Sebtana
5 Capítulo 5
O sol já brilhava forte lá fora quando finalmente resolvi sair da cama. Já estava acordada a algum tempo, mas me recusei a sair dali, se pudesse ficava o resto da minha vida ali. Aqui deitada, sem fazer nada, apenas relaxando. Não preciso lidar com os problemas quando estou na cama, posso deixa-los ali dentro de uma caixa, escondidos até quando eu bem entender.
Tentei levantar, mas resolvi ficar mais alguns minutos ali deitada, aproveitando um pouco da paz que me restava. Sem falar que o colchçao de Kurt era incrivelmente confortavel, há tempos que eu não dormia tão bem assim. A cama da faculdade não é uma das melhores.
Poderia ficar ali por horas, sem nem reclamar, mas uma batida na porta me fez sair reclamando da porta e ir lá abrir lá. Sem falar nada ou se preocupar com meu pijama Finn entrou no quarto com a carra amarrada.
- Por que não me avisou que tava indo embora?
Esperei a porta fechar antes de me joga de novo na cama.
- Eu avisei.
- Quando chegou em casa, poxa eu fiquei preocupado San.
Quase me senti culpada, Finn fez uma cara de piedade, tipo aqueles cachorros implorando por um pedaço de bife. Senti vontade de aperta-lo forte.
- Desculpa — suspirei
Ele deu de ombros.
- Só avisa da proxima vez tá? — quando concordei com a cabeça ele desmanchou aquela cara e sorriu — Arrasamos ontem! Todos ficaram chocados com a nossa performance.
- Uau, parabens Finn! — enfiei minha cabeça de baixo de um travesseiro
- É, mas ainda temos muito que treinar. Você vai nos ver não é? Pensei que fosse ficar lá ontem para ter um gostinho, mas...
Desenterei a cabeça do travesseiro e o observei com os olhos caidos.
- Eu pensei que seria facil Finn. Não sei, por um momento cheguei a imaginar que não sentiria nenhuma dor se a visse, mas todos os lugares que eu olhava me lembrava dela, eu piscava os olhos e via seu sorriso... foi complicado.
Ele levou sua mão até meu braço e o acariciou.
- Ela não apareceu ontem.
Balancei a cabeça.
- Na verdade ela foi sim...
- Como você sabe? — ergueu uma sobrancelha.
- O Sam me disse. — falei tentando omitir detalhes, estava com vergonha demais para falar sobre o beijo entre mim e Sebastian.
- Sam? — ele continuava com a sobrancelha erguida
Revirei os olhos, já me tremia toda só de lembrar dele. Droga, porque qu não meti a mão na cara dele quando pude? tenho certeza de que estaria muito melhor agora. Mas não, eu quis bancar uma de boazinha, indiferente. Fingi que não me importava, quando na verdade estava ardendo de raiva.
Pensar em Sam me fez lembrar de Sebastian. Olhei no relogio, já era quase nove horas e de acordo com a mensagem que ele havia me mandado no meio da madrugada eu estava atrasada para o nosso café da manhã.
Dei um pulo da cama, peguei minha blusa que estava guardada em cima de uma penteadeira e corri para o banheiro. Quando sai de lá já trocada Finn ainda me esperava sentado na cama.
- Ontem eu vi a Britt e ela meio que me viu também. Quando veio falar comigo eu a ignorei. Ai ela foi embora chorrando e o chato do Sam veio tirar satisfações comigo, como se a culpada de toda essa historia fosse eu. — tentei parecer fria enquanto falava, não queria mostrar que me importava que Britt estivesse chorrando.
Peguei o fofinho que estava preso em meu braço e fiz um rabo de cavalo rapidamente, depois corri para o banheiro para escovar os dentes.
- Por que você a ignorou San? Vocês vão ter que conversar uma hora ou outra.
Coloquei a cabeça para fora da porta ainda com a escova de dentes na boca e tentei falar:
- Sim, mas não tão cedo.
- Por que não? Vai ficar adiando até quando?
- Eu não tenho condições de falar com ela, não agora. — enxaguei a boca — eu não aguentaria falar com ela.
- Eu entendo, mas uma hora vocês vão ter que conversar.
Sorri, disso eu já sabia.
- Mas não hoje.
Calcei uma sapatilha velha que havia trazido dentro da bolsa.
- Onde você vai? — Finn perguntou
Resolvi não mentir.
- Me encontrar com Sebastian, vamos tomar café da manha juntos e eu estou atrasada.
- Sebastian? — repetiu ele — Pensei que não fossem amigos.
- E não somos. Só preciso conversar com ele sobre uns assuntos antigos.
Ele sorriu e me acompanhou com o olhar até a porta.
- Só toma cuidado, ele é perigoso.
- Eu também sou. — mordi os labios — Nos vemos depois?
Finn coçou a cabeça e se levantou.
- Não acho uma boa ideia você ir.
- Calma Finn, não estou indo me encontrar com um sereal Killer não. — brinquei — É só o Sebastian.
Ele abaixou a cabeça e tentou esconder um olhar estranho que se formava em sua face.
- Por que toda essa preocupação Finn?
- Por nada.
- Certeza? — pressionei
- Sim.
Finn estava mentindo, sabia disso. Qualquer um saberia. Mas eu não tinha tempo para ficar nessa brincadeira, resolveria isso quando chegasse do café.
- Eu volto logo. — falei antes de fechar a porta.
Quando cheguei na cafeteria fiquei meio em duvida se deveria entrar ou não. Avistei Sebatian sentado sozinho em uma mesa bem la no fundo, teria que passar por todas aquelas pessoas para finalmente chegar nele. Aquelas pessoas das quais eu havia fugido por muito tempo.
Não gosto da forma como me olham quando estou sozinha, não é nem um segredo minha opção sexual aqui nessa cidade e também sei que me olham bem pior quando estou com Britt, mas quando estamos juntas eu nem me importo com nada ,para mim tanto faz. É como se ela fosse o meu escudo sabe? Quando esta perto todos esses comentarios maldosos não podem me ferir.
Mas agora como sei que estou realmente sozinha tenho medo. O estado que eu estou sei que qualquer palavrinha ou olhar estranho vai me machucar muito.
Depois de pensar por um tempo respirei fundo e entrei, mas com uma ideia fixa, se alguém me olhasse diferente, com ar de desdem ou comentasse algo iria ter que arcar com a antiga Santana e hoje ela não esta em um bom dia. O caminho até a mesa foi incrivelmente silencioso, sem nenhum olhar estranho.
Assim que me viu Sebastian se levantou e puxou uma cadeira para mim sentar, todo cavaleiro.
- Que bom que veio. — sussurrou
- E você acha mesmo que eu ia perder a chance de tomar o melhor café de Lima? — perguntei dando pequenas risadas
- É, o café daqui é maravilhoso mesmo. Já tomou o cappuccino com creme?
Assim que neguei Sebastian fez sinal para que o garçom viesse até nós.
- Por favor dois cappuccinos com creme.
- Ei — dei um tapa em sua mão — Você nem sabe o que eu ia querer.
- Não vai se arrepender, é o melhor daqui.
- Tenho certeza que sim, mas você não me chamou aqui para falar de café não é?
Ele mordeu os labios de um jeito incrivelmente sexy e depois arrumou o cabelo que estava cheio de gel. Só agora que havia reparado, Sebastian não estava com o seu habitual uniforme. Usava apenas uma blusa gola V rosa e talvez uma calça jeans, não havia reparado bem.
- Eu tenho uma proposta para você.
- Proposta?
- Sim. — afirmou balançando a cabeça.
- Que tipo de proposta? — perguntei já não gostando muito do rumo dessa conversa
Sebastian ia começar a falar mas fomos interrompidos pelo garçom que trazia os dois cappuccinos, me assustei um pouco com a rapidez aqui. Sebastian pegou seu copo e deu um pequeno gole, fez uma cara encantadora, demonstrando que o cappuccino estava maravilhoso. Depois pegou um papel e limpou o pequeno bigode de creme.
Bebi também e não pude evitar fazer a mesma cara dele, o cappuccino estava maravilhoso.
- Uma delicia não é?
- Sim. E a proposta?
Ele apoiou seu queixo sobre as mãos e me encarou.
- Você ainda quer fazer ciumes para a loira?
Mordi os labios e tomei mais um pouco do cappuccino . Ouvir o que eu fiz em voz alto parecia ter sido tão infantil.
- Foi um erro Sebastian, agi por impulso e...
- Ta bom, você pode ter sim agido por impulso, mas se sentiu bem fazendo isso.
- Não!
- Qual é Santana!
- Não — falei com convicção — eu me senti horrivel, eu estou me sentindo horrivel.
Mas a verdade é que eu não estava tão assim não. A verdade é que sim, por pequenos e rapidos segundos eu havia me sentido otima, vingada... pelo menos um pouco.
- Se sentiu sim.
- Onde você quer chegar Sebastian?
Ele sorriu, ele sabia que eu só havia cortado o assunto porque estava mentindo.
- Eu quero continuar com isso. — apenas disse
- Com isso o que?
- Esse namoro falso que temos.
Mordi os labios, nem tinhamos tido um primeiro encontro falso e agora já estamos namorando. Quer dizer, isso aqui não é um encontro falso né?
- Namoro? Isso não é um namoro falso. Foi apenas um beijo, falso.
- Então agora estamos namorando falso. — ele sorriu — preciso te pedir ou sem toda a ladainha?
- Não estamos namorando Sebastian.
- É falso Santana.
- Você esta louco?
- É só por alguns meses Santana, tipo aquela vez que você fez com o Karosfsky aquela vez.
Balancei a cabeça. Ele estava ficando louco. Namoro falso. Tudo o que eu mais quero no momento é seguir com a minha vida, esquecer de Brittany, terminar a faculdade, arrumar até quem sabe um novo amor. E esse namoro falso não vai me ajudar em nada, sou uma garota madura agora, não perco tempo fazendo ciumes para ex namoradas.
- O que você ganha com isso Sebastian?
Ele suspirou.
- Digamos que eu talvez esteja no mesmo barco que você, quero fazer ciumes para uma pessoa.
- Que pessoa? — perguntei toda curiosa.
- Sem detalhes. Então, topa?
Revirei os olhos.
- Claro que não.
- Ah, por favor Santana.
- Não Sebastian, eu não quero continuar com isso.
- Por que não? Olha eu não sei o motivo de vocês terem terminado, mas ontem eu vi o jeito que você estava, seja lá o que você viu na lanchonete te machucou muito.
- Eu e a Brittany terminamos, eu quero seguir com a minha vida. Não ficar enrolando, tentando fazer ciumes para alguém que eu nem me importo mais. Então a resposta é não Sebastian, eu não aceito.
Ele balançou a cabeça e olhou para os pés.
-Tudo bem, mas você me deve um favor.
Bufei. É claro que ele tinha um plano B.
- O que você quer Sebastian?
- Sabado terá uma festa e eu quero que você vá como a minha falsa acompanhante.
- Já disse que não vou continuar com isso. — retruquei
- É só uma noite Santana! — Ele voltou a me olhar — E você me deve um favor.
Mexi no cabelo, maldito momento em que resolvi beijar bem ele. Com tantas pessoas na festa, por que tinha que ser bem o Sebastian?
- Mesmo se eu quisesse, não sei se da para mim vir. Dificilmente tenho final de semana de folga, geralmente treinamos e
- De um jeito Santana. — ele me interrompeu
Tinha um olhar ameaçador e um sorriso levemente nos labios.
- Ou o que?
Ele deu de ombros.
- Finja só por uma noite, me deve isso.
Suspirei. Conhecia muito bem Sebastian para saber que se eu não fizesse o que ele queria, ele daria um jeito de se vingar. E se ele contasse para todos que eu só beijei para fazer ciumes para Britt? Não sei se aguentaria toda a humilhação. Beijei ele não só por isso, queria mostrar que eu ainda era forte, fria e que sabia muito bem seguir em frente. mas se ele abrisse essa boca, todos inclusive Britt, saberiam que eu não passava de uma fraca.
- Tudo bem. — concordei — apenas uma noite Sebastian.
Ele sorriu.
- Apenas uma noite.
- Ninguém pode saber disso. — falei
- Ninguém vai saber.
- Sem beijo também.
- Anotado.
- Ok, sabado estarei aqui.
Ameacei tirar o dinheiro, mas Sebastian me impediu.
- Eu pago, afinal estamos em um encontro.
Sorri.
- Quem é a pessoa Sebastian?
- Sem nomes lembra?
- Preciso saber quem é o alvo né?
Mordeu os labios, arrisco até a dizer que estava ficando um pouco vermelho.
- Sem detalhes tá? — concordei e ele se levantou — É o Blaine.
- Blaine? — repeti — Como assim?
-Sem detalhes. Te vejo no sabado então.
Sem falar mais nada foi embora.
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