Secrets
1 Prólogo - O Café
Notas iniciais
Espero que gostem.
Xoxo, SK.
PRÓLOGO – O CAFÉ
Estava tudo aparentemente calmo, o céu estava nublado, o cheiro de chuva estava no ar, apesar de nenhuma gota d'água dar as caras na cidade. Era aparentemente mais um típico dia nublado. Ela estava lá, do outro lado da rua, se encolheu em seu sobretudo ainda mais e ajeitou as suas mechas atrás da orelha que teimavam em dançar soltas ao vento. Ela era linda, não como uma modelo, não chamava atenção, era linda de um jeito simples, apenas por ser ela. Era uma beleza estonteante e ao mesmo tempo única. Seus olhos brilharam ao ver o sinal ficar verde. Ah, já ia esquecendo o nome dela, bem, era Annie. Não Annie, simplesmente Annie. Era Annielem Souza, mas teimava em querer ser chamada apenas de Annie. Era assim dês da quarta série, apenas Annie para todos.
Tinha cabelos e olhos castanhos, seus olhos eram de um mais belo tom de castanho que eu já vi. Eram profundos, pareciam chocolate, eram quentes. Seus olhos quentes se contrastavam com a sua doçura, algo que não deixava quase ninguém ver, mas eu via, mesmo sem ela deixar eu via. Seu sorriso por diversas vezes era contido e puxado para o lado, mas seus olhos transmitiam um calor, um aconchego, fazia a todos se sentirem em casa. Annie era dura, dura feito uma rocha, mas apenas por fora, eu a conheço perfeitamente e posso dizer que tem muito mais por baixo dessa armadura do que simplesmente alguns quilos de ossos. Ela teve uma vida dura, mas prefiro não dizer, vou deixar que ela simplesmente conte.
Annie olhou para os dois lados da rua se certificando que nenhum motorista doido iria avançar, e então se aventurou pela longa faixa de pedestre correndo contra o tempo que marcava do outro lado da rua no sinal de pedestres. Assim que pisou na calçada do outro lado da rua ela soltou um suspiro, esfregou as mãos e colocou-as em frente a sua boca na tentativa de esquentá-las. Virou a esquina satisfeita e entrou dentro da cafeteria. O sino tocou anunciando mais um cliente, a balconista Dara sorriu ao ver Annie entrar.
– Como você está?
– Bem, obrigada. E você?
– Bem. Pensei que não iria mais vim.
– Ah, é esse transito horrível. Sabe como essa cidade é né, uma loucura...
– Mas e ai correu tudo bem?
– Sim, tudo ótimo.
– Vai querer o de sempre?
– Sim, obrigada.
Dara então colocou o cappuccino em uma caneca grande e duas torradas no em um prato.
– Você é um anjo Dara – Annie sussurrou ao pegar o seu pedido. Ela caminhou até o local de sempre, uma mesa ao lado da janela da cafeteria, ficava bem ao meio do recinto – nem muito perto, nem muito longe da porta de entrada e saída. Ali ela tinha uma visão privilegiada da rua.
Annie ficou a alguns minutos a observar o movimento da rua e então tirou o seu livro de dentro da bolsa e pôs se a ler em quento tomava o seu café. Imersa em seu mundo não percebeu o tempo passar. A porta se abriu deixando entrar um vento congelante, o sino anunciou a entrada de mais um cliente. A voz de Dara muda para um tom mais animado e uma voz grossa com um tom brincalhão invade o loca. Se ela tivesse levantado a cabeça, se ela tivesse por uma fração de segundo desviado os olhos do livro ela iria vê-lo. Iria ver o dono da voz, ela iria observar como ele passava a mão no cabelo freneticamente para retirar os pingos d'água, conversar animadamente com Dara por alguns minutos, passar os olhos rapidamente pelo recinto e parar justamente nela, se voltar para Dara e perguntar: “Quem é ela?”, mas não o fez. Annie apenas continuou no seu mundo atenta a cada detalhe dele.
– Com licença? Poderia me dizer porque uma dama como você falaria com um sujeito como eu, um mero servo que deve se curvar diante a sua nobreza?
Annie levantou os olhos de seu livro e olhou para ele. Por uns segundos ela encarou os olhos dele e depois ela avaliou rapidamente os seus traços. Seu perfume a embriagou por uns segundos, então ela emergiu daquilo como se tivesse quebrado algum tipo de encanto. Ela sorriu, sim ela sorriu. Foi um sorriso, um verdadeiro sorriso. Seus olhos brilharam transmitindo aquele intenso calor, acho que foi naquele exato momento que ela ganhou ele e ele ela.
– E por que eu não falaria? Pode se sentar ...
– Pablo, Pablo Martins – Então pegou a mão dela e a beijou, logo em seguida se sentou na cadeira que ficava de frente para Annie.
– O meu é Annie, Annie Souza.
– Vem sempre aqui?
– Sim, todo dia. E você?
– Também, mas não costumo vir nesse horário. Meu trabalho me impede.
– Trabalha com o que?
– Sou publicitário e você?
– Designer, mas sou a chefona.
Eles começaram a conversar sobre tudo e ao mesmo tempo sobre nada. Pablo parecia o oposto de Annie, era extrovertido, a sua voz sempre tinha um tom meio brincalhão mesmo quando falavam sobre coisas sérias, parecia que ele tentava amenizar, deixar as coisas mais fáceis.
Annie observou os tons dourados do cabelo de Pablo, o modo como a sua voz meio rouca soava, como os seus olhos verdes pareciam horas cinza, horas castanho claro e percebeu que gostava daquele tom rouco, dos olhos dele, do perfume e até daquela barba por fazer. Enquanto conversava com ele ela se sentia leve, como se os problemas tivesse passado, como se estivesse em casa. Mas era só isso, apenas uma sensação quente de aconchego e aquela certeza absoluta de que ali se formava uma amizade.
De repente Annie olha pro seu relógio de pulso e percebe que está atrasada, já deveria ter saído e se dirigido ao seu trabalho. Hoje ela entrava apenas de tarde, mas já havia passado o tempo dela ir, provavelmente ela chegaria atrasada.
– Ah nossa, já são onze e meia! Eu tenho que ir me desculpe.
– Nossa o tempo voa, acho que vou chegar atrasado.
– Eu também, o trânsito é uma loucura esse horário. Foi bom conversar com você.
Annie se levantou e começou a dirigir para o balcão.
– Espere, deixa que eu pago a conta.
– Não precisa.
– Eu insisto.
– Está bem – Dara abriu um sorriso e lançou um olhar malicioso para Annie enquanto Pablo pegava a sua carteira. Annie falou um para para silencioso para ela e ficou meio sem graça. Depois de pagar a conta Pablo a companhou até a porta e perguntou se ele poderia ver ela novamente, Annie sussurrou um claro, deu o seu telefone e disse que era mais fácil encontrar ela no café do que por telefone. Eles se despediram e cada um foi para um lado.
Annie saiu dali com uma estranha sensação que algo iria acontecer, que a sua vida iria mudar. Que talvez nunca mais ira ver Dara, algo muito ruim iria acontecer. Bem, ela estava certa.
Notas finais
Bjs e até o próximo capítulo.
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