Sebastian Smythe - Contos
15 Terceiro encontro.
Notas iniciais

A caminho da faculdade para casa me deparo com uma pequena barraquinha de uma florista simpática que me vende um buque modesto de flores campestres para eu presentear Blaine. Não que ele esteja merecendo ser presenteado ultimamente. Não, pelo contrário. Blaine está sendo um grande pé no saco desde o último encontro que tivemos. As flores são apenas para ele sossegar.
O motivo para ele estar me perturbando não poderia ser outro. Desde quando conversamos na cafeteria, há duas semanas atrás, e ele ficou sabendo que eu meio que não penso em casamento ou qualquer tipo de compromisso muito sério. Então, é claro, ele não vem reagindo muito bem enquanto tenta processar essa informação.
Nas últimas semanas ele ficou me perturbando dando várias indiretas de como ter uma família é importante e uma coisa boa que todos deveriam querer para si. Ele me fez assistir com ele O escafandro e a borboleta, O Homem Bicentenário, Pequena Miss Sunshine e até mesmo UP! Altas Aventuras. Tudo por que todos têm alguma mensagem dramática e comovente sobre como é importante a família.
Os filmes não foram a pior parte. Não, Senhor! A pior parte foi ele ficar implantando “mensagens subliminares” por todos os cantos do apartamento com matérias jornalísticas, fotos de famílias felizes, pesquisas sobre como pessoas comprometidas vivem mais tempo do que pessoas solteiras e coisas desse tipo. Ele está me deixando louco.
Talvez um gesto como esse buque de flores o acalme um pouco. Sabe, se fossemos duas pessoas que estivessem tendo o seu segundo encontro, e ele tocasse no assunto “casamento”, eu fugiria de Blaine como qualquer outra pessoa normal faria.
Meu dia foi exaustivo como todos tem sido desde que consegui o trabalho de monitor na NYADA. Não estou reclamando, o dinheiro que ganho me ajuda bem, mas ainda assim não consigo ter o padrão de vida que tinha antes. Eu não lamento por isso, na verdade acho que tem sido uma coisa boa para mim, no geral. Mas ainda assim, não posso deixar de pensar que tenho me sentido um caco ultimamente com essa nova rotina.
Nessa hora do dia, quando caminho do elevador do prédio até a porta de entrada do apartamento, é um dos poucos momentos de ansiedade em meu dia. A sensação de saber que em poucos segundos vou poder desfrutar de um banho quente e relaxante me anima bastante. Empurro a porta ao virar a maçaneta logo após de retirar a chave da fechadura.
No lado de dentro me deparo com o apartamento todo a meia luz. A iluminação não vem das lâmpadas do teto, mas de velas perfumadas dispersas por todo o ambiente. Tiro meu casaco o pendurando no gancho próximo a porta, jogando a chave dentro do pote de porcelana na mesinha ao lado.
– Blaine? – o chamo procurando com o olhar.
– Estou indo! – sua voz vem de meu quarto e é de lá que ele sai minutos depois.
Blaine está muito elegante para alguém que vai passar a noite em casa. Ele veste um terno skinny preto e uma gravata borboleta no mesmo tom. Sob isso, ele usa uma camisa formal quadriculada nas cores pink e azul. Dizer que ele está lindo é o mínimo.
– Oi. – ele diz sorridente andando em minha direção se jogando em meus braços para me envolve em um abraço caloroso.
– Oi. – estranho seu comportamento. – Acabou a luz no apartamento?
– Não. – ele responde sorridente.
– Então, para que todas essas velas? – insisto.
– Sabe, como você decidiu ter o homem mais incrível do mundo ao me aceitar de volta como seu inquilino... – ele diz indicando a mesa de jantar. – Então preparei uma surpresa.
Eu não havia percebido, mas a mesa está posta para um jantar à luz de velas para dois. Há taças com água e outras duas vazias, sob os pratos, guardanapos de tecido foram impecavelmente colocados sobre os pratos, que estão vazios.
– Não precisava fazer isso. – olho da impecável mesa para Blaine, que parece bastante satisfeito com a minha reação a surpresa. – Você acabou de tirar o gesso do braço e não deveria ficar se esforçando tanto.
– Eu sei, mas eu quis fazer por que eu quero que você saiba que eu estou me entregando com todo o meu coração nessa relação.
Aí vamos nós de novo. Agora sim esse ‘jantar romântico’ teve seu real motivo revelado. Blaine armou tudo para passar a noite me convencendo, mais uma vez, sobre essa chatice de relacionamento sério. Quero dizer, nós nem estamos em um relacionamento aqui. Qual é?
– Bom, talvez eu tenha acertado sem ter a mínima ideia do que estava pra rolar aqui... – digo tentando não me fixar nas intenções de Blaine com aquilo. Entrego as flores para ele em seguida. – São para você.
– São lindas, Sebastian. – ele fica na ponta dos pés para me dar um beijinho em meus lábios. – Obrigado!
Ele segue para a cozinha, onde ele repousa as flores no balcão, para pegar um vaso e enche-lo de água, para depois as colocarem nele.
– Eu deveria contar isso como o terceiro encontro? – pergunto enquanto ele caminha de volta até mim.
– Você me daria a honra? – ele estica seu braço para que eu o aceite.
– Sim, mas eu não estou tão bem vestido quanto você.
– Eu deixei uma roupa para você no banheiro. – ele me leva até o banheiro social. – Que tal você tomar um banho quente e relaxante, vista a roupa e volte para cá.
Eu estou um caco, isso é verdade. Mas não é má ideia ter um jantar incrível essa noite. Entro no banheiro, o único cômodo com a luz acesa. Sem pestanejar, tiro toda minha roupa em poucos segundos. Observo brevemente que em um gancho preso na parede, há uma calça social preta com uma camisa chumbo lisa também social.
Nenhuma daquelas peças são minhas, mas são do meu tamanho. Após o banho, visto as peças sem pressa, uma a uma, até que tenha posto tudo. Olho em volta e encontro o par se sapatos, estes reconheço, por que são meus. Saio do banheiro após calça-los.
– Você está incrível. – Blaine me observa estupefato.
Diferente de antes, agora o apartamento é embalado com músicas instrumentais tranquilas e românticas. Eu não estou tão formal quanto ele. Minha camisa tem o colarinho desabotoado e as mangas dobradas um pouco abaixo de meus cotovelos, mas ainda assim sua barra está para dentro de minha calça, não deixando meu visual tão casual.
– Obrigado. – agradeço sincero. – Sabe, eu não me lembro dessas roupas.
– É um presentinho. – ele dá um sorrisinho empolgado entrelaçando seus dedos nos meus enquanto me leva até a mesa.
– Obrigado então.
Blaine puxa uma cadeira para que eu me sentar. Antes que se sente, ele abre a garrafa de vinho Chardonnay vermelho envelhecido, despejando seu conteúdo nas taças vazias sobre a mesa. Enquanto Blaine deixa a sala para pegar nosso jantar, após recusar minha ajuda com isso, começo a observar ao redor.
Na sala de estar, ao lado do sofá, há um carrinho/bandeja de metal polido (que não me lembro de sequer ter comprado), com uma taboa de queijos acompanhados com uvas, morangos e blueberries frescos. Blaine logo está de volta, trazendo consigo dois pratos com uma porção mixaria de salmão grelhado com batatas douradas.
Se o plano para esse encontro é me matar de fome, então Blaine será muito bem sucedido. Isso deve ser uma daquelas coisas de jantares chiques que você paga uma nota para comer pouco. Nunca gostei dessas coisas para ser sincero. Mas não me atrevo a dizer uma palavra para Blaine por que sei que ele deve ter dado o maior duro para fazer tudo isso, mesmo que ‘tudo isso’ não seja nem duzentos gramas de comida.
– Isso deve estar uma delícia. – tento transparecer empolgação para ele.
– Eu espero que esteja bom. – ele diz ao se sentar na cadeira próxima a mim.
– Eu aposto que vai ser a coisa mais gostosa que já comi em toda a minha vida. – afirmo. Talvez tenha sido exagero demais da minha parte.
– Falando em apostas...
Em um piscar de olhos Blaine se levanta da cadeira enquanto estou prestes a colocar uma garfada em minha boca, ele abaixa o meu braço para que eu não coma o peixe.
– O que foi? – digo frustrado o observando correr até a cozinha.
– Precisamos fazer uma coisa antes. – ele anuncia voltando da cozinha com um garrafa de Vodka russa e apenas um copo para uma dose. – Pronto!
– E para que isso? – pergunto confuso.
– Bom, há algum tempo atrás dois jovens, sem o que fazer. – ele aponta para a sala. – Se sentaram no chão daquela sala e tiveram uma ideia boba de brincar de “Eu nunca.” Eu sei, é idiota...
– Muito idiota. – concordo sorrindo.
– Acontece que um desses jovens, o mais alto e bonitão, ele confessou nunca ter amado tanto alguém como amava o cara mais baixo e fabuloso. – ele conta.
– Hmm... Isso não parece que vai terminar bem para o alto bonitão. – brinco.
– Pois é. – ele concorda. – O cara mais baixo e fabuloso, por ser jovem e indeciso, não soube responder aquilo por que ainda se sentia confuso sobe várias coisas.
– Espera aí um segundo. – finjo só entender agora. – Esses jovens somos nós, não é mesmo?
– Sim, somos nós dois. – ele afirma segurando minha mão com cautela enquanto pronuncia olhando em meus olhos. – Eu, Blaine Anderson, nunca amei ninguém como amo você, Sebastian Smythe.
As palavras soam fortes, decididas e sinceras. Engulo em seco enquanto me vejo obrigado a desviar de seu olhar penetrante por um segundo.
– Você não precisa fazer isso, Blaine. – falo. – Eu já tinha esquecido isso.
– Mas eu não. – ele insiste. – Eu fui em busca dessa resposta, errei feio com você, mas a resposta está ai. Não estou dizendo por dizer. Não estou te enganando ou me enganando. Eu amo você, Sebastian. Como nunca amei outra pessoa.
Balanço a cabeça negativamente tentando segurar qualquer lágrima atrevida que ouse sair de meus olhos. Eu jamais pensaria que algum dia eu seria esse cara para Blaine. No fundo sempre achei que Kurt seria um fantasma, mas da forma que ele disse, eu até consigo acreditar que eu seja alguém realmente importante para ele.
– E pelas regras do jogo... – ele solta minha mão para empurrar, com delicadeza, o pequeno copo com Vodka em minha direção. – Você, por ter confessado uma coisa que todo mundo no jogo já fez, deve beber a dose.
Bebo a Vodka em um único gole. Desce queimando a garganta e estômago. Nunca bebi uma Vodka com tanto gosto.
– Assim eu vou achar você está querendo me embebedar. – brinco.
– Por favor, nós dois sabemos que não preciso te embebedar. – ele fala. – Você se embebeda o tempo todo e sem motivos.
– Tudo bem o romantismo pode voltar e você pode parar de me ofender?
Blaine ri enquanto nos ajeitamos para voltar para o jantar intocado.
– Então isso é mesmo um encontro?
– Pode apostar que sim. – ele afirma sorridente. – A menos que você ache que isso seja ridículo.
– Não, não é ridículo, é sexy. – falo. – E é sexy esse Blaine seguro de si que está conduzindo tudo tão bem.
Ele sorri docemente para mim enquanto me admira.
– Então... você acha que a gente pode voltar? – ele dispara.
– Eu não sei Blaine. – engasgo com o vinho que bebo.
– Tudo bem, desculpa. – Blaine se antecipa para dizer antes que eu tenha a chance de falar qualquer coisa.
– Não se desculpe. – pondero.
– Só vamos aproveitar a noite, certo? – ele sugere.
– Parece um bom plano. – sorrio para ele.
A comida tem um sabor ótimo, não resta dúvidas quanto o trabalho e dedicação que Blaine teve para tornar tudo aquilo possível. Desfrutamos do jantar enquanto conversamos.
– Eu tenho uma novidade. – ele diz empolgado. – Bom, tem essa socialite, June Dolloway, ela é tipo uma olheira para talentos musicais e performáticos.
– Eu sei quem ela é. – afirmo. A mulher é uma lenda e qualquer um teria sorte de chamar a sua atenção.
– Então, ela quer me lançar. – Blaine dispara as palavras cheio de excitação.
– Isso é sério? – largo o garfo que levo à boca de volta ao prato.
– Sim. – seu rosto se explode em plena alegria.
– Isso é incrível, Blaine. – levanto de meu assento para abraça-lo. – Parabéns!
Blaine me agradece enquanto me abraça. Ele demora alguns minutos até que me solte e voltemos a mesa de jantar.
– E a quanto tempo isso está rolado?
– Tem algumas semanas, na verdade. – ele fala tímido. Eu não posso julga-lo por não me contar nada antes.
– Isso explica o por que está bancando um monte de coisa. – brinco.
– É você me pegou.
– Eu estou muito feliz por você, Blaine. – digo sincero. – É uma conquista sem igual e ninguém mais nesse mundo merece isso mais do que você.
O jantar flui de forma tranquila e prazerosa. Conversamos bastante até que esteja tarde o suficiente para que eu queira me levantar e ir para cama dormir.
– O jantar estava incrível e foi muito bom conversar com você de novo. – digo me levantando.
– Ah... espera. – ele pede segurando a minha mão que apoio sobre a mesa. – Ainda tem a sobremesa.
– Comer tanto antes de dormir não faz bem, Blaine. – digo. Eu realmente quero dormir agora.
– Você não vai precisar se preocupar com isso. – ele dá uma piscadinha antes de me fazer sentar novamente.
Blaine trás dois pratos com Petit Gateau acompanhados com uma bola de sorvete de creme e calda de chocolate em cada.
– Nossa! – olho para o prato surpreso. – Você realmente está ignorando a recomendação médica de “pegar leve”, não é mesmo?
– Sim, mas isso não importa. – ele diz sorrindo e se deliciando ao me ver provar.
– Eu estou tendo um orgasmo gastronômico aqui. – digo apontando para minha boca enquanto mastigo a sobremesa.
– Que bom que gostou. – ele diz cheio de si.
Me certificando que não haverá mais nenhum prato para comer, então faço minha segunda tentativa de me levantar e ir para meu quarto.
– Obrigado pelo jantar incrível, mas já esta tarde.
– Espera... – Blaine pede novamente. – Eu gostaria que me acompanhasse.
– Eu não quero ser um velho chato, mas já viu que horas são? – ressalto enquanto ele me conduz até a sala de estar. – E amanhã eu tenho que acordar cedo... Desculpa eu estou sendo chato.
– Bom, você sabe como esses encontros funcionam... – ele começa.
– Eu sei. Eu fico até o final sem reclamar.
– Olha, Sebastian, eu não vou te forçar a nada, se você quiser interromper isso e ir para a sua cama deitar e dormir, eu não vou impedir, – ele soa sincero. – mas eu adoraria se você me fizesse companhia.
Ele pega um controle sobre o sofá parando a música de ambiente para uma nova setlist cantada. O som de piano suave é tocado até que o primeiro verso de Come Away With Me de Norah Jones cante.
Blaine se aproxima cauteloso de mim, como se esperasse a minha rejeição natural com sua aproximação. Eu não recuo. O que faço é olha-lo em silêncio enquanto ele toma minha mão em sua enquanto a outra mão passa em volta da minha cintura. Com uma breve relutância coloco minha mão em sua cintura também.
Dançamos ao ritmo da música, lento e tranquilo, Nossos olhares se esbarram hora ou outra enquanto dançamos. É uma atividade desconfortável no início, mas conforme a música avança, nossos corpos relaxam cedendo a todo o romantismo que nos envolve.
A música termina dando início a seguinte I Can’t Make You Love Me de Bonnie Raitt, talvez a música seja exatamente o que Blaine queira me dizer. Ele não pode me fazer amá-lo se eu não ama-lo. Ele não me forçara a nada. O que é bastante cavalheiro de sua parte, mas acontece que não sou uma menina virgem indefesa.
Aos poucos solto minha mão de sua, Blaine me olha como se aquilo fosse um sinal de rejeição, mas não é. Abaixo o braço para envolve-lo com esse braço também. Nossa dança se torna dois para lá e dois para cá enquanto nos olhamos em silêncio.
Blaine respira fundo soltando um longo suspiro, o que me faz sorrir. Seus braços me envolvem pelo pescoço. Dançamos a música assim até o fim. A música seguinte é When We Dance de Sting.
Se havia algum espaço entre nós, agora não há nenhum. Blaine e eu temos nossos corpos colados, Blaine repousa seu rosto entre meu ombro e pescoço. Posso sentir sua respiração em meu pescoço enquanto dançamos.
Por um segundo solto uma de minhas mãos de sua cintura para acariciar seu rosto a repousando no lugar anterior rapidamente. Sinto o tórax de Blaine se expandir e contrair com sua respiração tranquila.
Someone Like You de Van Morrison começa a tocar, Blaine murmura alguns trecos da letra enquanto dançamos. Ele levanta seu rosto para voltar a me olhar. O admiro com um sorriso bobo nos lábios. Soltando as mãos de meu pescoço, ele segura meu rosto entre elas.
– Desse jeito eu vou achar que você está afim de mim, Anderson. – sussurro manhoso para ele
– Eu estou muito afim de você, Smythe. – ele ergue a sobrancelha de um jeito sensual enquanto sussurra a resposta de volta.
– Você, por acaso, está tentando me levar para a cama? – pergunto no mesmo tom.
– Sei que você pode ainda estar desconfortável pelo o que rolou com o Kurt e talvez não se sinta à vontade... – é engraçado a forma como ele consegue se constranger e enrolar sozinho. – O que eu restou tentando dizer é que a gente não vai fazer nada que você não queira ou não se sinta confortável em fazer.
– Mas essa é a sua intenção, não é? – pergunto sorrindo. Ele ter planejado uma noite para me levar para a cama não me ofende em nada. – Por que eu sei que você tem fetiche com caras com roupas sociais... Por isso tinha essas roupas aqui me esperando no banheiro.
Ele cora constrangido e é adorável.
– Não se atreva a se desculpar por isso. – sussurro.
– Eu não ia. – ele diz com seu olhar penetrante e sedutor. – Não posso me desculpar por ser apaixonado por você, por me sentir atraído por você e por te amar.
Agora sou em quem cora em constrangimento. Provavelmente ele ache minha reação adorável também por que ele sorri. Eu nem sabia que ainda sabia corar. Depois de todas as coisas que já fiz, muito me surpreende. Ainda assim, Blaine Anderson, o garoto de ouro, consegue me fazer parecer um adolescente virgem tendo suas primeiras experiências.
Não voltamos a falar por alguns minutos. Dançamos Saving All My Love For You da Whitney Houston, Don't Wanna Lose You de Gloria Estefan e The Night We Met de Lord Huron. Na última parece que Blaine quer mandar uma mensagem para mim por que ele me olha intensamente enquanto dançamos. Bom, também é ao final dessa música que as coisas começam a esquentar entre nós.
Blaine muda a playlist novamente, as músicas ainda são românticas, mas não tão lentas. Stay With Me de Sam Smith toca embalando nossa seção de pegação no sofá.
Blaine passa seus lábios pelos meus, passa-los sobre os meus e não beija-los só aumenta a tentação. Quando Blaine finalmente sede, nossos lábios se chocam dando abertura para nossas línguas se tocarem. Deslizo a mão esquerda de seu pescoço para seus cabelos perfeitamente alinhados. O que torna muito mais prazeroso passar meus dedos entre eles e o descabelar.
Não sentimos necessidade de pressa por que temos todo o tempo do mundo para isso. Beija-lo novamente, estar em seus braços é como voltar para meu lar. Blaine me beija enquanto sua mão desliza meticulosamente de meu rosto até minha cintura, não passando além dessa linha.
Passamos longos minutos apenas nos beijando. Nunca havíamos feito aquilo antes. Não portanto tempo. Sua boca perde a gelidez dada pelo sorvete a tornando quente, humedecida e deliciosa. A pressão de seus lábios contra os meus me excita rapidamente. Sou o primeiro a desistir do beijo na boca para algo amais.
Ainda com Sam Smith cantando, mas agora a canção é Lay Me Down. Nossos movimentos tão calmos e passivos tanto quanto a música. Ela nos ajuda a não apressar as coisas e aproveitarmos mais. Passo meus lábios em sua mandíbula contraída até que eu chegue em seu pescoço.
A gola de sua camisa não me dá toda a liberdade que gostaria em seu pescoço, mas me contento com o pouco exposto. Blaine arfa enquanto o beijo sem pressa. Prendendo seus dedos entre meus cabelos sinto sua respiração quente saindo de sua boca e passando pela minha orelha direita.
Blaine me obriga a sentar no sofá enquanto ele se ajoelha sobre o sofá comigo entre suas pernas. Ele está alguns centímetros acima de mim. Afrouxo o nó de sua gravata borboleta para que eu segure a ponta e a desate. Blaine mordisca seu lábio inferior enquanto me observa desabotoando o primeiro botão em seu colarinho.
Não sou capaz de controlara minha vontade de beijar seu pomo-de-adão protuberante. Passo meus lábios o beijando no pescoço, mas logo Blaine me afasta dele para que eu o olhe.
– Eu te amo! – ele sussurra para mim.
– Eu te amo! – o respondo com todo o meu coração.
Quando Blaine fez a playlist, ele restava engajado no Sam Smythe, por que a próxima também é dele. I’ve Told You Now toca agora. Seguro Blaine pela parte de trás de suas coxas dando uma boa apertada nelas, para depois subir as mãos para sua bunda deliciosa.
– Você quer fazer isso? – ele pergunta entre arfadas.
– Quero muito fazer isso. – olho para cima para responde-lo.
Volto a beijar seus lábios, mas começamos a rir. “O que está fazendo?” ele enquanto se segura em meus ombros com os lábios colados nos meus.
– Apertado sua bunda. Por que? – afrouxo minhas mãos de suas nádegas.
– Você está quase esmagando ela. – ele fala rindo.
– Tudo bem. Eu não vou pegar pesado.
Nossa pegação continua até que Blaine sugira para irmos para o meu quarto. Andamos até ele entre tropeços e esbarroes com a mobília e paredes do apartamento. Para a minha surpresa, a decoração romântica se estende também para esse cômodo. Sob a cama há pétalas de flores soltas espalhadas, assim como no chão. Na calçadeira baú, no pé da cama, há duas taças vazias ao lado de uma garrafa de champanhe em um balde de gelo, alguma parte já derretido.
– Nossa! – digo impressionado olhando ao redor.
O quarto tem cheiro floral graças as velas acesas. Blaine anda até ficar de frente para mim, com uma leve puxada pelo colarinho de minha camisa, sou aproximado dele. Ele beija minha mandíbula, assim como havia feito com ele.
Os pelos em meu corpo se eriçam enquanto ele desliza suas mãos pelo meu abdômen sobre a camisa. Com sua ajuda tiro seu paletó exibindo a camisa quadriculada que fica bem justa em seu corpo e ressalta sua musculatura. Blaine avança alguns passos, o que me faz dar passos para trás até que minha perna esbarre com na cama.
Me sento na cama puxando Blaine comigo para deitarmos verticalmente sobre ela enquanto voltamos a nos beijar. Dessa vez nossas mãos exploram o corpo um do outro com mais precisão.
Enquanto Blaine acaricia meu rosto, abandono sua boca para pegar seu polegar com a boca e chupa-lo enquanto o olho fixamente. Blaine abre seus lábios em um sorriso carregado de malícia e desejo enquanto me observa brincar com seu dedo.
Nos livramos de nossos sapatos de forma desajeitada e ruidosa, o que me faz descontrair e rir um pouco. Mas Blaine não perde tempo com brincadeiras. Com um movimento preciso e rápido ele puxa minha perna pela parte de trás de meu joelho a deixando na altura de sua cintura.
Desabotoo sua camisa devagar enquanto Blaine beija meu pescoço. Quando me livro de sua camisa, é ele quem começa a se livrar da minha. Blaine descasa os botões sem dificuldades. Ele faz um joguinho interessante que a cada botão descasado, ele beija a parte recém despida de meu tórax.
Mesmo com os lábios dormentes continuamos a explorar o corpo do outro com os lábios e mãos. O ritmo que Blaine empoem a nós é para que aquilo perdure a madrugada inteira.
– Você está tão afim de mim que mal consegue disfarçar. – brinco enquanto minha mão está dentro de sua cueca.
– Vamos com calma. – ele pede.
Blaine sugere que eu me deite de costas enquanto ele se levanta da cama para pegar alguns tubos na mesa de cabeceira. Ele se senta em minha bunda, posso senti-lo perfeitamente e isso me deixa mais aceso.
Dispersando um pouco do conteúdo de um dos tubos em minhas costas e com destreza, ele começa a esfregar o óleo em minha pele. Em seguida suas mãos começam a me massagear. Bom, eu poderia dizer que isso é massagem, mas fala sério, o que ele está fazendo parece algum tipo de bruxaria por que é muito bom.
Gemo baixinho com os movimentos que faz em minhas costas e felizmente ele move sua pelve sobre minha bunda me fazendo sentir seu pau enrijecido. Mordisco meus lábios todas as vezes que o sinto pressioná-lo contra ela.
– Isso está uma delícia, Blaine. – confesso.
– Fica tranquilo que isso não vai ser a única coisa que vai te fazer revirar os olhos e mordiscar seu lábio. – ele provoca com uma voz aveludada e sensual. Essa voz é nova para mim.
– Adoro quando você fala sacanagem no pé do meu ouvido. – murmuro brincando.
Blaine ri me dando um tapinha no ombro. Sinto seu tórax encostando em minhas costas enquanto ele dispersa alguns beijos suaves em minha nuca. Sua pelve roça com mais pressão em minha bunda enquanto ele desliza sua mão sobre meu braço esquerdo até que ela alcance minha mão. A outra mão, porém vai para dentro de minha cueca.
Blaine a agarra com vontade até que decida abaixar a cueca. Com o elástico abaixo da curva das nádegas, ele se esgueira para mais baixo, na cama para então começar a dar leves mordidas em minha bunda.
– Isso aí é novidade pra mim. – falo dando uma espiada por cima do meu ombro.
Livre da minha cueca agora, Blaine beija e mordisca minha nádega esquerda enquanto aperta a direita. Eu estou gostando desse novo Blaine. Não vemos a noite virar madrugada e nem a madrugada virar dia. Passamos horas entre, beijos, apertões, arranhões, tapas, mordidas, puxões de cabelos, gemidos. Blaine grita meu nome assim como grito o seu. Acho que nossos vizinhos não estavam com saudades disso.
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