Secret Love
32 O inverno deixado para trás
Notas iniciais
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Bem, espero que gostem, eu gostei de escrever :)
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Hey, Sir Lewis, vou dedicar esse capítulo a você :3
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Boa leitura a todos ♥
Secret Love
Capítulo 32 – O inverno deixado para trás
Os dias correram normais nas semanas que se seguiram. O tempo frio dava lugar à primavera que chegava sorrateira, trazendo com ela as cores vivas que compunham aquela estação. E não era apenas a friagem típica de fim de inverno que ia sendo deixada para trás, mas também os problemas e tristezas que se fizeram presentes durante aquela época. Agora era fácil ver um sorriso doce nos lábios róseos que jamais esboçaram qualquer emoção, ou ver antigos inimigos rindo da mesma piada e antigos amantes tratando um ao outro como um genuíno irmão.
Durante aquele meio tempo, JongHyun e JinKi assumiram o relacionamento que todos já sabiam existir, mas que não deixou de ser uma surpresa e motivo para várias brincadeiras por parte dos dois grupos que agora formavam apenas um. Timidamente, Lee DongHae voltara ao grupo, e era sempre possível ver JongHyun o tratando com carinho e cuidado, como se tivesse com ele uma dívida que jamais conseguiria pagar. JinKi não parecia ter ciúmes dele, mas ainda costumava implicar com HeeChul, principalmente porque o mais velho fazia questão de provocá-lo, mas todos descobriram que JinKi tinha tanto talento para respostas atrevidas quanto o outro; para a maioria, era divertido ver as discussões dos dois.
MinHo e KiBum, por mais que negassem isso, viviam perdidos em seu próprio mundo, nunca percebendo quando os amigos diziam que quase podiam ver coraçõezinhos flutuando ao redor dos dois. Mas era quase isso, na verdade. A cada dia que passava, MinHo se via mais apaixonado e percebia que os sentimentos de KiBum também estavam se transformando, mesmo que pouco a pouco. A esperança crescia em seu coração de tal forma que ele se sentia implodir, e isso resultava em várias horas sonhando acordado com outro, ou com um sorriso permanente nos lábios volumosos.
Por outro lado, HeeChul se sentia preocupado, embora a felicidade por ver TaeMin sorrir verdadeiramente o fizesse esquecer daquele sentimento. HeeChul ainda estava preso sob as ameaças do antigo professor – este fora convidado a deixar aquela instituição após receber a intimação sob acusação de estupro. Mesmo que HeeChul estivesse totalmente certo de que o outro não conseguiria escapar da prisão, ele tinha que mantê-lo longe dos garotos que tomara como protegidos. HeeChul se sentia responsável por eles, e não se importava com a maneira que estaria os protegendo, desde que estivesse.
Tanto TaeMin como MinKi parecia mais tranquilos, mais felizes e definitivamente mais próximos. Juntos com SungJong, os garotos da mesma idade costumavam se divertir juntos, vez ou outra brincando de ignorar seus hyungs que pareciam levemente indignados com o ato.
Eram dias que eles podiam sorrir, não importando o que se passou em suas vidas.
Aquela manhã começou como todas as outras na casa da família Choi: MinHo acordara com a música alegre que seus pais costumavam cantar todas as manhãs. Bocejando, e levemente irritado ao perceber que ainda era demasiado cedo, ele levantou-se e olhou para a cama que costumava ser sua – quando seus pais compraram a cama de JinKi, ele fez questão de tomá-la para si –, vendo JinKi dormir pesadamente, coberto da cabeça aos pés. Girou os olhos, se perguntando como o primo conseguia continuar dormindo com todo aquele barulho. Na verdade, ele tinha uma ideia por que – JinKi devia estar realmente cansando já que MinHo nem vira o horário que ele chegara em casa durante aquela noite, e embora fosse um pouco embaraçoso pensar nisso, MinHo conhecia a fome por sexo que ele e JongHyun nutriam.
Ainda era estranho aceitar que o primo estava namorando a pessoa pela qual ele nutrira tanto ódio, mas se parasse para pensar, aquilo um dia aconteceria. As pessoas não costumam dizer que o ódio está bem próximo do amor, sendo dividido apenas por uma linha tênue? Jogou água gelada no rosto e o esfregou com força quando pensou que ele, outrora, realmente odiara JongHyun.
“Credo!” resmungou enquanto arrancava o pijama para entrar em seguida no box, deixando que a água fria corresse por seu corpo e expulsasse o sono.
– Por que eles têm que cantar tão alto? – ouviu um lamento atrás de si, e por trás das paredes de vidro, ele pôde ver JinKi sentando no vaso fechado, praticamente dormindo sentado. Riu. JinKi estava começando a não aceitar tão bem as maluquices dos pais de MinHo como fizera nos primeiros dias morando ali, mas agora a novidade passara; não era mais engraçado, era apenas irritante.
MinHo voltou a virar-se para a parede. Não gostava que JinKi o visse nu porque ele sempre falava alguma coisa constrangedora, como na última vez quando ele perguntara inocentemente se o “pequeno MinHo” satisfazia Key bem. Na verdade, MinHo não gostava de conversar sobre sexo, e mesmo com KiBum, ele sentia suas bochechas queimarem, e esse fato foi o suficiente para HeeChul continuar a chamá-lo de princesa.
Ouviu a porta do box sendo aberta e virou no mesmo instante, vendo um sonolento JinKi adentrar o apertado local.
– Yah! Yah! – exclamou, tentando empurrar o primo que apenas se desviou de suas mãos e se colocou sob o fluxo de água. – Onew! – reclamou.
– Deixa de ser chato, eu preciso acordar antes que eu desmaie de sono – respondeu de olhos ainda fechados.
– Você não podia ter esperado eu terminar? – perguntou irritado, tentando empurrá-lo para o lado a fim de lavar os cabelos cheios de espuma. Xingou baixinho quando sentiu seus olhos arderem.
– Você não costuma ser tão chato de manhã – Onew comentou, buscando o xampu que o outro usara.
– Eu não sou quando você não invade o banheiro desse jeito – retrucou, coçando os olhos que ainda ardiam. Buscou a bucha, a cobriu de sabonete e a deu ao primo. – Já que está aqui, aproveite e esfregue minhas costas.
– Você é um folgado – mas ele recebeu o que o outro lhe estendia após enxaguar o próprio cabelo, e passou a esfregar as costas largas do mais novo com força. – Você acha que eu devo entrar para o clube de atletismo também? Parece que isso faz bem ao corpo.
MinHo riu do tom amargurado do outro.
– Você seria um desastre! O único esporte que você faz bem é futebol, e de qualquer jeito você morre de preguiça de correr – MinHo respondeu, lembrando-se de quando chamou o mais velho para uma partida entre amigos. JinKi desistira nos primeiros vinte minutos.
– Aish, eu só não posso ficar gastando minha energia com esse tipo de coisa! Aqui, sua vez! – e virou as costas para o maior que passara a esfregá-las com um pouco mais de cuidado do que JinKi fizera com ele anteriormente. – E você nunca mais tentou aprender a tocar.
– Key disse que não se importa se eu não souber tocar a droga de um violão.
– Mas tenho certeza que ele acha sexy homens que sabem se expressar através da música, por isso ele namorou com JongHyun e comigo! Ele só está mentindo pra você, idiota... Ai!
– Você não conta como namoro.
– É claro que eu conto! E se você não cuidar dele – virou-se para olhar o mais novo, um sorriso brincalhão em seu rosto redondo –, JongHyun e eu não nos importamos em recebê-lo na nossa cama... Não, não... é brincadeira! YAH! MINHO-AH!!
MinHo parou os socos fracos que dava no estômago do primo quando ouviu um risinho conhecido. Saiu do box imediatamente e cobriu-se com uma toalha, seu rosto definitivamente vermelho.
– Oi, Key – JinKi cumprimentou, ainda com o mesmo sorriso divertido.
– Se cubra! – MinHo praticamente gritou quando viu o primo sair do box sem nem se importar com o fato de estar pelado.
– Não tem problema, ele já viu tudo aqui – MinHo jogou uma toalha na cara do mais velho que riu ainda mais alto, mas se cobriu.
– KiBum, o que você está fazendo aqui? – o moreno perguntou, ainda corado.
– Eu vim tomar o café da manhã com meu namorado – respondeu, sorrindo. – E não se preocupe, baby – ele se aproximou do moreno, beijando seus lábios rapidamente –, eu não pretendo deixar você para me juntar a JongHyun e ao Onew.
– Aposto que ele está mentindo de novo! – Onew falou enquanto passava correndo pelos dois, fugindo do golpe que MinHo lançou despreocupadamente no ar.
– Eu trouxe um bolo – o loiro disse, lhe sorrindo. – Sei como você não gosta de comer apenas aquelas folhas sem gosto de manhã.
MinHo sorriu e o beijou um pouco mais demoradamente. Ainda estava um pouco envergonhando, odiando Onew por ter deixado a porta aberta quando entrara. O que KiBum pensaria? Mas olhando para seu rosto, ele percebeu que o loiro apenas se divertira com a situação. Beijou os lábios róseos mais uma vez.
– Own, meu menino está crescendo, mas não se esqueçam de usar proteção, meninos.
– MÃE!
SL
– Oi, baby – JongHyun abraçou o namorado no mesmo momento em que este se aproximou, ao lado de MinHo e Key.
– Oi, baby. Eu estava com saudades de você, baby.
– Eu também, baby.
– Calem a boca, idiotas! – MinHo resmungou, ficando constrangido pela segunda vez naquele dia.
Os amigos riram, e logo “baby” era a palavra mais usada entre ele, embora MinHo e Key já não estivessem ouvindo o que quer que eles estivessem falando.
As manhãs corriam daquela forma, e as tardes seguiam naquele mesmo ritmo rápido e divertido. Após as aulas, todos iam para suas respectivas aulas extras, ou apenas ficavam pelo campus, esperando os amigos.
Key mais uma vez estava atrasado para sua aula de Artes – era incrível como ele sempre se atrasava justamente para ela –, mas não poderia deixar de correr até a sala do conselho antes de seguir para o outro prédio. Trazia nas mãos a grande e exigente lista de materiais que o clube de teatro precisaria, e sabia que ChanSung teria que enviar aquela lista para aprovação da diretoria junto com as listas dos outros grupos.
Aish, esse pessoal do teatro sempre me dando trabalho, pensou irritado, sentindo o ar se perder de seus pulmões enquanto percorria todos aqueles corredores. Atravessou a primeira sala, cumprimentando rapidamente os colegas que estavam ali, e seguiu até a tão conhecida pequena sala dos fundos.
Não esperava não encontrar ChanSung na sua poltrona de espaldar alto. Realmente esperava vê-lo ali, sentando enquanto lia um livro qualquer, sereno e bonito como uma pintura. Correu os olhos pela mesa tentando encontrar algo que lhe indicasse onde ele poderia estar, mas seus olhos se detiveram no notebook aberto em um editor de texto. Sentou-se na poltrona do outro e passou a ler o que estava escrito.
Uma vez, ChanSung lhe contara um de seus sonhos para o futuro. Ele lhe dissera que queria escrever um romance, não seguir naquela carreira; queria apenas dar de presente ao mundo uma bela história de amor. KiBum lembrava-se de ter rido, não conseguindo imaginar o seu sério sunbae escrevendo do tipo. O loiro sabia que ChanSung tinha o sonho de se tornar um bom médico, e estudava com vigor para conseguir realizá-lo, por isso nunca colocou muita fé na “história de amor”. Mas ali estava ela, sendo escrita, e as poucas palavras que leu o fizeram sorrir.
Sobressaltou-se quando a porta foi fechada, e ergueu o rosto, encontrando ChanSung com uma expressão tomada por um misto de curiosidade e vergonha. Ele pigarreou, ajeitando os óculos.
– Você não devia estar lendo isso – ele falou, puxando o computador para si, o fechando.
– Desculpe, eu não resisti – KiBum respondeu, se levantando do lugar do outro. – Mas... Sunbae, é realmente incrível.
– Você não deve ter lido tudo o que está aqui – ele respondeu. – Não é a historia que eu queria escrever, mas ela está fluindo.
– Pois eu acho que está ótimo! Há tanto sentimento em cada palavra, é maravilhoso! – falou, quase podendo imaginar seus olhos brilhando. ChanSung riu contido, mas baixou os olhos. KiBum ficou curioso quando o viu cerrar os punhos. – Há algo errado, sunbae?
– Essa história não devia ser assim, Key – ele disse, ainda evitando olhar para o rosto do loiro. – Está tudo errado.
KiBum esqueceu completamente de que estava atrasado para a aula quando a curiosidade o atingiu, se perguntando porque ChanSung parecia tão deprimido com aquilo. KiBum deu um passo para a frente, inclinando o rosto para poder observar direito o rosto do mais velho. ChanSung retribuiu o olhar.
– Não é uma história feliz, Key – ele disse ajeitando os óculos e se encostando à mesa. – Digamos que temos aqui um homem que é apaixonado pela mesma pessoa desde muito tempo, sempre cuidado e a protegendo, mas essa pessoa nunca o viu, e ele fica lá, observando ela seguir sua vida e se afastando cada vez mais. E vai chegar o ponto em que ele vai estar inapto para chegar até ela.
– Um romance sem final feliz não é mais tão procurado como foi há alguns anos, sunbae. As pessoas voltaram a buscar contos de fadas, eles precisam acreditam que o final não vai se resumir apenas a lágrimas.
– Mas há um final feliz, KiBum – o mais alto contra-atacou, sorrindo amargamente. – Há um final feliz para duas pessoas, a terceira foi esquecida.
– Você tá de brincadeira? Esse final é uma droga, você não vai vender, acredite. Todos deviam ter algum tipo de recompensa no fim, um final feliz.
– Mas ele ama apenas aquela pessoa.
– Então ele tem que lutar por ela! – KiBum exclamou, quase irritado sem nem mesmo saber o motivo. – Que tipo de amor é esse? Se ele ama, ele tem que lutar.
ChanSung baixou o olhar, suspirando amargurado.
– Eu cansei de lutar, Key – ergueu os olhos apenas para encontrar confusão no rosto bonito do loiro a sua frente. – Talvez... Eu deva arriscar uma última batalha antes de desistir?
– Sunbae... – Mas ele foi calado tanto pela surpresa, como pelos lábios do mais velho que tomaram os seus.
Sentiu as mãos grandes segurarem seu rosto sem força, como se dissesse que KiBum poderia se afastar no momento em que quisesse. Mas o loiro estava em choque pelo ato, e não tinha certeza se ChanSung tomara aquilo como se ele estivesse aceitando a carícia, porque logo os lábios macios dos outro se moveram contra os seus delicadamente.
Ainda estava estático quando o moreno se afastou.
ChanSung observou o rosto que ele tanto amava, e riu sem humor. Key estava apenas confuso, nada mais que aquilo.
– Viu? Não há lugar pra mim no seu final feliz, Key. – Suspirando e engolindo a tristeza de ver apenas indagação na expressão de KiBum, ele contornou a mesa e sentou-se em seu lugar. – Você está atrasado para a sua aula, não é? É melhor ir, KiBum.
O loiro não se mexeu, e ChanSung ergue os olhos em seu direção.
– Vá.
Key saiu da sala sem precisar ouvir mais nada. Não queria ver ChanSung falando com ele daquele jeito... com lágrimas nos olhos.
SL
JinKi estava sentado sob a sombra de uma árvore, encostado à ela. Sua cabeça pendia para trás enquanto ele esquadrinhava o céu azul, brincando de achar formas nas nuvens douradas. Gostava de se distrair de qualquer forma quando o desejo ainda persistente atingia seu corpo. Ele prometera a si mesmo que não usaria mais drogas, e não o faria apenas por ele: faria aquilo por Key, MinHo, e agora, principalmente, por JongHyun.
Se deixar levar pela vontade seria o mesmo que trair aqueles que tanto o ajudaram, e ele não faria isso. Não queria mais ver as lágrimas nos olhos de KiBum, ou a preocupação no rosto de MinHo. E definitivamente sentia medo de que os olhos escuros de JongHyun olhassem para ele com decepção. Não queria aquilo. Não suportaria.
Fechou os olhos, suspirando longamente a fim de que aquela sensação de abstinência o deixasse. Mesmo depois de meses, vez ou outra JinKi sentia seu corpo tremer, implorando pela substância que tanto o fazia “bem”.
“Merda! Quando isso vai passar?”
Foi tirando de seus lamentos quando alguém sentou ao seu lado, e ele ficou ligeiramente surpreso ao ver KiBum ali. O observando direito, o loiro parecia ainda mais pálido e seus olhos pequenos estavam perdidos.
– O que aconteceu? – se atreveu a perguntar quando o outro não disse nada. Por um momento, Key não o respondeu, mas ele logo o olhou, fazendo um biquinho que só crescia. Os olhos ficaram marejados, e logo KiBum estava aos prantos. JinKi olhou para os lados, assustado com aquilo. Sentiu KiBum jogar-se em seus braços, então apenas o apertou com cuidado, esperando até que o outro parasse de chorar.
Demorou bastante.
Quando Key finalmente deixou de soluçar, JinKi já tinha perdido as contas de quantas vezes ele sussurrara um “está tudo bem” para o outro. Podia sentir seu peito úmido pela camisa que certamente ficara encharcada de lágrimas, mas não ligou para isso.
– O que aconteceu, Key? – perguntou, secando o rosto do garoto com os dedos. KiBum o olhou com os olhos avermelhados e apareceu engolir um novo choro.
– E-eu me sint-to horrível, JinKi – disse com sua voz embargada. – Eu só f-faço mal às pessoas.
O mais velho sorriu, afastando a franja que caia sobre os olhos do outro e grudava na testa suada. O trouxe para mais um abraço, o apertando contra seu corpo como se tentasse afastá-lo daquela ideia absurda.
– Você é a melhor pessoa que eu já conheci, Key – falou. – Pare de falar essas besteiras.
– Ele estava chorando – JinKi o ouviu falar contra seu peito depois de algum tempo. – Eu pude ver nos olhos dele que ele estava sofrendo. E eu sou tão idiota! Eu nunca percebi.
JinKi o afastou gentilmente para que pudesse olhá-lo, mesmo que se recriminasse por isso, ele estava realmente curioso. O mais velho puxou a perna que estava passada por cima das do mais novo e a estendeu, puxando o loiro para deitar-se na grama e apoiar a cabeça em suas coxas.
JinKi nunca teve um irmão, mas naquele momento queria ser o irmão mais velho do seu melhor amigo. Queria ouvi-lo, aconselhá-lo e lhe dar carinho. E KiBum pareceu agradecido quando sentiu as mãos macias afagarem seus fios loiros.
– Me diga o que aconteceu – o mais velho pediu.
– ChanSung sunbaenim... ele me beijou.
Por um momento, Onew não soube o que dizer, e acabou preferindo ficar calado. Não que estivesse realmente surpreso, mas sempre achou que a maneira gentil com que ChanSung olhava para Key era de pura admiração. Bom, estava errado.
– Ele disse praticamente disse que me amava desde muito tempo, e que estava cuidado de mim, mas eu não pude fazer nada quando ele disse isso! E eu lembro agora das vezes que eu brigava com JongHyun, era sempre o ChanSung quem me escutava e sempre me aconselhava a terminar com ele. Aish, eu sou um idiota!
– E se você soubesse antes? Se quando você estava com o JongHyun, o ChanSung beijasse você?
Key ponderou por um momento.
– Eu... Eu não teria aceitado os sentimentos dele, de qualquer jeito. Porque por mais idiota que o Jjong fosse, eu o amava. E eu seria um idiota por preferi ele, mas...
– E agora? Por que você não aceita os sentimentos dele? – KiBum o olhou, surpreso.
– Porque eu estou com o MinHo!
– “Estar” com o MinHo não é uma razão forte o suficiente como “amar” o JongHyun foi – JinKi respondeu prontamente, quase sorrindo. – Então pense mais um pouco... Por que você não aceitou o ChanSung quando ele o beijou?
– Porque... eu amo o MinHo?
– Ama?
– Acho que sim.
– Acha?
– Amo.
JinKi sorriu largamente, se abaixando para beijar a testa do mais novo que parecia feliz com a nova descoberta.
– Seja sincero com ele, tenho certeza que ele vai entender. ChanSung parece maduro o bastante.
KiBum concordou com um mínimo aceno de cabeça, decidido a falar com seu sunbae no dia seguinte quando organizasse tudo o que precisava dizer.
– Obrigado, JinKi.
– Me deixe ir jantar na sua casa hoje e o favor estará pago. – Key riu. Já estava acostumado às reclamações de MinHo e Onew sobre o que tinham para comer na casa dos Choi. Eles pareciam realmente sofrer.
– Está convidado – sorriu. – Vou fazer um jantar especial para os amigos – riu alto quando ouviu o resmungo de “mas era pra ser todo meu”. – Leve aquele seu namorado briguento também. E por falar nele... cadê?
– Futebol.
– Hn, MinHo também – levantou-se, sorrindo para o amigo. – Devemos ir assistir?
– Claro – JinKi concordou, se colocando de pé. – Mesmo que não seja uma boa ideia ver o Jjong correndo todo suado com aquele uniforme minúsculo. – KiBum riu, silenciosamente concordado com ele, e passando a caminhar ao seu lado. – Você tem consciência de que estamos parecendo duas menininhas indo ver o treino dos oppas, não é?
– Tenho.
Os dois gargalharam, e naquela tarde fizeram questão de torcer por seus “oppas”, rindo dos rostos ruborizados e ficando satisfeitos quando os dois passaram a travar uma batalha praticamente apenas um contra o outro. Não foi surpresa quando ambos foram expulsos. Mas eles não se importaram, apenas seguiram, sorrindo, até seus namorados barulhentos.
SL
Naquela noite a casa de KiBum estava lotada, e ele agradeceu por sua mãe não estar ali. Ele, JinKi e JongHyun foram às compras quando anotou tudo o que os amigos queriam comer – não sabia se conseguiria fazer aquilo tudo antes da meia noite. Comprou todos os ingredientes necessários e mais algumas besteiras, e JinKi obrigou JongHyun a pagar por tudo, este fez uma cara emburrada, mas não reclamou.
MinKi e SiWon o ajudaram a cozinhar – e ele ficou mesmo surpreso com a habilidade de SiWon na cozinha. Vez ou outra os outros garotos apareciam ali para roubar alguma coisa que já estava pronta ou apenas para encher o local de risos. Em uma dessas vezes JongHyun comentara como adorava aventais, e KiBum não pôde deixar de corar ao lembrar de experiências passadas. JinKi então disse que obrigaria o namorado a usar apenas aventais quando estivessem na casa do mais novo, já que ele gostava tanto, e MinHo, que estava observando aquilo, gargalhou alto apenas para irritar o mais baixo.
Também podia ouvir TaeMin em um dueto escandaloso com HeeChul na sala, e ouviu SiWon resmungar quando a voz de KyuHyun se juntou a deles. DongHae e SungJong também estavam lá e apenas riam dos amigos.
A casa estava tomada por risadas e a boa atmosfera envolvia cada um dos garotos ali. E aquilo bastava.
Notas finais
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Sinto que vou apanhar com esse capítulo, mas~
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E sim, como eu disse antes, as coisas estão seguindo apenas na direção do fim, sem mais enrolação ;~; É triste pensar nisso~
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