Secret Garden ||♥|| PASSANDO POR REFORMULAÇÃO
17 O ato mais nobre do amor é deixar quem amamos partir.
Notas iniciais
– Você acha seguro mesmo esse lugar Hinata-sama? — Jiraya ajudava a moça a transportar o Uzumaki pelo campo, sem desconfiar de para onde realmente estavam indo. Já tinham andado um bocado, ou pelo menos essa era a sensação que dava após carregar um rapagão daqueles, e não havia sinal de nenhum lugar ou pessoa que lhes pudesse servir naquele momento.
– Claro. — Hinata também começava a sentir o trajeto, na tentativa de suprir o pouco movimento que as pernas de Naruto se esforçavam para fazer. Entretanto, era notável em alguns instantes o resultado da força que o jovem imprimia para firmar os membros inferiores, quase que conseguindo caminhar sozinho.
A verdade é que sem a ajuda do médico não teriam avançado muito. Graças a Jiraya iam rápido, estavam quase alcançando o jardim, e em breve todos poderiam descansar. Não só isto, Hinata também aproveitaria tal oportunidade para questionar Naruto e suas ideias absurdas e motivos tolos que os levara minutos atrás a décima discussão desnecessária.
– Ninguém vem aqui a anos, eu mesma só descobri o jardim por acaso, e a única chave está guardada num lugar bastante secreto que só eu e.. — O nome quase pronunciado pela garota tirava não só o sossego da mesma, mas do jovem que ela ajudava a carregar pelos campos, este reagiu imediatamente a conclusão mental do final dessa oração com um olhar enciumado direcionado a moça.
– Não quero ir para esse jardim idiota, vou para qualquer lugar menos lá. — Naruto trunfou na hora. Fazer birra, ser ciumento e possessivamente infantil eram a cara dele. Mas se queria ter atenção por isso, havia escolhido as pessoas erradas, ou pelo menos o momento errado.
– Larga de pirraça Naruto, que até eu estou começando a ficar irritado. — Cortou o médico, para evitar perdas desnecessárias de tempo e paciência. — Por que tanta revolta de repente? Pensei que ficaria feliz em poder ficar assim, pertinho da Hinata-sama, agarradinho nela.. — Aproveitou a deixa para amenizar o clima tenso entre o casal com alguns comentários levemente maliciosos.
– … — Os jovens se calaram imediatamente, evitaram até os próprios pensamentos tamanho o constrangimento que aquela provocação menor havia lhes causado. — Err.. Lá está o jardim! Vamos para aquela árvore ali.. — Hinata foi a primeira, driblou a situação encaminhando os homens para o local onde encontrariam a chave do jardim. — A chave está guardada ali.
– Nunca tinha vindo por esses lados.. — Comentou o médico ao se aproximarem dos muros enormes que cercavam o suposto jardim secreto. — Agora pode soltar o rapagão aqui e trate de abrir esse jardim depressa. — Hinata saiu debaixo das asas do amado, deixando-o apoiado no homem que os ajudara até ali. — Assim que eu deixar vocês vou até o vilarejo buscar ajuda.
– Por favor, Jiraya-sama, avise a Sakura-chan e o irmão dela da situação. — Pediu enquanto vasculhava o buraco no tronco da árvore onde ela e Sai costumavam deixar a chave do lugar. — Tenho medo de que a Tsunade possa tentar algo contra eles também.
– Não se preocupe, eu os avisarei o mais rápido possível.
– Ora.. — Fuça daqui, revira dali, e nada de encontrar o objeto tão almejado. — Mas se não está aqui, então.. — Pensou um pouco, sua expressão desencorajou-se por completo em segundos. Correu até os muros e tocou alguns centímetros de sua extensão a procura da porta encoberta pelas trepadeiras que o tomaram ao longo dos anos. — Só um minuto.
– Algum problema Hinata-sama?
– N-Não. É que a, a chave, ela não estava no tronco então.. Deve ter alguém lá dentro.
– Será que não é o filho do jardineiro, o tal Sai?
– P-Podeser.. — Estas palavras seriam suficientes para recomeçar as discussões e birras de Naruto, não fosse a atitude inesperada que o mesmo tomou.
– Vamos entrar logo! — Os outros dois o observavam surpresos, nem desconfiavam da decisão que o jovem havia tomado nesses minutos de caminhada, enquanto sentia o cheiro e o toque da amada e se despedia de tudo isso pesaroso.
– Então eu deixo vocês aqui, volto o mais rápido possível com notícias. — Levou Naruto para junto de Hinata e abriu a porta para ambos poderem entrar. — Você consegue sozinha Hinata-sama?
– Hai.
– Ok. Se cuidem meus queridos e não saiam daqui em hipótese alguma. A Tsunade é capaz de tudo, não a subestimem.
– Pode deixar Jiraya-sama, nós vamos ficar bem.
– Eu sei. O Naruto vai cuidar bem da Hinata-sama, e a Hinata-sama vai cuidar muito bem do Naruto. Só não se preocupem demais, aproveitem para conversar, dar uns beijinhos.. — Como sempre Jiraya não perdia a oportunidade. Despediu-se e partiu com chave de ouro, constrangendo novamente o casal.
Logo nos primeiros passos adentro avistaram Sai, que já estava de saída – iria continuar sua busca por Hinata, isso se não tivesse a encontrado por acaso. O moreno primeiro estacionou, surpreso com a “visita”, depois fez menção de se aproximar – queria abraçá-la, pedir desculpas – só então percebeu que ela não estava sozinha.
– É com você mesmo que eu quero falar. — Antes que o jardineiro pudesse sequer cumprimentá-los, o jovem Uzumaki se apresentou com a direta e enérgica sentença.
– Pois diga então. — Já esperava algo assim, esperava que Hinata contasse o que tinha acontecido e que Naruto, se este a amasse de fato, viria tirar satisfações com sua pessoa.
– Naruto-kun, sente-se aqui.. — Hinata não gostava de conflitos, muito menos nessas circunstâncias. Queria distância de Sai pelo beijo, queria ficar sozinha com Naruto e esclarecer as coisas. Por isso ignorou-os no inicio afastando-os com a desculpa do descanso, mas isso estava longe de acabar e momentaneamente fora do controle da garota.
– Não. — O loiro hesitou. — Eu quero ficar em pé, cara a cara com ele. — Os orbes azuis miravam o alvo, sem pestanejar ele prosseguiu com o planejado. — Vamos ter uma conversa de homem para homem.
– Que tipo de conversa seria? — O moreno também sem manteve firme, os olhos respondiam os do outro com a mesma intensidade. Ambos procurando deixar claro o amor que tinham em comum, ambos não querendo desistir tão fácil da pessoa desejada.
– A respeito da honra da minha.. — Engoliu seco as palavras que realmente queria dizer, limitando-se ao mais frio tratamento possível. — Prima. — Seus sentimentos deveriam permanecer ocultos, não queria que no fim de tudo a garota sentisse qualquer tipo de pena ou culpa por ter consciência da paixão que despertara no primo aleijado. Sabia que Hinata tinha um coração maravilhoso, e que provavelmente sofreria com isso, e Naruto não se permitiria atrapalhar de qualquer forma a felicidade da pessoa que ele mais amava.
– N-Naruto-kun..? — Agora quem estava confusa com tudo aquilo era Hinata, que assistia sem ação Naruto se soltando dela e se apoiando no banco mais próximo para manter a posição e a altura frente ao suposto inimigo, discutindo com o mesmo indivíduo aquilo que ele chamava de “honra da prima”. Por nem desconfiar de seu amor correspondido, a cena, a discussão, o caminho que estavam tomando a atordoava, sequer podia imaginar o que significavam as atitudes de seu amor secreto, tão secreto quanto aquele jardim,
– Honra? — O jardineiro sorriu debochado, provocante. Sai era o único ali que podia declarar consciência absoluta sobre os acontecimentos. Tanto nele, quanto em Naruto, estava clara a paixão por aquela moça, Hinata, que, para desgraça do jardineiro visivelmente correspondia ao herdeiro Uzumaki.
– Eu quero que me diga como homem o que você pretende.. — Para o loiro aquela conversa era mais do que uma tortura. Além de derrotado, estava entregando a amada e assinando o atestado de perda da própria vida, pois quando Hinata fosse, com ela também iriam seu coração, sua alma, sua vontade de viver. — Quais são as suas intenções? — Mesmo assim sustentava a seriedade e frieza rompendo até os limites do possível, não deixaria as lágrimas rolarem até que estivesse longe daqueles orbes perolados que fitavam-no com incredulidade e uma dose de decepção.
– Não está exagerando um pouco? Acho que quem tem que ter esse tipo de conversa comigo é o seu pai, tio e responsável pela Hinata. Você não passa de um.. Primo. — O prazer que dizer aquilo lhe causava não era o suficiente para confortá-lo diante da derrota eminente. Apesar de ter percebido a intenção de Naruto em entregar-lhe Hinata, talvez por pensar que ela não o quisesse ou por ser incapaz de enxergar no olhos aflitos e atônitos dela a verdade incontestável do amor dela pelo Uzumaki, Sai já sabia, desde o beijo roubado, que a moça jamais o corresponderia. Estava conformado, mas não perderia a chance de enfrentar o oponente pela última vez.
– Não te interessa quem sou, mesmo assim na ausência do meu pai, sou eu quem mando.
– “Naruto-kun..?” — A cada palavra dos dois rapazes, mais perdida ela ficava. Naruto parecia agir como um daqueles pais que nos livros questionam os pretendentes das filhas sobre suas intenções. Era absurdo demais acreditar que ele pudesse mesmo estar assumindo esse tipo de papel, ainda mais levando em consideração que o interrogado jamais seria um pretendente do amor que já estava reservado a Naruto, e para sempre assim seria.
– Vou ser direto e sincero contigo. A partir de hoje não serei mais um empecilho no relacionamento de vocês.. — O loiro era de uma frieza surpreendente, até admirável, considerando o grau do sentimento que tinha pela pessoa em questão. Aquilo tudo podia soar como uma atitude de desistência simples, uma “retirada”, como um soldado que abandona o campo de batalha, dando-se por vencido, para poupar a própria vida. A realidade era bem diferente, com aquela decisão Naruto estava se jogando num abismo sem fim, abrindo mão de seu coração.
– E-Empecilho?- Indignada e absolutamente confusa, Hinata não conseguia nem mesmo sair do lugar, apenas observava aqueles homens discutirem-na. Sem fazer ideia do que o primo sentia por ela, as palavras do rapaz pareciam não fazer nenhum sentido, mas o que mais incomodava em tudo era o mínimo pensamento de que ela pudesse preferir Sai ou abandonar seu amado por quem quer que fosse. E, Santo Deus, em nome de que? Amor? Amor era o que ela sentia por ele, Naruto Uzumaki, mesmo que jamais fosse ser correspondida. Ignorar, negar, esconder, esquecer.. Isso já não estava em suas mãos.
– Assim que meu pai retornar eu partirei em viagem para bem longe daqui.. — As lágrimas poderiam rolar a qualquer instante, mesmo diante do tremendo esforço que o Uzumaki fazia para segurar a dor latente da despedida. — Mas antes de ir eu preciso saber se você ama mesmo a Hinata, se vai se comprometer seriamente com ela, se vai ampará-la, protegê-la, se você vai ser um bom homem para ela.
–… — Demorou alguns segundos até que Hinata absorvesse aquelas palavras sem compreender o que elas de fato representavam, porém o que lhe bastava era o que elas significavam. Ir embora, partir. Isso significava perdê-lo, nunca mais vê-lo, ouvi-lo resmungar, não tê-lo por perto para cuidar e gritar com ele, seu primeiro, mais puro e verdadeiro amor. — V-Você vai, vai embora? Para onde? Por que? O que.. O que está acontecendo aqui Naruto-kun? — Só então desesperou-se. O pranto rolou sem receio, o corpo tremia, as mãos juntas sobre o peito numa tentativa fútil de acalmar o sofrimento que as recentes noticias lhe infringiam. — Por que está fazendo isso comigo?
A cena era dramaticamente dolorosa, nem mesmo Sai, que outrora fez-se contra o casal, conseguiu manter-se inabalável diante daquilo. O moreno abaixou a cabeça envergonhado por estar sendo o pivô da situação, principalmente o causador do sofrimento da mulher que ele também amava. Dentro dele agora os sentimentos estavam confusos, as lágrimas da amada o fizeram enxergar quão iludido estava, ao esperar daquela mulher um coração que esse tempo todo pertencera a outro.
Em quem também aquele choro doeu foi em Naruto. Tinha prometido para si mesmo fazê-la feliz, mesmo que para isso tivesse de se afastar e, no entanto, só tinha conseguido outra vez deixá-la triste. Esperava o contrário, esperava que ela se sentisse aliviada em livrar do único impedimento entre ela e seu namorado saudável, mas não foi assim que reagiu. Então ele se calou, as palavras faltaram, restou apenas desviar os olhos e orar para que o consolo viesse para ambos e tudo acabasse logo.
– QUE ABSURDO É ESSE? O QUE ESTÁ TENTANDO FAZER? — Quando Naruto a evitou, Hinata se enfureceu, e gritou. Aproximou-se violentamente e esmurrou com toda a força que tinha o peito do rapaz, queria livrar-se da raiva, do medo, da tristeza, e essa foi a melhor maneira que encontrou. O loiro deu alguns passos bambos para trás, foi obrigado a escorar-se na parede mais próxima. Estagnado, não sabia o que dizer, como agir, se segurava os braços dela ou a envolvia com os seus. Decidiu que o melhor era fazer aquilo que sabia fazer melhor do que ninguém, fazê-la se afastar, de uma vez.
– VOCÊ ESTÁ LOUCA? ACASO PERDEU O JUIZO? SE CONTROLA GAROTA MALUCA! — Gritou com todo o ódio que jamais teve por ela, usou o ódio que sentia de si mesmo por todas as vezes que ao invés de abraçá-la, a rejeitou.. Que, ao invés de dizer que a amava a humilhou.. Usou toda a mágoa e culpa por si próprio para esbravejar com ela, pois sabia que sempre que fazia isso, ela se zangava e ia embora, só que dessa vez tinha que ser definitivo. — EU NÃO QUERO QUE VOCÊ TOQUE EM MIM, ENTENDEU? NUNCA MAIS! — Segurou-a pelos braços e a chacoalhou com violência, não queria machucá-la, só assustá-la, fazê-la o odiar. Hinata o empurrou quando finalmente conseguiu se livrar, e reagiu em sua fúria dando-lhe uma bela bofetada. Ficaram todos em silêncio por alguns segundos..
– Quem é você Naruto para decidir algo sobre a minha vida ou meus sentimentos? — Ele nada respondeu, nem poderia, o objetivo da garota não era obter respostas, mas sim esclarecê-las. — Em algum momento você se preocupou com o que eu sinto? Você ao menos sabe o que eu sinto? — Não haviam lágrimas nos olhos dela, só raiva, e amor reprimido. — Como pode tomar decisões que me envolvem sem nem ao menos perguntar a minha opinião? — Respirou fundo algumas vezes para não perder o foco, para se acalmar. O loiro copiou o gesto. — Se você me quer longe, apenas diga, que eu vou.
– Eu... — Ele bem que tentou se explicar, confessar, contestar as ideias dela, mas foi impedido pelo jardineiro, que pela primeira vez se intrometia na discussão.
– Eu amo a Hinata.
– O..O que? — O casal voltou sua atenção imediatamente para o terceiro indivíduo em cena.
– Eu disse que amo sim a Hinata. Isso responde a sua pergunta, Naruto? — E num momento onde o casal deveria confessar seus sentimentos e desejos recíprocos, o triângulo amoroso veio à tona graças a declaração inesperada de Sai, que até então parecia ter sido esquecido pelas outras pontas desse romance platônico.
– … — Por alguns segundos Naruto mastigou aquela informação, forçando-se a digeri-la. — S-Sim..
– A Hinata merece alguém que realmente possa fazê-la feliz em todos os sentidos.. — Seus olhos foram do Uzumaki para a Hyuuga. Esta, para quem sorriu, o fitou brevemente em busca de um sinal de sanidade, tudo parecia inacreditavelmente absurdo e sem sentido ali.
– Ela tem direito de ficar junto de quem ela realmente ama.. — Já ia tomar uma atitude e avançar contra o rapaz, para quem sabe, batendo nele com toda a sua força, fazê-lo recobrar o juízo, mas Sai a impediu prosseguindo.
– E se alguém tem que se afastar dela para que isso aconteça, esse alguém sou eu.
– “Sai-kun...?”
– O-O que, o que você disse? — Naruto estava abismado com a informação, entrara naquele jardim pronto para sair da vida da mulher que amava e permiti-la ser feliz com o rival, e no entanto quem se dirigia a porta naquele momento era o outro, com a promessa de nunca mais voltar. — Eu, eu não entendo..
– Eu não sei o que você viu ou ouviu sobre o beijo, mas é meu dever dizer a verdade, em nome do meu sentimento mais sincero pela Hinata. Eu forcei aquela situação, ela não sabia o que eu pretendia fazer. Para mim era só um beijo, não tinha compreendido seus sentimentos Hinata, o tamanho deles, e como isso devia ser importante para uma garota como você.. — Parou na saída e, olhando para trás, desculpou-se e se preparou para despedir-se do sentimento mais nobre que já sentira. — Eu sinto muito se isso te magoou tanto..
– … — A jovem considerou aquelas desculpas, mas também não podia permitir-se calar, haviam muitas coisas não ditas que precisava desabafar, ou enlouqueceria. — Você não só me magoou Sai, como destruiu a minha vida. Nunca mais eu vou poder ser de outra pessoa.. — A cabecinha inocente da Hyuuga acreditava que o beijo ia além de uma troca de sentimentos e saliva, por isso se martirizava e condenava-se a solidão.
– Mas.. Por que? — Assim como Naruto, Sai parecia não compreender o desespero da moça, cujas lágrimas voltaram a rolar.
– Como porque? Nesse exato momento eu posso.. Eu posso até estar.. Grávida!
– G-Grávida? — O susto que levou o jardineiro só não atingiu maiores proporções que a reação de Naruto.
– GRÁVIDA? UM BEBÊ? O QUE VOCÊ FEZ COM A HINATA SEU.. — O loiro se aproveitou da proximidade e avançou no inimigo dando poucos passos e um belo gancho de direita no rosto do mesmo. Sai desequilibrou-se e foi parar no chão.. — LEVANTA DESGRAÇADO! EU VOU FAZER VOCÊ SE ARREPENDER DE VERDADE PELO QUE FEZ. — Já seu agressor foi amparado pela amada, que correu para resgatá-lo e impedi-lo de agir ou sofrer violência outra vez.
– NARUTO-KUN, POR FAVOR, ACALME-SE!
– EU VOU MATAR ESSE DESGRAÇADO, EU ACABO COM ELE, EU JURO! — Se tivesse equilíbrio suficiente teria com certeza derrubado o moreno outra vez, mas teve de se conformar ao vê-lo levantar acariciando o rosto, o filete de sangue escorrendo por entre os lábios. Isso, e o abraço de Hinata o impediram.
– Você.. Você enlouqueceu Hinata? — Não foi fácil para ele com homem aguentar a porrada sem uma resposta a altura, mas a confusão que havia provocado tinha sido tão maior e precisava ser resolvida. — Eu apenas a beijei, nós não tivemos nada mais íntimo.. Um beijo não é o suficiente para engravidar alguém.
– N-Não? — Finalmente todas aquelas informações absurdas de poços e línguas monstruosas, e bebês seriam desmentidas.
– Beijos não engravidam Hinata, precisaria de bem mais que isso. Apesar da reclusão, o Naruto é homem, deve saber do que eu estou falando, não é? — Não fosse o transtorno que tal pensamento absolutamente desprovido de malicia havia causado a moça, até poderia rir da situação, mas naquelas circunstâncias buscou apoio no outro rapaz para reforçar a teoria e aliviar as preocupações absurdamente inocentes da Hyuuga.
– A-Acho que sim.. — Naruto coçou a cabeça e sorriu constrangido com as imagens que de repente ganharam sua mente, aquelas mesmas que o acometeram enquanto lia as páginas sugeridas por Jiraya, para que ele descobrisse um pouco mais sobre a vida, o amor, homem e mulher.
– B-Beijos não engravidam? M-Mas.. Aquelas coisas que.. Não engravidam? — Insistiu.
– Não. — E Sai reforçou.
– Oh! Graças a Kami-sama! — Nunca houve alguém tão aliviada.. E feliz. Tudo o que Hinata pode fazer foi dar um longo e forte abraço no Uzumaki, só que dessa vez a intenção não era impedi-lo, exatamente o contrário.
– Entendo.. — Suspirou. A cena não o machucava tanto a ponto de arrepender-se de tê-la motivado de certa forma. — Eu sinto muito por ter feito você sofrer assim Hinata, não imaginava que acreditava numa possibilidade dessas. Esse beijo não vai impedi-la de ser feliz nunca mais, esqueça o que eu fiz e viva seu amor. — E com isso Sai se redimia, pois além de concertar seus erros, estava finalmente desanuviando as mentes daqueles dois e fazendo-os enxergar o amor recíproco que sentiam. — Você merece isso, e ele também te merece.. Adeus.
Ao ouvirem as últimas palavras do rapaz antes dele os abandonar, eles se libertaram dos braços um do outro e se olharam intensamente, diferente de todas as outras vezes que estiveram juntos, como naquela noite em que se encontraram na penumbra iluminados pelos raios, embalados pelos trovões. De repente a coragem os inundou e a decisão de revelar-se um pro outro como a tanto desejavam lhes pareceu a única opção.
– “Sai-kun..Arigatou”.
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