NICO

Depois de um dia inteiro definindo o trabalho de Bob como o novo zelador do Mundo Inferior e brincando com o Cérbero de seu pai, Nico é tele-transportado para Hogwarts.

— Dormir – o menino geme, caindo na cama.

— NICO! – uma voz grita.

— Mais cinco minutos – murmurou no travesseiro. Sua cama no palácio do seu pai no submundo era feita de ossos, o que não era exatamente confortável.

— VOCÊ ESTÁ COBERTO DE SANGUE! – Will grita.

Nico sente Will o tirando da cama. – EI!

— A sua roupa está praticamente em pedaços, isso para não mencionar que estão molhadas de sangue! – o loiro ressalta, tentando o levar até a porta.

— Ele está de volta? – pergunta outra voz.

— Alguém avise McGonagall. Vou levar ele para a Madame Pomfrey – Will diz.

? Nico estava apenas com alguns arranhões, a maioria deles nem sequer vão deixar cicatrizes. E por que falar com McGonagall? O menino só sumiu por um dia…

Nico se sente caindo na inconsciência.

•••

Quando finalmente acordou, percebeu que estava num quarto horrivelmente branco, com um cheiro horrível de remédio. – Onde eu estou? – Nico geme.

— Na ala hospitalar, Sr. Di Angelo. Você nos deu um susto – uma mulher idosa diz.

— Posso ir embora?

— NÃO, VOCÊ NÃO PODE! – ela exclama. – Seu corpo está coberto de hematomas e você tem várias feridas de espadas em seu corpo, para não mencionar o nível de exaustão que seu corpo está sob.

— Você não pode apenas curá-lo e me deixar ir para meu dormitório – o menino geme. – Eu odeio hospitais.

— Talvez em alguns dias.

— Que dia é hoje? – pergunta, de repente.

— Dezenove de Dezembro – ela responde, parecendo confusa.

Faz um ano. Nunca mais a virei.

— Sr. Di Angelo, você está bem? – ela pergunta com um tom preocupado.

— Sim – o menino responde, lágrimas pesando em seus olhos. – Podemos fazer isso depois?

— Mas você nem explicou o que aconteceu? – ressalta.

— Vou explicar amanhã – murmura. Isso o dará mais tempo para encontrar uma mentira convincente.

Ela parece relutante em sair, mas percebe a expressão de tristeza do garoto. – Tudo bem, mas beba isso – Nico bebe a poção que ela entregou, antes de se arrastar para debaixo do edredom.

É minha culpa que ela esteja morta.

WILL

Kat e Will tinham passado os últimos dois dias procurando por Nico, que parecia ter desaparecido sem deixar rastros.

— Por que não podemos vê-lo? – Kat geme.

— Ele precisa dormir e ele não parece ter disposição para socializar hoje – diz a senhora Ponfrey.

Oh Deus. Hoje é dia 19.

— Talvez ele apenas precise de uma distração – Will sugere. O dia em que for deixar um dos seus melhores amigos se afundar na miséria será o dia em que botará um piercing no nariz. – Pelo menos nos deixe dar-lhe um pouco de chocolate – implora.

— Espere, o que está acontecendo? – Kat pergunta.

Will morde lábio. Devia contar a elas? Nico ficaria chateado... – Hoje não é um bom dia para ele.

— Huh? – Kat pergunta.

— Apenas diga a elas – Will ouve Nico gemer de dentro da enfermaria.

— A morte de sua irmã completa um ano hoje – o loiro explica, fazendo com que ambos pareçam em luto.

— Merda – Kat murmura.

— Pobre menino – Senhora Pomfrey murmura.

— Apenas me deixem em paz – Nico diz. Kat e Will compartilham um olhar. De jeito nenhum vão deixar isso acontecer.

•••

Depois de alguns minutos implorando, os dois conseguem convencer Madame Pomfrey a os deixar ver Nico. Kat sufocou ele do chocolate que ela comprou dos gêmeos Weasley, enquanto o entretinham com histórias engraçadas.

— Então, os gêmeos Weasley encantaram as bolas de neve para seguir Quirrell e bater na cabeça dele – Kat continua.

— Não se esqueça de quando eles transformaram todos os trapos dos elfos da casa em trajes de duendes de Papai Noel – Will acrescenta.

— Eu acho que os elfos gostaram.

— Isso é legal e tudo mais, mas vocês não precisam fazer isso – Nico diz.

— Que absurdo. Aqui, coma mais chocolate – Kat diz, empurrando o chocolate no rosto de Nico. – Você acha que os elfos nos darão sorvete?

— Vocês não entendem – ele suspirou, parecendo mais triste ainda.

— Nico, quando eu tinha cinco anos, me encontraram vagando, pedindo pela minha mãe e pelo meu pai, sem memória alguma. Desde então, fiquei em dez casas, nenhuma das quais me aguentaram por muito tempo. Uma coisa que eu aprendi é que ser auto-piedosa não ajuda em merda nenhuma – Kat diz a ele.

Will nunca soube disso.

— Eu era um erro, e minha mãe me vivia me dizendo isso. Eu só recebi uma carta dela desde que entrei em Hogwarts e era ela me dizendo que estava feliz por eu não estar lá porque agora ela pode se concentrar nos meus meio-irmãos e padrasto, sua família perfeita – Will desabafa.

— Agora, vamos fugir daqui e socar a cabeça de merda do Malfoy! –Kat exclama, puxando-o da cama. Evidentemente, mudando o assunto da tristeza.

— ELE NÃO DEVE DEIXAR A ALA HOSPITALAR! – Will grita. – E você quer o levar para o menino que zoa a gente por não termos família hoje?

Nico visivelmente murcha a menção de não terem família. – Se ele vai falar essa merda de qualquer maneira, então é só mais um motivo para socar ele, querido William – ela explica, tirando os dois da sala.

— Mas...-

NICO

Nico admite que, no final do dia, ficou feliz por não ter ficado sozinho.

— Você nunca explicou por que parece que você lutou com o Incrível Hulk – diz Kat, pegando o pudim de chocolate de seu prato.

— Eu estava com minha família – explicou.

Os dois congelam. – Eu pensava…

— Meu pai e madrasta são tão bons quanto a morte para mim. Só falei com eles por pouco tempo, não foi agradável.

— Ah. Seu pai não…

— Não, mal falamos. Ele gosta de colecionar criaturas das trevas, como Cérbero. Alguns deles não são tão agradáveis – explicou.

Will não parece acreditar completamente nele, mas Kat apenas encolhe os ombros. – Legal. Ele pode me dar um dragão? Ou talvez um cãozinho infernal?

— Eu tenho uma cadela infernal de estimação – Nico admite, antes de pensar. – Bem, eu a compartilho com outra pessoa – ambos o encaram com choque. – Relaxem, ela é um amor – o menino encolhe os ombros.

— Você diz o mesmo sobre o Fofo – Will aponta.

— Porque ele é e- oi, Harry – Nico começa, antes de perceber o Grifinório.

— Ei Nico – Harry diz com estranheza. – Como você está?

— Bem. Eu estava apenas visitando meu pai, eu esqueci de notificar a escola durante o fim de semana – mente. Harry não parece acreditar nele.

— Você tinha mais alguma coisa a dizer? – Will pergunta a ele, com um rigoroso olhar.

— Nada – Harry responde.

O que está acontecendo?

— Certo.

•••

O semestre rapidamente chegou ao fim. Antes que Nico pudesse piscar, Kat já estava entrando no trem para voltar para as suas irmãs adotivas.

— Não hesite em enviar uma carta – Kat diz, agitando o dedo na cara do menino.

— Eu não sabia que você se importava tanto assim – Nico caçoa.

— Cale a boca, hálito da morte – ela diz antes de o abraçar.

•••

Hogwarts era estranhamente triste sem os estudantes em todos os lugares. Felizmente, Will decidiu não voar metade do mundo para o Natal, então Nico não estava inteiramente sozinho.

— FELIZ NATAL! – Will grita, agitando seu corpo sonolento.

— Vai se foder – Nico resmunga.

— É NATAL!

— Vai se foder e tenha um feliz Natal, então – Nico pôde praticamente senti-lo revirando os olhos. Os dois tem o dormitório só para eles, pois todos os seus companheiros de quarto voltaram para casa para o feriado.

— Acorde ou você não vai abrir de seus presentes.

— Alguém me deu presentes? – perguntou confuso.

— O que você esperava? Carvão? – ele brinca.

Nico se retira dos seus edredons para ver uma pilha de tamanho decente no final da cama. Por um momento, achou que podia ser uma piada cruel de Malfoy, mas ele não era tão criativo assim.

O menino sorri e pega um presente no qual o embrulho é uma estampa de Papai Noel bem feia, com um selo de correio Hermes. Abre para ver um pacote de cartas de mitomagia e biscoitos azuis, de Percy. Nico revira os olhos. Annabeth estava certa, Percy tem um cérebro de algas marinhas.

Os próximos presentes continham: rãs de chocolate de Harry, um livro sobre a influência da mitologia grega no mundo mágico de Lou Ellen.

— E aqui está o presente meu e da Kat para você – Will diz quando entrega um pequeno presente embrulhado em sóis com tocas do Papai Noel. Nico mentalmente revira os olhos quando vê o embrulho.

O filho de Hades tinha dado a Kat um kit de pegadinhas que viu no Zonkos e sapos de chocolate.

Nico desembrulhou para encontrar algum tipo de corda com coisas grossas pretas no final e uma coisa de prata na outra extremidade, bem como uma coisa de metal preto com um crânio nas costas. Igual a um pacote de esqueletos de chocolate.

— E aí, o que achou? – Will pergunta.

— É... incrível... o que é? – perguntou, fazendo Will irromper em risos.

— Às vezes eu esqueço como os puro-sangues são sem noção – ele ri. – É um IPod e isso é um fone de ouvido.

— Hã?

Depois de Will passar uma hora explicando o que é um IPod e como ele registra todas as músicas que você quiser em uma caixa pequena (Nico ainda não entendia como) o moreno entrega seu presente, o que parecia nada comparado a essa coisa de IPod.

Will sorri quando vê o livro sobre magia de cura e doce em formatos de microfone. – EU AMEI! – ele declara.

Eventualmente os dois vão para a Grande Salão para tomar café da manhã. Quando chegam lá, veem que apenas vinte estudantes haviam ficado em Hogwarts para o Natal, um quarto deles sendo os Weasley.

Will arrasta Nico para a mesa da Grifinória para se sentar junto aos gêmeos Weasley, que, como sempre, estavam vestidos exatamente iguais (com exceção das letras em seus blusões).

— Uau, podemos identificá-los dessa vez – Will diz quando se sentam.

— Como pode ter certeza de que não trocamos os blusões? – eles falam em uníssono. Nico geme e começa a empilhar panquecas em seu prato.

No meio da refeição, Hermes entra, segurando uma grande caixa. – ENTREGA PARA UM NICO DI ANGELO! – ele grita.

Di immortales.

— Aqui – Nico geme, levantando a mão.

Ele veio sorrindo. – Assine aqui, por favor – Hermes diz, colocando a caixa ao seu lado. A caixa era enorme, coberta de buracos para a passagem de ar, e parecia fungar.

— Obrigado – diz, entregando-lhe um par de Dracmas. Nico pediu que entregasse isso para ele, mas esperava que Hermes fosse um pouco mais sutil. Nico percebe que os professores o encaram confusamente.

— Tchau, pirralho – Hermes diz antes de sair do grande salão.

— O que aconteceu? – perguntou Percy (Weasley).

— Um carteiro mágico – Nico encolhe os ombros. – Hey, Hagrid! pode vir aqui? – gritou para o guarda-costas, que estava sentado na mesa da frente.

Ele se levanta. – O que é, Nico? – ele pergunta, parecendo confuso.

— Eu mencionei que meu pai coleciona criaturas raras? – Nico diz a ele. – Este pequeno era o nanico que ele queria matar – explica, sinalizando para a caixa grande.

Os olhos de Hagrid ficam tristes com a ideia de matar qualquer criatura. – O que é? – ele pergunta, estudando a caixa.

— É seu – Nico responde, tentando empurrar a caixa em sua direção. – Feliz Natal – McGonagall parece estar prestes a desmaiar.

Hagrid fica com uma expressão de felicidade no rosto que o faz parecer um garoto em uma loja de doces. Ele abre a caixa para revelar uma gaiola com um cachorrinho preto muito grande com olhos vermelhos e grandes caninos.

— Ele é um cão infernal – Nico explica. Quirrell realmente desmaia.

— QUE LINDO! – Hagrid exclama, pegando facilmente o cachorro enorme e acariciando seu rosto contra o dele. – Muito obrigado! Obrigado mesmo, Nico. Eu vou chamá-lo de Snuffles – ele anuncia. Os gêmeos Weasley começam a rir, enquanto McGonagall e Percy hiperventilam. – Eu vou fazer com que ele se estabeleça. Muito obrigado novamente, Nico – Hagrid diz, antes de sair, ainda abraçado no cão infernal.

— Por que você fez isso? – Percy grita.

— Eu não queria que o... Snuffles fosse morto, e Hagrid está tão feliz – Nico explica.

— Foi muito legal o que você fez pelo Hagrid – Harry diz, com um pequeno sorriso.

O resto do dia desaparece em uma tempestade de banquete com Weasleys e comida. Naquela noite, quando Nico dormiu, estava estranhamente contente.

•••

– Eu não posso fazer isso. Você é muito parecida com ela, uma menina inocente, assim como minha Jesabell.

Nico acordou com este começo, não conseguindo lembrar nada do seu sonho, exceto o sentimento de aperto no intestino, dizendo-o que não havia chances de dormir novamente esta noite. O menino sai da cama, decidindo dar um passeio pelos corredores para limpar a cabeça.

Já nos corredores do castelo, Nico ouve um grito horrível vindo da biblioteca. Alguém tocou um dos livros da Sra. Pince com os dedos sujos?

Quando Nico escuta alguém vindo na sua direção, desaparece rapidamente nas sombras, reaparecendo em uma parte aleatória do castelo. Se não estava perdido antes agora tinha certeza absoluta que estava.

Nico se virou para ver que estava em um quarto junto a Harry, que estava olhando sonhadoramente para um espelho dourado. O menino anda atrás dele, mas ele não parece o notar no espelho. Curiosamente, ele também não está no espelho.

Um “eu” com pele mais morena e mais feliz o encara da Estação King Cross, dando um abraço em sua mãe enquanto a irmã abraça seu pai e entram no trem. Exatamente como as famílias mágicas normais fazem.

— Nico? Quando você chegou aqui? – Harry pergunta de repente, quebrando-o do transe.

— Eu... eu não sei – admite. Nico esteve encarando o espelho por um tempo.

— Você consegue vê-los? – ele pergunta de repente.

— Eu duvido que veja o mesmo que você – Nico diz a ele.

— Eu vejo minha família – Harry admite.

— E eu, a minha – os dois ficam em silêncio.

— Nós devemos ir embora.

Nico assentiu. Harry pega um material prateado do chão, puxando-o sobre si, tornando-se invisível.

— Como… – Nico começa. Deve ser parecido com o boné de Annabeth.

A cabeça dele aparece do nada. – É um manto da invisibilidade – ele admite. – Quer uma carona?

— Não, eu vou sozinho, obrigado – diz a ele. Harry simplesmente encolhe os ombros e desaparece.

Nico viaja pelas sombras até o seu quarto e colapsa na cama, tentando ignorar a luz noturna que era o cabelo de Will.

•••

Os dias que restam do feriado desaparecem em um borrão de leitura, lição de casa, caminhadas com Will e visitas ao Snuffles e ao Fofo. Nico nunca mais olhou para o espelho, algumas coisas são muito dolorosas de se ver.

— Eu não posso acreditar que você tinha um cachorrinho infernal a mais e não me deu! – Kat exclama, quando terminam de contar sobre suas férias.

— Eu mal confio em você com uma varinha, muito menos, um cachorro infernal – Nico ressalta. Kat bufa.