Sede de Sangue

26 Pronta para partir


Ao abrir os olhos Megan olhou para o lustre, devia ser caro, muito caro. Ela respirou fundo, então sentou-se. Pôs os pés descalços no chão frio do quarto ainda escuro. Quanto tempo até o feitiço? ... Não importava. Parte dela já estava começando a aceitar que este seria seu último dia.

Porém parte disto era bom, ela pensou. Se morresse hoje não teria de escolher entre sua humanidade ou tornar-se vampira. Mas a verdade é que ninguém está pronto para a morte, e no fundo Megan estava com medo. Medo de não se despedir de ninguém, medo que levasse tempo até que ela estivesse de fato morta, medo que doece mais do que ela achava razoável. Em resumo, medo era a palavra que predominava sua mente.

Ela se levantou da cama ao ouvir duas batidas na porta. Héctor entrou, segurando nas mãos o que aparentava ser uma muda de roupas.

–Vista. Eu venho buscar você em cinco minutos.

Megan não disse uma palavra, nem sequer acentiu, ela apenas pegou as roupas e entrou no banheiro. Então se trocou, colocou a calça jeans, seus tênis, a blusa branca sem graça... Uma lágrima desceu pelo seu rosto, mas ela não fez esforço para segurar. Saiu do banheiro, e assim que pisou no quarto Héctor abriu a porta, então apontou para fora com a mão aberta, sinalizando para que ela saísse.

Ela obedeceu, os dois passaram por corredores, passaram pelas portas, até que chegaram na sala. John estava de costas, olhando pela janela, ele se virou ao notar a presença dos dois. Então sinalizou para que Héctor saísse. Ele obedeceu de imediato. John se aproximou de Megan, seus olhos já cantavam vitória.

–Como se sente? -Ele perguntou, mas não havia mais nenhuma expressão em seu rosto.

–Pra uma pessoa a beira da morte? Não sei, devo estar controlada.

–Quero que saiba que isto é necessário...

–Pra quem? -Sua irritação foi clara- Quer saber, já que é meu último dia, eu realmente me sentiria bem melhor se você não me dirigisse nenhuma palavra.

–Como quiser... Último desejo?

–Claro, -Ela fechou a mão, e a manteve apertada- Vá pro inferno!

Ela deu o soco tão forte como poderia, acertando o queixo de John. Seu punho latejava com a dor, ela tinha certeza de que aquele havia sido o soco mais forte que ela já havia dado em alguém. Porém John nem sequer se mexeu, ele permaneceu ali, olhando para ela. Então um sorriso macabro surgiu em seu rosto.

–Se sente melhor? -Ele perguntou sarcástico.

Então, passou por Megan e abriu a porta. Sinalizou e ela saiu, quando pisou no gramado Héctor apareceu ao seu lado, segurando forte o seu braço. Ele a levou até o carro, mas antes que entrasse, Megan viu Luna sendo levada e posta em um outro carro.

Héctor pôs Megan no banco e sentou-se ao seu lado. Kate entrou no carro, sentou-se também no banco de trás, deixando Megan entre ela e Héctor. O olhar de Kate era de deboche.

–Então essa é a famosa meio sangue? -Megan a encarou- Me diga como é estar a beira da morte.

–Logo você vai saber se não deixa-la em paz. -Respondeu Héctor secamente.

Kate revirou os olhos, mas ficou em silêncio. Um outro vampiro entrou, e começou a dirigir. Naquele momento Megan se sentia em desespero, pois sabia que sua morte estava chegando.

*

Outra vez Peter revisou o plano, dizendo a todos que estavam naquele galpão o que tinha que fazer, e o momento exato que tinha que fazer. Ao terminar pediu que todos saíssem. Mas Kevin e Frank permaneceram lá, o encarando.

–Como sabe que esse plano vai dar certo? -Kevin perguntou, ele era puro nervos naquele momento.

–Porque conheço John. -Respondeu Peter- Agora temos que ir.

Kevin saiu, e antes que Peter fizesse o mesmo foi interrompido por Frank.

–Você não tem certeza se esse plano vai dar certo, não é?

–Não... Não tenho. -Peter suspirou com tensão- Mas ela é minha filha, não posso deixar que ela morra.

Frank acentiu, então saiu. Deixando Peter sozinho, ele não podia suportar a ideia de ter sua filha morta, ainda mais por conta da vingança de John. Aquele plano era a única chance que ele tinha de salvar Megan.

Assim que descobriram sobre seu sumiço, tiveram certeza de que havia sido John. Então levaram um dos seus capangas para o galpão e o fizeram dizer tudo que sabia... Segundo ele o feitiço seria feito em uma fábrica, fechada anos atrás. Ela ficava um tanto longe de Groovery Born, porém John teria tempo, pois o feitiço só seria feito ao cair da noite. Peter recuperou o foco e saiu do galpão.

*

Max chegou até a fábrica. O lado bom de ter trabalhado para John, era que ele sabia de todo o seu plano doentio, ele pensou.

Havia uma grande chance de que conseguisse salvar Luna se ele pensasse direito. E ele devia isso a ela, devia isso a sí mesmo também. Porém não era apenas isto. Ele a amava, não podia perde-la, ainda mais para uma vingança de John.

Ele entrou na fábrica, olhando ao redor, procurando um lugar para se esconder. Então achou um perfeito. Atrás das escadas, em uma parte nos fundos. Ninguém iria até lá, e o melhor, ele tinha a clara visão da entrada... Era só esperar e quando ninguém estivesse olhando, salvar Luna, ele pensou. Então sua confiança era inabalável.

*

O vampiro que dirigia o carro parou em uma estrada deserta. Megan se esforçou para enchergar, mas não era possível ver muito. Pois já havia anoitecido.

–Venha. -Héctor disse tirando Megan do carro.

Ela obedeceu, mais a frente conseguiu ver uma grande fábrica, ela não sabia de que, mas sabia que estava abandonada, e a julgar por seu estado estava abandonada a muito tempo, as paredes quase caiam aos pedaços, a maioria dos vidros estavam quebrados.

Logo mais chegaram outros carros, Héctor se aproximou de um deles, levando Megan junto. Quando pararam em frente, John desceu daquele carro, com seu ar superior e mesquinho de sempre.

–Leve-na para dentro Héctor. -Então John olhou para todos os vampiros do lado de fora- Vocês sabem o que devem fazer.

Ao dizer isso eles se espalharam, indo cada qual para seu devido lugar. John entrou na fábrica, acompanhado por alguns vampiros. Um deles estava levando Luna, ela nem sequer fazia esforço para escapar, pois sabia que seria em vão. Eles a colocaram acorrentada em uma das paredes.

Dentro da fábrica era quase um completo vazio, a menos por um altar quase no centro, ele era de pedra, e havia nele um pentagrama invertido, com uma vela em cada ponta, e na frente dele uma cadeira. Megan foi posta naquela cadeira.

No teto estavam pendurados alguns recipientes que pareciam caldeirões, provavelmente cheios com alguma substância.

Lexi foi a última a ser levada para dentro, naquele momento todos os vampiros de John ficaram em silêncio e passaram a encara-lo, ele se dirigiu a Lexi.

–Você é a bruxa, e a menos que queira ter uma morte lenta e dolorosa, suponho que cuide do feitiço. Qual o primeiro ingrediente?

Ela o encarou, mas por fim acentiu.

–O sangue de três vampiros... Como alguém como você diria... Comuns.

–Quanto sangue?

–Apenas três gotas de cada... E coloque dentro do cálice.

John não gostava da ideia de estar cumprindo ordens de alguém. Porém valia tudo para matar seu irmão. Ele pegou sangue de dois de seus capangas, as três gotas de cada, e colocou no cálice. Então se aproximou de Luna, e com seu rosto sem expressão retirou três gotas de seu sangue também.

Lexi pegou o cálice de suas mãos, então fechou os olhos, e pronunciou três palavras em latim.

–Um punhal. -Ela disse, e John lhe entregou um punhal -Agora o seu sangue.

John estendeu o braço e ela cortou com o punhal, pondo muito do seu sangue no cálice, o corte cizatrizou tão rápido quanto se abriu. Ela pronunciou outras palavras, e então pôs o cálice no altar.

Em seguida Lexi olhou para fora da fábrica, a lua estava em seu ápice. Era hora de continuar com o feitiço, ela acendeu as velas e se aproximou de Megan, com o punhal nas mãos, então colocou os dois braços de Meg sob o altar, com os pulsos virados para cima.

–Eu sinto muito meio sangue... -Disse ela, mas antes que cortasse os pulsos de Megan foi interrompida.

–Achou mesmo que eu fosse deixar você matar a minha filha? -Peter disse parando logo na entrada da fabrica.

–E quem vai impedir? -John respondeu e seus vampiros começaram a se aproximar de Peter.

Megan olhou para Peter com desespero, ela não suportaria saber que ele havia sido morto por sua causa. Mas isso não iria acontecer. Um grande barulho começou a vir do lado de fora, uma grande luta entre os vampiros, de John, e de Peter havia começado. Onde isto iria parar?

Pelas janelas mais e mais vampiros entravam na fábrica, uma grande mistura entre os bons e os maus. Cabeças rolavam pelo chão a todo momento, e o sangue era espalhado por todos os cantos da fábrica.

–Continue o feitiço! -John disse, e seu desespero por um momento se tornou aparente. Lexi mesmo hesitante usou o punhal e fez um corte na vertical em cada pulso de Megan, eram cortes tao profundos que o sangue descia com velocidade. -Héctor não deixe que impeçam o feitiço!

–Sim senhor! -Disse Héctor parando perto do altar, e lutando contra os vampiros que ousavam chegar perto.

John olhou para Peter, que também o encarava, aquele olhar queimava os dois por dentro, toda a raiva que John sentia de Peter, naquele momento foi correspondida, e os dois correram tão velozes quanto podiam na direção um do outro. Peter o derrubou no chão, e então o golpeou na barriga.

–Seu maldito! Eu cansei de dar clemência a você!

John o empurrou, então ficou em pé e o jogou na parede.

–Eu não preciso da sua clemência!

Lexi pronunciava palavras em latim com seus olhos fechados, Megan nem se esforçava para ouvir, todo aquele sangue saindo dos braços, estava deixando-a horrorizada. Sua cabeça começava a ficar leve, ela olhava ao redor, vampiros matando vampiros, um barulho atormentador, o altar coberto por sangue. A lua vermelha no céu, enquanto John e Peter mostravam o ódio em cada golpe que davam um no outro.

Um corpo foi arremessado para dentro da fábrica, atravessando até o outro lado, quebrando a janela e indo para fora. Kevin o havia arremessado, ele entrou na fábrica, então veio diretamente na direção de Megan, sendo interceptado por Héctor.

–Achou que fosse entrar aqui e resolver tudo?

Kevin tirou as presas para fora, havia muito sangue em sua roupa. Héctor parou na frente dele.

–Quer mesmo ir por este caminho garoto? Tenho mais que o dobro da sua idade.

–Não tenho medo de você!

Kevin disse e acertou um soco em seu queixo. Héctor sorriu sarcástico, então o segurou pela gola da jaqueta e o jogou no chão. Megan observava horrorizada, mas já não podia fazer nada, mesmo que cada músculo de seu corpo lutasse para se levantar e ajudar Kevin, ela não conseguia.

E a cada gota de sangue que saia de seu corpo, a fraqueza aumentava. Ela olhou para sua direita, e viu Max... O que ele fazia ali? Ele correu tão rápido quanto sempre corria, então conseguiu quebrar uma parte da parede onde estavam presas as correntes que seguravam Luna. Ele havia acabado de liberta-la, o jeito como os dois se olhavam.

Megan sabia o que significativa, e Max havia entrado lá, mesmo correndo o risco do relacionamento deles ser descoberto... Aquilo era amor, com todas as quatro letras, de fato era amor. Os lábios de Max se mexeram, ele dizia alguma coisa para Luna, algo que Megan obviamente não conseguia ouvir.

Ele foi interrompido por um vampiro, que o golpeou, mas ele revidou, e antes mesmo que Megan observasse claramente os dois já estavam em um confronto que parecia ser sem fim. Assim como todos naquela fábrica.

Megan retornou os olhos a Lexi, por um momento ela parou de falar, então olhou para o altar. Estranhamente ele brilhava, era um brilho fosco, e que quase não se notava. O cálice ainda estava ali, parado no centro do pentagrama, e o sangue de Megan espalhado por todo o altar. O que era inquietante, era o fato de que o sangue não caia no chão ele permanecia sob o altar.

Lexi respirou fundo, então voltou a pronunciar as palavras, Megan via aquilo, mas sua visão estava um tanto escura, os gritos ao redor não faziam tanto efeito quanto antes.

–LEXI PARE! -Gritou Luna correndo na direção da irmã.

Mas quando chegou perto, Lexi levantou a mão, a deixando reta, em um sinal de pare. E Luna foi arremessada quase até o outro lado da fábrica.

–Isto é preciso irmã... -E ela deu continuidade ao feitiço.

Mais uma vez os olhos de Megan chegaram a seu pai e a John, eles ainda lutavam, com uma fúria que ela jamais havia visto. As presas de ambos a mostra, os olhos com grande parte inundada em uma cor vermelha.

John batia em Peter naquele momento, dando socos em seu rosto. Mas estranhamente ele parou, e então pôs as mãos na cabeça. Um grito ecoou pela fábrica... Ele estava... Com dor?

Após aquele grito, a luta de todos cessou, e todos passaram a olhar para John. De alguma forma ele parecia estar se contorcendo de dor. Ele caiu no chão com as mãos postas na cabeça e dando um outro grito ainda mais alto que o primeiro. Seus olhos caíram sobre Lexi, ela havia terminado o feitiço.

–SUA VADIA! O QUE FEZ COMIGO!?

–Está feliz John? Eu terminei o feitiço que você tanto queria!

Ele se levantou, ainda tonto, e deu um passo na direção de Lexi.

–Você fez alguma coisa errada... -Ela o interrompeu.

–Eu não fiz nada errado, a pergunta é o que deu errado... Você errou nos ingredientes John.

–Do que está falando!?

–Você precisava do sangue que unisse você ao Peter, que tivesse um parentesco, mas que fosse mortal.

–Foi isso o que eu te dei, a meio sangue!

–O feitiço deu errado... Acho que você é capaz de ligar os fatos.

–Do que está falando!?

–Você John. VOCÊ É A MERDA DE UM BASTARDO! -Ele a encarou, pasmo- É isso mesmo, você não é irmão do Peter, não é filho de Henry, portanto, o sangue garota não serviu para o feitiço.

–Isso é impo... -Antes que ele terminasse, se ajoelhou no chão. A dor era insuportável- Você sabia disso!

–Sim sabia... E sei também o que vai acontecer com você, agora é como se você jamais tivesse se alimentado! Você está morrendo John!

Ele ainda estava agonizando, mas antes que todos vissem sua morte ele levantou a cabeça, olhando para Lexi, o ódio em seu olhar era visível para todos. Ele se levantou, e em seguida foi até Lexi, rápido, porém não tão rápido como sempre.

–Se eu morrer, -Ele segurou com as duas mãos a cabeça de Lexi- Nos encontramos no inferno!

Então entortou um pouco a cabeça dela para o lado direito, deixando seu pescoço livre, para que seus dentes adentrassem. Ele bebeu seu sangue, a fome parecia insaciável, até mesmo para ele. Os olhos dela ainda tinham vida, quando ele arrancou sua cabeça em uma amostra monstruosa de raiva.

–LEXI! NÃO! -Disse Luna.

Frank ainda tentou segura-la, mas ela foi rápida, chegou até John e o empurrou com força, ele caiu no chão. Mas ela não parou, deu um pulo tão alto quanto poderia, e puchou um daqueles "caldeirões" fixados no teto. Ele caiu, e para a surpresa de todos havia um líquido dentro dele. Grande parte caiu em John.

E parte de seu rosto parecia derreter, era ácido. Ele gritava alto, a dor parecia terrível, mas Luna não se importou, Frank chegou até ela, e a puchou. Héctor olhava para John, seria aquele o seu fim?

–Megan! -Disse Kevin empurrando Héctor e chegando até ela.

Mas ela não respondeu, só o encarou, já não conseguia falar, tudo ao seu redor girava, ela ouvia os gritos de John, via todos a sua volta olhando para ele. Viu também o seu pai se aproximando, e a olhando com desespero. Só que de repente nada daquilo importava, de repente ela se sentia pronta para partir.

–Leve ela para um hospital... Eu cuido pra que ninguém siga vocês. -Disse Peter- Luna vá com eles.

Luna acentiu. Kevin segurou Megan em seus braços, ela ainda respirava, fraco e em ritmo incerto, mas respirava. Seus braços estavam cobertos por sangue, e seus olhos quase não olhavam para nada. Kevin chegou ao carro, e entrou, sentando-se no banco de trás, ainda com Megan em seus braços. Luna começou a dirigir.

–Onde vamos encontrar um hospital!? -Luna perguntou aflita.

–Eu não sei... Mas precisa ser rápido, ela não vai aguentar muito tempo.

–Kevin o hospital mais próximo é o de Groovery Born, e ainda assim fica a vários quilômetros daqui!

–Então seja rápida! Ela está morrendo Luna!

Megan tremia um pouco, mesmo com a jaqueta de Kevin sob seu corpo. Ela sentia sua morte, o rosto de Kevin era a única coisa que ela via... Não estava sendo tão ruim, ao menos não tão ruim quanto poderia. Não havia mais nada a ser feito. Naquele momento ela teve a certeza de que não chegaria no hospital.

Então tinha que dizer, e se aquelas fossem suas últimas palavras ela morreria feliz.

–Kevin... -Ela disse, sua voz era fraca, e quase impossível de escutar. Ele se aproximou de sua boca, se esforçando para ouvir. -Eu... Eu te amo...

–Eu também te amo.

Ele disse, e o mais próximo que conseguia de um sorriso apareceu nos lábios, agora sem cor de Megan. Ela o encarou, ele retornou seu olhar, ambos sem dizer mais nenhuma palavra, eles não conseguíam, tudo que poderiam dizer, havia sumido de suas cabeças. Megan lentamente fechou os olhos.

–Megan! -Ele a chacoalhou. -Acorde!

Luna olhou para os dois, segurando o choro. Kevin se inclinou para frente, ela ainda respirava, mais pouco que nunca. Havia parado de tremer, estava quase morta, faltavam apenas... Minutos... Segundos...

–Não posso perdê-la. -Kevin disse, e em seguida tirou suas presas. Ele mordeu seu próprio braço, o sangue começou a sair.

–ESPERE! -Disse Luna, então ele a encarou- Você sabe que é arriscado, ela está quase morrendo, se morrer com o seu sangue no organismo...

–Eu sei. -Ele respondeu secamente- Mas existe uma chance do meu sangue ser o suficiente pra ela se curar.

–Você sabe que no estado dela isso é praticamente impossível Kevin!

–Esta me pedindo pra deixá-la morrer!?

Luna respirou fundo, ela também não queria perder Megan.

–Faça o que é preciso. -Ela disse.

Kevin tentou refletir sobre o que era certo, mas não conseguiu. Ele abaixou seu braço até a boca de Megan e a abriu, fazendo com que ela bebesse uma quantidade razoável de seu sangue.

Mas nada parecia ter mudado, sua respiração ainda era fraca. Luna continuou dirigindo, tão rápido quanto o carro podia. Eles chegaram no hospital. Kevin segurou Megan nos braços, e correu para dentro.

Assim que viram aquela cena, várias enfermeiras correram até os dois, uma delas empurrando uma maca. Kevin colocou Megan com cuidado sob a maca. Então tentou acompanha-la enquanto era levada para o quarto, mas uma enfermeira segurou seu braço.

–Vocês dois esperam aqui. -Ela disse se dirigindo também a Luna. -Quando voltar vou querer falar com vocês.

Kevin obedeceu, sentando-se em uma das cadeiras da sala de espera. Luna sentou ao seu lado, naquele momento ela era incapaz de pensar em Lexi. Megan poderia de fato morrer... Isso a deixava horrivelmente triste.

–Ainda há uma chance de que ela saia daquela sala com vida. -Luna disse, fazendo esforço para acreditar naquilo também.

–E se não sair!? Eu a amo... Não posso viver sem ela.

–Você deu seu sangue, realmente há uma chance de que ela saia com vida.

–Ela estava quase morrendo... E se meu sangue nem sequer chegou ao seu organismo?

Luna silenciou, uma lágrima caiu por seu rosto... Megan era a sua única amiga, primeiro Betty... E agora... Ela nem sequer podia pensar naquilo. Kevin se inclinou para frente, segurando a cabeça nas mãos... Sua respiração estava acelerada, ele não aguentava mais esperar por notícias. Aquilo era tortura.

Suas últimas palavras... Ele não conseguia tirar da cabeça. Aquele eu te amo, distante, fraco. Mas que de fato era tudo o que ela conseguiu falar. Ele teria dado sua vida para que ela ficasse viva, mas não tinha sido possível. E agora tudo que tinha para se fazer era esperar. Esperar que seu sangue a curasse... Esperar que uma enfermeira viesse com uma notícia boa, esperar que Megan superasse aquilo e saísse sem nenhum dano. Esperar por seu próximo... "eu te amo"