Secret love song.

1 'Cause I'm yours.


Notas iniciais
Sente o drama da música: https://www.youtube.com/watch?v=qgy7vEje5-w

— Por que você não me abraça na rua ou por que não me beija quando dançamos juntos? Eu queria que fosse assim... por que não pode ser assim?

E assim nosso relacionamento virou.

Até então, nós nos mantínhamos atrás de portas fechadas e segredos. Cada vez que ele me via eu sentia que ele morria um pouco mais, mas eu era egoísta demais para deixá-lo simplesmente ir embora. Não que ele fosse a pessoa mais vivaz do mundo, mas ele era feliz quando estava comigo.

Era.

Ele sorria, fazia piadas e ria ao meu lado.

Entretanto, ele também sabia, desde o momento que nos conhecemos, que eu estava indisponível. Que na minha família a gente não escolhia muito bem o próprio destino, que o sobrenome dele não era bem visto e que eu estava prestes a me casar.

— Você sempre soube disso. — Coloquei a mão na testa em sinal de desespero e suspirei alto, despejando meu pesar. — Nós sempre soubemos disso: o que temos é um caso que não vai para frente.

Ele me olhou com certa angústia e me respondeu com um sorriso amargurado.

— Um caso sem esperança. — Fechou os olhos cinzentos e atordoados. — Acho que não tenho mais o que dizer aqui.

— Qual é, Draco? — Explodi, com uma mão na cintura, enquanto com a outra fechava o robe preto. — Você sempre soube. O que mudou agora?

— O que mudou é que... — Ele encolheu os ombros. — Deixa para lá.

— Não. Fala. – Eu o desafiei, prendendo o cabelo em um coque e me sentando em seguida com os braços cruzados. — Você obviamente tem algo para me dizer.

Ele andou de um lado para o outro, correndo os dedos pelos cabelos com o rosto impassível. Estava apenas com a roupa de baixo e seu corpo branco parecia adquirir um tom azulado pela luz que entrava através das janelas abertas a partir do reflexo da lua. Seu cabelo loiro cinzento estava terrivelmente bagunçado, não apenas pelas atividades que executamos na última hora, mas por seu andar incessante e inconformado pelo quarto, além de sua falta do que fazer com as mãos.

— Nunca vai ser o suficiente. — Ele finalmente resolveu olhar para mim. — Os momentos que a gente rouba quando ninguém está vendo, as caminhadas furtivas no meio da noite. Todo o disfarce durante os bailes e eventos que a gente comparece... Nunca vão ser o suficiente.

— O que você quer de mim? — Talvez se ele me dissesse que a gente tinha algo que valesse a pena enfrentar tudo por... Talvez se ele dissesse que cada pedaço nosso se completa perfeitamente... Talvez se ele me dissesse que havia mais na gente do que aquilo que a gente fazia... Não sei.

— Eu não sei. — Ele disse, exasperado, num tom de voz alterado e machucado.

Encolhi os ombros diante da resposta dele. O que eu faria com "eu não sei"? Eu sairia de um relacionamento de dois anos e um noivado por um caso de três meses? Por quê? Por que eu estava apaixonada por um cara claramente perturbado que nunca teve coragem de sentir o mesmo por mim?

Não seria justo.

— Quando você está com ele... — Apertou os lábios e sacudiu a cabeça de olhos fechados. — Você chama o nome dele, como você faz comigo? Você sente o mesmo?

Não sei por que me senti tão incomodada. Era ultrajante que ele pensasse que meus sentimentos por ele eram os mesmos que eu sentia pelo meu noivo. Ultrajante porquê... Eu claramente sentia mais por ele do que pelo meu pobre noivo. Ter conhecimento disso me deixava mais triste e culpada do que exultante e maravilhada por saber que era capaz de amar alguém de verdade e não apenas fazer o que era certo e bom para mim, como eu supunha.

Max era o noivo perfeito: aprovado pelos Greengrass, bem-sucedido, bonito, filantropo e simpático. Ele parecia saído de um catálogo de boas escolhas. Draco era o jovem lindo e rico de uma família em ruínas, eremita e isolado. Sombrio, cheio de pesadelos, odiado pela alta sociedade — pelas costas é claro.

Antissocial e antipático, arrogante, mimado e debochado. No primeiro dia que nos vimos ele me disse que não era capaz de nada sério, nada duradouro... Era incapaz de dar algo além do que tinha para oferecer: um bom pênis.

E era bom. Muito bom. Do tipo que eu só lembrava de me arrepender por minhas escolhas ruins depois. O problema era que eu queria algo que ele não podia me dar: algo sério, duradouro.

— "Eu não sei" não é bom o suficiente. — Me peguei murmurando, sentada na cama de mogno escuro de seu quarto.

— Você age como se tivesse me falado o que você quer e o que espera de mim. – Disse no mesmo tom, de maneira desajeitada, ainda sem saber o que fazer com as mãos enquanto me encarava profundamente com os olhos cheios de mágoas. — Como se não se vestisse às pressas e fosse embora antes de eu acordar.

— Você nunca me pediu para ficar. – Rebati, como se essa fosse uma explicação suficiente.

— Se eu pedisse faria diferença? — Sentou-se ao meu lado em sua cama e eu o fitei impassível, me recusando a responder. — Imaginei que não.

— Você quer que eu fique? — Pela segunda vez alterei minha voz quase numa súplica. — Então me diz o que você quer comigo. Me diz o que você sente uma vez pelo menos.

— Não é como se você não soubesse, Astoria. — Me examinou com os olhos magoados e cheios de dor. — Você sabe que a cada segundo, a cada momento, a cada pensamento eu estou cada vez mais...

— Mais?

— E ninguém sabe. — Ele murmurou, infeliz. — Ninguém sabe que eu estou amando a noiva de alguém. Ninguém sabe que eu tô vivendo apenas pelo dia que você vai contar para todo mundo sobre isso. Sobre nós dois.

— Você está amando? – Perguntei, perplexa.

— Você também acha que eu sou incapaz de amar? — Sua voz era baixa e perdia a força a cada palavra. Por fim, ele encolheu os ombros. — Imagina a minha surpresa.

— Você nunca usou essa palavra. — Apertei os lábios e me senti tensa. E senti outra coisa que não soube descrever o que era.

— Por que eu não posso dizer que estou apaixonado? — Draco me olhou com irritação. — Pela primeira vez eu quero gritar algo aos quatro ventos. Eu só queria que pudesse ser assim. Por que não pode ser assim? Eu sou seu.

— Meu? — Apertei os olhos e mal pude conter o sorriso involuntário. No fundo eu sabia que bastava que ele me dissesse algo para que eu largasse tudo.

Eu só queria que ele me dissesse.

— Seu. — Ele repetiu, percebendo que eu meditava sobre suas palavras. — Eu achei que você soubesse.

Fiz que não com a cabeça e ele me olhou, dessa vez perplexo.

— Eu achava que estava claro. — Me olhou de canto e sorriu também. — Isso muda alguma coisa?

— Ah, Malfoy. — Mordi o lábio inferior e sorri. — Isso muda tudo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!