
— Não, eu vou embora, conversaremos depois. — Ele diz seco. — Tchau Mel. — Ele vai para dar um beijo na testa de Melissa, mas ela recua e me abraça. Logo depois ele olha para mim como se a culpada daquilo fosse eu, e vai embora.
— Ele é mau, maman! — Mel diz ainda abraçada em mim.
— Não, meu amor, ele não é mau. Ele só estava nervoso. — Digo acariciando suas madeixas.
— Não — Ela ergue a cabeça e olha nos meus olhos — Ele é mau! — Ela diz convicta.
Deixei aquela conversa com Melissa pra lá, não queria ter que explicar os motivos que levaram León a ser tão rude. Até porque, não sei se ela entenderia. Só sei que teria que contar em algum momento, ela e Angel teriam que saber, mas... com certeza esse não era o momento ideal!
*****
Era 15h00, eu ainda estava no hospital. O médico disse que Mel ganharia alta as 15h15, e eu estava super ansiosa para tirar minha filha daquele lugar. Não sei porque, mas hospitais me deixam com um certo medo e angústia. O médico falou que, como o motivo de Melissa ter adoecido era eu(obrigada doutor!), ela ficaria melhor ao meu lado e da irmã, e eu não discordo dele!
Enquanto Mel fazia mais alguns mínimos exames, para ver se ela realmente está melhor, eu resolvi ligar para Cami. Os bebês dela já devem estar bem grandinhos... quer dizer, acho que eles nem tem dois meses, estão grandinhos para a idade deles. É!:
— Alô, Cami?
— Vilu?! Amigaaaaa!!! — Camila grita e logo ouço um chorinho. — Opss! Calma aí Vilu!
— Ok. — Digo rindo. Houve um pequeno intervalo de tempo e logo Camila voltou a falar.
— Calma, Esther, a tia Vilu quer falar com a mamãe! — Ela diz conversando com a bebê, provavelmente.
— Cami? — A chamo.
— Ah! Oi, Vilu, desculpa, tive um pequeno surto com sua ligação e a Esther acordou. — Ela ri baixo.
— Percebi. — Ri também. — E então, os gêmeos estão bem? — Pergunto curiosa.
— Sim, estão ótimos, graças a Deus! — Ela suspira feliz. — São dois anjinhos! O Miguel então nem se fala, dorme o dia todo e acorda só quando está com fome, chega a ser estranho isso... — Ela diz. Nesse momento imaginei Cami na minhas frente fazendo uma careta.
— Isso é normal para um bebê. — Digo rindo.
— Sim, a Fran também disse... mas a Esther... meu Deus! É o terremoto em pessoa! — Ela diz apavorada e eu solto uma gargalhada alta.
— Também, olha quem é a mãe dela! — Digo esperando por sua reação.
— Ha ha ha... boba! — Ela acaba rindo mas logo se recompõe. — Mas, Vilu, quando você vai volta para B.A para visitar seus 'afilhados'?
— Aiwn... sério? — Dou alguns pulinhos e a enfermeira olha pra mim e ri.
— Claro!
— Na verdade já estou em B.A... liguei justamente para saber se você está em casa e se eu posso ir aí daqui à pouco. Posso?
— Claro né, Vilu, já deveria ter vindo! — Ela diz óbvia.
— Ok. Daqui à pouco estou aí. — Digo rindo. — Tchau, Cami.
— Tchau, Vilu.
Assim que desliguei, o médico me deu a ótima notícia de que Melissa já poderia ir embora, não sei quem estava mais animada, se era eu ou Mel, que por incrível que pareça, não parava de falar um minuto sequer.
O médico e a enfermeira saíram do quarto logo após dar a ótima notícia e terem dado alta a Mel. Olhei para ela que estava triunfante com a ideia de sair do hospital. Fui me aproximando dela e dei um beijo em sua testa.
— Maman! Maman! — Ela só faltava sair pulando por aí.
— O que foi? — Pergunto rindo.
— Vamos logo embola! — Ela diz enquanto tentava descer da cama. Tarefa inútil já que a cama era alta e ela muito baixinha.
— Calma, você tem que tomar banho, Mel. — Digo a pegando no colo.
— Tá.
Logo após dar um banho em Melissa, com direito a muita espuma, fui vesti-la. Coloquei uma saia listrada em diferentes tons de roxo, uma regata branca com desenhos de coroas, uma legging branca, um casaquinho roxo — pois ventava hoje em BA -, e por fim uma sapatilha lilás.
Assim que terminei de vesti-la, comecei a pentear seus cabelos. Não demorou muito e Melissa já estava inteiramente pronta.
Logo depois deixamos o hospital. Fomos até o carro e ajeitei Mel na cadeirinha, e logo depois entrei no mesmo dando partida e seguindo rumo a casa de papai e Angie.
[...]
Chegamos lá em menos de 20 minutos, desci do carro e logo tirei Mel que agora estava ansiosa para ver a irmã.
Nos dirigimos até a porta da mansão, e Melissa fez questão de tocar a campainha. Assim que o fez, logo a porta foi aberta revelando uma Olga totalmente eufórica:
— Ooh! Mel! Você está bem, minha florzinha? — Olga pergunta apertando as bochechas de Mel.
— Ai, Olguinha! — Mel reclama emburrada e rimos.
— Mel!!! — Angel grita saindo da cozinha com a cara suja de... chocolate?
As duas correram e se abraçaram. Agora sim! Eu estava radiante, finalmente minhas filhas estão comigo novamente. Finalmente elas estão bem.
As duas brincavam animadas pela casa toda, corriam para todo lado. Enquanto elas brincavam eu fui até a cozinha comer o magnífico bolo de chocolate da Olga. Encontrei com Angie na cozinha, devorando um pedaço de bolo, Clarinha estava na cadeirinha com o rosto todo sujo também.
— Sentiu o cheiro? — Angie perguntou rindo, assim que eu entrei na cozinha "farejando" o bolo.
— Mais ou menos... senti que Angel vai ter que tomar um belo banho. — Digo rindo. Angie não entendeu muito bem, então olhou para Angel que agora roubou outro pedaço de bolo da bancada, depois veio Mel e fez o mesmo.
— Não se suje, Melissa, você já tomou banho! — Grito enquanto ela voltava a correr.
— Nossa! — Angie exclamou rindo.
— Pois é... mas prefiro ver elas assim do que doentes. — Digo às olhando.
— Eu também! — Diz Angie.
— Uou! — Papai diz entrando na cozinha e desviando das gêmeas que corriam sem parar. Eu e Angie nos olhamos e rimos logo em seguida.
Terminei de me deliciar com o bolo de Olga quando ele acabou. Pois é, o bolo acabou. Mas também, oito pessoas comendo não iria sobrar nada, mesmo. Eu, Angie, Papai, as gêmeas, Clarinha, até Olga e Ramallo comeram.
Quando acabei fui ver minhas pequeninas. Acho que dizer para Mel:
"Não se suje, Melissa!" Seria o mesmo que dizer: "Suje-se a vontade, Melissa!"
Pois ela estava irreconhecível, igual Angel. Não pude deixar de sorrir diante aquela cena. Mas logo voltei pra terra e as chamei.
Dei um banho rápido nelas e as vesti iguais. Calça jeans rosa, regata branca, e casaco pink, e as sapatilhas brancas. Ficaram lindas! Quando já estavam prontas, nos despedimos de todos e saímos da mansão.
Chegamos perto do carro, e quando eu ia mandar Angel e Mel entrarem no carro para mim arrumá-las nas cadeirinhas, uma voz me interrompe:
— Eu vim buscar minhas filhas, Violetta...
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