Secret.

23 Quer que eu permaneça mais?


Os dias se passavam, cada dia mais, ele e a morena estavam mais próximos, mais amigos um do outro, como ele poderia se surpreender mais com ela? Ele se perguntou a olhando enquanto a mesma fazia panquecas para eles.

–Clint que iria gosta, ele ama minhas panquecas.-riu convencida se sentando ao lado de Tony, que se serviu das panquecas, e apenas saboreou as mesma calados.-Estão boas?-ela perguntou e ele apenas fez que sim com a cabeça, não queria perde tempo falando, ele queria comer mais panquecas.-Fale Tony.

–Estão.-foi a única coisa que falou e logo voltou a atacar o prato com panquecas.

–Parece que você não come a um século.-riu dele e começou a comer. Ele apenas riu, a olhando, ela viu o cordão brilhando no pescoço do mesmo, e pegou o pingente, riu vendo o apelido carinhoso.-Sucata.-ele logo se pôs a rir junto a ela.

–Então, você vai para a base hoje?-perguntou dando uma pausa nas panquecas, a olhou vendo os olhos dela brilhar, olhando ainda para o pingente, ela largou o mesmo e o encarou com cara de confusão.

–Não, trabalhar na shield até que é legal sabe, eu mais fico em casa do que trabalho.-riu e bebeu um gole de café.-Mas não, não vou hoje, não se o Fury não me ligar.-deu de ombros.-Nossa, acabei de lembrar que tenho que comprar um carro.

–Que bom que não vai, tenho planos, e quanto ao carro, não se preocupe, pode usar um dos meus.

–Oque você está pensando em fazer em Tony?- o olhou com a sobrancelha arqueada.-E quanto ao carro, acho que não, não quero depender de ninguém.

–A sei-lá, poderíamos pedir uma pizza, e ver algum filme. E eu não pretendia te ofender com a proposta do carro, se acha melhor não usar, não use, lembre-se, é só um empréstimo -deu de ombros se sentindo ofendido, com a interpretação dela.

–Desculpe, eu pego então o carro. E pizza Tony? E você assistindo filme? Não sábia disso.-riu levantando de frente da bancada, já que havia terminado de comer e tirou os pratos colocando na pia e logo voltou a atenção a ele, que a observava explicitamente, quando ele percebeu que ela viu o olhar, ele desviou o mesmo corando um pouco.

–É geralmente, eu descarto filmes, mas sei que você gosta.

–Um fazendo minhas vontades Tony?

–Tenho que manter meus hospedes, satisfeitos para que permaneçam mais.- deu de ombros a olhando.

–Quer que eu permaneça mais?-perguntou baixo, mas não desviando o olhar dele.

–Quero.-admitiu a encarando.-Você... Gosto de você Andressa, parece uma criança, meio agressiva, mas parece mesmo assim.-riu olhando a mesma que sorria.-Como sempre digo, gosto da sua presença.

–Um isso é bom.-falou andando para a sala. Sentou no sofá e ficou observando o nada.-Pizza não, eu amo pizza, mas outra coisa.-falou assim que Tony sentou ao lado dela.

–Um.-tamborilou os dedos no encosto do sofá, e ficou pensando.-Comida chinesa?

–Não, muito comum, eu também gosto, mas nãos.- deu de ombros, e o observou.-Sorvete.-falou por fim sorrindo.

–Sorvete? Comer sorvete?-perguntou.

–Á pode ser sorvete com chocolate, oque acha? E poderíamos comprar vinho também.

–Sorvete com vinho? Não e nem quero, deve ser a coisa mais nojenta.-ela apenas riu.

–Não falou de comer sorvete com vinho, eu falo de beber o vinho e depois comer sorvete, intendeu?

–É, sorvete e vinho? Me parece legal. O vinho eu tenho aqui, mas o sorvete vamos ter que pedir ao Happy para comprar.-falou levantando do sofá.-vai querer quais sabores?

–Porque não vamos nós comprar?-perguntou.

–Mercado, a não, não a nada que eu odeie mais.

–A porque, mercado é tão legal Tony.

–Andressa.

–Tony, vamos, te prometo que você vai se diverti.-ela pediu manhosa e ele apenas revirou os olhos não conseguindo negar o pedido dela.-aaa tem que se disfarça, coloca um boné um óculos e um casaco.-falou autoritária enquanto o mesmo fazia posição de sentido.

–Mas algumas coisa comandante?-debochou dela, e riu mais quando a viu revirar os olhos.

–É sério, se não quiser que os fotógrafos chatos te perturbem, acho melhor fazer oque falei.-deu de ombros e subiu para o quarto para arruma-se.-Um, sabe se disfarçar bem.-falou olhando o moreno assim que desceu, ele estava com casaco preto, boné, all-star e uma calça jeans surrada, que ela pensou que nunca veria Tony Stark, com uma calça velha e um óculos Ray-Ban.

–É acho que dá pro gasto.-riu e a observou, ela estava quase do mesmo jeito que ele, calça jeans surrada, all-star de cano médio, blusa de banda e casaco, ambos pretos e os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo frouxo.

–Vamos Tony.-falou impaciente, o olhando. Ele apenas a seguiu, foram a pé, pois o mercado não ficava longe da torre.

–A quanto tempo não faço isso.-comentou.

–Isso oque?-perguntou enfiando as mãos dentro do bolso do casaco e o olhou de lado.-Andar na rua?

–É sabe, é estranho.

–Andar? Nossa Tony.

–A , é esquisito sabe, eu fico mais em casa e vou para a base.-se explicou.

–E sai para as festas também.-riu dele.- Você sai sempre, só que não anda pela cidade que mora, você é inacreditável.

–É acho que é isso mesmo.-deu de ombros e adentraram o mercado.

–Bem, só vamos comer sorvete mesmo? Você não quer outra coisa?

–Não, a pizza seria uma boa.

–Nossa...

–Pizza de NY é a melhor.

–Tudo bem Tony, compramos pizza.-revirou os olhos e andou até aonde haviam os sorvetes.-E ai, que sabores?

–Você que sabe.

–Coopere Tony.

–Não sou muito fã de sorvete.-encostou na parede e a olhou.

–Voou fazer você gosta.-riu para ele e começou a falar os vários sabores.- e de chocolate.

–Chocolate.

–Só?

–É.- encarou a mesma que mandou um olhar ameaçador para ele, então tratou de falar outro sabor.-Morango.

–Um, prefiro chocolate, mas vamos levar morango também, e de baunilha e de creme.-riu e pegou os potes, deu dois para ele e levou os outros dois.-Viu, nem foi tão ruim assim, foi tão rápido.-riu e foi para a fila.

–É mesmo.

–Ai preciso pegar umas coisas a mais.-falou e entregou os potes a Tony.-Me espera.-Falou e saiu correndo pelo mercado, voltou alguns minutos depois com calda e confeitos.-Prontinho, cheguei na hora certa.-falou se pondo ao lado dele que já estava no caixa, e a funcionária batia os itens.

–Você literalmente parece uma criança.

–Eu apenas gosto de doces ué.-deu de ombros dando um pequeno sorriso.

–Deu cinquenta de cinco dólares e noventa e oito centavos.-a caixa falou despertando os dois do pequeno flerte.

–Okay.-Tony entregou o cartão antes que a morena pudesse pegar o dela.-Oque foi, eu também vou consumir.-falou já que a mesma o olhava com um bico e os braços cruzados.

–Idiota.-sussurrou e pegou uma das bolsas.-Você é tão... Irritante Tony.-deu de ombros e saiu do mercado com pressa.

–Ué, oque eu fiz?-andou até ela.-Ei oque eu fiz?

–Eu ia pagar.-falou nervosa não olhando para ele.

–Você está brigando comigo por isso?-perguntou incrédulo.

–Não estou brigando com você mais... Eu não gosto de depender de ninguém.

–Ou seria de mim?

–Não, eu, a Tony- parou no meio da rua.

–Você se juga auto-suficiente demais.

–Não sou auto-suficiente.-ele apenas a olhou com uma sobrancelha erguida.-Tá.

–Eu não sei oque é que você tem que você fica falando que não precisa das pessoas.

–Eu só não quero me apegar a você, e nem a ninguém, não... Vamos porque quero comer sorvete.-falou mudando o assunto e voltou a andar.

–Se apegar.-sussurrou andando atrás dela.-Está se apegando a mim?-perguntou baixo de forma que ela não escutou, deu um sorriso.

Então ela estava se apegando a ele? se perguntou, mas a verdade era que ele também estava se apegando a ela, ele simplesmente adorava apenas a observar, ainda mas depois desses meses morando com ele, a forma que ela dançava, a forma que ela falava, o jeito infantil e agressivo dela, ele simplesmente adorava isso tudo nela, e já se sentia apegado. Quando deu por si já estava dentro do elevador da Torre, a mesma estava calada olhando para os pés.

–Oque foi?-perguntou a morena que apenas o olhou perdida.

–A nada, estava pensando em algumas coisas idiotas.-riu, e logo o elevador chegou no andar.-Tony.-falou em tom de advertência.

–Oque foi?perguntou atento.

–Esquecemos de comprar a pizza.-falou decepcionada entrando na torre.

–A, podemos pedir para o Happy compra, afinal a pizzaria é aqui em frente.-riu.

–Okay, você pede então? Vou tomar um banho.-ele fez que sim ela riu e logo subiu, tomou banho morno demoradamente. Se enrolou na toalha e voltou para o quarto, se vestiu com um short preto curto e pôs a blusa que Tony lhe dera, deixou alguns botões abertos de forma que deixava o sutiã preto com renda vermelha a amostra, se olhou no espelho rapidamente, apenas sorriu vendo a blusa, lembrando do dia em que acordou com ela, o nojo que sentiu da peça, oque ela havia pensado que havia acontecido, respirou fundo afastando os pensamentos soltou o cabelo que estava com um coque, o deixando caído sobre os ombros ondulados e desceu para a sala não encontrando Tony.-Jarvis aonde Tony está?-perguntou.

"-O senhor Stark está na oficina senhorita Barton."

–Obrigado Jarvis.

"-De nada senhorita."

Andou até o elevador e apertou o andar do laboratório, assim que as portas se abriram, viu vários computadores, telas e mais telas, algumas ferramentas que ela não conhecia. Adentrou mais a sala, andando lentamente, viu uma das armaduras de Tony, sorriu assim que lembrou quando viu na televisão, uma reportagem dele, levando o míssel que destruiria NY, quando ele sumiu em meio aquele buraco formado no céu levando o míssel para salva as pessoas, e sorriu mais ainda lembrando quando ele cai do buraco.

–Rindo sozinha? Que coisa, tem que ir em um psiquiatra.-falou atrás dela fazendo a mesma acorda dos desvaneios. Ela conseguia ver o sorriso dele de deboche sem mesmo o olhar.

–Foi com essa?-perguntou virando de frente a ele, ele apenas fez cara de confuso.-Que salvou NY, foi com ela?

–Foi.-riu de lado, se sentia triste, os vingadores nunca mais haviam entrado em ação, não que ele quisesse que os alienígenas voltassem a terra e tentassem a destruir, mas ele estava com saudade da ação, da adrenalina correndo nas veias.

–A salvadora de todos nós. Eu estava em Paris quando isso tudo aconteceu, foi quando eu vi Clint, eu quase tive um ataque, nem mesmo tinha mais esperanças de que o encontraria novamente, ele me deixou quando eu era tão pequena, tinha apenas 12 anos. Eu pedi tanto para ele não ir, mas ele falou que não aguentaria mais ficar, eu também queria que ele fosse, mas ao mesmo tempo não, não queria ficar sozinha, mas ele sofria tanto na mão do pai.-Falou, deu um longo suspiro, queria desabafar um pouco, não tinha ninguém para conversa, e Tony parecia está disponível.

–Do pai? Não era do pai de vocês?-perguntou curioso., e confuso.

–Não, Clint e eu somos irmãos apenas da mesma mãe, não do mesmo pai. Mamãe se envolveu com o pai dele, ficou grávida e eles se separaram, então ela conheceu meu pai, ele criou Clint durante alguns anos, e logo mamãe descobriu que estava grávida de novo.-falava sorrindo, lembrar da mãe sempre era bom, mas ao mesmo tempo doloroso.- Adivinha quem nasceu? É claro, eu linda e maravilhosa.-falou sorrindo e caminhando pelo laboratório, parando em frente a uma mesa e sentando nela. Tony apenas riu dela e depois cruzou os braços e continuou a escultar.-Antes mesmo de eu nascer, ele foi assassinado, mamãe ficou sozinha comigo e com Clint, mas depois de alguns meses após o meu nascimento ela voltou com o pai de Clint, ela me dizia que sempre amou ele demais, e que meu pai foi apenas um amigo, mas que o amava por ter me dado de presente a ela.-Tony observou enquanto a mesma falava, e a única coisa que vinha na cabeça dele eram as palavras "Criança assustada" .- depois disso crescemos e o pai dele se tornou um alcoólatra ele bebia todos os dias, e batia no Clint, mamãe sempre brigava com ele quando chegava do serviço, se agrediam e tudo, eu sempre chorava, era horrível os gritos, os barulhos dos socos que ele dava nela e no Clint. Sempre pedia para ele parar, eu era apenas uma criança, não intendia muito bem as coisas, mas, sabia que aquilo não era bom, que iria deixar marcas pra sempre em nossas vidas. Então, um dia, eu estava brincando no quintal quando vi Clint, sair de casa com uma mochila nas costas, ele tinha um olho roxo e a boca estava inchada da surra que havia levado a alguns dias atrás, acho que 3 dias ou dois, não me lembro muito bem, mas eu corri atrás dele, não querendo saber se meus brinquedos iam ficar espalhado pelo quintal, eu só queria ir atrás dele. Então perguntei aonde ele ia, ele respondeu que iria fujir com o circo, e eu implorei para que ele não fizesse isso, implorei que ele não me deixasse sozinha, ele falou que precisava ir, que não aguentava mais, e eu apenas chorei, ele me pediu para não chorar, mas eu não conseguia, Clint era meu tudo, ele e a mamãe, eram as únicas pessoas em que eu podia confiar, e não queria que ele me deixasse, ele era o único que brincava comigo. As crianças do bairro não gostavam de mim, falavam que eu era pequena e esquisita, me chamavam de menina fantasma.-riu lembrando, mas logo ficando séria e abraçando o corpo.-Mas não adiantou, ele se foi, me deixou sentada no meio da calçada chorando, ele falou que ia voltar para me busca, mas ele nunca voltou, nunca.-terminou de falar e as lágrimas escorriam livremente dos olhos dela.

–Não chora.-andou ate a mesma que o abraçou, ele não era de demonstrar, nada, não gostava até, mas ele não quis saber, apenas a abraçou com força e acariciou os cabelos dela, ele sábia que ela precisava daquilo.

–Não estou chorando.-disse dando um pequeno sorriso ainda com o rosto enterrado no peito dele.-Não mesmo.-desfez o abraço e secou as lágrimas.-Viu só?- já estava sorrindo, desceu da mesa e começou a olhar novamente pelo laboratório.-você pediu a Happy para trazer a pizza?

–Uu, é, acabei esquecendo, depois que desci para atender um telefonema.-deu de ombros coçando a nuca com um pequeno sorriso.

–Tudo bem, mas vamos subir?

–Claro.-falou e andaram em direção ao elevador.