Sede de Sangue
7 Impura
Ainda sentada no sofá da casa de Frank, Megan se perguntava onde Kevin estava, e por mais que estivesse se sentindo enganada não conseguia parar de se preocupar com ele. Quando viu aquelas criaturas na floresta, tudo em que pensou foi em fugir, mas agora ela pensava que talvez no meio de toda essa loucura houvesse alguma explicação plausível.
Por mais estranho que pudesse parecer, Megan não estava com medo daquelas criaturas... Ou vampiros, porém ela não ousava pensar nessa palavra. Ela foi até a cozinha, onde Frank estava preparando um sanduíche.
Megan se sentou em uma das cadeiras, e quando Frank se virou entregando o prato ela disse.
–Você vai me matar?
–Porque eu faria isso? -Frank responde sentando-se na cadeira da frente.
–Então... Porque aquela mulher e os outros... Vampiros... Queriam me levar?
–Eles querem te entregar a John.
–John?
–Seu tio.
Megan levanta uma das sobrancelhas.
–Tio?
–É uma longa historia.
–Não saio até você me contar.
Frank se debruça colocando os cotovelos sobre mesa, e logo depois responde.
–O que sabe sobre seu pai Megan?
–Meu pai?... Mas o que isso tem a ver com ele?
–Você acha que seu pai abandonou você, não acha?
–Ele deixou a mim e minha mãe quando eu tinha alguns meses de vida... Então sim, ele nos abandonou.
–Acreditaria se eu dissesse que ele estava, e ainda está apenas querendo proteger você?
–De quem?
–John. –Kevin responde chegando à cozinha com Mike.
Megan fica em silêncio, uma parte sua estava aliviada por ele ter chegado, mas outra ainda estava com raiva pelo fato de que ele havia mentido para ela, Mike colocou as mãos na pia, ele parecia estar enfurecido. Enquanto isso, a duvida corroia Megan por dentro, será que todo esse tempo ela julgou seu pai errado e ele apenas estava apenas tentado protegê-la?
Mike quebra todo aquele silêncio dizendo.
–Eles a levaram.
–O que? –Frank responde se levantado.
–Levaram Betty e Luna. –Mike olha para Frank. –Temos que fazer alguma coisa.
–E vamos, mas temos que pensar com calma, não podemos errar. –Kevin responde.
–Errar? –Mike diz parado na frente de Kevin — Nós nem sabemos o que vão fazer com elas, temos que ser rápidos.
–Se dermos um passo em falso elas morrem Mike.
–ELAS VÃO MORRER SE NÃO AGIRMOS RÁPIDO!
–Parem com isso, surtar não vai salvar ninguém, agora precisamos pensar. -Frank fala olhando para eles.
–Tudo bem... Então pra onde eles a levariam? –Kevin pergunta quando todos estão na sala.
Megan senta-se na poltrona ao lado de um grande quadro com uma moldura barata, pelo menos hoje em dia... Talvez antigamente aquilo fosse raro e digno de um museu.
–Talvez eles levem as duas para outra cidade. — Diz Mike.
–Não, acho que já sei pra onde a levaram. –Frank diz se levantando do sofá.
–Onde? –Megan pergunta.
Todos olham para ela, Frank diz com seu jeito calmo.
–Não é seguro para você Megan.
–O que? Eu vou com vocês... Elas são minhas amigas, e as duas não pensaram duas vezes antes de salvar minha vida naquela floresta... Eu tenho que retribuir de alguma forma.
–Ficando segura, é assim que vai retribuir. –Mike diz.
Logo depois, Frank a leva até um dos quartos, Megan o houve trancar a porta, mas ela sabia que tinha que fazer alguma coisa, ela tinha que salvar suas amigas, pois sabia que elas fariam o mesmo se ela estivesse naquela situação.
O quarto era grande, tinha uma cama de casal grande, e de madeira, por sinal antiga como tudo naquela casa. Ao ir até a janela Megan viu os três saírem da casa. Tudo o que eles queriam que ela fizesse era sentar e esperar, porém Luna e Betty poderiam estar em perigo, ou até mesmo mortas. Talvez Megan fosse à única chance das duas.
Enquanto estava sentada naquela imensa cama, Megan começou a pensar em um plano para encontrar suas amigas... Talvez fosse o tempo curto que tinha para encontrar as duas que a fez pensar em Max, se o encontrasse, talvez pudesse conseguir fazê-lo falar, ou ao menos conseguisse segui-lo até o lugar que ele mantinha as garotas.
Megan se decidiu foi em direção a janela, era alto, se ela conseguisse se agarrar na janela do quarto ao lado, e então a porta estivesse aberta, ela conseguiria escapar. Foi isso que ela fez, colocou o pé para fora e logo depois olhou para baixo, o medo a fez encarar o céu. Logo em seguida ela colocou um dos braços na janela do quarto ao lado, e por fim se agarrou na janela e conseguiu entrar.
A porta estava aberta, ela desceu as escadas, não demorou a encontrar em baixo de um vaso brega a cópia da chave da porta principal. Assim que conseguiu sair viu uma caminhonete ao lado da casa. Megan sentou-se no banco do motorista, e encontrou a chave no porta luvas.
Quando começou a dirigir, acabou se perdendo e demorou para que conseguisse sair daquela imensa floresta. Assim que chegou perto da praça principal da cidade ela desceu do carro, seu problema era encontrar Max, afinal para onde o garoto teria ido?
Ela pensou na escola, era para lá que pensou em ir, mas antes que fizesse isso seu celular tocou.
–Megan; Megan; Megan... O que a faz pensar que vai ser fácil?
–Max? ... Me escute, eu preciso que... –Ele a interrompe.
–Você precisa de uma localização, estou certo?
–Por favor, me diga onde elas estão.
–Eu quero entregá-las a você Megan. Acho você uma boa garota, mas só vou fazer isso por um preço.
–Que preço?
–Uma troca... Entrego as duas mais você vem comigo.
Frank tira o celular das mãos de Megan, e depois diz a Max.
–Vou encontrar você e quebrar todos os seus ossos, seu maldito idiota.
–Onde foi parar aquela doce voz? –Max responde ironicamente, e depois desliga o celular.
Mike e Kevin olhavam para Frank atentos. A cada minuto que se passava, a chance das duas estarem vivas era casa vez menor. Depois de um minuto Frank disse olhando para os dois.
–Precisamos de um plano... –Megan o interrompe mostrando o celular.
–Ou a localização de Max. –Ela sorri. -Eu vou com vocês.
Todos entram no carro de Frank, a ligação havia sido feita de um armazém quase fora da cidade, assim que pararam em frente Frank disse.
–Espere por nós aqui Megan.
–Eu sei me cuidar... Eu vou com vocês –Ela abre a porta e depois desce do carro. –Ou então vou sem vocês, eu vou de qualquer jeito.
Todos descem, do lado de fora tudo estava quieto. A ligação havia sido feita de um velho armazém abandonado quase fora da cidade. Em silêncio todos entram ao fundo viram a mulher, seus dois capangas estavam segurando Betty e Luna. A mulher se aproximou.
Megan estava com medo, e se sentiu como uma criança que se perde da mãe em um supermercado, ela odiava sentir que precisava de proteção, isso a fazia pensar que era incapaz de cuidar de si mesma. A mulher parou a frente deles, Kevin colocou Meg um pouco para trás, logo a mulher disse olhando para Meg.
–Entreguem a garota e eu deixo vocês irem.
–Não vai ser possível –Frank diz indo na direção de um dos capangas e jogando ele na parede.
Enquanto isso Mike brigava com o outro. A mulher tenta segurar Megan, porém Kevin a empurra fazendo com que ela deslizasse pelo chão do armazém. Megan vai até Luna e Betty que estavam caídas e desacordadas, por mais que tentasse fazê-las acordarem Megan não conseguia. Ela viu Amanda vindo pela porta da frente do armazém, rapidamente se escondeu atrás de um dos pilares, porém não obteve sucesso, pois Max a encontrou minutos depois.
Um dos capangas jogou Mike pela janela o fazendo desmaiar, depois conseguiram segurar Kevin e Frank. Então a mulher deu um suspiro cheio de ódio e disse.
–Deveriam ter colaborado... Max, leve-a para o carro.
Max segurou o braço de Megan, depois começou a puxá-la, ela tentou se soltar, mas seria impossível, quando já estavam quase em frente à porta Max é interrompido por uma estaca que quase o acerta. Logo em seguida todos olham para o segundo andar que foi de onde veio a estaca.
Lá havia uma mulher, ela desceu as escadas do armazém, e depois parou na frente de Max, que a olhou com um ar de deboche, porém ela não parecia se importar, pelo contrario, ela fazia um ar de superioridade.
–Solte a garota. –Ela disse apontando um lança estacas para Max.
–E se eu não soltar? –Max responde imediato.
A mulher sorri com um ar sarcástico e aponta o lança estacas para um dos capangas, logo em seguida atira, acertando-o no coração. Ele cai no chão, e se decompõe, Max solta o braço de Megan e depois sai do armazém junto com seus “parceiros”.
A mulher tinha cabelos loiros, seus olhos eram azuis e muito encantadores, ela vestia um jeans azul, botas pretas e uma regata branca.
–Obrigado. –Megan diz olhando para ela. –Mas quem é você?
–Sou Sarah Venatrix. –Ela responde
–Eu sou... –Sarah a interrompe.
–Megan Horkfield... Eu sei que é você.
–E o que você quer? –Frank pergunta ao lado de Megan.
–Procuro por um vampiro... Mas pelo que vejo vocês não sabem onde ele está. –Sarah responde.
–Qual o nome desse vampiro? –Kevin pergunta.
–John.
–Você não deveria nos matar?
–Não vou matar vocês, talvez possam me ser úteis. –Ela responde saindo do armazém.
Quando vão para o lado de fora, Betty e Luna ajudam Mike a se levantar. Já estava entardecendo, Kevin leva Megan para casa, nenhum dos dois disse uma palavra, até que chegaram, Megan abriu a porta e desceu do carro sem olhar para Kevin.
–Ainda está me ignorando? –Kevin diz saindo do carro e indo atrás dela.
Megan olha para ele, e depois diz.
–Você mentiu pra mim Kevin.
–Eu não queria, mas foi preciso, eu estou protegendo você.
–Então tudo isso... Esse namoro, tudo, foi apenas pelo fato de você ser obrigado a me proteger?
–Não Megan, eu amo você.
–Você me ama Kevin? E mesmo assim mente na minha cara?
–Eu mentiria de novo pra deixar você segura. Porque pra mim é isso que importa, você estar a salvo... Então desculpe se me acha um mentiroso egoísta, mas não Megan, eu não me arrependo.
–Eu não te acho um mentiroso egoísta Kevin, me apaixonei por você desde o primeiro momento em que te vi. Talvez eu não soubesse que você era um vampiro, mas eu sempre soube que você era o amor da minha vida.
Megan o beija e depois segura sua mão. E o leva para dentro, quando já estão sentados no sofá ela pergunta.
–Quero que me conte toda a verdade Kevin, porque John quer que me levem?
–Ele precisa de você para quebrar uma maldição...
–Que maldição?
–Quando John e seu pai eram humanos, seu avô descobriu a bruxaria em Salém, ele condenou as bruxas à morte, isso ocorreu por um longo período, até que uma delas, a mais velha, amaldiçoou os filhos de Henry, seu avô, ela foi morta dois dias depois... Só que seu pai e John começaram a se sentir estranhos, eles sentiam uma fome incomum, e não conseguiam se saciar, até John atacou Henry, ele o deixou fraco, pois bebeu quase todo seu sangue, ele morreu antes que o doutor chegasse... Depois seu pai e John descobriram o que estava acontecendo, eles eram vampiros... Passaram quase uma semana tomando sangue humano, até que conheceram uma bruxa, e ela disse que havia uma forma de quebrar a maldição, “Tomando até a última gota de sangue de um impuro”.
–Impuro?
–Em outras palavras... Meio sangue. -Megan levanta uma das sobrancelhas, e depois Kevin continua falando. –Você Megan, você é filha de um humano e um vampiro... Você é a única que pode quebrar a maldição.
–Como assim meio sangue?
–Você nunca notou que às vezes é mais forte do que alguns humanos?...Você nunca fica gripada... Ou então quando chega perto de um vampiro sente algo diferente é como se uma parte sua se identificasse, mas outra ficasse apavorada.
–E porque John quer quebrar a maldição? Vocês são imortais, não é isso que a maioria quer?
–Com os anos se passando John foi mostrando quem realmente é... Ele não tem ninguém, nem amigos, nem família, ele é completamente vazio e sombrio... Agora ele deseja apenas o “descanso eterno”
Megan abaixa a cabeça. Kevin olha para ela e depois diz abraçando-a.
–Eu nunca vou deixar que machuquem você. –Ela sorri e corresponde o abraço.
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