Secura do Ventre
1 Ventre Feminino e o Reinado Perdido.
Notas iniciais
[ Ventre Feminino e o Reinado Perdido ]
Os orbes acastanhados miraram-se pela irregular fresta com assombro aos escombros outrora mais belos e imponentes de ver-se pela tintura da pintura emoldurada ou pelos dizeres épicos de um poeta mal-interpretado em sua época.
A bandeira avermelhada orgulhosamente pendida nos pedregulhos restantes e inseguros do castelo explanavam publicamente sua penúria e sofreguidão pelo ventre seco como os galhos dos arvoredos daquele inverno feroz. Ferocidade essa compartilhada por aqueles que tomaram o seu reino trajados do escarlate sanguíneo de seus súditos mortos ou escravizados.
Seu rei, sua honra e sua vida dolorida escorria com as doces lembranças cada dia mais longínquas naquela torre imunda e obscura.
Sofria em silêncio, os lábios selados com agulha e linha para não mais berrar, os grilhões pesados e enferrujados suspendendo os membros para não mais resistir e lutar pelo próprio destino, despida de vestes para ser tomada forçosamente pelo maldito usurpador do trono dourado e seus aliados.
Os orbes acastanhados denunciavam em um silêncio desagradável a culpabilidade do anteriormente amante.
A secura do ventre a carregou do casamento auspicioso àquele dia que não mais retornou a própria consciência, tampouco a demência.
Rainha cujos ventres são secos, ocos, deveriam ser assassinadas cedo ou tarde pela própria inutilidade.
Tragicamente cômico que Agathé necessitou perecer para saber que o mundo era daqueles que possuíam um falo e à quem culpabilizar pelos atos; O preço de possuir seios sexualizados e uma intimidade feminina para ser mais exato.
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